Somos todos Maiakovski

Poeta russo “suicidado” depois da revolução de Lênin.

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

(poema de autoria de Eduardo Alves da Costa, 1935 – No Caminho com Maiakovski)

==============================================

Me preocupa nossa condição… nossa condição de almas em evolução, de corpos perenes que um dia deixarão este mundo. Me preocupa o fato de que estamos anestesiados, como bem cita o poema acima. Malas de dinheiro… espermas no rosto… juízes que prendem, para outros imediatamente mandarem soltar. Hoje pode tudo.

Afinal de contas, eu não sou pobre, eu vivo bem a minha vida. Viajo nos fins de semana, nas férias. Meus filhos estão bem, estudam bem, comem bem. Tenho um bom emprego… Não sou mulher, nem ando de ônibus, não tenho que me preocupar com nada disso. E daí se soltaram mais um? Qualquer coisa, se der tudo errado, eu faço minhas malas eu vou-me embora do país!

Eu fico vendo e lendo essas coisas todas e me lembrando da última sexta-feira de trabalhos espirituais. Me lembrando das sábias palavras de alguém que sofreu no corpo os ditames da “lei do mais forte“. Ouvimos dela, que viveu sua última encarnação nesta Terra como escrava…

Fios… o mal prospera porque os bons são tímidos…

Ouvimos dela que é necessário sentir RAIVA para que as mudanças aconteçam. Ouvimos dela que é através deste sentimento, bem direcionado, que os grandes avatares da humanidade tentaram nos deixar seus exemplos… Jesus, Mahatma Ghandi, Mandela… tantos, tantos seimplesmente NÃO SE CONFORMARAM com o que estava errado e simplesmente lutaram pela mudança que queriam ver no mundo.

E então, me pergunto, quem, nesta hora, deixará a “timidez” de lado e compreenderá que é preciso ser a mudança que queremos ver no mundo? As pessoas não entendem, mas nós estamos em guerra… uma guerra travada na espiritualidade desde que o mundo é mundo, mas como ninguém vê, ninguém ouve, ninguém percebe, então ninguém faz absolutamente NADA. As pessoas se deixam levar pelas más vibrações dos ambientes que as cercam, das más companhias com as quais convivem – sejam encarnadas ou não, se deixam levar por séculos e séculos de cullto às suas más índoles e então se sentam e assistem a tudo, como verdadeiros zumbis.

Não entendem que é no nosso dia-a-dia, que é levantando-se contra as injustiças diárias que nós podemos mudar esse estado de coisas. Não compreendem que se você vê um idoso, uma mulher, uma criança, quem quer que seja, ser maltratado e você se cala, você é CÚMPLICE de toda essa corja! Que se você fala que quer um mundo melhor, mas você usa o seu “jeitinho” para tirar vantagem em tudo que conseguir, você é tão LADRÃO quanto todos os outros!

Perdi minha vida algumas vezes em prol daquilo em que acreditava. Lutei, morri. Falei o que ninguém queria ouvir, morri. Me neguei a fazer o que todos faziam, morri. E posso dizer a vocês – não me arrependo um palmo por nada disso. No entanto, de todas as vezes em que eu não tive lucidez suficiente para estar do lado correto… dessas me lembro com amargor. Dessas me pego pensando: porque não fiz isso? Porque não fiz aquilo? O preço da ignorância e da covardia é uma consciência latejando pelo resto da sua existência. E não existe nada pior do que isso.

Karma? Esqueçam. O karma não é nada se comparado ao sofrimento de milhares de almas que você poderia ter ajudado e não ajudou. Ou de uma única alma te olhando, pedindo auxílio, te estendendo a mão, e você vira as costas e não faz nada… isso, posso garantir, é o pior dos infernos.

E é da nossa condescendência que nascem os monstros. É dos nossos olhos fechados, das nossas bocas caladas, das nossas permissões veladas que, pouco a pouco, nascem as ditaduras, sejam elas de cunho político, social ou pessoal. É do nosso “não tenho nada a ver com isso” que reinam os arrastões, os estupros a cada 11 minutos, as malas de dinheiro.

7 de Setembro… Dia da INDEPENDÊNCIA do Brasil!

Independência do quê? Somos mais de 200 milhões de idiotas que acreditam ser independentes num país onde se trabalha 6 meses no ano para pagar impostos sem, no entanto, receber um mísero assento escolar de volta. Hoje, véspera de 07 de Setembro de 2017, somos mais escravos do que jamais fomos. Somos mais colônia do que jamais fomos. Somos mais SERVIS do que jamais fomos.

