8 de Dezembro, Dia de Oxum

Hoje recebi um email da Luciana, amiga que faz parte do meu grupo de estudos de Teologia de Umbanda Sagrada. O email da Lu veio bem a calhar. Esse dias mesmo estava remoendo com meus botões o porque de tanta gente ter preconceito com religiões afro-brasileiras. Pela frente, claro… porque por baixo dos panos quase 100% da população brasileira já foi a um jogo de búzios, ou a uma consulta num terreiro. Quem ainda não foi àquela moça que recebe uma cigana e lê cartas? Quem nunca foi num pai de santo e pagou pra ter sua sorte lida nos búzios? Quem nunca tomou um banho de ervas ou sal grosso? Quem nunca acendeu uma vela pro seu anjo guardião?

O povo brasileiro, por si só, é místico. Místico no sentido mais profundo da palavra: o brasileiro “sente” a vida de uma maneira diferente. Vi isso ao redor do mundo, em muitas viagens, tendo contato com inúmeras culturas. Igual à nossa religiosidade, só no extremo oriente, onde o espírito dos antepassados são cultuados até hoje através de seus ensinamentos milenares.

Mas parece que o brasileiro, de modo geral, tem vergonha de dizer que gosta de ir a um terreiro, seja ele de Umbanda ou Candomblé. Tem vergonha de dizer que professa uma religião trazida a nós por negros escravos. Pensa que isso é coisa de gente ignorante. Que triste.

Mas, voltando ao email da Lu, ele fala sobre o projeto de lei sancionado pelo governador Sérgio Cabral e publicado no diário oficial desta sexta-feira:

“RIO – Uma lei sancionada pelo governador Sérgio Cabral e publicada no Diário Oficial desta sexta-feira transforma o Dia de Oxum, comemorado anualmente no dia 8 de dezembro, em patrimônio imaterial do Estado do Rio. A nova norma, de autoria do deputado Átila Nunes (DEM), determina que festejos deverão ser programados e realizados pelas secretarias de Turismo e Ciência e Cultura e incluídos no calendário oficial e turístico do estado.

– Vários símbolos afro-brasileiros ultrapassaram a ligação com determinadas religiões. Você não precisa ser budista para ter admiração pelos ensinamentos de Buda, por exemplo, e isso acontece com muita regularidade com símbolos das religiões afro-brasileira. A Candelária e o Cristo deixaram de ser somente monumentos católicos para se tornarem referências do Rio, como a festa de Iemanjá passou a ser uma comemoração carioca. É importante preservar essas manifestações, e as celebrações para Oxum já são típicas na cidade há mais de 300 anos – ressalta Átila Nunes.”

Fiquei extremamente contente em saber que Oxum, a rainha das cachoeiras, senhora regente do Amor no planeta, terá seu dia imortalizado. Não que isso faça qualquer diferença para a divindade, mas o fato marca a dissolução lenta dos estereótipos e preconceitos que marcam os orixás e as religiões afro-brasileiras.

 Ayê, yê Oxum!

Oxum é sincretizada no cristianismo com Nossa Senhora da Conceição. É um orixá feminino, irradiante, positivo. Ela, junto com Yemanjá, são as orixás que melhor fundamentam e caracterizam o arquétipo da “mãe”. Em Oxum temos o amor universal que é caracterizado pelo amor de mãe a um filho. Não há no mundo maior amor que este. É a ela que recorrem as moças quando têm dificuldades de engravidar, geralmente ofertando-a com melões e flores.

Sua cor é o rosa; seu símbolo, o coração; sua pedra, o quartzo rosa. É ela quem dispensa o raio da abundância sobre todos, porque só o amor realmente nos preenche a vida. Seu arquétipo é de uma moça bonita, vestida de dourado, que vive à beira das cachoeiras de águas doces e cristalinas, penteando seus longos cabelos negros e olhando-se num espelho. A beleza de Oxum vem de seu amor, maior que o próprio mundo!

Ninguém fica indiferente diante dela – sua energia nos enche de alegria, e nos traz lágrimas aos olhos. Seu par energético é Oxumaré, que restringe na humanidade os excessos perpetuados em nome do amor. Juntos, eles simbolizam a renovação e o renascimento, protegendo todas as crianças, inclusive aquela criança interior que trazemos dentro de cada um de nós.

Portanto, se na sua vida faltam a ingenuidade infantil, o sorriso franco e sem malícia, a amizade infantil que não pede nem julga, acenda uma vela rosa para mamãe Oxum. Pode juntar à sua vela um copo com água (se tiver de fonte ou cachoeira, melhor) e flores. Peça que as energias de amor de Oxum venham até você e lavem sua alma, renovando seu interior e sua vida como um todo, abrindo as portas da abundância e da alegria para você.

Ela é mãe; ela entende, pode crer… rs…

Pra quem quiser aprender mais: Oxum na Wikipedia. Eu descobri, por exemplo, que o nome Oxum deriva de um rio, chamado Osun, que corre numa das regiões nigerianas na África. Lá também estão seu bosque sagrado, e seu templo, considerado Patrimônio da Mundial pela UNESCO desde 2005.

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