Transição

Este post é longo. É a descrição de um sonho que tive há mais de um ano atrás. Durante todo este tempo, me lembrei sempre das sensações que experimentei… é estranho, mas é como uma lembrança de infância quase… como se tudo o que eu relato aqui realmente tivesse acontecido… num outro tempo, num outro lugar.

Como eu não conseguia tirar o sonho da cabeça, eu coloquei no papel. As imagens foram vindo devagar e encheram minha mente… senti tudo de novo: a emoção, os gostos, as sensações… o que eu vi naquele sonho é muito, muito difícil de explicar. Principalmente porque nada daquilo faz parte do nosso mundo, hoje. Tudo soa muito “ficcional”, muito “Star Trek”.

Ainda assim, achei que era a hora de publicar… foi uma experiência muito legal, que me deu uma visão diferente sobre mim, sobre o mundo, sobre todos… sei lá… eu mudei depois desse sonho. Encaro as coisas de maneira diferente. Quem sabe vocês também encarem tudo diferente depois de ler, certo?

A tarde tinha uma coloração estranha. As cores normais irradiadas pelo sol pareciam distorcidas, como se alguém tivesse acendido uma lâmpada fluorescente artificial para iluminar o mundo. Minha mãe e minha filha estavam sentadas no sofá, lado a lado. Eu abaixada, na frente delas, explicava a situação:

– Eles vêm nos buscar hoje… não precisam se preocupar. Nós não vamos levar nada, entenderam? Nada. Foi só isso que me passaram… que eles vêm nos buscar e nós devemos deixar tudo para trás, mais nada. Então, vamos confiar.

O nervosismo era real, palpável. Não havia os sons normais de antes. Nenhuma TV, nenhum rádio, nenhum carro ou avião. Nada. Mas ouvíamos gritos, pessoas berrando, discutindo, crianças chorando. Estávamos, desde a noite anterior, sem luz e a água nas torneiras havia acabado perto do horário do almoço.

Um vento estranho havia varrido o final de tarde do dia anterior, e nós sentimos como se o mundo tivesse parado. Tudo ficou mortalmente silencioso e escuro. Agora a luz do dia era estranha, como se num eterno amanhecer cinzento. E aquela opressão, aquele ar saturado, aquele calor de sauna, não passavam.

Eu queria levar minha Yemanjá, mas a voz que ecoou na minha cabeça me disse: Não, você não precisará dela. Eu tentei argumentar que não era uma questão de precisar, mas sim de gostar, de ter amor por aquela imagem-símbolo da Mãe Universal, mas não houve resposta.

Nós tínhamos duas garrafas de água mineral somente, e a minha filha bebia basicamente leite de soja. Então eu acreditava que tínhamos o suficiente para que pudéssemos esperar.

A pequena continuou brincando, eu e minha mãe tentávamos ler. De repente ouvimos um som estranho na atmosfera, que começou com um estalido alto e metálico, como se um enorme barco estivesse roçando um iceberg ou coisa parecida, depois recrudesceu e ficou aquele gemido no ar, que não se sabe de onde vem. Minha filha grudou nas minhas pernas e foi aí que alguém bateu à porta. Nós três ficamos quietas, e novamente a batida na porta. E a voz na minha cabeça: Abra.

Maquinalmente, segurei na mão da minha filha e dirigi-me à porta. Quando abri, havia um rapaz jovem, bem apessoado, usando um macacão branco meio colado ao corpo como se fosse um tripulante diretamente saído de StarTrek. Ele tinha os cabelos castanho-claros, assim como seus olhos, tinha um sorriso franco no rosto, e me observava com infinita alegria e bondade. Em sinal de cumprimento, baixou levemente a cabeça e tocou o coração com a palma da mão direita.

Depois olhou para minha filha, agachou-se e abriu os braços e um sorriso enorme para ela. Ela largou minha mão e correu para ele, abraçando seu pescoço. O rapaz riu alto, tascou-lhe um beijo na bochecha e pegou-a no colo com indisível felicidade. Eles se olharam e pareciam conversar sem dizer nenhuma palavra. Ficaram ali por alguns segundos. Eu estava atônita, não conseguia me mover, nem articular palavra. Sentia minha mãe atrás de mim, vendo tudo aquilo, e igualmente estática.