Somos um povo sem identidade, o povo do cada um por si. Um povo sem educação, sem cultura, sem passado. Um povo que mal lê, que não sabe falar o próprio idioma, um povo anestesiado à base de TV, churrasco, cerveja e futebol. Um povo fadado a ser para sempre “a pátria do futuro” de Juscelino. Somos a “pátria educadora” dos imbecis alfabetizados funcionais.

E, pra quem ainda não entendeu, segue…

Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso,
eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso,
eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso
porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho meu emprego
também não me importei.

Agora estão me levando, mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um feliz 7 de Setembro a todos os anestesiados! 😦

Anúncios

Quem pode mais

Talvez eu já tenha contado esta história… em partes. Então, me perdoem se sou repetitiva.

Há 9 anos eu conheci uma casa de Umbanda Sagrada na zona sul de São Paulo. Na época, estava desempregada há 6 meses e os trabalhos como free lancer estavam rareando. As contas se avolumavam e o desespero aumentava todos os dias… nessas horas, a gente se agarra a Deus mais do que nunca, e foi isso que me levou à Casa do Pai Benedito.

Era dia de Gira de Ciganos. O cigano que me atendeu perguntou meu nome e quando eu disse “Sarah”, ele respondeu que eu havia chegado no dia certo… eu sorri, afinal Santa Sara é a protetora do Povo Cigano e ali estava eu buscando auxílio. Seis meses depois, já como frequentadora assídua da casa, passei por uma consulta com Seo 7 Ondas, que muito sabiamente me disse que eu deveria fazer um trabalho para Mãe Iemanjá, solicitando àquela Orixá que gerasse novas oportunidades em TODOS os campos da minha vida.

Para encurtar história, esta dita consulta ocorreu no início de Dezembro. Ao final de Janeiro comecei a namorar. No carnaval fiquei grávida. Em Março fui contratada e voltei a trabalhar. Em Abril estava casada… Ufa! Iemanjá não brinca em serviço. 🙂

Muitas idas e vindas depois desta consulta com o Marinheiro, e já com a vida totalmente mudada, me matriculei na segunda turma do Curso de Magia Divina das 7 Chamas Sagradas, e passei a frequentar a casa mais vezes na semana. Foi meu primeiro grau de Magia Divina… depois deste cursei mais 17 graus de magia, tanto na Casa do Pai Benedito, quanto no Colégio Tradição de Magia Divina.

Foi nesta mesma Casa de Fé que eu cursei a primeira turma do Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – era um curso de seis meses, somente teórico. Fiz meu desenvolvimento mediúnico em 2009, junto com a segunda turma do mesmo curso, já com minha bebê pequenininha. Fui coroada Médium de Transporte por Pai Benedito de Aruanda. Comecei a frequentar as giras de atendimento como Cambone, mas em poucos meses comecei a ser chamada para atendimento. Primeiro com meu Exu Mirim, depois com Vó Benedita, depois com minha Pombogira… e quando vi estava atendendo em todas as giras, sendo coroada Médium de Atendimento da casa cerca de 3 anos depois daquela primeira Gira de Ciganos. Foi um tempo relativamente curto, mas muito bom, de muito aprendizado.

Cerca de um ano depois, já em 2011, Vó Benedita começou a solicitar-me o estudo do Sacerdócio Umbandista. Como todo “bom” médium, achei que era coisa da minha cabeça… afinal, eu não tinha essa missão na vida. As solicitações tornaram-se repetitivas. Pessoas, amigos, irmãos de fé – todo mundo, do “nada”, começou a brincar comigo, perguntando quando eu abriria a minha casa. Eu neguei de todas as maneiras possíveis, tenho que admitir. Mas a verdade é que, no fundo, eu sabia que era isso que eu tinha que fazer, que ajudar é que me fazia feliz, que era isso que me fazia me sentir útil e viva e que quando chegasse a hora, eu não teria escolha, porque eu tinha sim assumido esta tarefa bem antes de nascer.

E assim foi… no início de uma gira de atendimento em 2012, meu amado Pai de Fé, Claudio Ricomini, solicitou que eu e mais duas irmãs médiuns da casa cursássemos o Sacerdócio Umbandista no Colégio de Umbanda Sagrada de Pai Rubens Saraceni. Foram meses e meses de estudo, de dedicação. Muitas oferendas, muitos amacis. Aulas memoráveis que eu nunca, jamais hei de esquecer. Mestre Rubens realmente coroou nossa caminhada com a sua alegria, o seu conhecimento e a sua disciplina. A ele, sou imensamente grata.

