Não gosto de religião…

Eu tenho que admitir uma coisa para vocês – eu não gosto de religião. É isso mesmo, eu não gosto. Para mim, quando a pessoa se diz católica, umbandista, protestante, budista, etc., ela automaticamente se separa dos demais. Ninguém consegue dizer “sou católico” e ainda assim sentir-se irmão do protestante, do judeu, do candomblecista. E é por isso que eu não gosto de religião.

Não é pela religião em si, mas pela maneira como as pessoas encaram a religião. É como time de futebol, uma vez que você torce para um, é obrigatório que você se separe do restante. E isso gera intriga. E intriga gera violência. E violência gera guerras, seja em âmbito doméstico, nacional ou mundial.

A humanidade não está pronta para a diversidade, infelizmente. Todos querem, intimamente, que os demais concordem e aceitem aquilo que se acredita ser a Verdade.

Mas, não foi o próprio Jesus que disse que na morada do Pai existem vários mundos? Não foi Ele mesmo quem disse que a Verdade liberta? Não é patente, à nossa volta, que a diversidade é um padrão na natureza?

Olhe uma rosa, por exemplo – nenhuma é igual à outra. Todas são parecidas, mas nenhuma igual. Então porque essa necessidade humana de brigar com aquilo que lhe é estranho, diferente? Porque as pessoas reagem como se fosse uma afronta pessoal à própria “honra” se um ou outro dá uma opinião diferente daquilo em que ela mesma acredita? Chega a um ponto em que o assunto torna-se “tabu”… hoje em dia o “politicamente correto” é omitir sua opinião e não emiti-la. É o eterno endeusamento do padrão: se você é ponto fora da curva, trate de moldar-se ou ficar quieto.

Todos os avatares da humanidade pregaram a mesma coisa – o amor ao próximo, a paz, a comunhão entre os homens e com nosso mundo ao redor. E no entanto nós continuamos no desentendimento…

Por isso eu demorei tanto a abraçar uma religião. Primeiro porque nenhuma delas realmente vivia o que pregava. Segundo porque, para mim, somos todos um, não importa se você crê assim ou assado, a Fonte de Tudo é sempre a mesma.

Seria bom, um dia, poder sentar e conversar sobre as milhares de Verdades que existem por aí sem que para isso as pessoas se julguem incitadas à raiva e à discórdia. Seria bom poder conhecer, fazer perguntas, emitir opiniões, e depois cada um seguir seu caminho, sem que por isso as pessoas atirem pedras umas às outras. Seria muito bom…

Mas, enquanto isso não acontece, eu continuo com aquele gosto amargo na boca. Eu continuo professando a minha religião, mas da maneira mais universalista possível. Continuo lendo, vendo e ouvindo todas as outras. Continuo aprendendo. Continuo percebendo o quanto a Umbanda tem de comum com a Wicca, com o Budismo, com os deuses Greco-romanos, com o Hinduísmo, com o próprio Candomblé… e acho que este é um dos motivos que me mantém Umbandista – o fato de que a religião de Umbanda abraça e aceita todas as outras com respeito e comunhão.

Porque, no final, todas elas deixarão de existir. Quando a humanidade atingir um nível novo de consciência, novos fatos se abrirão perante nossos olhos, e só a essência de todas elas restará… a Fonte.

E, mais além, se nós acreditamos em reencarnação, como podemos “brigar” por causa de religião ou cor da pele ou o que quer que seja? Eu sei que já fui membro da religião druídica; já fui católica; já fui bruxa/curandeira; já fui sacerdotisa; assim como já participei de outras religiões que nem existem mais. Como posso agora renegar quem professa tais preceitos? Posso (aliás, devo) evoluir, compreender, e passar a ver as coisas de outra maneira, mas sentir raiva ou repulsa por quem pensa diferente de mim seria, no mínimo, hipócrita de minha parte, não é mesmo?

Queira Deus que nós consigamos nos irmanar até lá. Queira Deus que todos nós consigamos entender que a religião é o meio, e não o fim. Queira Deus que nós consigamos entender que a maioria dos dogmas e limitações foram criadas por nós mesmos, não provêm de Deus ou de suas divindades.

Para aquele que é por demais apegado a seus dogmas e rituais, será muito difícil aceitar um mundo onde a espiritualidade de cada um será professada através de atos, palavras e pensamentos diários, e não mais através de cultos de qualquer espécie. Nossa religião então será nossa postura diante da Vida, uma ligação constante com Deus que vive dentro de nós… e aí, está preparado para viver em constante ligação com o Altíssimo e seus Mistérios?

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