Foi então que eu percebi que o hall de entrada dos apartamentos não existia. De alguma maneira, minha porta não estava aberta para o hall dos elevadores, mas para um corredor de teto abobadado totalmente branco. No fundo eu via uma porta, igualmente branca com um pequeno visor de vidro retangular na altura dos olhos. O corredor era iluminado artificialmente, e parecia ter saído de um filme de ficção científica.

Ele então falou comigo:

– É um prazer poder recepcioná-la, e à sua família, durante este período de transição. Nós precisamos ir o quanto antes. Eu peço que vocês compreendam que nada faltará a vocês: da comida ao vestuário, tudo já está providenciado. Também pensamos em seus passatempos favoritos, e portanto providenciamos livros e outros assuntos dos quais sabemos que gostam. Peço, por favor, que me sigam. O tempo está acabando.

Ele virou-se e foi caminhando por aquele corredor iluminado, e nós o seguimos. Minha filha continuava no colo daquele ser, e os dois pareciam continuar conversando, rindo… como se matassem a saudade um do outro colocando a “fofoca” em dia. Era algo muito estranho de presenciar porque, naquele momento, ela continuava sendo uma menininha, uma criança, mas seu comportamento era de alguém muito mais maduro.

No momento em que deixamos o apartamento, fechou-se atrás de nós uma porta exatamente igual àquela que eu via no outro extremo do corredor. Quando atingimos nosso destino, aquele ser tocou a outra porta com a mão esquerda espalmada e esta também deslizou, abrindo-se. Ele virou-se momentaneamente e disse:

– Esqueci de me apresentar… vocês podem me chamar de Leo.

E continuou andando.

Nós estávamos num corredor gigantesco e de formato visivelmente circular. O piso parecia um cimento queimado muito liso, e a iluminação era fraca, estávamos todos numa penumbra leve. O corredor tinha pelo menos uns 80 metros de largura por uns 10 de altura. Me sentia pequena no meio daquilo tudo. Havia muitas “pessoas” por ali. Eu as via passar conversando, ora com pressa, ora andando vagarosamente. Todas pareciam humanas, mas se alguém olhasse de perto veria que tinham muitas diferenças. Cores de pele e olhos estranhas, manchas na pele, cabelos, número de dedos nas mãos, proporções dos membros no corpo. Todos tinham basicamente duas pernas, dois braços, cabeça e tronco, mas nenhum deles era realmente humano como nós. Alguns nos olhavam com curiosidade, mas a maioria simplesmente continuava seu percurso sem nem mesmo nos notar.

As roupas eram as mais diversas, como se todos os estilistas do universo tivessem decidido fazer um desfile ao mesmo tempo. Era tudo muito colorido, diferente… impossível de compreender e discernir em tão pouco tempo. Alguns passavam “dirigindo” carrinhos parecidos com aqueles que se usa em aeroportos, mas eles não tinham rodas nem volante – flutuavam sem emitir nenhum som e pareciam saber para onde se dirigiam sem a interferência daqueles a bordo. Leo me viu olhando um daqueles e sugeriu:

– Vamos pegar um transporte? Ainda temos muito que andar até chegarmos ao nosso destino.

Minha filha continuava no colo dele, e eu lembro que pensei como ele conseguia carregá-la por tanto tempo sem nem mesmo suar ou fazer esforço…

Ele parou um desses veículos onde havia apenas duas “pessoas” e nós entramos. Sentamo-nos na parte de trás enquanto os dois continuaram na frente. Percebi que a parte direita do corredor tinha um parapeito feito do mesmo mateiral do chão e “lá fora” eu via uma luminosidade rica, em todos os tons de laranja e amarelo, e algo que pareciam árvores imensas com folhas verdes e brilhantes. Também percebi pássaros e o barulho de água. Fiquei intrigada, e novamente Leo veio em meu auxílio:

– Nós somos uma nave de recolhimento e manutenção da vida. Como tal, precisamos recolher e manter tudo aquilo que puder ser salvo no seu quadrante. Isto que vocês vêem ao centro é nossa “Arca de Noé”, por assim dizer: milhares de espécies da flora e fauna de seu sistema solar e de muitos outros. Tudo aqui será reposto em seu devido lugar conforme as energias do momento de transição forem se assentando. E então a equipe de recuperação entrará em ação e nós poderemos continuar nosso trabalho em algum outro lugar…

Fantástico!, pensei. E quando ia abrir a boca para perguntar alguma coisa, o veículo parou na frente de uma porta. Todo o lado esquerdo do corredor era recoberto de portas a intervalos constantes, às vezes abrindo espaço para um vão maior por onde parecia se ter acesso a outros níveis daquela grande nave (eu tinha a certeza de estar dentro de uma nave, no espaço sideral). Pela configuração geral das coisas, eu imaginava que aquilo deveria ser gigantesco por fora, e que deveria ter a forma de uma esfera.

