O que você sabe da Vida?

Angel

Pedi licença a querida Vó Benedita para transcrever, em linhas gerais, uma conversa dela com uma senhora consulente que ficara viúva. Achei importante transcrever o ensinamento dela porque tenho visto muita gente nesta situação – gente que passa a vida inteira preocupada com a casa, o carro, a roupa, o curso de inglês, a viagem de férias… mas aí quando chega certa idade, a pessoa parece desesperar e então percebe que ela não vai viver para sempre aqui nesse mundo. É triste ver o estado dessas pessoas… então, segue o ensinamento e fica o alerta: ESTUDAR!

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– Ocê precisa estudar…

– Como?! Não entendi…

– A Vó explica: o que ocê sabe da vida? Além de crescer, trabalhar, dormir, acordar, comer, divertir-se… o que ocê sabe da vida? Quem é ocê, de verdade, fia? De onde ocê veio, antes de nascer nesse mundo? Qual é a sua história? Quais são suas qualidades e quais defeitos ocê veio ao mundo tentar consertar? Quando seu corpo não funcionar mais, para onde ocê vai? Enfim, fia… o que ocê sabe da vida, de verdade?

– Ah, dessas coisas não sei nada não. Mas eu preciso de ajuda, vocês não vão me ajudar?

– A Vó tá ajudando, fia. A Vó tá te dando um conselho muito importante: ESTUDE. Saiba o que é a vida de verdade. Porque ocê vai passar 80, talvez 100 anos aqui nesse mundo, mas depois vai amargar milênios do lado de cá. E então, o que ocê vai fazer? Ficar chorando, pedindo ajuda por toda a eternidade? Isso seria um inferno, não é fia?

– É, mas… porque eu sinto essas dores? Porque eu perdi a vontade de viver?

– A Vó já te disse por quê. E não adianta desistir, porque a vida não funciona como ocê quer. A vida é perfeita e caminha como Olorum manda.

– Não, não… eu não era assim. Daí ele morreu e eu fiquei assim… você não pode me ajudar a fazer isso passar?

– Fia, sabe quando uma criança faz birra?

– Sei… mas eu não sou…

– Fia, pare de fazer birra. A Vó já explicou – a Vida tem suas próprias Leis e elas não vão mudar só porque ocê se sente vítima. Ninguém é vítima. Mas, se ocê quer se fazer de vítima, não há nada que a gente possa fazer. Nós vamos limpar ocê, te enviar boas energias, te dar conselhos, te ensinar… mas se ocê se nega a receber tudo isso, a Vó não pode obrigar.

– Não, mas… eu quero ajuda!

– Então, estude. Desenvolva a sua fé. Leia. Ocupe seu tempo com seu crescimento, com sua melhora íntima. Vá em busca de saber o que te espera quando ocê vier para o lado de cá. Entenda os mecanismos que regulam a Vida, não só a sua, mas a de todo mundo. Quando ocê entender, sua Fé há de tornar-se mais forte… e assim ocê há de encontrar um motivo para continuar vivendo.

– E as dores?

– São um reflexo daquilo que ocê sente e pensa. Ocê decidiu parar… então seu corpo já começou a falhar. Continue assim, e ocê deixará o corpo antes do combinado.

– Não, eu não quero morrer!

– Rs… fia, todo mundo morre. Basta nascer neste mundo para ter sua data de desencarne escrita no Livro da Vida, fia. Mas a morte é só uma mudança… de dimensão, de vibração, de estado. É por isso que a Vó diz que ocê precisa estudar. Ocê ignora a verdadeira Vida e envenena seu corpo com o medo, a raiva, a frustração e a ansiedade que a falta de confiança e de fé te causam.

– Mas eu creio em Deus. Sou devota de Santa X e de Santo Y.

– Rs… fia… isso não é fé. Fé, de verdade, é aquela baseada em conhecimento, em evolução, em fatos. Essa fé cega que não te ajuda a crescer, fia… essa fé só serve para os tempos de mar calmo. Quando a ventania começa, a gente precisa ter Fé de verdade, aquela que só o conhecimento da Verdade nos dá. Aquela que não deixa a gente tombar. Aquela que faz a gente erguer a cabeça e continuar caminhando, mesmo com os pés cheios de bolha. Aquela que nos dá o direito de chorar a perda de uma pessoa querida, mas que nos conforta porque nos dá a certeza de que a Vida continua. É dessa Fé que a Vó tá falando. Essa Fé ocê ainda não tem, fia… então, vá estudar.

