Um sorriso me salvou

O local era a Judeia e a rua, no alto da cidade, era poeirenta. Em frente à casa onde morava, havia uma espécie de “sacada”- uma meia-lua que alargava a rua logo à frente do portão principal. A construção era grande, com pátios internos, cavalariças, fontes e jardins. Era um palacete e ali vivia Maximus, centurião romano, e sua esposa, a judia Ester, nascida de uma das famílias descendentes das 12 tribos. Ester chamou a atenção de Maximus desde a primeira vez que se viram e, embora tenha sido difícil conseguir a mão da moça em casamento, ele tudo fez para consegui-la.

Casaram-se. Ester sentia uma atração e um amor profundos pelo marido, mas se sentia na obrigação de odiá-lo, primeiro por ser ele um gentio, adorador de deuses pagãos; segundo porque era Romano, e Roma havia ocupado os estados judaicos, cobrando tributos, desterrando famílias e crucificando qualquer “traidor” que se interpusesse em seu caminho. Mas, ainda assim, seu coração amava aquele homem.

Maximus cobria Ester de todos os presentes e gentilezas possíveis. E, embora ele notasse a revolta em seu íntimo e a necessidade quase física que ela sentia de provocá-lo, Maximus sempre conseguia dobrar aquela mulher orgulhosa de suas crenças e origens. Ao final do primeiro ano de casamento, Ester se viu grávida do primeiro filho. Entrou em agonia – como podia ter sucumbido e se entregado tão fácil? Como permitira que aquele homem tomasse conta de sua vida e de seu coração daquela maneira? Como sua família pudera permitir tal heresia – uma filha de Israel casada com um Romano?! E ainda por cima, grávida!

Ester tinha ímpetos de abortar a criança, mas seu coração de mãe, e a barriga que começava a pronunciar-se, a enchiam de ternura por aquele bebê. Não havia contado a ninguém, nem mesmo o marido sabia. Pensava em livrar-se da criança, para logo depois suplicar perdão aos céus por ter sequer pensado em algo tão abominável. Então pensava em mentir, dizer que a criança não era de Maximus – queria vê-lo sofrer como deviam sofrer todos os filhos de Roma… mas logo em seguida pegava-o olhando para si com tamanha doçura e devoção que era impossível manter a mágoa que sentia. Ainda assim, não tinha coragem de contar a ninguém. A sogra suspeitava, sua mãe suspeitava, sua cunhada suspeitava… mas a todas negava a gravidez.

E então aconteceu o pior. Numa tarde em que Ester e Maximus discutiram além do normal, ele a empurrou quando ela tentava dar-lhe um tapa no rosto. Ester desequilibrou-se sobre uma mesinha de centro e caiu violentamente ao chão. Sentiu as contrações de imediato, e o aborto foi inevitável. Ela perdeu seu pequeno bebê aos três meses de gestação. Maximus, inconsolável, culpando-se por ter empurrado a esposa e pelo aborto da criança, passou a beber. Enterrou-se na bebida dia-a-dia, chegando sempre muito tarde e saindo sempre muito cedo. Não conseguia olhar para Ester, seu remorso e tristeza aumentavam quando via o rosto choroso da esposa. Então preferia não vê-la, não olhar para ela. Ao mesmo tempo, sentia raiva por ela não haver lhe contado, por ela não ter lhe dito que estava grávida. Porque ela não lhe contara nada?

Alguns meses após o ocorrido, Ester em profunda depressão se viu encostada à amurada em frente ao palacete. Às suas costas, a rua poeirenta; à sua frente uma queda de cerca de 12 metros até a via pública logo abaixo. Namorava a ideia de por fim à sua vida. Sentia-se infinitamente triste – perdera seu bebê e, ao mesmo tempo, o amor do homem que tanto a adorara… não conseguiria viver daquela maneira, sem que Maximus sequer a olhasse. Era demais para ela, e seu peito doída sem parar. Ouviu quando uma turba de gente subiu a rua em direção à praça central da cidade, que ficava alguns lances de degraus acima de sua casa. Olhou naquela direção e viu enquanto a pequena aglomeração se deslocava, notando que em meio ao vozerio, uma cabeça de homem se destacava. Não deu importância e virou-se novamente, fitando a queda além da amurada. Fechou os olhos enquanto as lágrimas desciam pelo rosto. Respirou fundo enquanto levantava o rosto em direção aos céus, pedindo perdão pelo que estava prestes a fazer. Mas foi então que ela o ouviu:

– Não chores, Ester…

Assustada, Ester abriu os olhos e percebeu o gigante ao seu lado: devia ter cerca de 1,90m de altura. Era longuilíneo, de pernas e braços compridos, mas tinha um torso largo e aparentemente musculoso. Exalava masculinidade e força, embora tivesse os olhos mais doces que ela já havia visto. À moda judia, tinha os cabelos na altura dos ombros, a barba bem aparada, e vestia uma túnica clara. Por cima, um manto carmim denunciava que aquele não era um Judeu de classe baixa, mas sim um lorde. Ainda assim, não era típico que um homem se aproximasse de uma desconhecida e, além de tudo lhe dirigisse a palavra.

– Perdão, Ester, não quis assustar-te. – ele sorriu e Ester pensou ter visto um raio de sol acender-se sobre sua cabeça. – Mas é certo que o caminho que buscas não é o mais feliz.