Novamente Leo colocou sua mão esquerda sobre o painel da porta e esta deslizou. O interior era totalmente branco, com pinceladas de cor em objetos aqui e ali. O mateiral das paredes, teto e chão parecia ser de plástico fosco, mas eu nunca tinha visto nada igual aquilo. Estava tudo iluminado, mas não havia luminária ou lâmpadas visíveis. Logo depois de termos entrado, Leo finalmente colocou minha filha no chão, e ela correu na direção de um grande vão que se abria na lateral direita daquele “apartamento” e que dava para uma espécie de sacada, também toda branca, de onde podíamos ver árvores, pássaros, quedas d’água, um lago… era lindo! Inexplicável em palavras, realmente. Meu irmão estava ali naquela sacada, e foi até ele que minha filha correu, abraçando-o. Ele vestia uma camisa branca de mangas compridas, calças largas também brancas, e estava descalço… e feliz. Minha mãe ficou exultante e eu também fiquei muito contente, mas faltava alguém para que eu ficasse cem por cento tranqüila. Leo notou a preocupação em meu rosto, mas desviou o olhar.

Ele então pediu que eu o seguisse, e mostrou-me o chuveiro, como conseguiríamos comida, mostrou-me o computador e os tablets, onde poderíamos ler os livros que quiséssemos, e por fim nossos quartos. Imaginem uma internet com a rapidez do pensamento, imagens tão nítidas que pareciam realmente estar ali dentro, tudo isso numa tela de vidro que tinha perto de 42 polegadas e era meio curva e um teclado virtual – era totalmente touch screen e ia se iluminando conforme ele digitava algo. Para quem trabalhou com tecnologia a vida toda, eu estava encantada – parecia uma criança em loja de doce, e o tal do Leo percebia e ria de mim, divertindo-se com meu assombro diante de tudo aquilo.

Os tablets eram placas de vidro simplesmente – você punha a mão em cima, ele se acendia, você tocava o que queria e acessava a informação. Tudo absurdamente rápido, prático e limpo.

Havia uma tela igualmente de vidro que mostrava notícias sobre nosso planeta, sobre aquela nave e alguns dados sobre o que estava por vir. Nela também haviam palestras periódicas sobre o “novo homem”, os valores que deveríamos cultivar, os condicionamentos que deveríamos esquecer, as alterações físicas que poderíamos experimentar. Era incrível realmente… maravilhoso demais para se acreditar.

Depois ele me mostrou o que chamou de microondas futurista, fazendo alusão a algo que eu conhecia. O dispositivo era um sintetizador de alimentos – uma caixa retangular, branca. Na frente, havia um vidro transparente como o do teclado do computador e que se acendia quando tocávamos nele. Então você podia escolher a sua comida por fotos ou simplesmente digitando o que você queria. Se ele não fosse capaz de produzir algo, como era o caso de comidas à base de carne, ele oferecia uma opção que sintetizava os nutrientes e mais ou menos o gosto e a textura do alimento original e pronto – ouvia-se um som característico e em instantes a “porta” do microondas deslizava e seu prato estava ali, bem na sua frente. O mesmo valia para qualquer tipo de bebida, menos as alcoólicas, que inexistiam e não podiam ser sintetizadas. Leo me perguntou:

– Tem alguma coisa que você quer comer? Só para você ver como funciona.

Na verdade eu estava duvidando daquele negócio, e ele percebeu.

– Bom… algo simples… um brigadeiro.

Ele pediu que eu digitasse o nome. Apareceu a foto e ele pediu para eu confirmar que era aquilo. Eu confirmei botando o dedo em cima da foto. Segundos depois o brigadeiro estava na minha frente.

– Prove.

Eu olhei incrédula para ele, mas peguei o brigadeiro e enfiei inteiro na boca… o chocolate derreteu na boca como deveria ser… e ele tinha exatamente a textura, e o gosto certo que eu apreciava. Delicioso!

