Oxumaré e os Erês

Ontem, 27 de Setembro, minha filha fez mais um mês de vida, e foi dia de Cosme e Damião. Diz-se que os santos gêmeos eram originários da Arábia e, tendo feito medicina, passaram a curar enfermos e fazer milagres, tudo em nome do Cristo.

Tornaram-se então uma ameaça à Roma por não cultuarem seu panteão de deuses, e assim foram torturados e mortos.

Algumas histórias contam que, ao tentar matá-los, foram amarrados e jogados de um depenhadeiro, mas não se feriram. Tentaram afogá-los, mas foram salvos por anjos. Tentaram então apedrejá-los, mas as pedras atiradas voltavam a seus agressores sem feri-los. Por fim, foram degolados.

Diz-se que, depois de mortos, passaram a proteger as crianças que sofriam abusos, aparecendo a elas. Por isso são considerados protetores de todos os pequenos.

Na Umbanda Sagrada comemoramos a Linha de Erês durante esta semana. Faz-se festa nos terreiros, com bolo, refrigerante, balas e doces distribuídos às crianças. Em alguns terreiros os sacerdotes distribuem também brinquedos. É um verdadeiro Natal fora de época! 🙂

Erês

Mas quem são os Erês? Erê vem de “iré”, que significa “brincadeira, divertimento” no dialeto africano Yorubá. Os Erês são seres naturais, ou seja, não são humanos, nem nunca encarnaram na Terra. Eles vivem numa dimensão onde o amor é a força sustentadora de sua evolução. Lá nascem, crescem, aprendem e evoluem. Nessa dimensão são guardados, protegidos e amparados por todas as mães orixás, que os orientam para que evoluam com consciência da leis divinas.

Esses seres incorporam nos médiuns de Umbanda e com suas brincadeiras, seus carrinhos, bonecas e brincadeiras, conseguem ir ao âmago dos consulentes, tirando de seus corações mágoas profundas, que só a inocência do amor verdadeiro pode curar. São excelentes para desfazer trabalhos negativos, e conseguem nos fazer rir mesmo nas situações mais difíceis.

Para a incorporação de um Erê o médium deve estar muito bem energeticamente, em paz e sem ter comido ou bebido nada muito forte ou de difícil digestão, pois a energia desses pequenos é muito mais refinada que a nossa.

Oxumaré

A linha de Erês é regida pelo orixá Oxumaré, masculino, absorvente, de polaridade negativa, juntamente com seu par magnético Oxum, feminina, irradiante, de polaridade positiva. Oxumaré é o orixá que rege a renovação em todos os sentidos da vida, e sendo assim sempre está representado junto ao arco-íris divino. Sua cor é o turquesa, assim como sua pedra. O caduceu, como símbolo de cura e regeneração também pode representá-lo, assim como a serpente que faz um oito sobre si mesma mordendo a própria cauda – ela representa o infinito, a renovação constante, a reencarnação. Oxum irradia amor e abundância, e Oxumaré transmuta todos os excessos, renovando nossos sentidos para que possamos “renascer” sempre.

Eu Sou o Arco-íris Divino.

Através de meu Pai, de Sua Lei e Justiça, distribuo a renovação aos Filhos da Terra.

Do centro do Amor Divino, suas Sete irradiações descem até os homens, e Eu as renovo.

Sou o início quando se chegou ao fim; e sou o fim de todos os inícios;
Eu Sou a pureza e a inocência, a virtude e o renascimento;

Eu Sou o esquecimento do velho para que o novo possa nascer.

Através de meus filhos diretos restrinjo os excessos no coração dos homens:
A paixão e a fúria serão por mim consumidas, até que só o Amor perdure.

Qual luz que passa pelo prisma, meu Amor se espalha pelo mundo;
Divido-o com todos, até com aqueles que não sabem de mim.

Sob meu manto multicolorido estão todos os inocentes,
Portanto ai daqueles que atentarem contra eles!

Como serpente hei de abraçá-los, e no meu abraço deixarão suas lágrimas
Até que transmutem sua sombra num arco-íris de Amor.

Eu Sou Oxumaré!

(por Sarah Siqueira)

Arô boboi Oxumaré! Ayê yê Oxum!

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5 pensamentos sobre “Oxumaré e os Erês

  1. ao cotrario do que fora dito ERÊS ERAM CRIANÇAS QUE NÃO CUMPRIRAM OU CUMPRORAM SUA MISSÃO NA TERRA E VIERAM A FALECER AINDA CRIANÇA… E GANHARAM UMA LUZ DE OXALÁ, E VIRARAM ERÊ!

    • Obrigada, Guilherme, pela visita.

      Esse é um erro que muitas pessoas cometem, sim. Uma criança, quando encarnada, nada mais é que um espírito humano em evolução. Ela já viveu muitas vezes antes, já foi adulta, possui portanto bagagem, carma, aprendizado, erros, etc.
      O que nós chamamos de Erês são seres encantados — eles nunca encarnaram como espíritos humanos, senão seriam humanizados e estariam então presos à “roda das encarnações”. Estes seres habitam dimensões paralelas à nossa dimensão humana. Lá habitam, evoluem, aprendem. São cuidados e amparados pela mesma Lei Maior e pela mesma Justiça Divina que nós somos, porém, em outro plano.
      Portanto, não são crianças desencarnadas. São seres encantados, com evolução diferente e paralela à nossa.
      Esse seres podem vir a ser humanizados; no entanto, uma vez tornados espíritos humanos, não podem, até onde sabemos, retornar ao seu lar de origem, uma vez que alteram sua vibração.

      Espero ter esclarecido a dúvida.
      Um grande abraço,
      Sarah

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