O homem virou-se e segurou Ester em ambas as mãos, enquanto ela sentiu um calor invadir-lhe o corpo todo. Caiu em prantos, não conseguia não chorar… quem era aquele desconhecido que parecia ler seus pensamentos?

– A felicidade que buscas está dentro de ti. Deixa de lado as convenções da sociedade e agarra a oportunidade de ser feliz que a Vida te dá! Gentios, fariseus, romanos, judeus, que importa quem somos aqui se perante o Pai somos todos seus filhos, Ester?

O homem deu um passo à frente e colocou a destra sobre a barriga de Ester. Ela sentiu um formigamento no baixo ventre e logo depois uma alegria a invadiu como se tudo estivesse pronto para um novo milagre em sua vida.

– Vá, Ester. Sê feliz, porque é só isso que o Pai quer de ti.

Então ele beijou sua testa e se afastou. Enfiou-se em meio à pequena multidão que o aguardava e seguiu caminhando em direção ao centro da cidade. Ester ficou ali, parada, como se um raio a tivesse atingido. Como ele sabia? Como ele a conhecia? Quem era aquele homem que afrontava os costumes judaicos ao falar e tocar uma filha de Israel? Ester esqueceu-se completamente da ideia de suicídio. Voltou para casa e, naquela noite, esperou acordada por seu marido. Contou a ele o que vira e ouvira e, embora Maximus não tenha compreendido metade do que Ester falava, acabaram por fazer as pazes e uma certa alegria voltou ao lar.

Quase dois anos após aquele encontro, Ester dava à luz seu primeiro filho. Radiante, nunca esqueceu-se do encontro com o Judeu que, segundo lhe contaram, chamava-se Yoshua ben Yoseph*.

(*Jesus, filho de José)

 

Neferari e o Guardião

Egito

Eu não confiava em homem algum. Mulher alguma era minha amiga. Sozinha, sentada nas escarpas daquele vale de lágrimas, eu chorava minha desdita e tentava concatenar os pensamentos. Onde estaria o grande Deus Osíris? Se ele pesara meu coração sem meu conhecimento, com certeza eu não teria passado no teste… sentia-o pesar e doer em meu peito, enquanto a sede queimava minha garganta.

Olhei para meus braços, mãos, pernas e pés. Estava coberta por chagas, arranhões, sujeira. Minha túnica funerária, antes branca e perfumada, agora era só andrajos. Meu corpo, ao que tudo indicava, ainda assim continuava excitante aos olhos de alguns dos seres que vez ou outra passaram por mim. Eles me machucaram e eu fugi deles, e agora só fico aqui em cima, no morro escarpado, onde a maioria não alcança por estarem já mutilados. Com certeza eu estava no inferno… mas eu não via as serpentes e Ammit parecia não ter ainda devorado minha alma, uma vez que eu continuava viva no além-túmulo. Qual direção deveria seguir? E porque nenhum dos deuses egípcios aceitava minhas preces?

Eu já não dispunha mais do ouro de meu pai. Nem poderia pedir aos servos que me preparassem uma bandeja de frutas para ofertar no templo. Como faria para ser então ouvida?

Depois de muito sofrer, chorar e pedir, decidi então que só me restava um último sacrifício a fazer: daria meu coração, aquele que tanto me pregara peças quando em vida, aquele que me fizera definhar em tristezas, ofereceria meu coração ao grande Deus Rá, senhor do sol e da vida, em troca do fim dos meus sofrimentos.

Durante o “amanhecer” de um daqueles dias sombrios, quando víamos apenas uma lúgubre claridade avermelhada, encarei o que eu pensava ser o grande disco solar naquela dimensão infernal, ajoelhei-me contrita e então fiz minha oferta:

– Ó grande Rá! Senhor do Sol e da Vida! Ouve a minha súplica! Eu, Neferari, ofereço-te meu coração em sacrifício! Ofereço-te meu coração e juro, por meu Kha, servi-lo por todo o sempre! Aceita meu coração e livra-me deste suplício! Apaga minha memória e livra-me da vergonha e da soberba! Lava minha alma em teus raios de luz, e aquece meu corpo espiritual para que eu não mais sinta frio, fome, sede ou dor. Leva-me para os teus domínios, ó Glorioso Rá! Faz de mim tua serva e hei de me sentir abençoada para todo o sempre!

Chorei muito enquanto fazia minha prece. A claridade, que durava apenas alguns instantes, foi se esvaindo. No lugar dela, uma tormenta iniciou-se. A chuva era fria e caía abundantemente. Encolhi-me e me deixei ficar ali, ao chão, enquanto a água parecia lavar minha feridas e meu pranto. Por fim, exausta, acho que adormeci.

Quando acordei, jazia em uma cama confortável, sobre tecidos que lembravam o mais puro linho. As cores variavam do negro ao roxo e ao lilás bem claro, com objetos de decoração em tons de dourado e prata aqui e ali. Na cabeceira da cama onde eu estava, reconheci o disco solar alado e meu coração sossegou. Chorei sentida e agradeci por ter sido acolhida como neófita. Quem sabe ali eu poderia ter a chance de aprender e, no futuro, ver novamente meu coração ser pesado contra a pluma? Quem sabe então ele não estaria tão leve quanto as nuvens no céu de verão?