Em 2013, no ano em que me formei Sacerdotisa, Vó Benedita começou a cobrar-me a abertura da Casa de Fé… vendi meu apartamento, compramos uma casa, reformamos. Depois seguiram-se as firmezas necessárias à abertura da casa – primeiro ao Guardião Exu, depois à Guia Chefe da Casa, por fim à Guia de Frente que também é minha Guardiã Pombogira. Muitos gastos, muito tempo, muita dedicação. A cada passo dado, um frio na barriga, um medo a mais… mas também uma força estranha, uma certeza, que me foi invadindo e tomando conta. A cada dúvida, uma única resposta: “segue em frente, estamos juntos”.

Muita gente há de me olhar e pensar “como ela consegue?”. Vou dizer a vocês: Eu não consigo, porque não sou eu.

É a Vó Benedita… é Seo Morcego.

É a Rosa, Seo Zé, a Carmen.

É a Lili, o Pimentinha, a Iara.

É Seo Pena Branca, Seo 7 Barcas, Seo 7 Lanças.

É minha Mãe Iemanjá Cristalina, é Meu Pai Ogum Megê.

É Iansã de Balê e Obaluaê.

É Olorum…  e todos os Orixás, todos os Guias, Mestres, Mentores e Guardiões.

São eles gente… é deles este projeto, esta Casa, a minha coroa, a minha fé, a minha dedicação, a minha vida… é deles. Sem eles, nada disso existiria. É por eles a minha (aparente) calma, a minha disciplina, a minha certeza, a minha esperança. Porque eu creio, no fundo d’alma, na evolução do espírito através de suas várias existências e eu creio na Gênese Umbandista. Eu me lembro de muitas das minhas experiências anteriores e elas me ajudam a entender quem eu sou, porque eu estou aqui, e o que eu preciso para melhorar. Porque, como diz Vó Benedita, a fé pela fé não é nada; a fé pela fé, sem estudo, sem base, sem conhecimento, sem investigação, sem discernimento, é como castelo de areia – na primeira onda cai, desmancha, deixa de existir.

E é isso que eu quero passar pra frente. É nisso que eu acredito – que nós teremos um futuro melhor com pessoas melhores; pessoas com auto-conhecimento, que sabem de onde vêm e para onde vão. Pessoas boas, sadias de coração e alma. Não precisa ser perfeito, nem precisa ser Umbandista, precisa ser bom e querer ser melhor a cada dia, a cada passo dado. Precisa saber que tem defeitos e que precisa melhorar, porque esta é a razão da vida material neste planeta. As pessoas precisam resgatar isso de dentro delas. Elas precisam lembrar que existe algo além do acordar de manhã, trabalhar feito louco, enfrentar trânsito, comer qualquer porcaria, ganhar o insuficiente, e no outro dia repetir tudo de novo, esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria, para ser feliz.

A vida não é isso, gente. A vida pode, e deve, ser melhor. É preciso parar, avaliar, arriscar uma vida diferente, uma vida com mais propósito, uma vida onde a gente pode se sentir feliz e realizado todo dia, não só no final de semana, não só nas férias.

É por isso que a Casa da Vó Benedita existe, e é pra isso que nós vamos trabalhar e ensinar. É com esta bandeira, a bandeira de Oxalá, Pai dos Mundos e Senhor dos Espaços Infinitos, que nós vamos auxiliar o próximo. E se nós mudarmos uma única vida para melhor, se nós salvarmos da tristeza e do desespero um único pai de família que seja, eu já me sentirei realizada.

Porque, segundo o ponto cantado que Vó Benedita tanto gosta, “Quem pode mais, é Deus”.

Pois que seja feita a vontade d’Ele.

Axé!

(A Casa da Vó Benedita está prevista para ser inaugurada ao público no próximo dia 08 de Julho, uma sexta-feira, com atendimentos semanais e gratuitos. Em breve, publicarei maiores informações.)

Política e religião

Dizem que política e religião são duas coisas separadas e que não se discute nem uma nem outra. Dizem que religião não deve se misturar à política. E então eu leio um artigo que revela que os países mais religiosos do mundo são também os mais violentos… e meu coração se entristece.

O caso é que RELIGIÃO é algo criado pelo homem, pela humanidade, para de alguma forma religar-se com sua Fonte, com seu Criador, com seu Deus. Desde que o mundo é mundo dezenas, centenas, talvez milhares foram as religiões que surgiram e feneceram na face da Terra.

