Sobre livros, opiniões e espiritualidade

Primeiro peço desculpas pelo longo post, mas acredito que assuntos importantes, como abrir os olhos da população em geral para a magia negra, não devem ser tratados levianamente. Segundo, este post não tem intenção de ser sensacionalista, de atacar ao médium psicografo em questão ou  ao seu espírito guia – tenho por ambos grande admiração e li quase todos os títulos sob sua autoria. Terceiro, eu leio muito. Hoje em dia muito menos que antigamente, quando não era mãe e tinha mais tempo livre. Não tenho uma linha específica,  leio de tudo desde que a história seja boa, me faça passar o tempo com algo interessante, portanto não cultivo pré-conceitos à respeito de títulos ou autores. Dito isso, vamos ao que interessa…

Anteontem acabei folheando um livro que eu havia me recusado a comprar por conta principalmente do preço, mas também porque o conteúdo era apresentado em forma de perguntas e respostas, o que invariavelmente me cansa, a não ser que seja sobre um assunto que muito me interesse e que traga informações realmente relevantes. O livro em questão é Magos Negros, de Robson Pinheiro, “magia e feitiçaria sob a ótica espírita”. Capa linda, muito bem diagramado, papel excelente. Meu irmão comprou o livro para minha mãe, e eu resolvi folheá-lo.

O conteúdo é inspirado pelo espírito João Cobu, ou Pai João de Angola, espírito comunicante em quase todas as obras de Robson. Devo dizer que fiquei com vontade de conversar pessoalmente com o médium,  porque a quantidade de más interpretações é absurda. Aprendi através do processo de atendimento mediúnico que a informação é melhor e mais fielmente transferida ao consulente se o médium possui algum conhecimento sobre o assunto que o guia quer passar. Por exemplo, sou péssima com nomes e funções de ervas, um problema que tenho que sanar através de um curso mais cedo ou mais tarde. Sendo assim, acredito que deve ter sido muito difícil para Pai João conseguir transmitir a um médium de formação espírita kardecista, preocupado em não atacar os dogmas da FEB através de suas publicações (haja vista o sem número de notas de rodapé inseridas em cada um de seus livros), ensinamentos de cunho basicamente afroreligiosos.

Então o autor coloca como respostas de Pai João que Oxalá é o Orixá que rege o elemento Ar. Coloca também que os Orixás são simplesmente representações dos elementos da natureza e, por conseguinte, não incorporantes. Reafirma incessantemente que Deus é um só,  como se as religiões afrodescendentes fossem panteístas e, até certo ponto, atrasadas em suas crenças. Pai João diz inclusive que se fosse necessário fazer-se oferendas para essas representações de forças da natureza, que então religiões milenares na Europa e Ásia por exemplo,  religiões estas que acessam as mesmas forças naturais, que então essas demais religiões não conseguiriam acessar tais forças pois não fazem uso de oferendas para chegar a elas.

Só nesses exemplos, há inúmeros equívocos. Oxalá, Trono Masculino da Fé,  positivo e irradiante, é o senhor dos espaços e, segundo a gênese de Umbanda Sagrada, foi o primeiro a ser exteriorizado por Olorum (Deus). É Oxalá, através de seu fator cristalizador, que “junta” os demais elementos do Universo, atraindo-os e formando assim, estrelas e planetas para que então surja a vida. E como tempo e espaço andam sempre juntos, seu par magnético, feminino, negativo e absorvente é Oyá-Logunã, a Senhora que regula a maturação de tudo e todos através dos tempo. A gênese é alegórica, mas serve para nos passar conhecimentos herméticos através de linguagem simples e acessível. Para um iniciado, ela diz tudo; para um leigo, não passa de fantasia.

Oxalá e Oyá,  juntos, regem sobre a Fé, o primeiro dos 7 sentidos da Vida, pois sem fé nada cristaliza, nada vai em frente, nada cria raízes. A Fé através do Tempo torna-se Esperança, e é através dela que continuamos vivendo, trabalhando, amando, produzindo, aprendendo. Oxalá é, portanto, o orixá que rege sobre os elementos cristalinos, e não sobre o Ar. Neste caso, acredito que a falta de conhecimento do médium atrapalhou a comunicação de Pai João. O orixá regente do elemento Ar é Ogum, Trono Masculino da Lei, positivo e irradiante, aquele que põe ordem em nossas vidas através da regulagem do nosso caráter. Seu par magnético é Yansã, a Senhora dos Ventos, negativa e absorvente, aquela que paralisa em nós tudo aquilo que possa nos induzir ao erro, colaborando assim para direcionar nossos passos dentro da Lei Divina. Caminhando juntos, Yansã e Ogum são como a vela e o vento que direcionam o barco de nossas encarnações rumo à evolução.