Notei que estava nua, coberta por uma colcha muito macia. Olhei meus braços, minhas pernas, e tudo havia voltado praticamente ao normal. Vi que eu ainda guardava algumas marcas arroxeadas e pequenos arranhões, mas nada além disso. O cheiro do sândalo exalava por todos os lados e aquilo me trazia conforto e bem-estar. Vi uma bacia dourada junto a uma ânfora, e deduzi que serviria para lavar as mãos e o rosto. Ao lado da cama, uma mesinha baixa de madeira escura continha uma bandeja circular com nozes, figos, tâmaras e uvas. Havia dois pedaços pequenos de pão e uma ânfora com algo que se parecia com leite. Meu estômago reclamou e eu ataquei aquela refeição como nunca havia feito antes. Em meio àquele ataque de péssimos modos, fui interrompida por uma criada, ou pelo menos assim me pareceu. A moça era belíssima, e trajava-se de branco, à moda egípcia. Trazia braceletes dourados em ambos os braços, e os cabelos eram ruivos, descendo até pouco abaixo da cintura. Ela sorriu para mim e disse-me que o Mestre ficaria feliz em saber que eu já estava me alimentando.

– Mestre? Quem é ele, escrava? Quem é o teu Mestre, diga-me!

A moça sorriu mais uma vez:

– O Mestre é a resposta às nossas súplicas, irmã. E eu o sirvo por gratidão e não por ser sua escrava. Ele também me tirou do inferno, como fez com você.

Enrubesci pela noção de que aquela serva se achava no mesmo patamar que eu. E o que era pior – ela sabia sobre onde eu estivera. Será que teria me visto naqueles andrajos?

– Duvido muito que nossas condições sejam similares. De qualquer maneira, gostaria de saber se há algo que eu possa vestir e se podes me levar ao teu Mestre.

A moça gargalhou com gosto, enquanto jogava a cabeça para trás e punha as mãos na cintura de modo desdenhoso. Fiquei enraivecida com aquilo, mas tentei não demonstrar. Senti certa tontura, e acabei por me sentar novamente na cama, enquanto segurava minha cabeça que não parava de rodar. Naquele instante, ouvi uma voz profunda ribombar dentro do aposento:

– O que acontece aqui, Surya?

Ergui a cabeça e o vi. Era um homem alto, corpulento. A pele era branca, e os olhos e os cabelos muito negros. Usava barba e bigode, e portava sobre o corpo uma grande capa negra que deixava à vista apenas a ponta de seus sapatos.

– Ora, ora… se não é nossa hóspede que acordou?

Percebi que continuava completamente nua e rapidamente tentei me enrolar nas cobertas, mas perdi os sentidos e caí. Quando voltei a mim estava novamente sobre a cama. O homem que eu havia visto estava sentado num banco ao meu lado, olhando-me, enquanto estendia ambas as mãos sobre a minha testa. Feixes multi-coloridos de energia saíam de suas mãos, e eu sentia um calor gostoso me invadir. Quando aquilo finalmente parou, ele baixou as mãos, olhou para mim e sorriu um sorriso bonito de dentes muito brancos:

– E então Neferari, como se sente?

Tentei me sentar mas o mundo girou novamente. Ele me auxiliou colocando uma almofada às minhas costas. Sentou-se na beirada da cama e passou levemente a mão sobre minha cabeça, como a ajeitar meus cabelos.

– Quem é você? Se você também é um servidor do grande Rá, porque veste-se assim? De onde vêm essas roupas estranhas?

O homem, a imitar sua serva, gargalhou alto enquanto pegava minha mão direita entre as suas. Beijou minha mão e foi como se uma descarga elétrica me atingisse. Levei um susto e quis retirar a mão, mas ele continuou segurando-a, enquanto olhava para mim de forma muito intensa e enigmática. Eu não consegui sustentar seu olhar, baixei os olhos e só consegui balbuciar:

– Não me machuque, por favor…

Chorei sentida, enquanto o homem segurava minha mão e me olhava. Ele tinha mãos macias e quentes, e aquele calor parecia me confortar e me dar abrigo. Será que era mau? Mas se era um demônio ou coisa assim, porque me salvara?

– Eu não sou um demônio, Neferari. – disse ele levantando-se da cama e caminhando em direção à porta. – Não para você. Aqui você ficará até que tenha consciência de seu novo estado de vida. Se quiser, poderá estudar comigo quando eu tiver tempo de lhe ensinar. Mas, lembre-se: engula seu orgulho. Aqui quem manda sou eu, e aquele que me desobedece perde direitos e ganha castigos, entendeu? Você, por enquanto, tem alguns direitos comigo, moça. Mas se permitir que seu ego atrapalhe seu aprendizado, muito em breve fará um estágio em minhas cavernas-presídio. Acredite: você não gostaria de lá. Agora, durma. Amanhã venho te ver novamente.

Ele fez um gesto com a mão esquerda no ar e eu simplesmente apaguei.

=======================================

(Trecho do livro que conta a história de Neferari, até sua redenção dentro das hostes de Umbanda. O livro ainda está em processo de desenvolvimento.)

