As Cartas de Cristo – Parte 26

Carta 2 – Parte 8 – NO REINO DOS CÉUS ATRAVÉS DO PAI

(clique para ler no site do STUM)

E foi assim que comecei minha missão como mestre e curador peregrino, indo sempre que necessário pelas vilas e aldeias. Antes de partir, reuni os jovens que tinham aceitado com alegria me ajudar. Escutariam meus ensinamentos e ficariam perplexos pelo muito que eu tinha a dizer. Era vital que explicasse a eles primeiro o fundamento de tudo o que havia sido revelado a mim no deserto. Disse que apesar da vida ociosa que eu levava antigamente, sempre havia sentido uma profunda compaixão pelas pessoas. E foi minha compaixão que me afastou desse “Deus” ensinado pelos Rabinos. Quando falei da minha total rejeição de um Jeová punitivo, pude ver a dúvida e o choque em seus rostos.

Por um tempo considerável, expliquei que eu questionava como era possível falar de um Deus “bom”, quando crianças inocentes suportavam tanto sofrimento. Enquanto falava, via como seus rostos iam relaxando aos poucos. Continuei dando voz às minhas dúvidas e raivas de antigamente, até que vi suas expressões mudarem para a aceitação e em seguida para a concordância completa. Descobri que havia expressado suas próprias dúvidas e perguntas, as quais nunca antes tinham tido coragem de admitir. Enquanto falávamos, pude sentir seu alívio de que já não estavam mais sós em suas resistências secretas com relação aos ensinamentos dos Rabinos.

Disse que chegou um momento em que comecei a perceber mais claramente que estava desperdiçando a minha vida. Queria mudar e senti fortemente que deveria ir até João Batista como ponto de partida, para começar uma nova forma de vida. Descrevi o que aconteceu durante o batismo e minhas seis semanas no deserto. Expliquei que todos os meus pensamentos, crenças, atitudes, arrogância e rebeldia prévia foram paulatinamente limpos de minha consciência, enquanto passava pelas profundas revelações e visões que me mostraram a “Realidade” que eu agora chamava de “Pai”. Expliquei a natureza do “Pai” e que esta “Natureza Divina” era constituída também da Vontade Divina. Disse que era o próprio homem que em seu íntimo se afastava do “Pai”, por seu pensamento errôneo e comportamento equivocado e que somente o homem, primeiro pelo arrependimento e logo depois pela limpeza mental-emocional, poderia encontrar seu próprio caminho de volta ao pleno contato com o “Pai”. Quando isso se cumprisse, a plena Natureza do “Pai” seria liberada dentro da mente, coração, corpo, alma, no ambiente e nas experiências da pessoa. Quando isso se produzisse, tal pessoa entraria no Reino dos Céus governado pelo “Pai” e o Reino dos Céus se estabeleceria ele mesmo na consciência da pessoa. Ela atingiria então o propósito de sua existência.
Enquanto conversava com meus discípulos, via suas reações refletidas em seus rostos. Toda dúvida havia desaparecido, havia agora um resplandecer de luz de compreensão e alegria. Esses jovens tornaram-se fiéis entusiastas e exclamaram: “Estas sim são boas-novas”!

Entretanto, após a aceitação de tudo o que eu dissera, houve momentos em que se perguntavam se seria verdade tudo aquilo que eu havia dito. Entendi aquilo. Dispor-se a desfazer-se da imagem de “Jeová”, tão profundamente gravada em suas mentes, requeria uma grande dose de coragem.

Havia momentos em que falavam entre si e questionavam quem era este homem que pretendia tais maravilhas. E se viessem comigo e afinal eu fosse realmente um mensageiro de Satanás? Eles seriam severamente castigados por Jeová. Eles tinham muito a perder – sua posição na sociedade como jovens, homens sóbrios e trabalhadores, sua reputação como comerciantes e artesãos, a perda de suas rendas e o maior obstáculo de todos: a provável ira e rejeição de suas famílias. O que eles receberiam em troca?

Disse então que eu não podia fazer nenhuma promessa terrena por sua ajuda na propagação do “evangelho da boa-nova”. Eu não tinha dúvida alguma de que, onde quer que fôssemos, receberíamos alimento e refúgio e que seríamos muito bem acolhidos pelas pessoas. Somente poderia prometer a Verdade de que o “Pai” conhecia as suas necessidades e que elas seriam satisfeitas e que os manteria com saúde. Poderia também prometer que, se eles se voltassem para o “Pai”, e confiassem no “Pai” a cada passo do caminho, seriam tão felizes como nunca haviam sido antes. Experimentariam o Reino dos Céus por eles mesmos, na medida em que deixassem de lado as exigências do “eu” e se pusessem a serviço dos outros. Seriam testemunhas de curas e estas aumentaria a sua fé e daria a eles coragem para suportar quaisquer incômodos da jornada. E assim começamos nossa missão para espalhar a “BOA-NOVA” do “EVANGELHO DO REINO”.

Enviei à minha frente estes jovens para as cidades que iríamos visitar. Ao chegarem, diziam às pessoas da cidade que se juntassem para escutar a “Boa-Nova do Reino dos Céus”. As pessoas ficavam surpresas e queriam saber mais, mas os discípulos pediam que fossem buscar seus amigos e vizinhos. Todos ficariam sabendo do que se tratava, “quando Jesus chegasse”, e também haveria curas de seus doentes. Excitados, muitos corriam para ajudar a difundir a “boa-nova” e logo estavam reunidos formando uma grande multidão.

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