Ovo de Páscoa Surreal…

Ontem tivemos amigo de páscoa na empresa. Deixei para comprar o ovo do meu amigo secreto no caminho de ida para o trabalho, uma vez que passo por quatro supermercados. No primeiro, não tinha. No segundo, também não. No terceiro… bom, foi aí que aconteceu algo surreal.

Eu entrei no supermercado, estacionei. Eram nove da manhã. Entrei e comecei a procurar pelo corredor que tivesse aquela estrutura suspensa e todos os ovos pendurados lá em cima… achei.

Havia um rapaz abaixado, que eu pensei ser funcionário do supermercado, porque parecia estar arrumando as prateleiras e a cor das roupas era muito parecida. Vi isso tudo de relance, porque já entrei no corredor olhando para cima e procurando o tal do ovo que eu queria comprar… Diamante Negro.

E lá estava ele em sua embalagem preta, penduradinho sobre minha cabeça. Voltei para o início do corredor para verificar numa plaquinha os preços. Vi que, pelo budget estipulado no nosso amigo secreto, eu precisava de um ovo tamanho 20. Voltei procurando pelo número certo… 15… 21… ué, cadê o 20?

Ainda olhando para cima, perguntei ao “funcionário” do supermercado:

[eu, verificando os números dos ovos suspensos] – Sabe se tem número 20 desse ovo aqui?

O rapaz levantou e passou raspando por mim, dizendo bem alto: Não sei!

Levei um susto e vi, conforme ele se afastava, que ele estava de bermuda. Pensei, comigo: Putz! Ele não é funcionário do supermercado! Que vergonha!

Pensei com meus botões que o cara estivesse bravo porque eu havia confundido ele com algum funcionário. Mas também pensei que ele não precisava ter sido tão grosso. Pensei tudo isso ainda procurando pelo tal ovo número 20, ou seja, olhando para cima.

Segundos depois o mesmo rapaz passa de novo por mim e diz em tom ameaçador enquanto dirige-se para a saída do supermercado e esconde algo sob a blusa:

A senhora não viu nada, firmeza? A senhora não viu nada…

Eu lembro que olhei para ele, mas ele não me encarou. Passou com os olhos baixos, mas nem por isso menos ameaçadores. Tudo aconteceu em segundos. Eu fiquei ali, parada, olhando para cima.

Fiquei pensando: ok, então não era funcionário… e também não era cliente. E se ele me esperar lá fora? E se ele viu meu carro?

O coração estava batendo nos ouvidos já. Respirei fundo, pedi auxílio divino. Mais calma, procurei por um funcionário que me ajudasse a achar o tal ovo número 20. Achamos, e ele retirou o ovo lá de cima para mim. Entrei na fila mais longa que encontrei. Fiquei lá uns 10 minutos. Para minha alegria, quando saí, o segurança do supermercado estava bem na porta, vigiando o estacionamento que contava apenas com uma meia dúzia de carros àquela hora.

Agradeci mentalmente a proteção. Sentei no banco do carro e percebi que eu poderia ter sido assaltada, morta, ou talvez coisa pior, simplesmente por entrar num supermercado às nove da manhã.

E meu medo não foi morrer, porque morte para mim não existe. Mas nesses poucos minutos pensei insistentemente na minha filha que eu havia deixado em casa, e que estava doente.

É… sur-re-al.

E como eu não pude participar do amigo secreto porque tive que levar a Belah ao médico, eu espero que o meu amigo secreto tenha gostado do ovo. Afinal de contas, eu quase morri por ele… 😀

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Meus 10 motivos fúteis para morar fora do Brasil

Essa semana mais um colega de trabalho despediu-se para tentar a sorte fora do país. Esse mês já foram dois. Ambos para a Austrália. Quando trabalhava em uma outra multinacional, as mudanças de trabalho para fora do país eram ainda mais comuns. Com isso ganhei grandes amigos que hoje vivem no Canadá, Estados Unidos, Irlanda, Inglaterra e até na África do Sul.

Todos trabalham menos tempo e vivem melhor. Têm mais tempo para os filhos, pras viagens. Têm mais qualidade de vida. A maioria das esposas deixou de trabalhar: não precisam. Conseguem manter um nível de vida superior ao que tinham aqui, sem ganhar muito mais, em valores absolutos.

Meu marido tem dupla nacionalidade, e vira e mexe ele me diz “Tá vendo? Depois você não sabe porque eu quero morar fora desse país”. Os motivos são tantos, não é mesmo? Os de ordem moral e cívica são os mais vastos, e piores. Depois têm os motivos profissionais, que também são inúmeros.

Mas eu acredito que todo mundo conhece alguém nessas condições, ou pelo menos já ouviu falar de alguém que se deu bem lá fora.

Então eu resolvi me ater aos motivos fúteis. Aqueles motivozinhos bem mesquinhos pelos quais eu gostaria de morar fora do Brasil. Coisas que me deixariam muito, mas muito contente, mas que não tem nada a ver com engrandecimento d’alma. E ainda assim, me fariam ir aos céus!

  1. Esse é também para minha amiga Samanta: fazer compras e decorar a casa inteira na Pottery Barn.
  2. Ser pedida em casamento de joelhos, com direito a anel de brilhantes e platina (se você for sortuda, pode até ganhar um da Tiffany e se sentir a própria Bonequinha de Luxo!).
  3. Poder morar no subúrbio, numa casa boa e espaçosa, com gramado e sem muros. Não sei como está hoje, mas os juros eram de 6% em trinta anos!
  4. Poder encher minha filha de presentes ótimos e, o que é melhor, baratos! Por exemplo, uma cozinha da Step2.
  5. Comprar todos os gadgets da Apple sem ter que morrer pagando – de iPod a iMac.
  6. Trabalhar 100% do tempo (no meu contrato de trabalho ideal, 6 horas por dia) em regime home office, e ninguém acharia isso estranho!
  7. Poder comprar meu SuperMini Copper, todo equipado, vermelho de listras brancas, com rádio via satélite e bancos de couro bege. Um luxo!
  8. Poder vir passar férias no Brasil, mas ganhando em Dólar (ou Euro… rs…).
  9. Comprar todos os pocket books que eu quiser ao preço de 9 dólares cada. Hummm… provavelmente eu precisaria de uma biblioteca em casa… 🙂
  10. Poder dar um pulo na Broadway sempre que um novo espetáculo estrear.

Parte dos meus objetos de desejo fúteis... mas nem por isso menos incríveis!