Mentira “santa”, por Sr. Tranca Ruas

Meu trabalho é na calunga. Trabalho que me foi confiado pelos meus Pais Omolu e Obaluaê. Mas minha especialidade são as almas que ali chegam e ficam presas em suas covas por conta do engodo.

E sabem qual o pior engodo que eu vejo essas almas purgarem? A tal mentira estúpida do “morreu, acabou” ou “matem em nome de Deus”.

É… tem muito sacerdote, muito padre, muito bispo, muito papa por lá… vendo e sentindo o corpo ser carcomido por tudo quanto é tipo de bicho e larva astral. Eles gritam. Eles xingam. Eles suplicam auxílio. Mas continuam ali… sofrendo na pele a mentira que semearam em vida.

Vocês devem pensar: mas só por causa disso? Ahahaha… esses imbecis tinham estudo; sabiam da verdade. E o que fizeram? Esconderam, distorceram, reescreveram e difundiram a verdade que servia melhor aos seus propósitos espúrios de dominação e poder.

Tenho nojo deles. A cada um que grita, eu chicoteio. A cada um que suplica, eu gargalho. Por mim ficariam ali eternamente… mas eu sou somente o executor. Quando a Lei manda, são recolhidos, limpos, encaminhados. Mas enquanto isso não acontece, eu aplico a Lei sobre eles com prazer pois, por conta de suas mentiras mesquinhas, milhares sofrem na carne. Milhões deixam de acordar ainda em vida para as verdades eternas, porque esses supostos “enviados divinos” os enganam e distorcem a realidade.

Quantos não mudariam já, ou pelo menos trabalhariam para isso, se tivessem a certeza de sua própria imortalidade? Se não houvesse dúvida daquilo que os espera no pós-morte, quantos não seriam, forçosamente, melhores? Quantos não pensariam duas, três, quatro vezes antes de fazer mal ao outro, se tivessem o conhecimento dos reais mecanismos da Lei e da Justiça Divinas?

Vejam bem, não sou ingênuo. Sei bem que muitos não mudariam uma vírgula em seus atos. Mas, pelo menos, quando aqui chegassem, JAMAIS poderiam alegar desconhecimento da verdade, não é mesmo?

Mas, enfim, sou Exu, não estou aqui para dar sentença nem mudar a Lei.

Só peço que não destorçam as verdades eternas. Cuidado com o que passam à frente como VERDADE. Principalmente, cuidado com o que passam à frente como Verdade DIVINA. Aquele que perjura sob o nome de Deus é infinitas vezes mais perjuro.

Quantos não se matam para defender o “seu” Deus? E porque o fazem? Porque esses imbecis pregadores da “palavra” assim mandam que façam… esses povos são massa de manobra que seus próprios líderes religiosos criaram. Desde pequenos têm suas mentes doutrinadas para o ódio e o repúdio a tudo aquilo que deveria ser inerente ao religioso – a caridade, a fé, e o amor ao próximo.

Chega. Esse é um aviso a todos aqueles que detêm a tarefa de falar em nome da espiritualidade, em nome de Deus e de suas Divindades. Parem de semear o ódio, a ignorância, a intolerância. Voltem sobre seus passos e leiam uma vez mais suas escrituras. Verifiquem o quanto lhes é exaltado que mantenham o amor, a caridade para com os demais, a irmandade entre povos e raças. Não creiam em tudo que lhes é dito – procurem em seus corações. TODOS os avatares da humanidade deram testemunho de uma mesma coisa – amor e caridade sem olhar a quem.

Preguem o ódio, e é ódio que aqui encontrarão. Preguem a prisão da ignorância, e presos vocês ficarão aqui comigo. Preguem a intolerância, e intolerante eu serei com suas faltas. Preguem a dor e a guerra “santa”, e eu vos receberei com mais dor e guerra.

Acreditem, vocês não me querem, e às minha Legiões, como seu algoz. Mas, se ainda assim não mudarem, é isso que terão.

Aos que me ouviram, muito obrigado.

Aos que me entenderam, meus parabéns.

Aos que mudarem, minha amizade.

Boa noite.

=============================

Por meu amigo e protetor Sr. Exu Tranca Ruas das Almas.

O Pai provê, por Vó Benedita de Aruanda

Hoje estava me vestindo depois do banho quando comecei a lembrar-me de Pai Benedito… e mentalmente comecei a cantar “Pai Benedito é preto Sinhá Dona, ele mora no roseiral…”. Agradeci a oportunidade maravilhosa de servir em sua casa espiritual e perguntei se havia algo que ele queria me dizer. E quem se apresentou foi minha vózinha Benedita, trabalhadora da mesma linha das Almas que Pai Benedito, com estas singelas mas profundas palavras…

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

É comum ocês dizê “Estou como Deus qué”. Mas engana-se aquele que pensa que Olorum, nosso Pai Criador, quer a dor e o sofrimento de seus fios.

Quem criou a separação, a divisão, as divergência, a mágoa, os dissabor? Tudo isso fios, quem criou foi a própria humandade, num foi Deus não.

É a humanidade que ainda alimenta os pensamento de ódio, de doença, de medo, de falta, de morte, de sofrimento… num é Deus.

