Na velha Jerusalém…

Sonhei que andava desesperadamente atrás de uma sala para fazer uma reunião de trabalho. Um homem me acompanhava. Depois de muito procurar, num edifício moderno, todo envidraçado, saímos para a rua com destino a outro endereço, por sugestão desse homem, que eu não via, mas que me acompanhava de perto bem atrás de mim. Entramos por uma alameda estreita, mas ainda assim cheia de construções modernas.

Conforme andava, uma sonolência me invadiu…

As casas modernas deram lugar a muros de pedra antigos. A alameda estreitou-se e eu percebi que as pessoas a minha volta vestiam-se como na época de Cristo, roupas em tecidos rústicos, pessoas pobres… vi centuriões da guarda Romana. Eu também mudei, assim como minhas roupas. O notebook que eu carregava deu lugar a uma tábua pequena, em pedra.

De repente senti uma urgência enorme de atravessar aquela alameda e chegar ao meu destino. Havia muita gente se acotovelando, eu fui empurrando uns e outros e consegui…

Um homem estava pregado numa cruz de madeira. Ele era branco, tinha olhos já esbranquiçados pela dor, cabelos em desalinho e grisalhos. Usava só uma tanga de algodão cru e mais nada.

Os centuriões o estavam descendo da cruz, e ninguém fazia nada. Havia mulheres chorando, mas ninguém se aproximava.

Quando depositaram o corpo no chão, me joguei sobre ele tentando ajudá-lo. O centurião à minha esquerda riu do meu gesto.

– Faça alguma coisa! Ele ainda respira!

Meu desespero parece ter colocado algum juízo na cabeça daquele soldado – por um instante ele parou de rir e me fitou com um quê de pena e curiosidade. Depois sorriu para mim e disse:

– Não há nada a ser feito… ele morreu. – e então o centurião estendeu-me sua mão. Eu fingi não perceber o gesto e olhei para os olhos do moribundo: estavam vítreos. Senti uma dor aguda no peito e chorei.

Por todo aquele tempo, senti a presença do homem atrás de mim, como se estivesse me guiando pela experiência. Foi bom ter alguém ali comigo, mas foi dolorido ver aquilo tudo. Não sei quem era o homem, o que eu tinha a ver com aquilo… não sei.

Acordei com minha gata miando em cima de mim… mas ainda sentia o cheiro poeirendo daquela Jerusalém de então… a dor no peito passou, mas eu continuo me lembrando dos olhos dos dois – tanto do centurião, quanto do morto. :-S

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