– A comida é sintetizada de acordo com suas memórias. Por isso ela sempre terá o melhor gosto para o seu paladar.

– Certo… tudo bem.

Tudo bem?! Aquela caixa branca tinha acabado de sintetizar um brigadeiro a partir das minhas memórias e tudo que eu disse foi “tudo bem”?! Leo continuava me olhando e sorrindo, divertindo-se com meu espanto cada vez maior.

Em seguida ele resolveu me mostrar o guarda-roupa que havia separado para mim. Havia três peças penduradas em cabides, todas brancas. Ele me explicou:

– Esta você vai usar no seu dia-a-dia. É como um uniforme nosso aqui. Muito confortável, e ajusta automaticamente a temperatura do seu corpo. O tecido não amassa e interage com você, ou seja, ele vai retirar toda e qualquer energia acumulada no seu campo áurico, fazendo com que partes da roupa fiquem levemente mais escuras. Quando isso a incomodar, você poderá entrar no “chuveiro” e limpar-se de tudo…

– De roupa?

– Isso, de roupa mesmo. Venha, vou te mostrar. Mas, primeiro, vista-se. Eu te espero aqui fora.

Ele saiu do pequeno quarto onde havia só uma cama, uma mesa com uma cadeira, uma tela-monitor e a portinha na parede que era meu “guarda-roupa”. Eu me vesti, e saí do quarto. Aquela roupa era realmente estranha, me dava uma sensação de frescor, de eterno acabei-de-tomar-banho. O tecido era leve, fluido, e compunha-se de uma calça comprida solta e uma camisa longa de mangas compridas. A roupa de baixo vinha de um painel na parede – você punha a mão e automaticamente ele “cuspia” a roupa de baixo, branca, sem costuras, e feita exatamente para moldar-se ao corpo. Depois de usada, aquela roupa de baixo era descartada. Tudo branco, nenhum botão, elástico, nada. Toda a roupa simplesmente se ajustava a você quando vestida.

Leo elogiou a roupa e eu ri. Depois ele apertou um painel na parede do corredor que levava aos quartos e uma porta deslizou. Dentro havia um tubo circular de mais ou menos um metro de diâmetro. Ele explicou:

– Este é o “chuveiro”. Você entra aí sempre com esta roupa. Você vai sentir como se estivesse molhada enquanto estiver lá dentro. É um tratamento integral, em que suas energias e suas células serão constantemente limpas e renovadas. Como resultado, seus tecidos vão rejuvenescer, suas doenças crônicas simplesmente vão sumir, e com o tempo talvez até você mude fisicamente.

– Hã? Mude fisicamente? Como assim?

– Você assumirá a forma física que mais condiz com a sua essência. Eu vejo que sua aura vibra num certo tom. E este tom emite uma certa cor. Ela vem de sua essência, sua centelha divina, como dizemos. Uma vez que você esteja limpa, o que deve acontecer dentro dos próximos dias, você poderá notar mudanças drásticas na sua aparência. Seus olhos podem clarear ou escurecer ou mudar totalmente de cor. O mesmo pode acontecer com seus cabelos, sua pele. Você pode ganhar massa muscular, ficar mais magra ou mais gorda, ou tornar-se mais alta ou baixa. Pode acontecer de sua visão tornar-se ampliada, você pode começar a desenvolver dons telepáticos, enfim, as possibilidades são infinitas e dependem daquilo que está guardado aí dentro de você. Cada caso é um caso.

Naquele momento, me deu uma vontade doida de fazer um teste. Foi tudo muito rápido e eu fiz tudo mesmo sem pensar… respirei fundo, fechei os olhos, espalmei as mãos para cima na altura dos ombros, e fiz uma ativação mágica, algo simples. E neste momento eu inspirei com toda força. Senti um formigamento geral e minha pele acendeu-se, e um redemoinho estranho me envolveu. Era como se eu estivesse num outro ritmo temporal, eu via tudo se mover em volta como se eu estivesse dentro d’água… era muito estranho. Leo deu três passos para trás, assustado. Eu estava de olhos fechados, mas podia ver que ele estava de boca aberta. Eu sorri interiormente e abri os olhos, com medo de que aquela sensação fosse embora. Eu sentia que minhas pupilas estavam acesas, como em chamas. Via os símbolos marcados nas palmas das minhas mãos, no meu peito, nos meus pés. Eu flutuava a alguns centímetros do chão. Naquele momento, senti a própria Vida em mim… foi estranho e haviam como que pequenos relâmpagos que se acendiam ao meu redor, sobre a minha pele. Senti uma vontade irresistível de me aproximar do Leo e abençoá-lo, como os pretos-velhos fazem com os consulentes em dias de Gira de Umbanda. E assim eu fiz.