A vó não se exime disso, fios. Enquanto estava aí, eu também entrei no círculo vicioso do medo e da falta, da separação e do sofrimento. Agora do lado de cá, abençoada por nosso Senhor Jesus com a oportunidade amorosa de poder auxiliar sem a vestimenta de carne há muito, muito tempo, a vó diz a ocês: mudem o pensamento e mudarão a Vida!

Acaso o menino que nasceu na mangedoura há mais de dois mil anos pensou no Pai como algo separado, como alguém que mata, que manda sofrimento, que castiga e destrói a vida das pessoas? Não fios, Ele nunca fez isso. Nosso amado Jesus sabia, como ainda sabe, que nosso Pai Olorum é bondade, bênção e conforto em tudo e todos, sempre. É por isso que o amado irmão curava. É por isso que ele multiplicava pães e peixes. É por isso que ele mantinha sua serenidade em tempos de tempestade – porque sua certeza no Amor do Pai era total. Ele não tinha dúvidas…

Fios, tem uma passagem que a vó gosta muito, e que diz mais ou menos assim:

Olhai os lírios do campo. Eles não tecem nem fiam e, no entanto, não há rei ou príncipe sobre a Terra cuja vestimenta seja mais bela ou perfeita.

Assim é, fios. E assim será com ocês se ocês realmente aprendê a confiá.

Trabalhem, estudem, melhorem. Mas livrem-se das dúvidas, da preocupação, do amargor. Tudo isso envenena o corpo, a mente e a alma. Caminhem em paz na certeza de que o Pai é amor incondicional e de que o vosso único propósito é aprender a ser cada dia um pouquinho mais como Ele é.

Fiquem bem hoje e sempre,

Eu sou Vó Benedita de Aruanda, sob o amparo da Luz Divina do Nosso Amado Cristo.

Às margens do Rio Boro (uma história cigana)

Às margens do Rio Boro, há muitos anos atrás, havia um clã cigano. O clã, descendente diretos dos Roma, era próspero e vivia em paz e harmonia. Sua matriarca, sábia, enérgica e já sexagenária, tivera dois filhos homens. O mais velho, forte e alto, tinha uma personalidade branda e fechada. De coração de ouro, embora extremamente rígido consigo mesmo e com os outros, não admitia erros, desvios de conduta. Falava pouco e, quando queria expressar o que lhe ia n’alma, colocava todo seu sentimento no violino que seu pai, grande artesão, lhe deixara. O outro, mais novo pouco mais de um ano, tinha personalidade apaixonada e era amante da música, da poesia e da dança. Tinha sempre um sorriso nos lábios e cativava a todos com suas brincadeiras e bom humor.

Muitas vezes, essas duas almas, profundamente arraigadas em suas maneiras próprias de ser, tiveram atritos.  Muitas foram as discussões e as brigas que os pais, sabiamente, separavam. Por várias vezes o mais velho reclamou a sua amada mãe sobre as maneiras exageradas e fanfarronas do irmão, ao que a mãe respondia: – Você é o mais velho, meu filho. Ensione-o com seu exemplo. Mas lembre-se: as diferenças devem ser celebradas. Não há no mundo uma só flor, uma só folha, um só riacho que se iguale a outro. Todos têm seus defeitos… e suas qualidades.

O filho ouvia, mas raramente conseguia por em prática aquilo que sua sábia mãe lhe falava. Faltava-lhe a paciência e a experiência de vida que só o tempo poderia ensinar.

Quanto ao mais novo, amava seu irmão e sonhava um dia ser apreciado por ele. Tentava de todas as formas chamar-lhe a atenção, travar uma amizade mais profunda com ele, mas em vão fazia convites para a pesca, a caça, ou mesmo para a dança noturna em volta da fogueira.

A verdade é que ambos, à sua maneira, invejavam-se mutuamente. O mais velho invejava a alegria espontânea, o sorriso franco e as maneiras despreocupadas do irmão que, julgava, era mais feliz que ele por não possuir preocupações na vida. Enquanto que o mais novo invejava as maneiras austeras, o respeito e o temor que todo o clã sentia por seu irmão que, para ele, era tal qual um deus de sabedoria e força.

Se deixassem seus egos de lado, muito aprenderiam um com o outro. O mais duro abrandaria seu coração, trazendo alegria e juventude a seus modos. O mais bonachão controlaria um pouco mais suas maneiras infantis, adicionando maior sobriedade e temperança à sua personalidade. Ao invés disso, cada um a seu modo queria que o outro mudasse simplesmente.

Os atritos continuaram a ocorrer, até que uma família de fora juntou-se àquele clã. Eram um casal e três filhos, sendo uma moça a mais velha dos três, contando seus 19 anos quando ali chegaram. Pediram abrigo e foram acolhidos.

A moça, gentil e belíssima, logo cativou os corações dos rapazes daquele clã. Dificilmente seria aceita como esposa pelas famílias mais austeras pois, embora também fosse cigana, pertencia a um clã estrangeiro. A matriarca, no intuito de demonstrar o acolhimento que todos deveriam ter no coração, e verificando o interesse crescente de seu filho mais velho por aquela ciganinha, tratou logo de noivá-los com grande festa e a aquiescência de ambos os jovens.

