A nova Lei Áurea

Princesa Isabel do Brasil, Biblioteca Nacional

Hoje é 13 de Maio… Dia da Abolição da Escravatura. Como será que a Princesa Isabel se sente hoje?

Em algum momento da história, a humanidade resolveu acreditar que a cor da pele valia mais que o caráter. Calmamente, tirou famílias inteiras de suas casas, suas localidades, seus países, seu continente. Separou-as – mães de filhos, maridos de esposas, irmãos de irmãos. E como pneus velhos, amontoou-os nos porões mal-cheirosos dos navios negreiros.

Ali, almas antes altivas, orgulhosas, burilaram sua raiva, seu medo, seu ego e orgulho. Sob o peso da fome, da doença, dos maus-tratos e da chibata, milhares de espíritos, agora encarnados em corpos com a belíssima cor do alabastro, deixaram de ser pessoas, e passaram a ser tratados como objetos.

Não tinham sentimentos, nem alma, segundo seus “donos”. Serviam, trabalhavam, e tornavam a servir. A maioria desencarnava em total desespero, passando a obsedar seus antigos algozes na carne. A magia negra proliferava nas senzalas, assim como o chicote cortava sua pele suada pelo trabalho intenso.

Feliz do negro, ou da negra, que era admitido para trabalhar na Casa Grande – pelo menos ficaria longe do sol e das caminhadas extenuantes. Triste da negra que nascesse bela – tornar-se-ia joguete sexual de seu senhor, com certeza.

Eu devo lhes dizer que, ainda hoje, não posso conceber tamanha barbaridade. Eu compreendo que, na onisciência divina, a escravidão foi o modo encontrado para “dobrar” o orgulho de infinitas almas devedoras da Lei. No entanto, me falta alcance para compreender como um ser humano pode olhar para outro e achar que, por conta de suas diferenças físicas, este ou aquele seja inferior.

Lembro-me de visitar, numa de minhas viagens ao Caribe, um antigo castelo transformado em museu. Lá, numa sala ampla, havia inúmeros desenhos de época, retratando a maneira correta de tratar-se os negros de então. Sobre as bancadas, em exposição, estavam os “instrumentos” utilizados para adestrar e acalmar e/ou prender aquelas pessoas. Eu chorei. Pedi licença e saí. Por mim, aquilo tudo poderia ser simplesmente destruído e enterrado. Para que lembrar-se de uma época tão bárbara?

Mais uma vez, não me espanto de que haja no mundo almas que precisam de um tratamento daquele para pagar suas dívidas com a Lei e a Justiça divinas. O que me espanta é que hajam (sim, no presente) pessoas, seres humanos, que se dispõem prazerosamente a tratar um outro indivíduo daquela maneira. Aí está a tristeza, a meu ver. Porque a sabedoria divina possui inúmeros mecanismos de cobrança para aqueles que se desquilibram, e ela não precisa que o ser humano transforme-se em algoz por isso. No entanto, foi nisso que nos transformamos.

Hoje, a escravidão acabou… pelo menos formalmente. Mas nós continuamos tratando outros seres vivos como se eles existissem simplesmente para nosso bel prazer. Já foi ã Orlando ver as baleias no Sea World? E ao zoológico, já foi? Visitou os acampamentos indígenas aqui, no Brasil, ou mesmo as reservas nos Estados Unidos? Sabe como são tratados os milhares de chineses que produzem seu iPOD, ou sua calça jeans?

É… a verdade é que escravos existem aos montes, infelizmente. São “necessários” para manter a economia girando. E, hoje em dia, não é a cor da pele que os define, mas sim sua classe social, ou sua incapacidade de defesa frente a uma humanidade que deveria acolher tudo e todos como parte da crição divina – da areia da praia à neve nas montanhas.

Nós somos parte desse mundo. Se nosso desenvolvimento “civilizado” depende da tristeza, da doença, do medo, da ignorância, da fome, do frio e da angústia de muitos, podemos nos julgar melhores que os escravocratas do século XIX?

Uma nova Lei Áurea se faz necessária – mas agora ela deve esclarecer e determinar que somos todos (homem, animal, vegetal, mineral) parte da criação divina e que devemos nos respeitar e nos cuidar como irmãos que somos.

Nesse dia haverá festa em Aruanda. E todos os brancos, negros, índios, naturais, elementais e demais seres da criação divina hão de viver melhor e mais felizes.

Adorê as almas! Salve os pais e mães pretos-velhos!

Eu deixo vocês hoje com o trecho da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, intitulado Coro dos Escravos Hebreus. Enjoy!

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