A religião, a doutrina, o ritual religioso, seja ele qual for, é algo necessário à alma humana em vários de seus estágios evolutivos. É impossível, para a grande maioria, senão para a totalidade da população mundial, ligar-se a Deus e suas divindades sem que para isso passe por algum tipo de ritual, nem que seja uma simples oração, uma imagem, uma vela.

Ainda é impossível ao espírito humano, encarnado ou desencarnado neste planeta, conectar-se à Fonte Criadora pela simples contemplação e quietude. O imponderável, aquilo que carece de forma e função definidas torna-se inacessível à nossa mente ainda presa a um sistema de crenças, seja ele qual for.

Então a espiritualidade superior faz por bem inspirar os melhores e mais preparados para que tragam ao mundo os rituais e procedimentos que melhor caibam a certo grupo de indivíduos e almas afins, e assim criam-se as religiões pelo mundo. Fato é que o ego, a maldade, o engano, a mentira, a avareza, a libertinagem, e tudo que de mais baixo e ruim existe na alma humana vêm à tona quando o indivíduo se vê frente uma multidão que, erroneamente, o endeusa como se fosse o único representante de Deus na Terra.

O problema das religiões nunca foi sua doutrina, ou seus fundamentos, mas sim nós mesmos, os humanos. O problema da religião é que no momento em que se materializa e estabelece no plano terreno deixa de ser algo espiritual e torna-se algo mundano, alvo fácil dos que dominam ou querem dominar.

Mas a função do texto hoje é discernir sobre religião e política. Para mim jamais haverá um bom governante que não seja, antes de tudo, um bom ser humano, um espírito engajado, inspirado nas verdades eternas e servidor, antes de mais nada, do Altíssimo. Sim, porque como servir bem aos seus semelhantes se você nem crê em Deus? Como ser um bom dirigente, seja de uma cidade, estado ou país, se você não acredita que está neste mundo para ser bom, aprender e assim, evoluir?

As hierarquias espirituais se estabelecem pela alta capacidade ESPIRITUAL dos indivíduos. Não importa quanto você tem de dinheiro, ou de títulos, ou se seus amigos são influentes. Importa quem você É por dentro. Importa o quanto seu coração é capaz de vibrar amor, não só ao Criador, mas aos seus semelhantes. Importa o quanto você consegue doar de sua luz, de sua consciência, de seu conhecimento para o bem maior de todos. É isso que importa, e é assim que se sobe hierarquicamente na espiritualidade.

Então, eu creio sinceramente que não há como se ter um bom governo que não seja pautado na crença religiosa, seja ela qual for, mas desde que esta crença estabeleça ao governante os parâmetros básicos de sua conduta – amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros assim como eu quero que façam a mim. Só assim teremos um mundo justo e decente.

Precisamos parar de separar nossas vidas entre isso ou aquilo. A verdade é que somos seres espirituais e ponto. Viver em um mundo onde as verdades espirituais não são levadas à sério ou não são consideradas como realidade é viver no caos.

Se você acha que religião e espiritualidade só servem quando se está na igreja, ou no culto, ou num terreiro, engana-se redondamente. A mensagem foi passada infinitas vezes, desde os tempos mais remotos. Não importa se Hórus, Jesus, Buda ou Maomé, o amor entre todos, o respeito às diferenças, a distribuição daquilo que se produz, a proteção à infância e ao idoso, tudo já nos foi dito e repetido infinitas vezes. Só não vê quem não quer.

=============================

Para saber mais sobre política e religião/espiritualidade:

 

Preto velho tá cansado…

preta velha

“Preto velho tá cansado de tanto trabalhar…”

Esse ponto diz que nego véio tá cansado… e tá certo, fios, esses nego véio tá tudo cansado. Mas num é de tabaiá não, fios. Nega fala pra ocês que esses nego véio tão tudo cansado de falar, falar e perceber que ocês num ouve. Nego véio ensina, dá exemplo de conduta, conta como foi lá nas senzala de antigamente, mas ainda assim ocês tão tudo caminhando pra trás, fios… tudo caminhando pra trás.

São muito poucos no meio de ocês que entende os nego véio. Pra que tanta desesperança, tanta sanha de fazer o mal pro irmão? Pra que tanta inveja, tanto olho grande em cima daquilo que não foi predestinado pra ocê, mas sim pra outro? Porque tanta magia sendo feita pra derrubar irmão, pra diminuir a luz, pra espalhar as lágrima? Acaso foi isso que os nego véio tudo ensinô?