Mas a menina não era constante em seu afeto, e quando a noite chegava e a música e o canto se faziam ouvir ao redor da fogueira, ela dançava ao som da doce voz de seu futuro cunhado. Ninguém dançava tão bem quanto aquela morena de olhos cor de mel, e sua personalidade afeita à música e festa logo passou a querer mais e mais as atenções do irmão de seu noivo.

Em pouco tempo declararam-se um ao outro e, temendo a ira do irmão mais velho e da própria matriarca, puseram-se em fuga, deixando para trás o coração magoado do noivo, abandonado às vésperas de seu casamento.

Eles viajaram muito, moraram em vários clãs, e declaravam-se casados, embora nunca tivessem, realmente, passado pelo sacramento ofertado aos noivos ciganos. Com o tempo, a moça engravidou, e na lida rude e dura do dia-a-dia passou a sentir falta da constância, da fortitude e da firmeza de caráter de seu ex-noivo. Seu “marido”, por sua vez, sentia saudades indizíveis de sua terra, de sua gente, e grande parte de sua alegria e brilho foram, com o tempo, esmaecendo.

Por fim as brigas passaram a ser constantes e, num ato impensado, a moça se foi junto a uma caravana que passava rumo à Europa Ocidental, deixando seu marido atordoado ao chegar em casa e ler, com os olhos marejados de lágrimas, que ela havia-se ido, deixando com ele seu filho.

O marido traído em seu orgulho e amor passou a embebedar-se e, quando numa noite ergueu a mão para a criança que chorava num canto, percebeu que chegara ao seu limite. Escreveu longa carta, pedindo perdão aos seus e dizendo-se arrependido por toda a dor que os fizera passar. Viajou com o menino até bem próximo de seu clã e ali montou seu acampamento provisório. Jantou e brincou com o filho, beijando-o e dizendo o quanto ele o amava. Quando a criança finalmente dormiu, depositou-a na carroça simples, junto com alguns pertences pessoais e o anel de ouro que o identificaria perante os demais integrantes de sua família.

Levou a carroça até bem próximo do clã assentado, e então bateu nas ancas do cavalo, que continuou o caminho por si só, indo pastar no centro da “praça” que o acampamento formava. O dia raiava e ele aguardou até que viu as primeiras senhoras saindo para as lides do dia, tendo a certeza de que encontrariam seu filho e o acolheriam. Os ciganos jamais abandonavam uma criança à sua própria sorte, mas aquele menino, ele sabia, seria celebrado como seu herdeiro, neto de sua sábia e amada mãe.

Ele então caminhou tranquilamente até as margens do rio e, acorrentando-se a uma pesada pedra, atirou-se à correnteza. Tirou a própria vida, não sem antes, mais uma vez, pedir perdão silenciosamente ao irmão, à mãe, e à sua própria esposa, a quem ele auxiliara no desvirtuamento.

Ainda conta-se, às margens do Boro, que ali ronda um jovem muito belo, de olhos cor do céu e de voz cristalina que, em noites de lua, encanta os enamorados. Mas ai daqueles que tentam segui-lo! Acabam por precipitar-se nas águas revoltas daquele rio de lágrimas…

===========================

Essa história me foi confiada pelo espírito que se auto-denomina Cigana Carmen. Faz muito tempo que eu a guardo comigo, mas hoje achei que estava na hora de compartilhar com vocês. Talvez, se o tempo permitir, um dia ela transforme-se num livro… um belo romance de superação e aprendizado dessas adoráveis almas. Salve a roda e a fortuna! Salve o povo cigano!

As Cartas de Cristo – Parte 79

Carta 5 – Parte 16 – O CONFLITO COM O EGO E A LIBERAÇÃO AO PODER CRIATIVO PAI-MÃE/VIDA

(clique para ler no site do STUM)

Eu vi que o “PECADO” era um conceito artificial, convenientemente idealizado por homens para descrever qualquer atividade humana que causava dor a outros. Era inevitável que todos os seres humanos, em algum momento, causassem algum tipo de aflição ou dor a outros por causa de sua tendência natural de “arrebatar” as coisas dos demais e de repelir com rudeza aos demais, a fim de conseguir o que querem da vida. Essa propensão humana de ferir os outros em nada “ofende” a CONSCIÊNCIA UNIVERSAL (Deus) – como afirmaram a religião Judaica e Cristã.

Somente a humanidade poderia compreender o significado da palavra “pecado”, uma vez que somente a humanidade e “toda a criação que está submetida ao ser humano” conheceria a dor, a privação e a miséria causados pelos dois IMPULSOS fundamentais da INDIVIDUALIDADE – Ligação – Rejeição – que estão ativos na “personalidade” humana.

O impulso inerente ao homem para proteger a sua própria individualidade o tinha feito estabelecer normas e leis para a sociedade humana. O “Poder Criativo Universal” – AMOR – não tinha absolutamente nada a ver com o estabelecimento de restrições, limitações, leis e juízos humanos.

Eu também vi que:

O “Poder Criativo Pai – Mãe” – VIDA – fluía continuamente através de todo o universo, e era a vida em minha mente, utilizando os impulsos gêmeos de pensamento e sentimento.

Assim, qualquer poderoso “pensamento ou sentimento imperfeito” podia alterar e mudar o “padrão de CONSCIÊNCIA” das coisas criadas.

