Yemanjá

Desde criança minha mãe, intuitivamente, ensinou-me a saudar a Mãe das Águas quando chegávamos a qualquer praia que fosse. Era automático – nós largávamos as coisas todas na areia onde íamos nos sentar e seguíamos em direção ao quebra-mar. Ali, com os pés na água, pedíamos licença e saudávamos Yemanjá. Depois voltávamos para esticar a toalha na areia, abrir o guarda-sol, e toda aquela parafernalha que se leva junto quando se vai fazer um bate-e-volta ao litoral.

Anos se passaram, e eu continuei com o procedimento sempre que visitava o mar. Comecei então a freqüentar a Umbanda aqui em São Paulo. O carinho por Yemanjá cresceu dentro de mim, assim como por todos os demais Orixás. Um dia, passeando no Shopping Ibirapuera, vi de relance uma estátua desta mãe numa daquelas lojinhas que se instalam no meio dos corredores. Lembro que passei e vi a imagem de canto de olho somente. Dei mais dez passos e voltei, mecanicamente. Ela era linda… comprei na hora. Naquele mesmo dia levei a imagem ao terreiro para ser abençoada.

Depois, quando comecei meu estudo formal da Umbanda Sagrada, descobri que essa mesma entidade, Yemanjá, era minha Orixá de Frente nesta encarnação. Quando descobri que sua imantação constante me sustentava em vida, fiquei contente, e compreendi minha especial predileção por ela, e meu amor imenso por suas águas.

Respeitemos as águas

E é em nome dessas águas que eu quero falar. As celebrações de final de ano estão chegando, e com elas muita gente vai ao mar saudar Yemanjá e sua força geradora, mesmo aqueles que nunca freqüentaram qualquer religião afro-descendente. E é claro que a entidade mantenedora dos mares recebe todas as boas vibrações e abençoa a todos sem distinção.

Então, em nome dela, eu peço: não depositem em suas águas os barcos de isopor que matam os animais marinhos por asfixia; não joguem em suas águas as rosas inteiras, com espinhos e talos – retirem e joguem apenas as pétalas ao mar, se fizerem questão de jogar algo; não atirem as garrafas de champanhe (ou de perfume), seja na areia, seja na água, nem poluam seu meio ambiente com o espumante destinado ao consumo humano apenas. Tenham bom-senso, pois Yemanjá quer de presente nossos corações cheios de amor e nosso respeito, e não perfumes, bebidas e rosas.

Lembrem-se que nossa Mãe Terra é chamada planeta azul não por coincidência, mas porque foi nas águas dos mares que toda a vida surgiu. Yemanjá e seu poder gerador é mãe deste planeta e merece nosso respeito. Então, façam suas orações, levem suas oferendas mas, no final, limpem tudo – não há necessidade de deixar comida, bebida, pratos, copos, garrafas, flores, papéis, fitas, velas e outros aparatos na praia. Nossa mãe sabe de nosso amor a Ela – vamos agora dar-lhe também nosso respeito.

Filha querida, quando de teu nasicmento, abracei-te.
Recebi teu corpo espiritual em meus braços e liguei teu Ori ao pulso constante de meu coração.
Escolhi a ti em meio a muitas outras almas, porque vi em ti o potencial gerador que necessitava transformação.
Acompanhei-te durante tua geração na carne, e com meu manto sagrado cobri-te para que nada de grave te atingisse e pudésseis chegar à vida adulta.

Pois aqui estás.

Agora, ajoelha-te frente a mim e serve-me.
Dá-me algumas horas de tua vida terrena sempre que puderes, ora comigo, ajuda teus irmãos na carne.

Em consciência, conhecimento e amor, busca-me e ao meu poder gerador e sempre me encontrarás aí dentro de ti.
Faz de mim tua força, lembrando que quase nada afronta o poder das águas.
Os elementos todos tremem diante dele, amolecem e se dobram à sua força, e mesmo a mais dura das rochas tornar-se-á pó frente ao avanço das ondas.

Sê firme como a maré que avança não importando os obstáculos que se apresentem, sabendo inclusive contornar aqueles que, por ora, te pareçam intransponíveis.
Banha-te em minhas águas e o vigor te retornará, pois diluirei em ti tudo aquilo que de pesado carregas.

Respeita a Vida que pulsa sob meu estandarte, lembrando sempre que todos vós nascerdeis envoltos em água – as “águas” de vossas mães terrenas nada mais são que extensões de minhas águas celestes!

Toda a Vida sai de mim, e sendo assim honrarás e respeitarás a tudo e todos como respeitas a mim:

Uma afronta à Vida ferirá diretamente meu coração, não te esqueças jamais!

Honra tua herança celeste, pois és em Terra um espelho de mim.
Quando retornares de teu estágio na carne, minha barca diamantada há de esperar-te para que venhas dar-me conta de teus atos.

Espero então receber de ti um coração leve, banhado no mais puro perfume do dever cumprido.
E se assim for, hei de coroar teu Ori com minha estrela mais límpida para que então, se assim quiserdes, possas continuar tua ascensão como verdadeira Filha da Geração.

Odoyá!

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