(Ensinamento da preta-velha Vó Benedita de Aruanda. Adorei as almas! Obrigada, vó!)

 

De Natural a Guardião do Amor

Dianae - Pan and Selene

Meu ser é antigo. Talvez tão antigo quanto a formação deste sistema planetário. Eu e meus irmãos somos sustentados pelo Amor e pela energia Geradora Universal. Trabalhamos incessantemente para que a energia geradora se espalhe e a vida se multiplique por todos os lados, sob todas as formas, sejam elas materiais ou não.

Hoje em dia ficamos conhecidos pelas alegorias e pinturas dos Sátiros. Embora não tivéssemos exatamente a forma que hoje nos é atribuída, ainda assim, muito do que dizem era real na época em que as religiões naturalistas eram maioria sobre o vosso planeta. Nossa música e a energia que gerávamos a partir de nossas danças, de nossa alegria, criava a atmosfera perfeita para que os seres se unissem e gerassem de si a Vida. Assim, éramos oferendados durante os rituais de plantio e colheita, e no início da maioria das estações do ano.

Era maravilhoso ver a energia do amor fluir e densificar-se sobre os corpos dos amantes. Era lindo ver o fruto daquelas uniões crescer nos ventres daquelas mulheres e depois poder vê-los nascer e crescer respeitando a natureza e os seres viventes. Era um tempo de pessoas e hábitos simples, mas cheios de sabedoria e riqueza espiritual.

Com o tempo, fui me sentindo cada vez mais atraído por aqueles rituais. Queria estar presente em todos eles, auxiliar e sentir a alegria inebriante que, ao que me parecia, somente os espíritos humanos conseguiam desfrutar. Impossível descrever as espirais de fogo líquido que subiam e geravam de si calor, abundância, amor, gratidão. Aquelas pessoas dançavam, cantavam e festejavam a vida de uma maneira totalmente desprovida de culpa, pois o pecado só surgiu com a cegueira do homem frente às verdades universais.

Muitas vezes colei-me ao máximo aos corpos fluídicos daquelas pessoas, só para sentir um pouco mais daquela alegria, daquela energia divina que só eles conseguiam gerar. Muitas vezes fui alertado pelos Sagrados Tronos Divinos de que aquilo não poderia continuar, de que eu estava passando do limite estipulado para interação entre seres naturais e espíritos. Mas ainda assim eu queria estar junto daquelas pessoas, e pouco a pouco fui deixando meus afazeres de lado. Mas eu não era o único – naquela época vários de nós estavam tão “apaixonados” por aquelas criaturas geradoras de vida e alegria que passaram a cruzar a fronteira entre dimensões durante rituais, tanto públicos quanto privados… para então unir-se energeticamente a homens e mulheres humanas. Estavam negativados, tanto humanos quanto naturais.

Grande foi o desequilíbrio naqueles tempos. E logo seguiu-se um movimento inicial de caça à bruxas e bruxos e aos conhecimentos naturais que por muito tempo haviam nos sustentado. Entrei em desespero. A alegria, o culto à vida, as energias geradas… tudo foi sendo consumido em sua própria negatividade.

Eu já não era um natural. Havia quebrado muitas regras, havia auxiliado no desequilíbrio daquelas pessoas e daquele sistema de forças. Mas meu “castigo” foi brando: minha consciência levou-me a humanização, e eu encarnei como espírito humano. Tive pouquíssimas encarnações, mas em todas elas a energia de encantamento e desejo que eu gerava era difícil de suportar e a maioria das incautas sucumbia a um pedido meu.

A cada morte do corpo físico, mais e mais minha consciência me alertava dos erros cometidos. Eu me sustentava nas “sensações” geradas através da união sexual, mas amor era algo que eu não conseguia sentir. Terminado o ato, eu me sentia vazio, oco, desprovido de toda a humanidade que, um dia, eu quis tanto conhecer. Caído em esferas negativas, chorei, implorei o perdão dos Tronos Divinos, pedi a todas as forças geradoras da vida que me permitissem ser útil de alguma outra maneira, pois já não suportava mais estar vazio daquela maneira.

E foi então que eu o ouvi.