Por outro lado:

Meu “pensamento”, quando estava completamente purificado dos impulsos gêmeos do “ego” – e totalmente receptivo ao “Poder Criativo Pai – Mãe” INTELIGÊNCIA/AMOR, reintroduzia a condição de “AMOR PERFEITO E INTELIGENTE”.

Consequentemente, uma condição que previamente tinha sido construída de modo imperfeito, como resultado de um “pensamento imperfeito”, podia voltar a uma condição de “Plenitude”, mudando as atitudes e pensamentos egocêntricos para aqueles de AMOR INCONDICIONAL.

Minha mente era um “instrumento” do processo criativo total originário no UNIVERSAL.

Agora, eu que sabia que isso era assim – sabia espiritual, intelectual e emocionalmente, dei-me conta de que eu podia e devia dar passos para superar os IMPULSOS GÊMEOS do EGO que anteriormente governavam minha mente, com o fim de permitir que a REALIDADE DIVINA tivesse plena liberdade através de minha mente e meu cérebro.

Por isso houve uma luta entre o meu resistente Ego humano e minha “Consciência Pai – Mãe”, durante as estridentes tentações que experimentaria ao final de minha iluminação no deserto. Satanás não teve nada a ver com o cabo-de-guerra que ocorreu dentro de minha consciência.

A guerra foi travada entre os IMPULSOS GÊMEOS da INDIVIDUALIDADE – Ligação – Rejeição e a REALIDADE DIVINA que se fez conhecer para mim, como AMOR e VIDA INTELIGENTES Transcendente, mas ainda dentro de mim, que progressivamente absorveria minha individualidade cada vez mais, se eu meditasse continuamente e purificasse a minha consciência dos impulsos egoístas.

O que expus é uma descrição do conhecimento poderoso com o qual voltei a Nazaré.

Assim, o meu tempo de cura física, passado com minha mãe até que eu me restabelecesse, também foi um tempo de oração e de meditação, do qual extraí a inspiração e a força para consciente e conscienciosamente viver a NATUREZA do DIVINO ou REALIDADE UNIVERSAL.

Como você sabe, a NATUREZA do DIVINO, ou REALIDADE UNIVERSAL, é VIDA.

Quando ELA está ativa na criação – ou também podemos dizer – na “individualidade” da criação, ELA cresce, nutre, alimenta, regenera, cura, protege, assegura a sobrevivência, satisfaz as necessidades de tudo que foi criado, – tudo dentro de um sistema de perfeita harmonia, cooperação, lei e ordem. Esta é a “natureza” da VIDA. Toda a sua obra na criação se realiza de acordo com a NATUREZA UNIVERSAL – e a promoção do bem mais elevado de todos os seres vivos.

Se você pode compreender estas palavras perceberá porque voltei do deserto como um homem cheio de alegria, com um novo entendimento da beleza do mundo, com um sentimento de absoluta confiança e SABENDO que era possível controlar a aparência da “matéria”. Você sentirá comigo a euforia que senti por poder oferecer aos Judeus a gloriosa notícia de que o “Reino dos Céus” estava dentro deles. Tudo o que eles tinham a fazer era “encontrar” isso com a minha assistência, e suas vidas mudariam para sempre.

Deixo você com o mesmo conhecimento, o qual usado em oração e plenamente compreendido, pode mudar o curso da sua vida.

À medida que você ler, a sua consciência será elevada e ao buscar inspiração – ela virá até você.

Desejo que você compreenda, aspire, cresça e alcance. Relaxe em minha LUZ, pois, enquanto você lê, reflete, medita e ora, é absorvido em minha CONSCIÊNCIA CRÍSTICA, a qual se tornará cada vez mais clara para você ao e evoluir no Conhecimento Divino.

Que meu amor e minha fé em sua crescente sabedoria o envolvam.

As Cartas de Cristo – Parte 78

Carta 5 – Parte 15 – CRIANDO MATÉRIA E FORMA INDIVIDUAL

(clique para ler no site do STUM)

Agora é o momento de levá-lo de volta às minhas experiências no deserto, descritas na Carta 1.

Você deve lembrar que, quando fui ao rio Jordão para que João Batista me batizasse, eu era um rebelde, totalmente contrário aos ensinamentos dos Judeus que afirmavam que Jeová castigava os homens por seus pecados. Intuitivamente, sentia que aquele era um conceito falso e cruel, e o rejeitava.

Depois que me foi mostrada a Verdade sobre a criação, não podia compreender por que a Consciência Perfeita não criava seres perfeitos feitos à imagem de seu Criador Amor Inteligente.

Perguntei ao Criador – a “Consciência Universal” – por que a humanidade suportava tanto sofrimento e maldade. Então me foi mostrado com toda a clareza que todos os problemas que os humanos experimentavam surgiam do “ponto central” do eu (que a ciência agora chama de “ego”).

Este manifesta a si mesmo na “personalidade” como uma NECESSIDADE IMPULSIONANTE para defender-se da crítica ou do ataque físico/emocional, e uma NECESSIDADE IMPULSIONANTE semelhante de se afastar dos demais para chegar primeiro na corrida da vida.

Também se manifesta na “personalidade” como uma NECESSIDADE IMPULSIONANTE de adquirir tudo de melhor para si mesmo, apesar da oposição dos demais, e uma NECESSIDADE IMPULSIONANTE semelhante de agarrar-se às suas posses pessoais, sejam elas parentes, amigos, bens materiais ou conquistas, a despeito de toda a oposição.

