Meu primeiro bebê… tem pelos e 7 vidas

Nube nasceu no dia 1º de novembro de 2002, fruto de uma escapulida de sua “progenitora” aos arredores arborizados da residência onde morava no CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial, em São josé dos Campos). A gata-mãe tinha raça (angorá) e pedigree. Então a dona não ficou muito satisfeita com a escapada de sua gata. Mesmo assim, cuidou dela até o parto, quando nasceram três gatinhos – duas fêmeas e um macho.

O macho logo encontrou alguém que o adotasse, mas as “meninas” ficaram por lá, dando trabalho e fazendo traquinagens…

Já cansada das estripulias das três, que incluiram subir à mesa e roubar nacos do presunto posto para o café, a dona lembrou-se de minha mãe e de sua predileção por gatos. A verdade é que, enquanto moramos em nossa casa no interior do estado, chegamos a ter, simultaneamente, quatorze gatos em casa. Era uma festa! Eu adorava e minha mãe queria morrer com o trabalhão que todos eles davam. Mas quem se importa com o trabalho se nós tínhamos risadas, diversão e carinho sem tamanho? Ah… que falta faziam uma câmera digital e um blog naquela época… tantas histórias perdidas…

Mas, voltando à dona da gata e à minha mãe. Elas eram amigas, professoras, e minha mãe foi visitá-la para ver as gatinhas. Encantou-se com todas, claro. Eu morava já em São Paulo na época, estava recém-divorciada, e já há algum tempo dizendo que pretendia adotar uma gata. Minha mãe achava um absurdo, porque eu viajava muito a trabalho, mas eu sentia uma falta imensa de ter um gato dentro de casa.

Eu dizia que queria uma gata branca, porque tinha sonhado com uma gata branca, de olhos muito azuis. E uma das gatinhas era exatamente assim, embora tivesse a ponta do rabo e as pontas das orelhas manchadas de cinza… mas os olhos… eram azuis como os de Elizabeth Taylor!

Minha mãe me ligou, me perguntou se eu queria a gatinha. Eu disse que queria, mas que ela seria a babá, ou seja, todas as vezes que eu viajasse, ela deveria vir para São Paulo cuidar da “mocinha” para mim.

Era fevereiro e eu estava de viajem marcada para Seul. Voltaria para casa no meio do carnaval. Minha mãe levou a pequena para o apartamento dela, vacinou-a e recebeu um atestado da veterinária permitindo que a gatinha viajasse com ela no ônibus para São Paulo, dentro de sua caixa de transporte. Ligou-me da veterinária para saber que nome ela deveria por no atestado.

[eu] – Nube… é Nube o nome dela.

[minha mãe] – Núbia?

[eu] – Não, mãe… Nube… N-U-B-E. Significa “nuvem” em espanhol.

Nube exibe suas "formas" para a câmera... rs...

Minha pequena nuvenzinha (com 1,3 Kg na época) viajou quase duas horas até chegar ao meu apartamento em São Paulo. Ali se aclimatou durante uma semana antes que eu chegasse da Coréia do Sul.

Tornou-se meu bebê, minha fonte constante de carinho e afeição. Quando chegava em casa, tinha mania de não acender as luzes. Ligava o rádio, punha um CD para tocar, e daí ia acendendo as velas decorativas pela sala, na cozinha… ou então deitava-me no sofá para ler, e ela deitava sempre aos meus pés, ronronando.

Quando tomava banho, ela sentava sobre a tampa do vaso sanitário e ficava me olhando… acho que tinha receio que eu morresse afogada com tanta água.

Quando punha roupa na máquina para lavar, ela sentava sobre a máquina e ficava lá chacoalhando no “embalo” do motor.

Natal e Ano Novo ela se sentava no parapeito da varanda (meu apartamento recebeu redes de proteção, viu gentem?) para olhar os fogos de artifício junto comigo e quem mais estivesse em casa.

Minhas roupas pretas nunca mais se livraram dos pelos brancos. Nem o sofá. Nem a cama. Nem as cadeiras da sala de jantar. A gata que era quase totalmente branca foi mudando de cor, mescalndo tons de cinza e bege por todo o corpo… virou “nuvem de chuva” como diz minha mãe. 😀

Enfim, foram dias tranquilos os que eu dividi só com minha amiga Nube, dos quais muitas vezes tenho saudades.

Belah e sua irmã de pelos

Depois veio a gravidez, e o obstetra me perguntou:

[médico] – Você já decidiu o que vai fazer com sua gata?

[eu] – Como assim?

[médico] – Sarah… gatos são perigosos para mulheres grávidas. Transmitem doenças…

[eu] – Doutor, você não está entendendo. Minha gata é minha primeira filha. Eu estou carregando agora meu segundo bebê, entende? Além disso, minha gata não sai do apartamento, tomou todas as vacinas e só come ração. Não existe nenhum motivo pra eu me desfazer dela.

[médico, percebendo que nunca ia me separar da gata] – OK, Sarah… então deixe que sua mãe cuide da caixinha de areia dela enquanto você estiver gestando, por favor.

E assim foi. E minha filha nasceu. E a primeira palavra que a Belah disse foi “caaataaaa” para chamar a gata… 😀

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