Quando me aproximei, o Leo caiu de joelhos, chorando. Ele estava visivelmente abalado com aquilo. Eu risquei a cruz em sua testa, seu peito, suas mãos… ficou tudo aceso com uma luz branco-dourada. Depois beijei seu ori e também o cruzei com devoção pedindo ao Pai Maior que o protegesse sempre. Sentia um amor imenso me invadir, uma gratidão absurda por tudo e todos. Foi tudo instintivo, fiz sem pensar, mas me deu uma alegria imensa fazer aquilo. E então eu cruzei os braços sobre o peito e inspirei… e tudo cessou – a luz, o redemoinho que me mantinha flutuando, os símbolos se apagaram. Fiquei ainda com a sensação de formigamento por algum tempo, mas foi só.

Respirei fundo e agradeci mentalmente. Minha roupa brilhava como se estivesse coberta de pó de diamante… era lindo! Meus olhos se encheram de lágrimas. Leo levantou-se e me deu um abraço apertado. Me agradeceu um monte de vezes embora eu repetisse que não era eu a Fonte, eu era só o canal.

– Quando eu fui designado pelo Mestre para ir te buscar, ele me disse que eu estava buscando uma filha muito querida e especial para ele. Agora eu entendo porque. Obrigado.

– Quem é o Mestre? Posso vê-lo?

– Ainda não. Mas ele vai chamá-la, tenho certeza. Achei que você era só mais uma de muitos resgatados no seu país… mas agora eu entendo que você faz parte daqueles poucos iniciados que nós resgatamos. Nós nunca sabemos quem são, até que algo acontece e eles se deixam identificar. Eu já tinha ouvido alguns colegas de trabalho falar sobre os Magos que estavam vindo a bordo… mas não esperava por isso, sinceramente. Muito obrigado pela oportunidade.

– Sou eu quem tenho que te agradecer, Leo. Você foi nos buscar.

– Não fui eu. Eu sou só o canal…

E nós dois rimos. E continuamos a explorar o apartamento. Ele então me explicou que havia mais duas mudas de roupa no meu armário, um deles era um vestido simples, parecido com aqueles usados na Roma antiga, cingido por fios dourados. O outro era uma túnica para eu vestir quando dormisse.

Ele disse que nós raramente sentiríamos necessidades do tipo ir ao banheiro, mas nas raras vezes que isso acontecesse, poderíamos usar o vaso sanitário, também “escondido” atrás de outra porta deslizante.

– Bem, eu devo ir agora. Se você precisar de mim, basta acionar-me pelo comunicador, em qualquer das telas magnéticas. Eu espero que sua estada aqui seja excelente, e que você e sua família possam ficar conosco o tempo que for necessário. Mais uma vez, muito obrigado.

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Lembro-me também de uma explicação que o Leo me deu sobre o porque de alguns de nós estarmos ali e outros não:

– Irmã… muitos dos espíritos sobre a Terra não têm salvação. Ou seja, eles não conseguem conceber um mundo onde haja igualdade e fraternidade verdadeiras, entre todos. Sua felicidade e realização pessoais resumem-se em subjugar, mandar, ter poder, ser temidos, acumular riquezas. Esses estão lá agora, sofrendo, e praguejando contra a vida, contra a sorte, contra Deus. Serão levados, após seu desencarne e contra sua vontade, a orbes que coadunem com sua freqüência vibratória negativa.

Leo fez uma pausa, respirando profundamente. Estávamos na sacada, apoiados sobre o guarda-corpo. Podíamos ouvir o murmúrio das águas, e uma brisa refrescante soprava, intermitente… me lembrava do mar.

– Depois, irmã, temos aqueles que não são “maus”, mas que também nunca acordaram para as verdades da vida eterna. Estes serão separados basicamente em dois grupos: aqueles que despertarão através do choque de sofrimento do processo de transição, e que assim poderão herdar a nova Terra nascendo nela daqui há alguns anos. E aqueles que, mesmo sofrendo, não terão alcance suficiente para acordar, continuando a negar as verdades espirituais, e que então também serão desterrados e encaminhados aos planetas que melhor puderem acolhê-los. Todos, sem exceção, possuem guardiões que olham por cada um deles com desvelo e atenção, então sossegue seu coração, irmã.

