As Cartas de Cristo – Parte 20

Carta 2 – Parte 2 – VOLTANDO PARA CASA

(clique para ler no site do STUM)

Algumas pessoas me olhavam com desconfiança, vendo minha alegria e também minha aparência suja e descuidada. Será que eu estava bêbado? – perguntavam-se. Outros me olhavam com aversão. Ao invés de reagir com raiva, como fazia no passado, eu lembrava que havia sido abençoado com visões e conhecimento que eles não podiam nem imaginar. Abençoei-os, rezei para que sua visão interior se abrisse de maneira semelhante e continuei em paz o caminho até minha casa.

Entretanto, alguns aldeões olharam com compaixão para meu lamentável aspecto e correram para suas casas para buscar-me pão e mesmo vinho, para ajudar-me a continuar o caminho. Havia sempre alguém que me oferecia abrigo para a noite. O“Pai Vida” de fato supriu todas as minhas necessidades e me deu toda a proteção necessária.

Durante todo esse tempo, eu não disse nem uma palavra a respeito das minhas semanas no deserto. Sentia que ainda não era o momento. Por fim cheguei a minha aldeia, Nazaré, e o povo caçoou abertamente de mim, apontando meu aspecto imundo e minha roupa rasgada. “Vagabundo, preguiçoso, sujo” foram algumas das palavras mais amáveis que me lançaram.

Cheguei à porta de minha mãe com um sentimento de pavor, pois eu sabia que ela ficaria mais chocada do que seus vizinhos ao me ver diante dela: magro, mostrando os ossos sob a pele, os olhos fundos, as bochechas vazias, a face queimada, os lábios rachados do sol, a barba longa e embaraçada. E a roupa! Ficaria furiosa ao ver minha roupa – sua cor original totalmente irreconhecível pelo pó do deserto e o tecido desfeito e rasgado. Subi os degraus e preparei-me para aguentar a fúria de minha mãe. Quando chamei, minha irmã veio à porta. Olhou-me boquiaberta, assustada e com os olhos arregalados e bateu-me a porta na cara. Ouvi-a correr para os fundos da casa, gritando:

– Mãe, venha depressa, há um homem velho e sujo na porta.

Escutei minha mãe resmungando irritada para si mesma, enquanto corria para a porta. Abriu-a de repente e ficou paralisada pelo choque. Eu sorri por um momento, ela olhou-me de cima a baixo cada vez mais horrorizada ao dar-se conta de que este homem de terrível aspecto era de fato seu filho rebelde, Jesus.

Estendi minha mão para ela, dizendo:

– Sei que causo pena a você, mas pode ajudar-me?

Imediatamente sua expressão mudou e, levando-me para dentro, trancou a porta.

– Depressa, – disse para minha irmã assustada. Deixa de escândalo e põe água para ferver. Seu irmão está morto de fome. Não importa em que confusão se meteu, ele é da família. Temos que cuidar dele.

Suavemente me ajudou a tirar a roupa, inclinou-me sobre um grande recipiente de água e esfregou-me até ficar limpo. Lavou-me, cortou meu cabelo e barba e cuidadosamente cobriu as feridas do meu corpo e lábios com uma pomada cicatrizante. Nenhum de nós quebrou o silêncio. Saboreei o amor que ela me demonstrou e tentei demonstrar minha gratidão com uma atitude mais doce e sensível.

Depois de vestir-me uma túnica limpa, ela serviu-me uma refeição frugal de pão, leite e mel. Relutante, deu-me vinho para recuperar as forças, embora estivesse claro que ela pensava que era o vinho a grande causa de minha terrível situação. Então conduziu-me até a cama e cobriu-me. Dormi por várias horas e acordei revigorado pela luminosa manhã de sol que se via pela janela.

Eu agora estava ansioso para falar com minha mãe e dizer-lhe que eu era de fato um Messias, mas não daquele tipo que imaginava o povo Judeu. Eu podia salvar as pessoas das más consequências de seus “pecados”. Podia ajudá-las a encontrar saúde, abundância, a satisfação de suas necessidades, porque agora podia ensiná-las exatamente como havia sido criado o mundo.

Assim que comecei a falar, ela começou a ficar encantada e animada. Pulou de pé e quis sair correndo para contar aos vizinhos que seu filho era realmente o Messias – deveriam ouvir a maneira como ele falava – e ele havia jejuado no deserto!

Mas eu a impedi de fazer isso. Eu disse que ainda não havia contado a ela o que me fora revelado. Uma das coisas mais importantes que havia aprendido era que os Judeus Ortodoxos estavam completamente equivocados a respeito de suas crenças num “Deus” vingativo. Não havia tal coisa!

Isto a deixou contrariada e desconcertada, então exclamou: Como, então, Jeová vai governar o mundo e nos tornar bons e nos fazer escutar seus profetas, se não nos castigar? Agora você ficou tão importante que pode ensinar aos Sumos Sacerdotes o seu próprio trabalho, que foi transmitido a eles desde o tempo de Moisés? Vai trazer ainda mais vergonha para esta casa?

Ela começou a chorar e disse com raiva: Você em nada mudou! Somente mudaram as coisas que diz. Você só me trouxe dor! Como pude acreditar que você seria um Messias? Com suas ideias estranhas só levará nosso povo a maior tormento do que nunca!

Meus irmãos a ouviram em prantos e vieram correndo, querendo colocar-me para fora de casa. Ofereci sair pacificamente, porque não queria mais alvoroço. Se essa era a forma de minha mãe reagir, eu poderia estar certo de que os demais também reagiriam da mesma forma ao que eu tinha para dizer. Percebi que precisava de paz de espírito, descanso absoluto e silêncio para colocar em ordem meus pensamentos e experiências. Teria que rezar e pedir inspiração para saber a melhor maneira de abordar os Judeus com minha mensagem de “boas-novas”. Estava certo de que o “Pai Vida” atenderia a minha necessidade e que eu encontraria a acomodação mais conveniente em algum lugar. Minha mãe, embora furiosa com minha atitude de “grande cabeça-dura”, estava atormentada por seus sentimentos de amor e compaixão por mim, devido ao estado deplorável em que me encontrava. Ela rejeitou tudo o que eu parecia representar – a rebeldia, o desprezo pela religião judaica, as atitudes contestadoras em relação à autoridade, meu caráter voluntarioso e arrogante. Mas ela ainda me amava e estava profundamente preocupada por me ver envolvido em problemas tão grandes quanto jamais havia pensado ser possível.

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