A religião de Umbanda

Meu marido me pediu que eu enviasse a ele algumas coisas para ele ler sobre a Umbanda. E então eu decidi fazer um resumão por aqui, assim mais gente aproveita… rs…

A Umbanda nasceu, para os nossos olhos e ouvidos mortais, com o Pai Zélio de Morais e o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e também por força do Espiritismo nascente no Brasil que, por sua caraterística profundamente doutrinária e elitista. É interessante notar que o Espiritismo, quando trazido para o Brasil, tornou-se a religião da elite que podia e tinha condições de acessar a literatura específica e os ensinos de Kardec. A Umbanda, quando nasceu, teve em seu cerne a identidade de congregar todas as raças e níveis sociais, sem distinções, inclusive de credo. Até hoje, católicos, evangélicos, espíritas, doutores, advogados, engenheiros, donas de casa, domésticas, todos são acolhidos e aceitos da mesma maneira dentro de uma tenda onde se faça a verdadeira caridade e ninguém, repito, ninguém é doutrinado no intuito de tornar a pessoa Umbandista.

A Umbanda acredita num Deus único, que no dialeto africano se chama Olorum (olo = senhor, orum = céu; o Senhor dos céus), Olodumaré ou Zambi – todos significam Deus nos diferentes dialetos africanos –, e em divindades associadas às forças da natureza que respondem diretamente a Ele. Para os Umbandistas, Deus não tem forma – é a energia primeva de onde tudo e todos emanam.

A Umbanda Sagrada, mais explicitamente “codificada” e explicada pelo espírito Pai Benedito de Aruanda, através de seus inúmeros livros psicografados pelo médium Rubens Saraceni, divide essas divindades em 7 linhas, as chamadas Linhas de Umbanda. Esses também são os sete sentidos da vida e, em magia, o mesmo princípio é aplicado, e os sete sentidos da vida são chamados Trono Divinos. São eles a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Justiça, a Lei, a Evolução e a Geração.

A cada sentido corresponde um par de orixás (ori = chackra coronário sobre a cabeça, sha = senhor; o Senhor de sua cabeça, regente de seu destino), um de essência masculina e outro de essência feminina. Um de polaridade negativa, que age consumindo o negativismo nos seres, e outro de polaridade positiva, que age irradiando energia positiva aos seres.

Por exemplo: uma pessoa é extremamente ciumenta, chegando às raias da violência. Energeticamente, essa pessoa encontra-se com um desequilíbrio no sentido do amor. Essa pessoa pensa que amar é ter posse sobre o outro, e portanto distorceu esse sentido em sua existência. Imediatamente, o trono feminino do amor, a Orixá Oxum, de polaridade positiva, recolhe suas emanações amorosas e o trono masculino do amor, o Orixá Oxumaré, de polaridade negativa, passa a consumir a energia distorcida daquela pessoa até que ela esteja totalmente nula. Ou seja, a pessoa muito provavelmente perderá o objeto de seus ciúmes e ficará sozinha. Em solidão, terá tempo para pensar e avaliar se sua conduta com relação à pessoa que ela dizia amar estava correta e equilibrada, e então deverá ter lucidez suficiente para alterar seu padrão de conduta voltando à normalidade.

Este é um exemplo simplista e, é claro, são poucos aqueles que conseguem reagir dessa maneira. A maioria das pessoas, quando perde algo ou alguém, revolta-se ainda mais, muitas vezes contra Deus inclusive.

A cada sentido da vida, ou linha de Umbanda, também corresponde um elemento. E a cada orixá, ou trono divino, uma cor e infinitos verbos, ou funções, correspondentes aos seus campos de ação.

Trono
Orixá(+)
Cor
Orixá(-)
Cor
Elemento
Oxalá
Branco
Oiá
Branco/azul escuro
Cristalino
Amor
Oxum
Rosa
Oxumaré
Azul cobalto
Mineral
Conhecimento
Oxóssi
Verde
Obá
Magenta
Vegetal
Justiça
Xangô
Marrom
Egunitá
Laranja
Ígneo
Lei
Ogum
Azul escuro
Yansã
Amarelo
Eólico
Evolução
Obaluaê
Violeta
Nanã
Lilás
Telúrico
Geração
Yemanjá
Azul claro
Omolu
Branco/roxo
Aquático

E no início, fez-se o Verbo”… Pois bem a cada verbo corresponde uma função na criação e sua energia se expande na forma de “ondas” de energia que formam verdadeiras malhas de padrão energético invisíveis a nossos olhos. Ao entrecruzarem-se, essas malhas criam tudo e todos em todos os níveis ou dimensões da criação. Teoria difícil de se compreender? É, eu concordo. É preciso que se entenda um mínimo de física, matemática e geometria para tanto. E então lembre-se sempre que nosso cérebro material é incapaz de absorver certos conceitos. Por enquanto.

A Umbanda é uma religião natural, ouseja, não precisamos de templos para exercer nossa forma de culto que é, basicamente, voltada à natureza e suas forças. Também nõa somos idólatras – o congá (altares) existe com a função única de condensar a energia sutilizada de Deus e suas divindades, distribuindo-a àqueles que se põem à sua frente em oração.

É uma religião que demanda estudo, dedicação, e real renovação interna. Na Umbanda não se vende perdão a troco de algumas orações ou de dinheiro, nem se promete salvação ou o paraíso a quem quer que seja – cada um é responsável por seus atos, e por todas as reações advindas deles. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Quem planta vento, colhe tempestade.

A Umbanda se utiliza da mediunidade inerente ao ser humano, e desenvolvida no médium de incorporação, para “dar passagem” a espíritos laborosos e abnegados que doam parte de seu tempo ao esclarecimento daqueles que buscam diminuir suas dores, sejam elas morais, espirituais ou materiais. Esses espíritos agrupam-se dentro de falanges, abrem mão de seus nomes reais para assumir algum nome simbólico relacionado à falange onde trabalham e são, normalmente, espíritos afins (ligados carmicamente) do médium incorporante.

Eu recomendo para leitura todos os livros psicografados pelo médium Rubens Saraceni, dentre eles:

  • Orixás Ancestrais
  • Orixá Exu
  • Orixá Exu-mirim
  • Orixá Pombagira
  • Magia das Velas
  • Formulário de Consagrações Umbandistas
  • Os Templos de Cristais

Além disso, as obras psicografadas que contam um pouco sobre as raízes da Umbanda, ainda na antiga Atlântida:

  • A Terra das Araras Vermelhas, Roger Feraudy
  • Baratzil, Roger Feraudy
  • Terra dos Ay-Mhorés, Maria Teodora Ribeiro Guimarães

Além disso, você pode recorrer a outros posts dentro detes blog – basta clicar na tag Umbanda.

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