– É só isso? E não há aqueles que não caem nem no primeiro nem no segundo grupo?

– Há sim… bem, aqueles que já eram obreiros do Pai, que já acreditavam na vida eterna, na multitude das existências, etc., estes são mais simples de serem resgatados. No entanto, em meio a estes obreiros, existem muitos que não cuidaram de melhorar suas vibrações íntimas, irmã. Pregaram o evangelho para fora, e não fizeram mudanças internas. Mesmo trabalhando caritativamente, continuaram mentindo, traindo, reagindo com raiva exacerbada, maltratando familiares, criticando, e assim por diante. Estes também precisam terminar de lapidar seus sentimentos através da transição em curso no planeta. As energias em choque na Terra serão essenciais para que estes irmãos possam limpar de vez seus corpos emocionais dessas tendências excessivamente egóicas e destrutivas… para o bem deles próprios.

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12 pensamentos sobre “Transição

  1. adorei!! já tive alguns sonhos muito fortes, mas o seu foi barbaro!! … adoro cozinhar, mas esse microondas é um sonho… rsrs.

  2. História muito significativa e verossímil,haja vista que conheço gente que estabeleceu conexão com seu par ontogemelar(alma gêmea extraterrestre/extradimensional) e vive casamento com um par coontogemelar(uma quase alma gêmea), este habitando o astral próximo da dimensão física terrestre.Para quem busca o entendimento holístico da realidade multidimensional da Vida,nada há para estranhar!!! Tudo nos vem,por sintonização e por merecimento,mesmo!!! Leiam na web excelente obra psicografada,com muitos esclarecimentos,acessem psicografia Vida Eternamente Viva.LUZ E FELICIDADE PARA TODOS!!!

    • Agradeço a visita e o comentário, Synture.
      Um adendo somente — não foi um encontro entre almas gêmeas. O ser com quem me encontrei é um trabalhador cósmico, que atendia, pelo que pude conpreender do “sonho”, várias almas em transição.
      Tive por ele, e ele por mim, empatia de irmãos, nada mais. 🙂

      • Kin 165, eu apenas fiz referência a um OUTRO tipo de relacionamento – o que importa mesmo,é que tudo isto é bem real,conquanto que aparentemente inacreditável ou estranho para a média medíocre dos que estão por aí – mas… dia virá em que a conexão kosmosidérea e multidimensional será compreendida e vivenciada por bem maior número de pessoas.Muita Luz e prosperidade,para todos nós,viajores da Evolução,filhos do Infinito,herdeiros da Eternidade!!!

  3. Em primeiro lugar, quero agradecer por sua gentil visita ao meu blog.
    Muito obrigada pelo comentário, também.
    Acredito, do fundo d´alma, que nada é por acaso e, por isso, estou imensamente feliz em ter chegado ao seu cantinho virtual.
    Adorei o post no qual traduziu seu sonho.
    Confesso que fiquei impressionada e extasiada ao mesmo tempo.
    Que lindo desdobramento você teve!!!
    Tenho certeza que nosso planeta está passando por profundas transformações e depurações. É um caminho sem volta.

    Beijos,
    Diulara e família felina

  4. Uau Sarah!!! Estou em “awe” aqui.. Eu andava meio sem esperanca, me sentindo helpless no meio dessa confusao toda.. Essas coisas acontecem na hora certa, e serve p/ nos lembrar que nao estamos sozinhos 🙂 Seu desdobramento foi impressionante, obrigado pela coragem de postar. Saiba que isso me trouxe um sentimento acolhedor, estava precisando. Eu sei qdo leio algo real.
    Eh um prazer poder voltar a me comunicar contigo!
    Beijos
    Leandro

    • Leandro! Como você está, menino? E as projeções, praticando?
      Fico feliz que você gostou. E mais feliz ainda de falar contigo de novo.
      Se foi algo premonitório ou não, só esperando pra ver, né?
      Mas mantenha a fé – a fé na Vida, acima de tudo. Ela está em tudo e, por mais que a gente faça “besteiras”, a Vida sempre joga para ganhar. Ou seja, no final, tudo se resolve. 🙂

      Beijo grande e mande notícias!

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