Sabedoria de preto-velho

Uma coisa estranha me aconteceu na semana retrasada. Levei minha filha e minha màe para tomar um passe e, portanto, não trabalhei naquela quinta-feira. O trabalho era de pretos-velhos, a força anciã da Umbanda. A Belah recebeu o passe e depois quis brincar um pouco mais, e eu fiquei ali de frente para o Guia. Ele me perguntou como eu estava, eu disse que estava bem. E então eu disse a ele que queria agradecer as vitórias do ano de 2010 e dizer que outras oportuidades estavam se descortinando, e que por isso eu queria pedir pelo apoio e pela inspiração deles. E foi então que eu ouvi algo que não esperava:

A fia tá colhendo o que plantô. Essa felicidade toda, essas coisa dando certo, tudo isso é merecimento da fia. Continue fazendo o bem e a fia vai vê como vai continuá recebendo na mesma moeda.

Meu primeiro pensamento foi: imagina, eu não estou fazendo nada demais. Mesmo assim, recebi o passe e as orientações e fui para casa. E a frase ficou ecoando na minha cabeça, e eu negando aquilo.

No desenvolvimento de um médium, uma das coisas que mais aprendemos a observar é o orgulho desmedido. Somos orientados a observar nossos próprios pensamentos e ações para não cair na armadilha do ego inflado, pois esta é a artimanha que mais leva médiums ao descrédito e ao conseqüente abandono de suas atividades.

Por conta disso também, acredito que todos nós, trabalhadores desta seara, não imaginamos o tamanho do bem que fazemos simplesmente ao darmos “passagem” a um Guia para atendimento. Através das palavras que me foram ditas naquela noite eu meio que fui obrigada e compreender a dimensão do trabalho que nós realizamos, não eu sozinha com minha mediunidade, mas todos nós que trabalhamos, de uma maneira ou outra, para a disseminação da caridade e do auxílio ao próximo.

É interessante notar que, se passamos por atribulações, imediatamente nos vem à mente o eterno “é carma”, “estou colhendo o que plantei”, etc. Mas, ao contrário, quando as coisas começam a entrar nos eixos, dificultamos a situação pensando sempre em “quando esta calmaria vai acabar”.

Nunca tinha avaliado minhas conquistas pessoais como resultado do trabalho interno e externo que desenvolvo. Mesmo porque, meu trabalho espiritual me dá tanta alegria, tanto prazer, que eu nunca sequer pensei ou almejei qualquer outro tipo de “recompensa”. O trabalho por si só já é recompensador demais!

Mas as palavras do preto-velho me ensinaram mais uma lição de humildade: é preciso ser humilde também para receber da vida aquilo a que se tem direito, recolhendo a semeadura com gratidão e otimismo.

Taí uma coisa difícil, não é?

Obrigada paizinho! 🙂

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