– Ahahahahah… então, ex-natural do Amor, cansou de brincar de humano depravado? Ahahahahaha…

Era um ser enorme, todo coberto em manto negro. Eu não via nada dele, mas seus olhos tinham um brilho estranho, como um fogo líquido, azulado…

– O que foi? Perdeu a voz também? Essa voz tão linda que encanta a tudo e todos? Ahahahahaha… aposto que agora perdeu a vontade de cantar, não é? Ahahahahah…

Eu era só andrajos. Tinha a aparência de um velho ressequido, e mal conseguia me locomover. Meus cabelos estavam brancos e ralos. Meus olhos, vítreos e sem brilho. Minha garganta doía de sede…

Mentalmente, perguntei quem ele era. Pedi que, se estava ali para acabar com meu sofrimento, que eu dava graças ao Criador de Tudo por sua bondade para comigo. Pedi que ele olhasse por todos aqueles que eu havia, em minha ignorância, desencaminhado. Lembrei de meus irmãos naturais e pedi também pela saúde e alegria deles. Pedi que minha desdita servisse de exemplo para que nenhum deles mais viesse a cair como eu caí.

Finalizada a minha rogativa mental, lembrei-me de uma antiga canção que nós entoávamos com nossas vozes e instrumentos de sopro. Lentamente, comecei a entoá-la num murmúrio, enquanto grossas lágrimas molharam meu rosto. Ao longe, ouvi como se um eco daquela melodia se formasse… e pouco a pouco um círculo de luzes fechou-se ao meu redor. Abri levemente os olhos e vi meus irmãos: eles dançavam e sorriam à minha volta formando um círculo de energia dourada e brilhante.

Fechei novamente os olhos e pensei comigo: sou o mais feliz dos homens! Voltarei à Fonte de Tudo ao som do amor à natureza!

Um brando calor me envolveu, e eu novamente abri os olhos e percebi que uma dama de rara beleza me carregava no colo. Ela tinha duas vezes a minha altura e brilhava em todos os tons de rosa e dourado possíveis. Sua luz era tão grande que me ofuscava então fechei os olhos novamente e os mantive assim, enquanto ela caminhava lentamente comigo nos braços. O amor que dela emanava era tão grande, tão sublime, que me preencheu inteiro e eu sentia como se fosse explodir. Queria dar daquele sentimento a todas as criaturas, onde estivessem, sem exceção.

Ela recompôs meu espírito. Em pouco tempo me vi de pé, forte e saudável. Mas, o mais importante era que eu já não me sentia vazio. O centro do meu peito irradiava a mesma luz que eu via naquela adorável dama. Como eu não podia sustentar seu olhar, ajoelhei-me e preguei os olhos sobre os lindos pés descalços que pareciam flutuar poucos centímetros acima do solo poeirento. E então sua linda voz ecoou no meu cérebro espiritual…

– Filho querido… tudo tem um propósito. A força geradora que te criou, por alguma razão, te queria entre os homens de boa vontade. Tua negatividade desviou-te dos desígnios traçados para ti, mas a eternidade aguarda que levantes e caminhes o caminho reto da Lei da Vida. Vivenciaste aquilo que precisavas para compreender e tomar consciência daquilo que és: um Guardião do Amor, da Lei e da Vida. Veste-te, agora, com a roupagem negra deste teu Grau, enquanto manténs sob este manto a luz dourada com a qual eu te cobri.

Conforme ela falava, um manto negro e brilhante surgiu sobre mim, cobrindo-me dos pés à cabeça. Instintivamente olhei à minha esquerda e verifiquei que o grande ser que me encontrara estava também de joelhos à esquerda daquela dama. Via nele o carinho e a devoção que sentia por ela e me orgulhei de me tornar alguém igual a ele…

– Um dia tivestes o vazio dentro de ti enquanto buscavas o amor de forma desequilibrada. Agora, preenchi teu ser com o verdadeiro Amor à Vida e o Vazio há de cobrir-te para que todos saibam que tu tens o poder de esvaziar os desequilíbrios em meu nome.

Ela tocou de leve o topo da minha cabeça e eu senti como que um choque elétrico percorrer todo o meu corpo. Minha consciência expandiu-se e eu percebi o quanto homens e mulheres de todos os credos e origens estavam errando e desequilibrando-se em nome do amor. Meu ser encheu-se da mais profunda vontade de acabar com aqueles desmandos, de mostrar a cada um deles que aquilo não era amor, e uma raiva incontida me fez travar os dentes e fechar os punhos.

– Assim é a natureza de todo Guardião. Mas cuida que tua raiva não ultrapasse os limites da Lei Divina, ou ela há de acabar contigo antes de qualquer coisa. Agora eu te armo com esta espada dourada e te dou a insígnia de Guardião à minha esquerda.

