E se houvesse mais educação?

Enquanto escrevo essas linhas, ouço Celtic Woman, no DVD Songs From The Heart. A música é The Call, e foi minha filha, de um ano e onze meses de idade que veio até aqui pedir-me que colocasse “as moças” para cantar.

É um show ao vivo, na Irlanda. O cenário é belíssimo, assim como as músicas, a interpretação, a iluminação, o figurino. Ninguém pelado, ninguém rebolando a bunda. Nenhuma das músicas têm mensagens dúbias sobre sexo, violência, drogas. Todas falam de amor (à pátria, ao outro, de mãe), superação, felicidade. As vozes são magníficas e foram treinadas desde muito cedo, através do canto lírico, para que atingissem seu melhor. São mulheres lindas, embora de todos os padrões – gordinhas, magras, cabelos escuros, ou claros. Nenhuma me parece ter se preocupado com plásticas ou coisas assim, pois estão ali apresentando suas vozes, sua arte, nada mais.

A música preenche o ar e é bonito ver, naquele frio que parece fazer no dia em que foi gravado, crianças de colo, embaladas por suas mães, assistindo a um espetáculo como aquele. Como deve ser bom fazer parte de um povo educado, não é mesmo? Um povo que tenha gostos mais refinados, menos funk, mais Vivaldi. Menos Bruna Surfistinha, mais Jane Austen.

Como deve ser bom fazer parte de um país que incentiva a cultura, a leitura, a educação. Não estou dizendo que a Irlanda é perfeita ou coisa parecida. Tenho amigos morando lá, e sem que nem tudo é perfeito. Assim como já estive também em muitos lugares no mundo.

Mas quando vejo algo assim, eu fico imaginando o que o Brasil poderia ser. Meu Deus, já imaginaram? Se tivéssemos 100% de nossa população alfabetizada, com moradia e atendimento médico de qualidade. Se a profissão do professor fosse a mais importante no país – afinal de contas, sem ele, nenhum outro profissional existiria. Como seria bom ter um governante que soubesse a importância de se ter um povo “desperto”, ativo, trabalhador e, principalmente, educado.

Eu espero um dia ainda ver meu país assim. Porque eu infelizmente tenho que concordar com aquela piadinha que diz mais ou menos assim:

São Pedro estava debruçado sobre o mapa do mundo, decidindo onde cada desafio seria colocado. Um de seus ajudantes se aproxima e pergunta o que ele está fazendo.

[São Pedro] – Estou distribuindo os “desafios” do mundo.

[Ajudante] – Como assim, senhor?

[São Pedro] – É simples… está vendo aqui, esta ilha? Vou por um vulcão aqui, que entrará em ebulição de tempos em tempos. Já aqui, no continente, desenhei uma falha geológica, para lembrar essas pessoas do quão transitória é a vida material…

E assim São Pedro continuou. Vendo que nada havia sido colocado sobre o Brasil, o ajudante pergunta:

[Ajudante] – Senhor, e aqui, o senhor deixará esta terra sem desafios? Será o paraíso na Terra?

São Pedro deu uma risadinha de canto de boca e respondeu:

[São Pedro] – Não, não… você vai ver o “povinho” que eu vou colocar ai…

É, minha gente, só rindo mesmo. Um dia a gente chega lá.

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