Foi não, fios, foi não… nego véio ensinô perdão, ensinô amor, ensinô amizade, ensinô fé. Nego véio dá testemunho de tudo isso toda vez que filho de fé veste o branco e pisa num terreiro. Então porque ainda não entenderam?

Essa nega diz pra ocês agora que pior que a escravidão de antes é essa vossa escravidão de hoje – ocês são escravo da ilusão. A verdade tá na frente de ocês, ela é repetida pra ocês todo dia, em todo lugar, seja no terreiro, seja no templo, seja na igreja, seja na sinagoga. O santo nome de nosso pai Olorum, tome ele a forma que tomar, é repetido um milhão de vez, fios… e seus mandamento são espalhados por todo o planeta.

E ainda assim… ainda assim ocês continuam matando, continuam poluindo com seus pensamento, palavras e atos. Ocês continuam negando a origem divina de ocês. Mas a vó agora pergunta: porque fios? Acaso esse modo de ser traz alegria? Traz prosperidade? Traz liberdade?

Fios, nesse dia em que ocês tão amorosamente lembram desses nego e dessas nega, a vó pede, ou melhor, a vó implora: saiam da ilusão, fios! Comecem já a ser a luz no mundo que ocês vieram ser, e deixem de lado os título da matéria. Porque grau, fios… grau de verdade, o espírito só consegue quando prova sua lealdade e sua passividade diante das leis do Criador. Aqui, do lado de cá, não existe um único coroado que não tenha antes sido colocado à prova na dura estrada da perda, do desamor, da tentação de todo tipo, fios. E depois de ter vencido a si próprio, vem esse discípulo estudar e aprender o jeito de ser da Aruanda. E o espírito então estuda, aprende, e estuda um pouco mais. Sempre no silêncio, sem questionar a seus superior, fios. Neste tempo em que estuda é observado seu ego, seu orgulho, seus pensamento, seu temperamento, sua fibra interior. E só então, tendo sido aprovado depois de muito tabaio e estudo, se vê coroado o espírito e graduado o ser naquilo a que se dedicou com afinco, amor e determinação.

Então fios, não pensem ocês que grau se ganha de forma fácil. Esses tudo nego véio e nega véia que hoje vem até ocês com um dedo de prosa e um abraço, fios… tudo passaram por isso e muito, muito mais. Não se deixem enganar pelas falsa promessa de iluminação, fios. Isso não existe. Não se deixem enganar por palavras bonitas, ou por cargo passageiro na Terra… isso tudo é empréstimo da Vida para vossa evolução.

Grau alcançado é grau tabaiado, fios. E é grau validado a todo momento também, porque num pense ocês que porque essa vó ganhou título em Aruanda pode deixar de vigiar, de estudar ou de aprender… porque não pode não!

Aruanda hoje faz festa, fios. Mas a festa só vai realmente ser completa no dia que ocês aqui na Terra começá a intendê e aplicá tudo aquilo que esses nego véio fala e ensina.

Até lá, fios, vamo tabaiá! Vamo tabaiá que a corrente que prende ocês tudo ainda tá muito grossa, fios!

Salve!

Ser filho de Ogum

Hoje, 23 de Abril, é dia de São Jorge – na Umbanda é dia de nosso amado Pai Ogum. Hoje é feriado no Rio de Janeiro, mas não aqui em São Paulo.

Hoje é aquele dia em que as pessoas enchem nosso amado Pai com pedidos do tipo “livra-me de meus inimigos”, “me ajuda em minhas batalhas”, “derruba fulano”, “me afaste de siclano”, e por aí vai.

Na Umbanda Sagrada, Ogum é o par magnético de Iansã. Ambos regem sobre a linha da Lei de Umbanda – a Lei Maior de nosso amado pai Olorum, ou Deus, como queiram.

Ogum é um Orixá de natureza eólica, masculino, irradiante, de polaridade positiva; enquanto Iansã, seu par magnético, é feminina, absorvente, de polaridade negativa. Enquanto Ogum age no sentido de expandir, irradiar e ordenar todos os esforços feitos no mundo em prol da Lei Divina, não importando raça, credo ou gênero, Iansã age no sentido de aquietar, absorver, paralisar e redirecionar tudo e todos que afrontam esta mesma Lei.

Ogum não é somente o Pai das guerras e batalhas. Infelizmente foi associado somente a isso nas mentes das pessoas. Ele é Senhor da retidão de caráter. O Pai amoroso que nos abre os caminhos em todos os sentidos de nossas vidas, aquele que nos dá a força necessária para enfrentar nossa falta de moral, de fibra, de vontade de vencer. É ele a figura enérgica que nos dita como devemos nos portar diante do mais velho, do respeito à nossa família e às nossas raízes. É ele quem nos infere o dever de proteger o mais fraco, o mais ignorante, aquele irmão que bate à porta em busca da palavra amiga e do ombro consolador.