As religiões afrodescendentes não são politeístas – acreditamos em um Deus único, criador de tudo o que existe, criador inclusive dos 7 Sentidos da Vida (que chamamos 7 Linhas de Umbanda), exteriorizados de Si através de sete mentais poderosíssimos, inteligentes e oniscientes, regentes e guardiões das forças naturais que formam e regulam o Universo em todas as suas dimensões. A saber, e segundo a Umbanda Sagrada, são mentais divinos a fé,  o amor, o conhecimento, a justiça, a lei, a evolução e a geração, cada um deles por sua vez gerando de si um par de Orixás reguladores, dando origem portanto à dualidade presente em toda a criação – luz e sombras, masculino e feminino, positivo e negativo, nascimento e morte. Portanto, para o Umbandista, não existem deuses – existem DIVINDADES, Tronos Divinos, sob às ordens e direção da Lei Maior e da Justiça Divina emanada por um único Deus, OLORUM. Tais mentais realmente não incorporam, uma vez que são divinos e estão muito além de nossa compreensão e alcance. No entanto, conforme a hierarquia de cada orixá descende na escala magnética em direção à dimensão espiritual, seus manifestadores naturais e espirituais tornam-se incorporantes, agentes especialíssimos no suporte e manutenção de nossas vidas e evoluções.  Então a informação de nosso amado Pai João está truncada e dá a impressão que Umbandistas e Candomblecistas não passam de iludidos panteístas, dizendo incorporar Deuses e forças naturais… sei que não foi esta a intenção, mas é exatamente assim que o leigo kardecistas ou espiritualista lerá a informação.

Por último, temos o tema das oferendas. Já falei sobre este tema no blog aqui, em resposta a outro autor que criticou a prática, e então não vou explicar de novo neste post. Mas vou ressaltar que as oferendas não são fruto das religiões afrodescendentes. Índia,  China, Europa… todos os países têm ou já tiverem religiões naturais. Nos templos budistas os fiéis ainda fazem ofertas de incenso e arroz, escrevendo seus pedidos de fim de ano em papel de arroz e queimando-os nas chamas das velas para que a fumaça leve seus pedidos aos céus. Da mesma maneira, hinduístas mantém templos às divindades do amor, da renovação,  da riqueza… e neles fazem oferendas com flores, frutas, velas, comida e bebida. Assim também faziam os antigos Celtas, tidos como uma das sociedades mais modernas de sua época, tendo inclusive instituído a igualdade entre os sexos e o divórcio, e que cultuavam as forças da natureza em altares dispostos em meio a florestas e círculos de pedras, alguns dos quais estão de pé até hoje. Até o catolicismo, tão contra a utilização de elementos, faz uso do incenso, velas e até da hóstia e do vinho como símbolos do corpo e do sangue de Cristo. Pai João fala muito acertadamente sobre a necessidade de não poluir a natureza através de nossas oferendas, assunto sobre o qual estamos sempre pedindo aos irmãos de fé que tomem ciência e limpem os locais após seus trabalhos, principalmente durante os festejos para Yemanjá. Mais uma vez percebe-se que a mensagem de Pai João passou pelo crivo de pré-conceito do médium, que passou a informação exatamente como a sociedade encara, sem fundamento ou estudo prévios.

Ainda sob esta ótica, há muitos que criticam as oferendas com animais. A Umbanda não faz uso de animais em suas oferendas, não faz a chamada “matança”. Mas antes de criticar, pare e pense, quem é pior: o boi que é morto de forma desumana no matadouro para que você coma sua picanha no churrasco de domingo, ou o novilho morto de forma rápida e indolor durante um festejo, e depois cozido e distribuído para que todos comam? Atacar o Candomblé é fácil, difícil é parar para pensar primeiro…

Sobre os Magos Negros

Há sim, como bem lembrado por Pai João, aqeuels que acham que em sua vida tudo é “demanda”, tudo é magia negativa, quando na verdade a única coisa que negativa suas vidas são eles próprios, seus pensamentos e ações. Existem muitas pessoas assim.

