As Cartas de Cristo – Parte 22

Carta 2 – Parte 4 – DISCURSANDO NA SINAGOGA DE NAZARÉ

(clique para ler no site do STUM)

Quando me senti suficientemente preparado para sair a ensinar e curar, para agradar a minha mãe concordei em ir num sábado na sinagoga de Nazaré e falar para a congregação. Como era o costume, levantei e me foi entregue o livro de Isaías para ler. Escolhi a passagem que profetizava a vinda do Messias que viria libertar o povo Judeu de todo tipo de escravidão.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar as boas-novas aos pobres.

Ele me enviou para anunciar a libertação aos encarcerados e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos, para proclamar o ano da graça do Senhor”.

Então sentei-me dizendo:

– Hoje, vocês veem esta profecia cumprir-se em mim.

Isto produziu choque e espanto no rosto dos homens, que me olhavam atônitos, mas eu continuei falando, sabendo que o “Pai” me diria o que falar. As palavras vieram sem hesitação.

Falei de minha experiência no deserto e relatei a visão do bebê crescendo até a idade adulta, sendo envolvido inconscientemente em correntes e ataduras mentais e assim ficando cego e aprisionado na escuridão interior, fechando-se para Deus. Expliquei que ao fazer isso, eles expunham-se à opressão de conquistadores, escravidão, pobreza e doenças.

Porque Deus é LUZ – eu disse. E LUZ é a substância de todas as coisas visíveis. E LUZ é o AMOR que faz todas as coisas para que o homem desfrute delas. Todas as bênçãos de abundância e saúde foram livremente disponibilizadas para aquele que amar a Deus com a mente, o coração e a alma e que viver estritamente segundo as Leis de Deus.

Quando terminei, houve um completo silêncio na sinagoga. Senti que a congregação havia experienciado algo estranho, poderoso e que tinha sido elevada a um plano superior do pensamento. Desejei que nada interrompesse a tranquilidade transcendente daquele momento.

Em seguida, começaram a sussurrar entre si. Eles se perguntavam quem eu era! Alguns estavam convencidos de que eu era Jesus, a pessoa cuja família era bem conhecida na aldeia, mas outros não podiam aceitar aquilo, uma vez que eu havia falado como alguém que tinha autoridade.

Infelizmente, senti ressurgir minhas antigas reações para com aqueles homens religiosos. Sabia que tinham me desprezado no passado, de forma que esperava por essa rejeição. Voltei às antigas atitudes desafiadoras e isso os enfureceu por completo. Pelas minhas próprias reações humanas, atraí o desastre. E este quase aconteceu.

Os mais jovens, instigados pelos mais velhos, correram até mim e me arrastaram para o topo mais alto do penhasco a fim de lançar-me à morte, mas orei ao “Pai” para que me salvasse. De repente, ficaram tão alterados que mal sabiam o que faziam, se voltaram uns contra os outros, então pude sair do meio deles e escapar. Foi estranho. Eles pareceram não notar a minha saída.

Muito abalado por esta experiência, consegui mandar uma mensagem para minha mãe, dizendo que estava deixando Nazaré imediatamente e indo para Cafarnaum, uma agradável cidade junto ao mar da Galileia. A princípio, pensei em juntar-me a antigos conhecidos, mas senti intuitivamente que isso não seria o correto a fazer. De modo que durante todo o caminho, e ao entrar na cidade, pedi orientação e ajuda ao “Pai” para encontrar acomodações. Eu não tinha dinheiro e não pediria esmola.

Ao caminhar pela rua, uma mulher de meia-idade veio em minha direção. Ela carregava pesados cestos e seu rosto estava triste. Parecia ter chorado. Num impulso abordei-a perguntando onde poderia encontrar alojamento. Ela disse brevemente que normalmente me ofereceria uma cama, mas que estava com seu filho muito doente em casa. Também disse que tinha ido comprar algumas provisões para alimentar os “consoladores” que haviam se reunido para chorar a morte iminente de seu filho. Meu coração se afligiu por ela, mas também se alegrou. Prontamente tinha sido dirigido para alguém que eu poderia ajudar.

Expressei minha simpatia e ofereci-me para carregar suas cestas até a casa. Ela me olhou por um momento, perguntando-se quem eu poderia ser, mas aparentemente ficou satisfeita com minha aparência e conduta. No caminho, disse-lhe que talvez eu pudesse ajudar seu filho.

– Você é médico? – perguntou-me.

Respondi que não havia recebido formação médica, mas que poderia ajudá-lo. Ao chegar em sua casa – de pedra, grande e bem construída, o que indicava boa situação social e prosperidade – levou-me até seu marido dizendo: “Este homem diz que pode ajudar nosso filho.” Melancólico, o homem inclinou a cabeça e não disse nada. A mulher, que se chamava Miriam, afastou-me dizendo que ele estava aflito e muito zangado.

– O rapaz é nosso único filho entre muitas filhas e ele culpa Deus pela doença do garoto. Miriam começou a chorar. Se ele fala assim contra Deus, que outros problemas cairão sobre nós? – perguntou-me.

– Tranquilize-se – disse-lhe. Logo verá que seu filho ficará bem novamente.

Ela olhou-me com dúvidas, mas levou-me até o quarto onde o rapaz estava. Fazia calor e o ambiente estava sufocante, cheio de gente, bem intencionada e triste, conversando. Pedi à mãe para esvaziar o quarto, mas os visitantes resistiram. Eles queriam ver o que aconteceria e somente saíram do quarto contrariados quando Miriam chamou seu marido para falar com eles. Podia escutá-los discutindo com o pai no quarto ao lado.

O que este homem achava que poderia fazer, se o médico já havia declarado ser incapaz de ajudar o rapaz? O pai veio até o quarto para ver por si mesmo.

Seu filho estava mortalmente pálido, com muita febre. A mãe explicou que ele não podia engolir a comida e que estava com o intestino solto. Ele havia estado assim por vários dias e tinha perdido muito peso. O médico disse que nada mais poderia ser feito. Ele provavelmente morreria.

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