Num mundo onde a ética se encontra esquecida, é Ogum quem nos faz lembrar que nosso inimigo jaz dentro de nossas mentes, de nossos corações, de nossas falhas, de nossa moral torta, de nossos vícios em sociedade.

Ogum é o exemplo de amor à Lei e à Justiça, não essa coisa torta que a humanidade chama de código de ética, mas àquela que brota no coração da gente quando sabemos que o caminho a seguir é o caminho reto do auxílio, da solidariedade, da compaixão, do respeito não só ao próximo, mas a Deus acima de todas as coisas. É Ogum quem nos ajuda a enxergar que nosso Pai Maior, a Fonte de Tudo o que É, existe em cada irmão, em cada folha, em cada animal, em cada gota de água e portanto, merecem nosso respeito e nossa proteção.

Ogum é o arquétipo do homem que respeita, protege e dá valor à sua companheira; do pai presente que educa por meio do exemplo de moral e bons costumes; do avô que alegra a vida dos netos com uma sabedoria que só o tempo traz; do líder nato que gerencia através da mão firme, do caráter irretocável e do coração cheio de amor.

Ogum é o guerreiro que luta pelo amor e o respeito entre todas as criaturas a ser disseminado pela Terra.

É dever de todos aqueles que buscam sua evolução serem justos e bons, cultivar a boa moral e a retidão de caráter. No entanto, ser filho de Ogum numa encarnação ou em sua ancestralidade significa ser respeitoso, protetor e justo sempre. Significa ter a irradiação azul-índigo da Lei em constante foco sobre sua coroa, sabendo, a cada passo que se dá, se o que se faz está de acordo com as Leis Divinas ou não. No primeiro deslize, a consciência dos chamados Filhos de Ogum “grita” e incomoda até que voltem e consertem o desvio no caminho. Ser Filho de Ogum é viver sob a constante vigilância do General da Umbanda. E como todo bom general, Ogum não permite que um filho seu deslize ou saia do caminho reto da Lei.

 

Sabe aquele problema com seu filho indolente? Ou com o companheiro desrespeitoso? Ou aquela falha de caráter íntimo que teima em te atormentar? Pois hoje é dia de acender velas azuis-escuras, brancas e/ou vermelhas e pedir ao Pai da Lei que o auxilie a vencer essas batalhas.

 

Portanto, quero deixar hoje meu pedido ao meu Pai:

Pai, venho hoje pedir que sua espada brilhante envolva a tudo e a todos. Que sua energia marcial nos proteja, dando-nos o ensejo de praticar somente o bem.

Pai, corta os liames negativos que nos prendem ao baixo-astral. Sopra a brisa de um novo dia sobre nossos corações, indicando o caminho reto que devemos seguir.

Faz de nós espelhos de tua Lei, de tua Justiça, de tua retidão de caráter, de teu amor incondicional a tudo aquilo que é justo e bom. Sopra para bem longe de nós a discórdia, a maledicência, a maldade, o desrespeito. Corta com tua lâmina as paixões vãs, os egos inflados, as ilusões da matéria que nos induzem ao erro e retardam nossa evolução.

Cobre-nos com teu amor divino, dando-nos tua força e confiança hoje e sempre,

Amém.

Ogum Yê, meu Pai! Tens em mim tua filha, tua servidora em qualquer tempo e lugar, meu Pai. Guia-me e vigia hoje e sempre!

===================================

Para saber mais:

A parte que nos cabe em todas as tragédias…

Nesse momento os culpados são muitos, acredito. Qualquer um que, nesse caso do incêndio, sabia dos riscos e ainda assim jogou com a vida daqueles jovens, está enquadrado como culpado. E culpado continuará sendo por toda a eternidade até que, lá na frente, quando suas consciências finalmente acordarem, iniciarão o processo de restauração do desequilíbrio macabro que iniciaram naquele dia. Ninguém fica impune. A justiça humana ainda é muito falha, assim como nós todos somos falhos. Mas a Vida é onisciente e onipresente — a ela importa o equilíbrio de todas as coisas, e aqueles que, por descuido consciente ou não, desequilibram a Lei da Vida, hão de pagar o preço, seja agora, daqui a alguns anos, ou mesmo daqui a milênios.
A Vida não desampara ninguém, mas também não permite que o desequilíbrio e a falta de consciência humana se perpetuem por muito tempo. Este país ainda tem muito o que aprender, assim como muitas das nações no mundo. Mas o problema está na base, na educação que dá guarida e cria o adulto infrator. Não se educam crianças para serem solidárias, humanas, para se importar com os sentimentos alheios, para viver com hombridade e respeito ao próximo e aos demais seres vivos.
Educamos nossas crianças para “vencer na vida”. Um deslize aqui, outro acolá, que importa? O importante é que vençam, não é assim? Quantos ensinam seus filhos o valor de um ato gentil, da palavra amiga, da compreensão dos sentimentos alheios, do fato de que aquilo que dói neles, pode também doer nos demais? Quantos de nós, sejamos brasileiros, norte-americanos, ingleses, ou de qual nacionalidade sejamos, nos lembramos de dizer aos nossos filhos que nós somos almas em evolução e que este sim é o propósito primordial da Vida? Por acaso ensinamos aos nossos filhos a enxergar além do véu da materialidade, a compreender que o prazer passageiro não vale o sofrimento de ninguém, a perceber que a integralidade dos valores cívicos servem para que possamos todos ter direitos, mas também DEVERES?
Hoje achamos bonito o filho de carro novo, com a roupa da moda, falando vários idiomas, diplomados pelas melhores universidades. Mas esquecemos que o idioma mais importante não os está sendo ensinado: o amor ao próximo. E então formamos mais uma leva de adultos que acham que adulterar um laudo técnico não tem problema. Que receber propina, não tem problema. Que mentir descaradamente, não tem problema. Afinal, todo mundo faz, sem isso não chegamos a lugar algum, não é?
Pois é… chegamos. Chegamos a barbárie moderna. 😦

O valor de toda mulher, por uma Pombogira

sagrado feminino
É difícil explicar a vocês a dinâmica energética vigente no Universo. Talvez o mais simples seja dizer que tudo tem um par correspondente e inverso. Assim, o negativo precisa de um positivo. A luz precisa de trevas. A atração precisa da repulsão. O masculino de feminino.

Num tempo longínquo de vosso planeta foi plantada a ideia de que a energia feminina era frágil e sexualmente danosa. Graças principalmente às religiões monoteístas nascentes, distorceram-se ensinamentos milenares e atribuíram-se à mulher os piores vícios e defeitos.

Assim, em alguns locais do globo, cobre-se a mulher da cabeça aos pés porque é ela a culpada pela lascívia do homem, e não do macho que não sabe controlar seus instintos animalescos.

Em outros batizam-se as crianças para livrá-las do “pecado original” perpetrado por Eva quando “obrigou” Adão a comer do fruto proibido e depois repetido pelos pais quando da conepção daquela nova vida durante o ato sexual.

Em quase a totalidade dos locais no planeta a mulher foi (e ainda é) subjugada, maltratada, tratada como mercadoria, estuprada, violentada emocional, física e espiritualmente por centenas de anos… milhares foram as almas que desencarnaram em terrível estado de ira, revolta, dor e sofrimento por conta disso.

Muitos foram os homens que reencarnaram como mulheres, ou como escravos, ou como mulheres escravas, para então compreender que o respeito e o amor ao próximo é Lei que não deve ser esquecida.

Mais recentemente, formou-se grande movimento mundial pelo restabelecimento do papel da mulher na sociedade, com direitos e deveres similares aos masculinos. Muito ganhou-se com o movimento, mas muito também se perdeu.

Nas ânsia de ser “livre”, a mulher fez de si um objeto. Com a desculpa do “sou dona do meu nariz” e do “lavou está novo”, implantou-se o sexo sem compromisso, o maior sonho de qualquer homem no planeta.

Afinal, que valor vocês se dão? Que valores ensinam às suas filhas, sobrinhas, netas, afilhadas? É verdade ou não que, desde pequenas, essas meninas são bombardeadas por uma enchurrada de valores do tipo seja linda, seja perfeita de corpo, tenha um trabalho fora de casa mas mantenha uma casa impecável e uma família perfeita, seja livre material e sexualmente?

Ao implantar esse contexto irreal e estressante nas mentes das moças de todas as idades, criou-se o caos. Nunca a mulher cobrou-se tanto e foi tão infeliz. Outrora estava presa à família, ao patriarca, ao marido… hoje prende-se ao estereótipo que ela mesma criou para si de mulher autosuficiente que não precisa de ninguém para ser felize que é capaz de fazer tudo SOZINHA.