No entanto, nossos Mestres de Magia nos contam que não há na face da Terra um único ser que não sofra, sofreu ou vá sofrer alguma vez na vida com o problema. Isso porque existem níveis e Níveis de Magia, tanto Branca quanto Negra. Quer conhecer Magia Divina de verdade e assim aprender a defender-se dessa verdadeira praga mundial? Estude. Leia. Inicie-se.

Pai João apenas “arranha” a superfície do assunto no livro de Robson, e de maneira extremamente simplista e limitada. Infelizmente, nesse ponto, eu creio que o livro presta um desserviço à sociedade, uma vez que não alerta as pessoas para o fato de que esse é o pior mal que ataca e atrasa nosso mundo em evolução. É esta corja que se acha dona do mundo por ter conhecimentos que a maioria trata como “crendice” ou “superstição” e que por isso mesmo continua atuando, fazendo e desfazendo de acordo com quem paga mais ou com o teor de suas simpatias e antipatias.

Essa corja há de ser extirpada do mundo, minha gente! E para isso, é necessário que haja estudo, dedicação, amor ao próximo de verdade. Não caia nessa história de que esse tipo de coisa não existe, que isso é coisa de gente ignorante… é só isso que esse povinho safado quer, que você continue ignorante e sem defesa.

Por fim, espero que todo médium psicografo compreenda que pesquisar e estudar e necessário, para a mensagem de seus superiores seja passada da melhor maneira possível. Escrever sobre fundamentos que se desconhece é, no mínimo, perigoso. Por tanto, Umbanda tem Fundamento e é preciso Estudar!

==========================================

Para saber mais:

Anúncios

Um pensamento sobre “Sobre livros, opiniões e espiritualidade

  1. COMO SEMPRE, SARAH, EXCELENTES COLOCAÇÕES,PARABÉNS PELA SINCERIDADE,SABEDORIA,PROCEDÊNCIA E,SOBRETUDO,POR SUA FORÇA ARGUMENTATIVA,BASEADA EM CONHECIMENTO SÉRIO E APROFUNDADO,FORÇA ARGUMENTATIVA ESTA DENTRO DA BOA EDUCAÇÃO,DO DECORO,DO RESPEITO. ESTA SUA MATÉRIA CORROBORA,EM MUITO,TUDO QUE TENHO ESCRITO,ESCREVO,ESCREVEREI,FALO,FALEI E FALAREI,ACERCA DOS MAUS MÉDIUNS,DOS BRUXOS,DOS FEITICEIROS ESPURCOS, A QUEM COMPETE,SIM,A VARREDURA DA LEI SUPREMA,ATÉ QUE APRENDAM – SE NÃO PELO AMOR, PELA GRANDIOSA MESTRA CHAMADA DOR – A NÃO BRINCAREM,A NÃO DESAFIAREM FORÇAS QUE MAL CONHECEM E SEQUER DOMINAM. ASSIM COMO EM TODOS OS DEMAIS SEGMENTOS DA SOCIEDADE MODERNA,TAMBÉM NO CONTEXTO DA UMBANDA SAGRADA HÁ DE HAVER A VARREDURA,O SANEAMENTO COMPETENTE,A TAL RESPEITO – ACREDITO,MESMO,QUE JÁ ESTEJA HAVENDO,E CONTINUAREI – TAMBÉM EU – A CONTRIBUIR PARA ISSO. QUANTO AO AUTOR,ROBSON PINHEIRO, APRECIEI OUTROS LIVROS DELE,NÃO VOU AQUI,NEM DIRIGIR ENCÔMIOS,NEM ESVURMAR QUALQUER COISA QUE ELE TENHA ESCRITO – AGORA,VERDADE SEJA DITA,SARAH,SUA COLOCAÇÃO É CERTA,É MESMO IRREPROCHÁVEL – EM CERTOS CASOS,SIM,O PSIQUISMO DE UM/UMA MÉDIUM,CONDICIONADO A SEUS VALORES SUBJETIVOS,PODE,DE FATO,INTERFERIR NA COMUNICAÇÃO. EU MESMA EMPENHO-ME EM TOMAR TODO O CUIDADO E,A TAL RESPEITO, EIS QUE TODO O CUIDADO É POUCO!!! MUI APRECIÁVEL É MAIS ESTA SUA POSTAGEM. FELICIDADES,FELIZ 2014.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s