Senti um jorro de energia me atingir em cheio sobre o peito, me atravessar e sair pelas costas. Além disso meus pés e palmas das mãos ardiam em fogo. Olhei para elas e um símbolo estava marcado em cada uma. Logo em seguida uma espada materializou-se à minha frente e fincou-se ao solo… brilhava como um sol e, aos poucos foi-se apagando.

– Pega tua espada e levanta, Guardião. Tua missão começa pelo estudo e desenvolvimento de tuas faculdades naturais no meio humano. Vais encarnar. Cuida para que não cometas erros demais e tenta semear o amor entre os homens da Terra.

E ela desapareceu. Ajoelhei-me e chorei, agradecido. Aquela sensação de calor interno, principalmente sobre o peito, nunca mais me deixou. Pela última vez encarnei e servi à Vida como Templário para então voltar ao Trono que me era designado, para estudar e auxiliar a quantos eu conseguir.

A raiva daqueles que erram em nome do Amor sob qualquer pretexto ainda me acompanha onde quer que eu esteja. Mas ela nunca é maior que aquela energia maravilhosa que me preencheu e que transborda de mim constantemente, me dando vida nova. Muitos outros mistérios me foram revelados, muitas coisas eu vi, ouvi e vivi. Hoje tenho a certeza de que meu lugar é aqui, onde minha amada mãe Oxum, senhora do Amor Universal, me colocou. Daqui só sairei no dia em que ela assim determinar.

guardião amor

Mecanismos de Evolução

2014 foi marcado por muitas mudanças, e muitos, muitos desafios. Foi um ano complicado, difícil, ano em que consolidei muitas coisas e “perdi” muitas outras.

No saldo, sempre acho que tudo foi, e é, positivo. Talvez pelo sol em Sagitário, talvez pelas minhas inclinações íntimas mesmo, talvez pela soma de tudo isso, por me lembrar de como a vida já foi difícil lá longe, no início… talvez por tudo isso eu sempre acho que tudo ficará bem no final.

No último dia de atendimento espiritual do ano, véspera do meu aniversário de 42 anos, emprestei essa minha carcaça de quase meio século à minha amada Vó Benedita. Como sempre, cheia de ensinamentos, cheia de bons conselhos e de uma energia maravilhosa…

Mas uma coisa me chamou a atenção, e eu sei que quando ela repete o mesmo ensinamento mais de uma vez durante um atendimento, é sinal de que eu tenho que prestar atenção, tenho que assimilar, tenho que passar para frente.

Então hoje, passados os dias de mudança, de festas de final de ano, de arrumações em casa, pensei ser a hora certa de parar e colocar “no papel” as palavras doces da amada vozinha.

Feliz 2015 a todos vocês. 😉

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Se fio quer mudar, isso é bom. É certo que evoluir é Lei da Criação, e parado ninguém fica.

Assim, quando fio percebe alguma coisa em si que fio faz sempre, mas que incomoda, e quer mudar… isso é motivo de alegria aos olhos de toda Aruanda.

Mas o problema é que mudar é difícil… geralmente aquele traço de personalidade que fio carrega consigo há mais de uma encarnação, aquela “mania” de falar mal, ou de ser violento, ou mesmo uma coisa mais “simples” como comer ou beber demais; isso tudo são traços de personalidade trazidos de muito tempo, fios, e por isso mesmo, muito difíceis de desfazer.

A vó vai dar um exemplo extremo: o suicida. Aquele espírito que, um dia em sua existência, pensou ser mais simples tirar a própria vida que continuar lutando. E ele desencarna, sofre, e reencarna… e novamente tira a própria vida. E na próxima vez, a providência divina faz com que as mazelas do espírito se mostrem no corpo e então o irmãozinho nasce com problemas mentais. Mas, ainda assim, chegado certo momento na vida, o irmãozinho tira a própria vida. E então na próxima vez encarnado, a Vida se encarrega de deixar o irmãozinho preso a uma cadeira de rodas. Mas o espírito, ainda ligado ao erro de eras atrás, se joga de uma janela qualquer… e assim segue até que nasce e fica preso a uma cama, lúcido… mas sem conseguir se mover.

Entendem o mecanismo, fios? Esse é o mecanismo utilizado pela Vida quando o Ser não é capaz de tomar consciência do erro e de tentar a mudança por vontade própria. O único livre-arbítrio que o Ser possui é melhorar-se.

Mas isso não acontece com ocês, certo?

