Manifesto em prol do feminino

Nunca fui o tipo de menina submissa, boazinha, “mulherzinha”. No ginásio eu não permitia que menino nenhum fizesse as coisas melhor que eu. Fui uma excelente aluna sempre, e não tinha um moleque em sala de aula que soubesse mais química, matemática ou biologia que eu. Era uma questão feminista pura e simples, e eu nem me dava conta disso na época.

Mesmo assim, com o passar dos anos, e a entrada na adolescência, comecei a buscar um companheiro assim como todas as outras fêmeas da espécie. Com 15 anos comecei a namorar um rapaz com quem casei aos 21 e me divorciei dele aos 29. Nunca cultivei ideais românticos, pelo menos não conscientemente, e essa minha maneira “machona” de viver a vida me rendeu muitas dores de cabeça. Acabei atraindo para meu companheiro um homem que não tinha opinião própria, que não gostava de desafios nem de riscos, que era o filhinho da mamãe, e que eu acabei incentivando a continuar assim por um bom tempo. Espero em Deus que isso tenha mudado.

Bom, mas esse post não é sobre recordações da minha vida, e sim sobre o papel feminino na humanidade. Ultimamente eu tenho estudado muito os livros de Rubens Saraceni. Somados ao conhecimento desses livros, eu tenho outros da época da escola, e de outros tantos livros, filmes e documentários. O fato é que o papel da mulher em muitas sociedades antigas, foi a da companheira que ampara, que dá sustentação em pé de igualdade com o homem. É a mulher que se dedica às plantas medicinais, é ela quem tem sutilidade suficiente para lidar com curas, espiritualidade, artes. E nem por isso era mal-vista, vilipendiada, submissa, ou “menor” hierarquicamente que o homem.

Mas, em algum dado momento isso tudo muda. A mulher passa a usar esse seu “poder” todo para distorcer, corromper, separar. Usa o corpo como arma, como objeto de troca, e assim passa a ser vista como a incorporação do mal em quase todas as sociedades até os dias atuais. E aí chegamos ao que eu queria deixar aqui para vocês pensarem:

Existe um arquétipo na religião de Umbanda que se chama Pomba-gira, ou Bombogira, como queiram (por favor, não procurem na internet – é uma perda de tempo total… se querem aprender mesmo, comprem o livro do Rubens, o nome está no final do post). Neste arquétipo se manifesta a mulher guerreira, aquela que não se deixa submeter. Aquela que é o desejo personificado, mas nem por isso se deixa tocar por um qualquer. Aquela que entende como ninguém de dinheiro e abundância, porque o estímulo é o seu fator principal. É ela quem insufla o desejo, não somente sexual, mas também em todos os outros campos da vida – desejo pela fé, pelo amor, pelo conhecimento, pela lei, por justiça, pela evolução e pela geração. Quando ela se retira, toda a vontade de viver se esvai. Não há mais estímulo, desejo. Tudo seca e definha, morre.

Ou seja, sem a mulher, o mundo não anda. Enquanto arquétipo, Pomba-gira sintetiza tudo aquilo que nós deveríamos ser no mundo, e que no entanto se perdeu por causa da queda feminina nos únicos dois sentidos irradiados por Orixás femininos – a geração (Yemanjá) e o amor (Oxum). Quando as mulheres passaram a usar do amor e do desejo que insuflam para dar vazão a seus desejos de poder e mando, subjugando filhos, maridos, companheiros, etc., tudo foi por água abaixo. A sacerdotisa virou bruxa, queimada na fogueira; a dançarina virou puta, e foi jogada na lama como a mais baixa fêmea da espécie; e a mãe/esposa virou a Amélia, que esquenta a barriga no fogão e esfria no tanque, sem direito a voto nem vontade, burra e submissa.

E o mundo tornou-se o que é hoje. Que pena. 😦

E quando eu vejo essas moças rebolando a bunda na TV, aumentando peito, inflando a boca com gordura animal, etc., eu me lembro que eu também sou mulher e que eu não gosto desse estereótipo. E eu me lembro que eu tenho uma filha para criar e educar nesse mundo. E eu vejo tudo distorcido, os valores, o ideal de beleza, a educação, a distração, tudo. E sinceramente, nessas horas, eu tenho vontade de pegar o próximo ônibus espacial para Marte… quanto será que está a passagem, hein? 🙂

Para quem se interessou pelo assunto, sugestões de leitura:

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Um pensamento sobre “Manifesto em prol do feminino

  1. Como sempre,Sarah,mais uma colocação sua permeada por sabedoria,temperada por alegria de viver,exornada por expressivo acerto em sua argumentação!! Aqui quero acrescentar o seguinte: Em determinadas condições e formatações evolutivas,um Espírito relativamente antigo em termos de reencarnações terráqueas,que já possua uma bagagem de vivências ora masculinas,ora femininas,há que ter assumido,internalizado,em termos etológicos,isto é,comportamentais,os arquétipos de ambas as polaridades,isto é,o masculino e o feminino,configurando o que se conhece – bem pouco,aliás – como sendo um ANDRÓGINO PSÍQUICO. É algo maravilhoso,conquanto bastante mal compreendido,porque se tem ambas as polaridades funcionais operacionais,porém,em geral – cada caso é único,e a opção sexual é também para ser ao menos respeitada…. – dizia, em geral o Ser dotado de androginato psíquico sói ser heterossexual, conquanto que,se mulher nesta existência,não apresente,nem qualquer submissão,nem instinto materno. De qualquer forma,é maravilhosa a complexidade de cada um de nós,enquanto Espírito,enquanto Ser imortal,não é mesmo? Aceite meus cumprimentos por mais este seu texto.

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