A velha casa de chá em Seul

Em fevereiro de 2003 estive em Seul, capital da Coréia do Sul. Foi minha primeira viagem internacional… e que viagem!

Pra começar que me puseram num vôo com duas escalas: uma em Chicago e outra em Tóquio, no Japão. Estava bem frio no hemisfério norte. De São Paulo a Chicago eu deveria demorar 10 horas, mas a viagem levou 14 – alguma coisa relacionada a nevascas atrasou o avião. Depois, fiquei 8 horas no aeroporto e voei mais 10 horas até Tóquio. De lá para Seul, seriam 3 horinhas apenas… mas o avião pousou e teve suas asas congeladas pelo frio intenso. Resultado: ficamos 4 horas parados no aeroporto.

Acabei chegando às 2 da matina no hotel em Seul.

Quando desembarquei no aeroporto, como já era madrugada, não poderia pegar o ônibus que fazia todo o roteiro de hotéis pela cidade. Então procurei por um táxi… imagina, todos falando coreano, e daí vem um doido, pega o carrinho onde estava minha mala e pede, num inglês bem ruim, para eu segui-lo que ele me levaria ao hotel… medo!

Mas, fazer o quê? O aeroporto estava praticamente deserto. O jeito é rezar. Entrei no táxi, e o cara começa a puxar papo naquele inglês macarrônico. Perguntou de onde eu era, e eu respondi que vinha do Brasil. Pra quê, né?

Brasil?! Ronaldo!

Afff… tio, me poupe… pensei comigo. Eu com sono, morrendo de cansada, sabendo que teria de acordar cedo pra trabalhar, e ainda tendo que ouvir essas coisas?

Aí, começa a me perguntar de família, se eu era casada, se tinha filhos… putz! Esse cara vai sumir comigo! Eu vou virar escrava branca e nunca mais ninguém vai saber de mim! Arcanjo Migel me ajude! (Pra quem não sabe, o anjo Miguel é o protetor dos viajantes).

Depois de quase uma hora rodando numa estrada deserta e bem escura pro meu gosto, nós entramos na faixa metropolitana de Seul, e logo depois estávamos no hotel.

Trabalhei muito nas duas semanas em que estive lá. Na média, foram mais ou menos 70 horas por semana. Mas, no final de semana, consegui passear um pouco. Conheci os street markets de Seul e suas peculiaridades – vende-se de tudo, de comida mal-cheirosa a casaco de pele. Fomos a Insadong, um distrito com lojas típicas, shoppings… provei um bolinho branco e doce, com recheio meio roxinho… muito bom! Mais tarde descobri que era bolinho de feijão.

Entre cabeças de porco, monges budistas, lojas de lâmparinas e muito, muito jade (original) e ametistas (sintéticas), entramos por um beco que terminava numa portinha de meio metro de largura: uma velha casa de chá (depois fiquei sabendo que se chamava The Flying Bird Old Tea House). Nunca vi NADA igual! A portinha se abriu, subimos por uma escadinha caracol e acabamos num salão de mais ou menos uns 40 metros quadrados. Num dos cantos, mesinhas feitas de tocos de árvore, cadeiras, e pássaros! Pássaros que voavam soltos por dentro da lojinha de chá… lá fora, uma chuvinha fina e gelada caía. Lindo!

Tomamos chás de frutas, compramos alguns souvenirs (eu comprei inclusive um CD de música instrumental… muito bom!), e fomos embora.

Nunca mais me esqueci da lojinha de chá com seus pássaros multicoloridos. Coisas que você só encontra do outro lado do mundo, não é? 😉

The Flying Bird Old Tea House em Insadong, Seul

A Seul milenar...

E a Seul moderna, vista da janela do quarto do hotel.

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