Falando de urbanismo

Em qualquer cidade que se preze, a região central é sempre cheia de charme, turismo… e cara, muito cara. Residir na região central de cidades como New York, Londres, Paris, Buenos Aires, etc., sempre será muito mais custoso do que morar em seus subúrbios.

Normalmente isso ocorre porque é do centro dessas cidades que partem todos os grandes conglomerados de transporte, levando o cidadão para todos os pontos mais longínquos onde se queira ir. Também é ali que se aglomeram os cidadãos solteiros, ou casados sem filhos, e que portanto podem pagar mais por moradia e badalação. Vivem um estilo de vida que os permite comer fora várias vezes na semana, moram perto dos grandes edifícios de escritórios, e normalmente não possuem automóveis pois têm tudo à mão ali.

Por esses e outros motivos óbvios, as regiões centrais acabam tornando-se points de baladação, riqueza, boa comida… tudo no melhor estilo yuppie de ser.

Mas parece que nossos excelsos governantes estão errando a mão quando o quesito é desenvolvimento urbano. O centro da capital de São Paulo é um local degradado, cheio de pontos de venda de drogas, moradores de rua, prédios abandonados, praças sujas e mal-cuidadas. Toda a glória e a sofisticação do centro deram lugar à prostituição e à falta de incentivos da prefeitura para que em São Paulo se repetisse a boa fórmula de suas irmãs estrangeiras – centro rico, bem desenvolvido e super badalado, contra subúrbios calmos, arborizados, feitos sob medida para as famílias que desejam criar seus filhos com maior comodidade, espaço e ar puro.

Ainda hoje estava lendo essa reportagem sobre o Hotel Cambridge no Estadão online. O hotel, inaugurado em 1951, já foi ícone de sofisticação e requinte no centro e, agora desapropriado, será convertido em edifício de moradia para famílias de baixa renda. Agora, pensem comigo: desenvolvimento urbano significa criar espaços onde as pessoas possam não só morar, mas também trabalhar, criar seus filhos, estudar, divertir-se. Transformar todos esses edifícios em moradias de caráter social é um erro. O centro de São Paulo continuará sendo um gueto, e mais e mais investimentos serão destinados às zonas mais afastadas, inviabilizando o desenvolvimento sustentável do transporte público na cidade. O exemplo está dado e funciona: promover o desenvolvimento do centro da capital para atrair grandes empresários e moradores de rendas média e alta. Tarifar o acesso ao centro da cidade através de pedágios, diminuindo assim a incidência de automóveis e aumentando a freqüência e a fluidez do transporte público. Incentivar a recuperação de centros históricos, atraindo bons restaurantes, museus, eventos culturais, grandes magazines, shoppings e prédios empresariais.

Outra coisa, quando se fala em transporte urbano, há que se lembrar que São Paulo é cortada por um rio extenso de potencial navegável, e que se bem aproveitado poderia tornar-se vedadeira mina de ouro para os cofres públicos. E no entanto nada se faz a não ser pontes para cruzá-lo de um lado a outro… e de carro!

São Paulo tem tudo para tornar-se uma das capitais mais belas e bem-sucedidas do mundo, basta que se dê o incentivo correto. Os órgãos públicos hão de concordar que tirar pessoas das classes D e E, da maneira como é feito pelo governo petista, não gera desenvolvimento sustentável. É simples: se eu promovo o desenvolvimento do pequeno e médio empresário, automaticamente são criados mais postos de trabalho, e a roda da economia gira sem ônus para a máquina pública. Agora, se eu crio programas de distribuição de bolsa isso, bolsa aquilo, uso dinheiro do FGTS para construir moradia popular, tudo o que eu estou fazendo é onerar o Estado, sem no entanto criar oportunidades para que essas pessoas cresçam de verdade, estudem e trabalhem – eu crio dependentes do Estado, e não cidadãos produtivos.

Eu temo dizer que isso tudo é falta de vontade política. Para mim, já é um caso crônico de visão estreita e falta de massa encefálica mesmo.

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