Evoluir sempre

Há certo tempo ouvi de uma amiga um relato, no mínimo, bizarro. Um amigo dela havia perdido a namorada. Até aí, nada de novo. Mas o fato é que a menina terminou o namoro com o rapaz por conta de uma “consulta” pela qual ela passou num Terreiro de Umbanda.

Segundo a amiga que me contou o ocorrido, o tal “guia” disse à moça que aquele rapaz não era bom para ela, e que se ela continuasse com ele, ela iria sofrer muito “no futuro”.

Primeiro – Guia de Umbanda que se preze não prevê futuro de ninguém. O futuro a Deus pertence, e nós temos a chave de nossa própria felicidade ou desdita. Somos nós os responsáveis pelo nosso futuro, e portanto nenhum Guia de Umbanda pode dar vaticínios sobre o que quer que seja.

Segundo – pelo que minha amiga me contou, o namoro dos dois ia bem. Se ia bem, o que essa moça tem na cabeça para terminar um relacionamento desta maneira, baseada em “previsões”?

É… são casos como este que desmontam, dilapidam, enfraquecem, uma religião tão bonita como a Umbanda. Uma pena realmente. Uma pena que ainda existam médiuns desse tipo, porque eu tenho certeza que o Guia não cometeu nenhum erro e, se cometeu, é porque não é Guia coisa nenhuma. E é uma pena que ainda exista tanta ignorância por parte dos consulentes que freqüentam as casas de Umbanda.

Mas a ignorância não reina somente do lado de lá da cerca. Nós, médiuns, também temos muito o que aprender. E neste contexto seguem umas palavrinhas da Vó Benedita…

 

Mãe Preta, por Cláudio Gianfardoni

A tarefa de todos nós, nesse Universo de Olorum, é evoluir. E para evoluir é importante que haja estudo, mudança de valores, transmutação de sentimentos, atos e palavras. Isso é Lei e vale para todos desde o início dos tempos. No entanto, para o médium de uma casa espiritual, isso é ainda mais sério.

O médium que se desenvolve numa casa de Umbanda onde há estudo, compreensão das Leis Divinas, abertura para o diálogo, não pode aplicar aquilo que aprende e escuta apenas para os outros.

O médium passa, todas as semanas, pelo menos duas horas de seu tempo ouvindo os guias enquanto trabalham. Pessoas das mais variadas procedências vêm aos terreiros de Umbanda buscar uma palavra amiga, um ombro consolador, um sorriso franco, um conselho acertado. Invariavelmente o médium verá muito de si espelhado em várias dessas pessoas e, se não perceber que aqueles conselhos valem também para si, então parte do trabalho está sendo perdido, meus fios.

Sim, porque aquele que nasce com a tarefa de ser médium de Umbanda é alguém com muita sorte. Este espírito, enquanto encarnado, terá proteção, auxílio, força, conselhos, enfim, uma série de “ajudas” que outras pessoas nem sonham em ter… e a quem muito é dado, muito é pedido, não é assim?

Então, não cabe ao médium de Umbanda fechar os olhos aos seus defeitos e apontar os dos outros. Prestem atenção, fios, aonde o calo aperta. Prestem atenção à maneira como ocês respondem intimamente, quando alguém faz algo que ocês não gostam. Prestem atenção aos vossos pensamentos, às vossas emoções. Pra quê o orgulho, se ocês são como grãozinhos de areia numa praia imensa? Juntos, ocês fazem aquele tapete branquinho, lindo, onde a maré bate e volta tranqüila. Mas, se o vosso coração dá guarida à discórdia, à falta de humildade, à maledicência, ocês são carregados pelo vento e vão cair sabe-se lá onde, não é mesmo?

Quantos se encantam com a Umbanda, com o fato de serem médiuns! Vêem suas capacidades psíquicas aumentar, sua intuição melhorar, perdem certos medos… mas de repente não servem mais para o trabalho simples. De repente, seu sacerdote pede que não incorpore, que ajude durante a gira de outra maneira, ou que desempenhe um papel “menor” do que o do médium de incorporação: pronto, sentem-se melindrados, saem a falar mal da religião, dos guias, e do próprio terreiro onde foram acolhidos, desistem de tudo!

Cuidado, fios, cuidado… não há nada mais perigoso para um médium do que esse orgulho desmedido, essa falta de equilíbrio emocional. Atentem para vossas emoções, mais uma vez. Vejam como procedem quando vos é pedido que varram o chão, carreguem caixas, ou comprem flores. Ser médium de Umbanda é viver a verdade da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração… vinte-e-quatro horas por dia, sete dias por semana. Todos os dias de vossas vidas ocês são médiuns, e não somente durante as giras de Umbanda.

Cuidem de vossos pensamentos, palavras e ações. Eles vão determinar com quem ocês vão trabalhar de fato – com os Guia de Luz de Umbanda, ou com outros espíritos, que se afinem mais com vossa maneira infantil e orgulhosa de agir…

Pensem fios. Aprendam. Apliquem vosso estudo a ocês próprios, antes de mais nada.

A cada médium que se modifica, melhora e evolui, mais uma luzinha se acende lá no céu da Aruanda.

Sejam luzes no céu, fios. A vózinha vos espera com os braços abertos.

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2 pensamentos sobre “Evoluir sempre

  1. Como sempre a Vó com suas lindas mensagens e sábias palavras.
    Não sei por que lembrei de uma conversa que tivémos ontem amiga.

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