Cada um de ocês SABE, bem lá no fundo, onde tem que mudar. Ocês sabem que tem que falar menos dos outros, que tem que ter mais paciência, que tem que cuidar da ansiedade e cuidar da saúde, que tem que aprender a desapegar, que tem que tornar-se responsáveis por suas vidas.

Para ocês, a vó diz: o mecanismo de evolução tem 3 etapas, fios. A primeira é reconhecer-se, conhecer-se, saber-se falho e compreender que a mudança é necessária se ocês quiserem subir um degrau a mais. Essa fios, é a etapa mais simples. Tomar consciência das próprias limitações.

Depois vem a segunda, que é a etapa em que ocês vão tomar atitudes, ativamente, para promover essa mudança n’ocês. Seja com ajuda espiritual, psicológica, médica, familiar… seja o que for, ocês buscam a mudança e agem por vontade própria buscando melhorar. Essa parte fios é a parte difícil porque ela depende da força de vontade de cada um e do grau de consciência que ocês tem sobre as coisas do espírito e da matéria. É aqui que a maioria escorrega, cai e demora a levantar. É aqui que a Lei de Reencarnação entra em ação e nos dá inúmeras chances de melhoria. É aqui que nossa amada mãe Logunã mais nos ajuda, nos mostrando que o Tempo é variável positiva e ativa a nos auxiliar e curar sempre. Essa é a parte difícil: Mudar.

A terceira etapa fios, essa é a etapa definitiva: não desequilibrar. O desequilíbrio é o que leva o Ser ao erro, é o que faz com que ocês continuem repetindo os mesmos enganos vezes sem conta. Quando o Ser consegue manter-se em equilíbrio diante daquilo que antes o tirava do eixo, aí ele está pronto. Acabou a necessidade do corpo físico, acabou a Lei Compulsória do Retorno à Terra. Agora o Ser despertou, consegue manter seu equilíbrio e, portanto, pode ser membro ativo e consciente não só da sua própria evolução, mas também da evolução de muitos outros. O Ser agora compreende as Leis Divinas, confia nelas, sabe que NADA acontece sem que nosso amado Pai Olorum permita.

Então, fios, nessa nova lua grande que se inicia, façam a auto-avaliação: em que etapa de evolução ocês estão? Avaliem e lembrem-se das três etapas: Tomar consciência; Mudar; e Não Desequilibrar. Simples, fios… e por isso mesmo, bem difícil.

Que ocês tenham um grande ano pela frente. São os votos sinceros de toda a Aruanda.

A Vó abençoa. Fiquem em paz.

Noite de Halloween (Shabbat de Samhain)

 

 

Dançaremos
a dança dos dias moribundos
e da vida que dorme.

Dançaremos
sobre folhas mortas, frias,
a chama humana e espiral da união.

Dançaremos
enquanto o Deus Cornudo cavalga
pelos céus

Dançaremos
à música da corrida de Seus cães
farejadores, uivando em coro

Dançaremos
com os fantasmas daqueles
que já se foram

Dançaremos
sob o olho escurecido de Samhain
Dançaremos.

Samhain2012-2

Eu cresci em uma pequena comunidade ao lado de uma grande colina, e digo isso, porque era lá que realizávamos nossas festas. Oito vezes por ano, todos subíamos ao alto da colina, e realizávamos os diversos ritos de comunhão e agradecimento à Deusa Mãe e ao Deus Cornudo (Cernuno).

Mas de todas as festas, sempre a que mais me atraiu era a da noite em que celebrávamos o fim dos dias quentes e início do frio e das noites mais longas (Samhain). Era o descanso da amada Deusa, que iria repousar pelos próximos seis meses para se refazer e poder novamente verter os frutos de seu ventre e de sua terra.

Naquela noite, enormes fogueiras eram acesas no alto da colina, e lá passávamos do entardecer ao amanhecer, em profunda comunhão com o que havia de sagrado nesta terra.

Derramávamos sobre o leito da Deusa todo o nosso amor por ela, e por seu par, o Deus Cornudo. Esse amor vinha na forma de nossas preces, de nossos cânticos, e do amor que era transmitido entre Druidas e Bruxas.

Naquele tempo o pecado Judaico ainda não havia se enraizado em todas as terras, e o amor daquelas relações era puro e verdadeiro. Era o amor que a Deusa e o Deus tinham por si e por seus filhos, e desse amor, frutos eram colhidos e recebidos com todo carinho por nós. Grandes Druidas e grandes Bruxas nasceram do amor celebrado naquela noite, assim como de outras noites de celebração.