Também me foi dado compreender que sem estes DOIS “impulsos do ser criativo” , fundamentais, eternos e inalteráveis, não haveria nenhuma criação.

Este é o segredo da criação – o segredo da existência e do “ser individual”.

Ao trabalharem juntos como equipe no mundo visível, separadamente, porém inseparáveis, estes impulsos gêmeos foram os meios pelos quais a substância da “matéria” em si foi criada desde a sublime “CONSCIÊNCIA UNIVERSAL”.

Um impulso de criatividade é o “Eu superior” da ATIVIDADE.

Este impulso de atividade é universal e procede de uma só fonte.

“Atividade” é um movimento na CONSCIÊNCIA, e CONSCIÊNCIA em movimento.

O outro impulso criativo possui, em sentido figurado, duas faces olhando em direções opostas. Elas são:

LIGAÇÃO – REJEIÇÃO

Puxar para >>>>>> o eu <<<<<< afastar desde

também conhecido como

ATRAÇÃO – REPULSÃO

Atrair para >>>> o EU <<<<<<< repelir desde

na CONSCIÊNCIA.

Estes são os ÚNICOS meios pelos quais a existência terrena é realizada.

O universo inteiro é uma manifestação do “Poder Criativo” ativo nestes Impulsos Gêmeos do SER FÍSICO – criando “matéria” e forma individual.

Este é um dos “segredos” fundamentais do universo.

Eu vi que o “núcleo” da “Personalidade” ou “ego”, como agora é chamado, tinha sido criado como:

“O GUARDIÃO da PERSONALIDADE” e estava irresistivelmente gravado com o impulso magnético para assegurar a PRIVACIDADE e SOBREVIVÊNCIA, para proteger a condição do “Eu superior” individual.

Isso foi conseguido usando as duas faces do segundo Impulso do Ser LIGAÇÃO – REJEIÇÃO para assegurar a individualidade.

A face da LIGAÇÃO arrasta, extrai, atrai, exige, puxa, compra, agarra, se prende às pessoas e às posses que busca. Esse IMPULSO cria uma ilusão de segurança nas relações e nas posses. É o “instrumento” da “CONSCIÊNCIA MÃE” que inspira a construção de famílias, comunidades e nações. Ele pode produzir beleza, alegria, harmonia e amor. Ele também pode destroçar vidas e destruir comunidades quando é “dirigida pelo Ego”.

A face da REJEIÇÃO repele, joga para o lado, afasta, evita todas as coisas – pessoas, animais, posses – que ela não queira. O IMPULSO de REJEIÇÃO cria a ilusão de intimidade e segurança. Esse é o IMPULSO que promove as rupturas nas famílias, nas relações, nas comunidades e nas nações. Ele é supostamente orientado para salvar vidas, assegurando proteção e intimidade, mas é uma força destrutiva quando seu direcionador é o “Ego”.

Sem esses dois IMPULSOS GÊMEOS do SER, todas as coisas permaneceriam sempre mescladas umas às outras na eternidade imutável do “PODER CRIATIVO UNIVERSAL” em equilíbrio.

Sem esses IMPULSOS GÊMEOS, não haveria nenhuma interação entre “dar e receber” e “puxar e empurrar”, necessários para a criação de milhões de experiências pessoais, a partir das quais avança e evoluciona a “personalidade”.

Portanto, o problema da “personalidade dirigida pelo ego”, do qual padecem todas as coisas vivas e a humanidade, era e é um fato irrevogável e inevitável da criação. Qualquer outraexplicação é puro mito.

Eu vi que o que os homens chamam “PECADO”, era o resultado direto da interação dos impulsos de Ligação – Rejeição na natureza humana.

Os Impulsos de Ligação – Rejeição constituem o disfarce emocional/mental utilizado por todas as entidades individuais criadas, incluindo as aves e os animais. Você vê esses impulsos funcionando em toda a natureza – inclusive na vida das plantas.

Os Impulsos de Ligação – Rejeição dirigiam/dirigem o comportamento em direção à sobrevivência de todas as entidades na criação.

Não houve nenhuma escapatória dos Impulsos de Ligação – Rejeição.

Esses Impulsos Gêmeos foram a fonte efêmera de todo o conforto “mundano”, prazer e “felicidade”– e também a fonte de toda enfermidade, miséria e privação no mundo.

Entretanto, além disso – subjacente, transcendendo e interpenetrando tudo, estava/está a VIDA – nascida da EXPLOSÃO da CONSCIÊNCIA UNIVERSAL, sendo o próprio fundamento e fonte da consciência terrena – assim como a Consciência “Pai – Mãe” é criativa, também o PENSAMENTO do homem é criativo, pois “o pensamento e o sentimento” são o exercício e a união dos instrumentos gêmeos da Consciência “Pai – Mãe”.

Desse modo, esses impulsos de “Ligação – Rejeição” na personalidade individual tornam-se também altamente criativos, na medida em que determinam – e tornam visíveis – as “formas de consciência” das coisas desejadas” e das “coisas rejeitadas”.

Este é o segundo “segredo” fundamental do Universo.