13 de Maio – A Lei Áurea

Ontem foi dia 13 de Maio. Para quem não se lembrou, nesse mesmo dia, no ano de 1888, nossa então Princesa Isabel assinou a chamada Lei Áurea, cujo conteúdo aboliu a escravatura em nosso país. Embora isso tenha ocorrido há 122 anos, ainda hoje verificamos, aqui e ali, resquícios dessa época triste.

Não é possível, hoje, imaginar as agruras que aqueles povos, separados de seus entes queridos, de sua pátria, de suas raízes históricas e culturais, sofreram. Acho que qualquer coisa que se descreva ou diga será pouco. Mas fica aqui a lembrança, e o agradecimento, a esses povos que ajudaram a forjar, a ferro e fogo, nossa identidade cultural, nosso país.

Se antes eram tratados como animais, considerados como se não tivessem nem alma, hoje têm seu lugar na sociedade, ainda que o preconceito reine em muitos locais. As raízes de sua cultura fizeram-se fortes, apesar do massacre constante – na culinária, na literatura, na música, na espiritualidade, no sangue brasileiro.

Adorê as almas!

Os negros, principalmente da nação Nagô, trouxeram ao Brasil as divindades ligadas à natureza, que não precisavam de nada mais que suas vozes e seus atabaques para serem cultuados. Desta rica cultura nasceu, a 15 de Novembro de 1908, a religião de Umbanda pelas mãos do médium Zélio de Moraes.

A intenção era quebrar mais um preconceito – os então centros espíritas da época eram por demais “eletistas” e atingiam muito pouco as classes médias e baixas. Pai Zélio, como ficou conhecido, fundou a religião onde todos, velhos e crianças, brancos, negros e índios, ricos e pobres, estariam irmanados.

Na Umbanda, um dos arquétipos mais difundidos é o de Preto Velho. Esta linha, regida pelos Mistérios Anciões (Obaluaê, senhor das passagens, Trono Masculino da Evolução; Omolu, aquele que rege sobre a morte, Trono Masculino da Geração; Nanã, senhora da decantação, Trono Feminino da Evolução; Oxalá, o Pai do branco, Trono Masculino da Fé), apresenta-se sempre “curvada” pelo peso da idade e dos conhecimentos advindos da experiência de vida. Ouvem nossas mazelas com acentuada doçura e paciência. Têm sempre uma palavra amiga, palavra de vovô e de vovó. Trazem de dentro de nós todas as mágoas e tristezas, que acabamos por transformar em lágrimas à sua frente. Impossível descrever a bem-aventurança, a emoção de sentar-se frente a frente com um desses manifestadores da fé e da bondade.

Fumando seus cachimbos, seus cigarros de palha, tomando seu café e estalando os dedos no ar, vão ouvindo, e acenando com a cabeça. Quando nos falam, suas vozes vêm carregadas de carinho e atenção, mesmo quando estão a nos dar uma “bronca”.

Se você nunca sentiu a alegria infantil de conversar com um desses “velhinhos”, faça o teste. Nem que seja só para sentir o abraço fraterno de um deles.

Acredite: é como estar, naquele momento, no colinho de Deus… 🙂

Adorê as almas!

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