Mas conforme o tempo passou, minhas obrigações de Druida me obrigaram a deixar o seio da minha família, pois às mulheres cabia a prática da magia, da cura, da preparação dos unguentos e poções. Os homens mais novos eram responsáveis pela caça e pela colheita das ervas e flores. E conforme amadureciam, eram mandados para as cidades, inicialmente para realizar o comércio, pois era uma época perigosa para qualquer mulher andar sozinha, e quando atingiam o conhecimento necessário, eram enviados para procurar as curandeiras, parteiras, magas e bruxas das cidades mais distantes e lhes transmitir novos conhecimentos.

Vale a pena lembrar que naquela época não havia o medo que hoje existe destas pessoas; ao contrário, em todo lugar, a curandeira era celebrada, e quando um Druida chegava era bem recebido, pois nosso interesse era sempre ajudar e ensinar.

E os anos se passaram, e eu quase sempre ficava afastado de minha família, de minhas irmãs e irmãos… mas todo ano, quando o outono se aproximava, eu retornava para celebrar mais uma festa e ver as fogueiras queimando e iluminando o céu.

Quantas vezes fui escolhido para representar a fertilidade do Deus Cornudo e assim amar o ventre gerador da Grande Mãe! Quantas vezes amei apenas ficar sentado, sentindo o amor que eles tem por nós me inundar!

Mas os tempos estavam mudando, a Cruz que se espalhou com grande facilidade pelo seu recado de amor e fraternidade agora queimava com aço e fogo. E foi assim que retornei ao lar ao final de mais um longo período viajando, e de longe o cheiro de carne torrada invadiu minhas narinas. Corri o mais rápido que pude para o alto da colina, e lá estava a grande Cruz fincada bem no meio e, ao seu redor, fogueiras terminavam de queimar, centenas delas… queimando minhas irmãs.

Duplamente covardes aqueles que matam em nome de Deus, pois são incapazes de atribuir-se a responsabilidade por seus atos criminosos!

Ali permaneci, estarrecido, ouvindo os gritos e gemidos de choro, e quem chorava não eram as almas de minhas irmãs queimadas, pois elas já estavam longe, amparadas. Quem chorava era a própria Deusa, que via seu chão sagrado maculado com o verdadeiro pecado: o sangue dos inocentes.

Odiei aquela cruz! Odiei cada Padre ou Frei que conhecia, mesmo racionalmente sabendo que eles não compactuavam com aquelas barbáries… e ali, naquela colina, morri odiando terem me tirado o que aprendi tanto a amar.

Mas a vida não é ódio, e ele nunca pode nos conduzir. Não tardou para o ódio me consumir e eu consumi-lo de volta, e então segui minhas existências amparado pelo Pai, que também é a Mãe, pois desde aquela época sabíamos que a fonte geradora é uma só – é a vitalidade fertilizadora Masculina, mas também é o ventre gerador Feminino.

Eu relato aqui curtamente minha história para que vocês entendam um pouco mais sobre essa noite que celebram hoje. Libertem-se das idéias pré-concebidas e saibam que a história sempre é contada pelos vencedores… e o pouco que resta da nossa fé é sombra do que foi outrora.

(Inspiração enviada ao meu marido e assinada por um espírito que se nomeou apenas como Druida. Nossos mais sinceros agradecimentos por suas palavras esclarecedoras.)

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Para saber mais:

(Introdução, revisão e formato por esta que vos escreve tão raramente hoje em dia…)

O barco vai pra onde o barqueiro leva…

o mar

Se o barqueiro é inexperiente, manhoso, turrão, o barco há de navegar sem rumo por águas desastrosas, igualmente manhosas e teimosas. O barco há de ser açoitado por ondas vindas de todos os lados, uma vez que o barqueiro, turrão, teima em não reconhecer que o mar da Vida está lhe dando outras opções. Em sua teimosia, o barqueiro continua, navegando aos trancos e barrancos, xingando as forças da natureza como se estas fossem responsáveis pelas escolhes que ele próprio fez. Pobre do barqueiro não entende que, se fechasse os olhos e confiasse seu destino às sábias forças que regem a Vida, logo, logo encontraria a calmaria que tanto procura.

Mas a Vida é sábia e as marés mudam ao sabor do vento soprado pela Lei. Umas vezes branda e refrescante, noutras tormentosa e violenta, a maré vem conforme o preparo do barqueiro. Uma vez aprendida a lição, ela se vai e dá lugar à próxima, no movimento constante de vai-e-vem das ondas do mar.