A cada tentativa de ser linda e perfeita, a menina encontra barreiras do tipo: não sou alta o suficiente, ou sou muito alta; não sou magra o suficiente, ou sou muito magra; não tenho cabelo liso o suficiente, ou tenho cabelo muito liso; etc, etc, etc.

Ao tentar ser livre e independente, a mulher se depara com o fato de que a sociedade não está pronta para esta pseudo-promiscuidade feminina porque o ideal vigente e inconsciente no Universo é o da dualidade – ou seja, não é possível termos dois gêneros no planeta com as mesmas atribuições, e a natureza feminina é a da pureza dos sentimentos, do amor, do carinho, do acolhimento, e não a do sexo desenfreado à guisa de “liberdade”.

Ou seja, vocês erram. Erraram com vocês e agora vocês erram consigo mesmas.

Uma mulher não é igual a um homem, nunca foi nem nunca será. Aliás, se me perguntassem, eu diria sem titubear que homem nenhum chega sequer aos pés de uma dama… ahahahaha… mas isso é coisa minha.

O fato é que os valores que vocês disseminam estão errados. Homens e mulheres deveriam ser criados e educados com os valores reais da vida: o respeito ao próximo e a si mesmos, o culto à sua própria espiritualidade e o autoconhecimento edificante e evolutivo.

Beleza? A beleza é muito subjetiva. O que atrai a uns, desgosta a outros. Nenhuma beleza é unânime e nem perpétua: dia mais, dia menos, fenece. Liberdade só existe para aquele que sabe o que quer, que se conhece profundamente e às suas necessidades e sentimentos, e que respeita a liberdade alheia. Se não for assim, o indivíduo será sempre um joguete: ora da sociedade, ora da família, ora do companheiro, ora dos filhos. Auto-estima e autoconhecimento andam lado a lado e são a chave para a real liberdade.

Vejam como tudo isso é contraditório: vocês cultuam ao máximo o materialismo do feminino, a liberdade sexual, os relacionamentos livres – e depois, quando são tratadas como mercadoria, se exaltam, choram, sentem-se um lixo. Mas, em verdade, quando foi que pararam e reinvindicaram seu posto de seres humanos ao invés de manequins de loja? Quando deixarão de preocupar-se tanto com o que lhes vem de fora e passarão a compreender que vocês são um complemento de forças na natureza? O positivo não existe sem o negativo, o yin precisa do yang, o que expande precisa ser retraído, e por aí vai.

Tudo no Universo é dual e vocês são parte desta dualidade. De nada adianta passar a vida em choque com aquilo que vocês são. Vocês são o yin; o negativo; o passivo; a energia que retrai, que cola, que dá o “visgo” para que as coisas todas não se partam e diluam.

Sem o estímulo feminino o masculino perde sua força. Mas se vocês teimam em ser menos mulheres, menos damas, porque reclamam quando eles se mostram menos homens e mais “animais”?

É o doce do feminino que abranda a rudez da natureza masculina. Vão a uma gira de esquerda e prestem atenção ao trabalho de uma Pombogira. Verifiquem seu olhar, seus gestos. Ela é altiva, sóbria, bela e faceira. Diante dela o mais soberbo dos homens se faz menino. Nenhum deles sustenta o olhar de uma Pombogira de Lei. Porque? Porque ela transpira amor de fato.

É simples: elas são o arquétipo exato do feminino. São fortes, mas com doçura. São lindas, mas cada uma dentro de seu arquétipo, sem regras, sem modelos pré-definidos. São livres porque conhecem seu lugar no mundo, conhecem sua força e seu poder, e não porque deitam-se com quem querem. Seu dançar é ondulante, assim como seu caminhar, mas elas nunca são vulgares.

Aprendam que o caminho do feminino na sociedade ainda é aquele que suas avós e bisavós trilharam… mas com uma diferença: a mulher não é menos do que o homem, nem é objeto de troca e prazer. Muito pelo contrário. A energia feminina é a cola da sociedade; é ela quem forma os novos indivíduos; é ela quem deve manter o lar como um local sagrado; é dela a manutenção da família, da cura através do alimento e do carinho, da educação, da limpeza tanto física quanto espiritual.

Voltem às suas naturezas íntimas. Busquem em si a energia que só pode existir dentro de um ser feminino. Potencializem a vossa força no mundo, não queiram atuar no campo masculino, mas sejam seus pares, seus complementos. Sejam mulheres novamente, e eles voltarão a ser homens.

Laroyê!

Eu sou Pombogira Rosa, Rainha da Encruzilhada, a mando de nossa amada Mãe Oxum.