Ciganos na Umbanda

Gypsy Moth, por Josephine Wall

Gypsy Moth, por Josephine Wall

A visão que temos do povo cigano é a visão romântica herdada de lendas e mitos, amplamente divulgados principalmente pelos povos europeus. Mas historicamente há muito pouco registrado sobre este povo basicamente porque sua tradição sempre foi oral, o que praticamente proibia que seu conhecimento ancestral fosse escrito ou gravado. Do que se tem notícia, a origem cigana remonta à Índia, mais especificamente aos povos chamados ROMA. Rom, na língua cigana, significa “homem”.

Na Índia foram amplamente caçados, principalmente pelos Ingleses. Expulsos de suas terras, iniciaram sua migração passando por dentro da Rússia e Oriente Médio, depois pelos países europeus, espalhando-se então por toda a Europa e, tardiamente, pelas Américas.

Se formos colocar em números, é certo afirmar que o povo cigano foi mais perseguido e sacrificado que os próprios judeus. Infelizmente, a história não mantém registros oficiais dessa chacina cultural. Para o Europeu, branco, preso a valores que condenavam a alegria, a liberdade, o feminino, os oráculos, a cura com ervas, etc., a cultura do povo cigano era um verdadeiro atentado ao pudor, uma quebra constante das regras e ritos mantidos pela Igreja Católica, que não via maneira de apoderar-se da riqueza material e cultural daquele povo.

Espalharam-se mitos e lendas sobre um povo que era basicamente pacífico, que cultuava Deus como uma energia que permeava tudo e todos, e que possuía conhecimentos ancestrais muito mais valiosos do que os dogmas religiosos de então. Todo o conhecimento de magia, oraculismo, cura, etc., do povo cigano perdeu-se, encontrando-se disponível apenas nos registros imemoriais do Tempo.

A língua Romani tem muito do Indi, mas só é ensinada dentro das famílias que ainda mantém suas tradições. O canal por assinatura TLC mantém alguns programas que mostram famílias Romanis atuais em suas vidas nos Estados Unidos – “Meu Grande Casamento Cigano” é um deles. Terrível, decadente… mas vale como comparativo e como reflexão sobre como se destrói um povo e suas tradições.

Os Ciganos na Umbanda

O povo cigano dentro da Umbanda é categorizado como parte da Linha do Oriente, onde também podemos classificar alguns guias espirituais que trabalham nas linhas de cura (hindus, chineses, etc.) e até da esquerda (guardiões e guardiãs que se auto-denominam “Ciganos”, “do Oriente”, etc.). Foram acolhidos dentro das falanges umbandistas e trabalham sob a irradiação de Oroiná, orixá feminina da justiça, absorvente e negativa em sua polaridade.

Os ciganos trabalham muito bem em muitas frentes: corte de demandas, curas, prosperidade, amor. Temos ciganos e ciganas de todas as irradiações, mas eles transitam de um assunto ao outro com incrível facilidade e flexibilidade. Trabalham muito bem com metais (facas, punhais, moedas, caldeirões, tachos, correntes, ferraduras, etc.), pedras e cristais, todos os tipos de vegetais, frutas e flores. Usam desde leques, lenços, saias e chapéus, até guizos, pandeiros, tapetes, cordões e fitas em seus passes magnéticos. Riscam pontos utilizando pembas de todas as cores, e alguns poucos manipulam inclusive a cor negra de Exu.

Adoram tudo o que é colorido, vivo, alegre. As cores e nuances do fogo lhes são muito atraentes, assim como muitas velas acesas. Nas oferendas, podemos usar muitas flores; frutas secas (damascos e tâmaras, por exemplo) e todos os tipos de nozes; fitas, lenços e toalhas coloridos; chás (principalmente de hortelã e de frutas) aromatizados com paus de canela e/ou cravos; frutas frescas (as melhores são as maçãs, as uvas e as ameixas vermelhas, morangos e cerejas); sucos e ponches de fruta ou de vinho tinto; champanhe; água mineral; pães caseiros; tachos de cobre ou caldeirões dourados; velas de todas as cores, menos pretas; punhais, facas, adagas, correntes, pulseiras e anéis; copos ou taças decorados, de vidro ou de metal; alguidares ou caldeirões cheios de brasas bem vermelhas, ou com álcool combustível aceso; pequenas fogueiras. Nas vestimentas os ciganos normalmente pedem lenços que amarram no pescoço, na cintura e/ou na cabeça, enquanto as ciganas normalmente pedem saias rodadas e coloridas, xales e lenços. Alguns ainda são capazes de ativar os desenhos de um tapete, criando espaços mágicos maravilhosos e com múltiplas aplicações, uma vez que incluem várias cores e formas.

Os locais de firmeza dos ciganos serão normalmente aqueles mais condizentes com a irradiação com a qual trabalham – caminhos de terra, matas, clareiras, campos abertos, bases de pedreiras, margens de rios e cachoeiras, e até mesmo na praia.

Uma dica interessante que a Carmen manda a todos: Os ciganos prezam muito pela união da família, a harmonia entre os casais, o cuidado e o respeito com as crianças e os idosos dentro de casa. Portanto, a firmeza dos ciganos pode conter casinhas de madeira, gesso, porcelana ou metal, que ficam imantadas com a força desta proteção e depois podem ser levadas para dentro de casa como objeto decorativo e tornam-se portais absorventes das energias desarmonizadoras que tentam separar os membros da família, e expansor de amor e comunhão entre todos, constantemente.

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