E você, marujo? Tem prestado atenção às marés que vêm bater à sua porta? Tem sido um barqueiro maleável? A Vida é sábia e por isso ensina através de exemplos – basta prestar atenção, analisar, medir a força e a direção do vento, confiar no coração, manter a Fé e a Direção, estes são os requisitos básicos do bom barqueiro.

De nada adianta atirar-se à maré e depois reclamar que as águas revoltas destruíram seu barco. De nada adianta lutar contra as águas, teimando ir para um lado quando elas constantemente te empurram na direção contrária. Também de nada vale baixar velas porque o vento te direciona para o lado que você teima em não ir – embarcação de velas arriadas pára no meio do Mar e vira presa fácil do Abismo. Navegar pela Vida exige Sabedoria, daquela que só se adquire quando a gente deixa de empinar o nariz e aprende a ajoelhar e erguer os olhos para o Alto… onde as estrelas gentilmente nos esperam brilhando com a indicação certeira da direção a seguir.

Portanto, marujo, deixe de lado a soberba e aprenda com a Vida. Seu barco há de navegar de vento em popa!

Boa Viagem!

Seo Sete Barcas, capitaneado por nossa amada Mãe Iemanjá Cristalina, Senhora da Vida e da Fé na Grande Calunga

A Guardiã de Mistérios – Parte Final

Todo o ambiente estava mudado. O que antes parecia uma caverna lúgubre e escura, agora lembrava muito o interior de uma catedral gótica. Vitrais multicoloridos surgiram aqui e ali, por onde adentravam fachos de luzes brilhantes. Atrás do trono, agora reconstituído em tons de ouro velho, estava uma grande rosácea luminosa que exibia lindíssima cruz central. Assentado em seu trono estava uma grande caveira vestindo um manto negro. Tinha quase dois metros de altura e segurava na mão esquerda um alfanje de cabo branco e lâmina tão transparente que parecia feita de vidro. A caveira mantinha a cabeça baixa enquanto olhava para a guardiã que agora estava ajoelhada nos degraus de seu trono: ela descobrira a cabeça e mantinha a posição em respeito aos mistérios ali assentados.

– Levanta guardiã, deixa que eu te agradeça.

A guardiã levantou-se, embora mantendo a cabeça baixa, e a caveira tocou sua testa com a ponta do alfanje.

– Recebe as lâminas da Morte para que possas continuar protegendo a Vida em todas as esferas.

A guardiã emocionou-se com o presente recebido.

– Sabes quem sou eu?

– És o legítimo regente deste trono, meu senhor.

– Sim, Eu Sou. Mas sou também um Orixá Menor. Sou aquele que rege sobre a morte nesta esfera da Vida. Sou o par magnético daquela que te espera, filha… tu bem o sabes.

– Senhor, eu… o senhor me desculpe, mas não desejo esta tarefa. Deixa-me aqui, onde sou mais útil… por favor.

– Ah, e quem fala agora?! A guardiã ou um espírito amedrontado que tem receio de fracassar na carne?

A voz do caveira ecoava pelas estruturas da catedral. A guardiã sentiu as lágrimas descerem pelo rosto. A caveira levantou-se e desceu os três degraus que a separavam da guardiã. Conforme descia, transformou-se: sua capa antes negra tornou-se branca e brilhante. Seu corpo regenerou-se completamente e via-se agora um ancião de longos cabelos brancos, ainda segurando o alfanje na mão esquerda. Ele também diminuíra de tamanho, e agora estava apenas alguns centímetros mais alto que a guardiã. Colocou então a mão sobre o ombro dela e continuou:

– Filha, muitos passam por isso. É normal sentir medo…

– Não, senhor… não é medo. Mas lá eu serei cega. Surda. Tudo o que eu sei, hei de esquecer. O senhor imagina quantos tentarão me derrubar? Como poderei ajudar a quem quer que seja dessa maneira?! Serei fraca perante aos ardis da escuridão…

– Filha, confia na providência divina. Aquieta teu coração e confia que o Pai sabe o que faz. Ele te quer na carne, então obedece a Vida. Nós estaremos aqui contigo, sempre. Tua Mãe te espera para dar-te a incumbência que terás. Vai e faz o teu melhor. Nós te olharemos e vigiaremos daqui.

