Recordar é viver…

Carteira escolar do início do século XX.

Dizem que, conforme a gente vai ficando mais velho, as memórias do passado afloram, enquanto que as mais recentes passam despercebidas. Coisas das quais eu tenho me lembrado:

  • Eu fui para escola aos 7 anos de idade. Antes disso, minha mãe até tentou que eu fizesse o tal “Prezinho” na época, mas não rolou. Eu me lembro bem de dizer a ela: “mãe, se é para ficar desenhando e pintando, eu faço isso em casa mesmo”. Detlahe: eu tinha entre 5 e 6 anos.
  • Eu escrevia com as duas mãos, mas de maneira espelhada. A esquerda escrevida normalmente, enquanto que a direita espelhava todas as letras. Só dava para ler se você colocasse o texto de frente para o espelho. Com o tempo, perdi essa “capacidade”. Mas que era legal, era.
  • Minha primeira carteira escolar era de madeira, daquela que o assento parece um banco de jardim, dobrável. O assento do colega da frente formava um bloco único com o tampo da mesa do de trás, e assim sucessivamente até o último aluno. Eu me sentava na segunda fileira, pois usava lentes de contato e enxergava mal.
  • Eu estudei em escola pública. Tive aulas de português, matemática, estudos sociais, educação moral e cívica, música, inglês, religião, ciências, biologia, desenho artístico, geografia, história, educação física. As notas eram letras (A, B, C, D e E) e a gente repetia o ano por excesso de faltas ou por nota baixa.
  • Os melhores alunos ficavam sempre nas séries denominadas pelas letras A ou B. Eu só descobri isso quando entrei no ginásio (primário era da primeira a quarta séries; ginásio da quinta à oitava séries). Ou seja, se você estudava na 5a. Série A, é porque você era CDF (sigla anterior aos atuais nerds, que literamente quer dizer… por favor, tirem as crianças da sala… “cu de ferro”… eu sei, é horrível). E, sim, eu sempre fui um deles, desde o primário.
  • Eu nunca chorei por ter que ir para a escola. Mas eu demorei muito tempo para ter coragem para pedir licença e ir ao banheiro. Ou seja, normalmente, eu voltava mijada para casa (a sorte é que eu morava na rua da escola). Porque eu fazia isso? Eu tinha vergonha de, na frente de todos os coleguinhas, ter que pedir licença à professora para ir ao banheiro… vai entender.
  • Eu fui uma criança vítima do que vocês chamam hoje de bullying psicológico – era constantemente chamada de todos os nomes possíveis por conta de minha magreza extrema (eu cheguei a pesar 47 Kg em 1.70 m de altura), porque eu era “inteligente demais”, porque minha mãe era professora também e todos os professores me conheciam, porque eu tinha alta miopia (21 graus) e por isso era dispensada das aulas de educação física, e porque, por conta disso tudo, eu era uma criança quieta e tímida.
  • Isso tudo mudou no ginásio, quando eu me tornei uma pré-adolescente turrona e que respondia a todos os insultos na mesma medida. Aprenderam rapidinho a não mexer comigo. Fui para a diretoria por jogar pedras num colega (ele que começou, tá?) e por quebrar uma régua de acrílico na bunda de outro (ele provocou e, portanto, mereceu).

É isso aí. Recordar é viver. Por hoje chega. 😉

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