Aqui e acolá

Como médium atuante de uma casa espiritual, eu vejo muita coisa. Mas, antes disso, sempre soube que tem bastante gente por aí sendo taxada de louca, internada, colocada sob forte medicação, que chega a morrer ou mesmo a vegetar pelo resto da vida, simplesmente porque a família, ou a própria pessoa, não acredita que possa existir “algo mais” por detrás daquele quadro clínico.

Durante a vida do médium Zélio de Moraes – fundador da Umbanda no Brasil, na Bahia do final do século XIX, ele tinha livre acesso aos hospitais e hospícios. Conta-se que os médicos louvavam suas visitas, e que ele ia sistematicamente indicando “levem esse ao terreiro”, “esse fica”, “esse também vai”. E assim salvaram-se muitas vidas que poderiam ter sido passadas ao largo, vegetando sob a influência de remédios.

Infelizmente hoje somos “civilizados” demais, “tecnológicos” demais, “instruídos” demais para coisas desse tipo. E muitos se perdem por pura ignorância dos mecanismos da Vida.

Alguns, no entanto, acabam chegando até nossa casa, assim como em muitas outras, acredito. O primeiro caso que me chamou a atenção foi de um rapaz que, à primeira vista, me pareceu débil mental. Não andava sozinho, tivemos que escorá-lo o tempo todo. Babava, e não conseguia manter a consciência, não conversava quase nada, mal articulava uma palavra sequer. Ao fim do atendimento saiu andando e sorrindo, como se nada tivesse acontecido. Fiquei atônita.

Na semana seguinte, mesma coisa – volta o rapaz com o mesmo aspecto de débil, mesma dificuldade de andar e falar. Novamente passa pelo atendimento e novamente sai outro.

E mais uma vez, na semana subseqüente, ele apareceu do mesmo jeito. Só que, desta vez, foi atendido pelo médium chefe da casa, e foi advertido pelo guia espiritual – estude, aprenda… ou nem precisa mais voltar aqui.

E lá está o rapaz aprendendo a lidar com sua mediunidade latente, com sua sensibilidade fora do comum. Não voltou mais àquele estado débil de antes, voltou a trabalhar, e até levou um amigo americano para assistir a uma gira. O amigo dele ficou encantado e perguntou porque não existia nada igual àquilo no país dele… é, nós somos um povo abençoado e nem sabemos disso.

Esta semana, uma moça me chamou atenção. Bateu-se, vociferou, chorou. Ajudei a segurá-la para que não sofresse nenhum dano físico durante as incorporações. Não sei que caminho seguirá, mas com certeza é mais uma dos que sofrem sem saber porque.

Que tristeza. Será que essas pessoas não compreendem o recado? Ele é simples, e foi dado por Jesus a mais de dois mil anos atrás:

Conhece a Verdade, e a Verdade o libertará.

Veja bem, Verdade com letra maiúscula. Ele não estava falando da verdade que eu sigo na Umbanda, ou que você segue no Catolicismo, ou que fulano segue no Islamismo, etc. Não, ele estava falando de algo além da religião, além do conhecimento material, além de nossos pobres cinco sentidos físicos. Aliás, ele nem mesmo fundou qualquer religião que seja… só pediu que espalhassem a Verdade, nada mais.

Nossas crianças

E pensando nisso, eu gostaria de incluir aqui minha preocupação com a educação que damos às nossas crianças. Somos ávidos em pagá-las cursos de inglês, espanhol, judô, balé, faculdade, pós-graduação… e por aí vai. Mas já parou para pensar que tipo de educação espiritual se dá a um filho?

Existe algo mais importante do que ensinar uma criança a ter Fé? Veja bem, Fé com letra maiúscula, ou seja, não estou aqui falando de dogmas, de religião, de cultos. Estou falando de Fé.

E só tem Fé quem conhece a si mesmo. E só conhece a si mesmo quem compreende, sente, acredita que É muito mais do que aquilo que se pode ver e tocar. E só tem Fé quem estuda, compreende, domina e aceita, a Verdade.

Sim porque, sem Fé, seu filho, na primeira grande atribulação da vida, cairá no desespero. Poderá tentar a bebida como remédio. Ou talvez, naquele estágio da vida mais problemático, a adolescência, ele entrará em conflito e se imiscuirá nas drogas, como uma fuga da “realidade” que ele tanto detesta. E daí, de que adiantaram os anos de balé? Ou de inglês? O colégio caro?

Nada, de nada adiantarão.

Não defendo aqui a não educação formal de nossas crianças, por favor. Desejo apenas que nós comecemos a pensar que elas são sim um ser completo – corpo, mente e espírito. Devemos cuidar dos três, não é mesmo? 😉

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2 pensamentos sobre “Aqui e acolá

  1. OI!

    Papo de mãe consciente. Enquanto algumas estão preocupadas em “vestir” seus rebentos com as grifes da moda, jovens mães conscientes como você. vive e alerta as outras para a questão mais importante da educação: a espiritual.

    Espero seu livro e sempre estou aqui lendo.

    Lendo e aprendendo.

    Beijos

    Merit Rabanés

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