Atrás da guardiã apareceu uma linda moça. Ela era pura luz rosa, e parecia transparente quando comparada aos demais ali presentes. O velho então tocou a fronte da guardiã e ela caiu em sono profundo, diminuindo de tamanho até a forma de um bebê de poucos meses de vida. O velho segurou-a com carinho enquanto a moça espargia sobre o bebê finíssimos fios brilhantes que formavam como que um casulo prateado à sua volta, deixando somente seu rostinho de fora. Quando a bebezinha estava totalmente embrulhada em fios prateados, o velho abraçou-a mais uma vez e a entregou à moça, que a recebeu com um sorriso.

– A Senhora das águas está à sua espera. – completou ele, e apontou para um portal que havia aberto à sua direita. Do outro lado, via-se uma praia de águas calmas de cor turquesa, e areia branca e brilhante.

A moça passou pelo portal e caminhou sobre a areia da praia. Conforme caminhava, a bebê que carregava crescia e acabou por transformar-se numa jovem adolescente de cerca de 12 anos. A guardiã já não se lembrava mais de quem era, mas estava contente de andar pela praia com aquela moça tão linda e alegre. Por fim parou de frente para a água e viu que uma mulher caminhava sobre as águas em sua direção – ela vestia um vestido diáfano de cor azul muito clara; em seu pescoço havia voltas e voltas de pérolas de todas as cores; seu cabelo era negro e descia em cascata pelas costas; a pele, muito branca, parecia coberta de pó de diamantes e sobre a cabeça ela usava uma coroa diamantada com uma grande estrela de cinco pontas central e outras seis distribuídas em volta. Era realmente uma visão belíssima.

A menina olhava a Senhora das águas de boca aberta e instintivamente caiu de joelhos na areia. A mãe d’água alisou seus cabelos com carinho e pediu que ela se levantasse.

– Filha, tenho uma tarefa para ti. Vais ao mundo auxiliar ao teu próximo. Vais ao mundo ser sacerdotisa dos mistérios divinos. Eu serei a regente desta tua encarnação e, juntamente com teu Pai guardião, seremos teu esteio, tua força, tua luz e tua sabedoria. Para esta tarefa hás de dar teu consentimento aqui, frente a todos que te cercam.

A menina então verificou que, perfilados à sua volta, haviam dezenas, talvez centenas de seres dos mais variados tipos – índios, negros, orientais, homens armados, mulheres belíssimas… todos traziam seriedade e confiança no olhar. Todos aguardavam ansiosos pela resposta da menina.

– Entendes o que te peço, filha?

A menina assentiu com a cabeça.

– Recebes minha coroa de bom grado, aqui perante teus irmãos?

A menina assentiu uma vez mais, sem ter muita certeza do que fazia. Sobre sua cabeça formou-se uma coroa dourada cujo topo atingia cerca de meio metro acima. Em questão de segundos ela caiu de joelhos e sentiu a cabeça tombar para frente ao peso da coroa que parecia ser feita de ouro puro e brilhante. A menina lutava para manter a cabeça reta, mas o peso era insuportável. Em seu coração ela sentia a dor e o medo se alastrar; medo do desconhecido; medo do peso daquela responsabilidade. Mentalmente via imagens tristes, sem compreender se aquelas cenas eram seu passado ou seu futuro. Sentia que não era capaz de carregar tamanha tarefa e foi sendo massacrada pelo peso daquela coroa. E foi então que ouviu a voz da Mãe d’água:

– Filha, confia. Tira o medo do seu coração. Confia no Poder Maior que nos criou a todos… se te livrares do medo que te consome, tua coroa será leve como uma pluma…

A menina respirou fundo, mas ainda assim estava difícil manter a coroa.

– Todos esses que te cercam estarão contigo. Todos nós seremos teu exército. Tu não estarás sozinha enquanto lembrar-te da Fé e do Amor do Cristo. Hás de ser vitoriosa! Agora, levanta!

E ela lembrou-se do rosto do Amado Mestre… sabia que o havia visto pelo menos uma vez. Lembrou-se dos olhar amoroso e límpido, das palavras seguras e bondosas. Sim, ela seria fiel à mensagem dele sempre, e só a lembrança daquele rosto encheu seu coração de calor e otimismo. A menina respirou uma vez mais e levantou-se. Não sentia mais o peso da coroa, que passou a brilhar ainda mais sobre sua cabeça. Todos à sua volta a aplaudiram e ela sentia a força da amizade e do carinho de todos eles. Abraçou a Mãe d’água com fervor e, novamente, tornou-se um bebê em segundos. A Mãe d’água depositou suas lágrimas sobre o rosto da pequenina e levou-a em direção ao mar…