Vergonha de mim…

Estou numa dessas encruzilhadas da vida onde decisões (dolorosas) precisam ser tomadas. Nunca, desde que comecei a ter consciência política, e a ter meu ganha-pão, tive tanta incerteza quanto ao futuro, tanto receio por mim e pelos meus. Agora, diante dos meus olhos, algumas opções se abrem… e como diz a canção católica: “segura na mão de Deus e vai…“. E é só isso mesmo que me resta fazer. Quantas vezes fiz planos e tudo saiu ao contrário? Quantas vezes quis controlar, para meses depois descobrir que, se tivesse seguido (realmente) a vozinha interior, tudo teria sido mais fácil e melhor? E é por isso mesmo que agora vou embarcando nas oportunidades que se apresentam, tentando levar a vida como Deus quer. 🙂

Bom, mas pensando nisso tudo, vi o programa Sr. Brasil, na TV Cultura, liderado pelo incrível Rolando Boldrin, no domingo pela manhã… principalmente porque minha filha adora o som da viola caipira. E ele começou o programa declamando um texto muito bonito, que me tocou o coração e me fez vir às lágrimas… justamente por ser exatamente daquela maneira, indignada e triste, que eu venho me sentindo há tempos com relação ao meu país. O texto, veiculado em seu programa como sendo de autoria de Ruy Barbosa é, na verdade, da escritora Cleide Canton (sempre verifiquem a autoria, certo?).

Segue abaixo o texto na íntegra.

Sinto Vergonha de Mim

Sinto vergonha de mim por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez no julgamento da verdade,
a negligência com a família, célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar atos criminosos,
a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”,
voltar atrás e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”.
(este trecho sim, de autoria de Rui Barbosa)

Deixo a vocês a interpretação do texto por Rolando Boldrin, na intenção de que emocionem-se como eu. Está na hora de pararmos de sentir vergonha de sermos brasileiros…

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