O apartamento é meu!

Há três anos atrás, mais especificamente em março de 2008, eu descobri que estava grávida de 7 semanas.

Na época eu morava num apartamentinho de 52 metros quadrados e dois quartos na Vila Olímpia, e ainda me encontrava desempregada. O pior: tanto o apartamento, quanto meu carro, estavam finanaciados na época, e eu recebia ligações diárias do banco dizendo que tomaria meus bens se eu atrasasse mais alguma parcela.

Em meio a tudo isso, continuei frequentando a Casa do Pai Benedito, porque era o único lugar onde eu conseguia forças pra não desistir.

Me lembro claramente das várias vezes em que conversei com o Sr. Exu 7 Covas que sempre me dizia: “você é inteligente, você vai encontrar uma saída”.

Em março mesmo eu fui contratada e comecei a trabalhar. Coloquei meu apartamento à venda, primeiro para saldar as dívidas e segundo porque eu necessitava de uma moradia maior.

Na coasião eu vendi meu apartamento super rápido, quitei meu carro e as demais dívidas e fiquei com cerca de 100 mil reais em mãos para dar entrada em outro imóvel. Os empréstimos bancários eram abusivos e a irmã de uma amiga que trabalha na Caixa Econômica Federal me sugeriu que eu comprasse uma cota de consórcio imobiliário já contemplada.

Procurei na internet e achei inúmeros anúncios vendendo tais cotas. Uma delas me chamou a atenção, eu liguei, e marquei uma entrevista com o corretor.

O consórcio era de uma pessoa que se denominava Sr. Rodrigues, e quando liguei ele pediu que eu conversasse com o corretor dele. Eu fui com minha mãe até a Zona Leste, conversei por mais de uma hora, o corretor me explicou tudo, e eu fiz o negócio.

Investi, na época, cerca de 8 mil reais naquilo, e quando o consórcio estivesse em meu nome, eu desembolsaria mais 20 mil reais.

O embuste

Enquanto isso, eu encontrei um apartamento no Itaim, de 3 dormitórios, que me serviria muito bem. Só que o imóvel estava acabado, cheio de problemas.

Eu dei 10 mil de entrada pra segurar o negócio, e investi cerca de 100 mil reais numa reforma que durou 35 dias. Eu estava no sétimo mês de gravidez.

O consórcio, na verdade, não existia. O corretor e o Sr. Rodrigues eram, na verdade, a mesma pessoa. A empresa de corretagem disse que eu fui conivente e sabia da falcatrua. A vendedora do imóvel me ameaçou despejar e eu perderia todas as economias de uma vida, além de ficar na rua aos 7 meses de gravidez.

E tudo que vinha à minha cabeça era Seu 7 Covas me dizendo: “você é inteligente, você vai encontrar uma saída”.

A solução

Nós fizemos um contrato de aluguel onde constava o preço inicial do imóvel e um reajuste anual pelo IGP-M, além de multa mensal de 1%. Os meses passavam, e a dívida crescia. Se eu não comprasse o imóvel até maio de 2011 eu perderia tudo.

Muitas vezes pensei em desistir, alugar uma casa, começar do zero. Mas a voz do Seu 7 Covas continuava na minha cabeça: “você é inteligente, você vai encontrar uma saída”.

E assim foi. Em novembro de 2010 eu fiz uma simulação no internet banking da Caixa Econômica Federal (como tinha feito milhares de vezes antes) e verifiquei que eu e o Diego podíamos comprar o apartamento enfim. Fizemos dois empréstimos pessoais mais o emprésitmo residencial na Caixa, e em janeiro deste ano, quatro meses antes do prazo final para entrega do imóvel, eu finalmente registrei o apartamento onde moro em meu nome e no nome dele. O valor inicial foi corrigido em pouco mais de 80 mil reais, mas mesmo assim eu paguei 60% do valor atual de mercado deste apartamento. Ou seja, no final das contas, ainda saí no lucro.

O meu muito obrigada

Foram muitos meses de ansiedade, muitas orações, muitas oferendas, muito trabalho, muitos pedidos de inspiração e ajuda. Mas eu nunca me neguei ao serviço, e nunca, jamais, em tempo algum, culpei a Deus ou a quem quer que seja pelos meus problemas. Eu sei que eles foram resultado de decisões que eu tomei em momentos de tensão, sem a devida racionalização na época.

Aprendi, chorei, e hoje tenho uma dívida bem grande a ser paga. Mas tenho minha consciência tranqüila e um teto sobre a cabeça.

Obrigada Seu 7 Covas, Seu Tranca-ruas, Sete Sainhas, e tantos, tantos outros guardiões e guardiãs que, eu sei, olharam por mim e mantiveram minha força e minha serenidade durante todo esse tempo. Obrigada ao Pai Benedito que me acolheu em sua casa para que eu pudesse colocar a serviço dos outros a minha mediunidade durante todo esse tempo. Sem o meu trabalho espiritual eu nunca poderia ter chegado até aqui.

Obrigada aos amigos que sabiam do problema e me deram apoio o tempo todo, sofrendo comigo e por mim, muitas vezes. Obrigada à minha família, ao Diego que manteve muitas vezes a cabeça no lugar quando eu não tive condições para isso; à minha mãe que se dispõe até hoje a me ajudar, poupando-me de fazer mais despesas que eu não teria como saldar.

Obrigada às orações, aos trabalhos de magia, às boas energias que eu sei que vocês todos emanaram.

Eu não vou levar comigo esse imóvel, ou o dinheiro que ganhei e perdi com ele. Mas quando eu me for, a amizade e a gratidão que tenho por todos vocês irá comigo onde quer que eu me encontre.

Obrigada.

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2 pensamentos sobre “O apartamento é meu!

  1. Nossa,Sarah,,,, muitos parabens!!!!
    Você é um exemplo para toda a gente que luta com problemas sérios. Exemplo de fé, coragem e persistência.
    E consciência que quando se dá recebe-se o dobro….
    Desejo-lhe toda a felicidade para o seu coração!
    Fernanda (Portugal)

    • Obrigada Fernanda, pelas palavras de carinho. Não sei realmente se chego a ser exemplo, mas digamos que eu tentei o meu melhor. Houve muitos momentos de tensão, fraqueza, tristeza… mas acredito que o importante é destacar que aquele que realmente compreende e crê nas verdades eternas, nunca se encontra no escuro, sozinho. Qual era o máximo que poderia ocorrer? Eu perder tudo, certo? Mas vezes sem conta eu pensava: eu não sou desse mundo, e quando eu me for, nada levarei. E daí as coisas tomavam a proporção correta e eu conseguia me acalmar. Essa foi a chave, com certeza.
      Um abraço caloroso a vocês todos em Portugal. Meu bisavô, Jonas Marinho Falcão, imigrou de Portugal e veio viver num engenho de açúcar em Recife, nordeste do Brasil.
      Nunca visitei Portugal, mas está na minha lista, viu?
      Cuide-se!
      Sarah

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