Somos todos Maiakovski

Poeta russo “suicidado” depois da revolução de Lênin.

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

(poema de autoria de Eduardo Alves da Costa, 1935 – No Caminho com Maiakovski)

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Me preocupa nossa condição… nossa condição de almas em evolução, de corpos perenes que um dia deixarão este mundo. Me preocupa o fato de que estamos anestesiados, como bem cita o poema acima. Malas de dinheiro… espermas no rosto… juízes que prendem, para outros imediatamente mandarem soltar. Hoje pode tudo.

Afinal de contas, eu não sou pobre, eu vivo bem a minha vida. Viajo nos fins de semana, nas férias. Meus filhos estão bem, estudam bem, comem bem. Tenho um bom emprego… Não sou mulher, nem ando de ônibus, não tenho que me preocupar com nada disso. E daí se soltaram mais um? Qualquer coisa, se der tudo errado, eu faço minhas malas eu vou-me embora do país!

Eu fico vendo e lendo essas coisas todas e me lembrando da última sexta-feira de trabalhos espirituais. Me lembrando das sábias palavras de alguém que sofreu no corpo os ditames da “lei do mais forte“. Ouvimos dela, que viveu sua última encarnação nesta Terra como escrava…

Fios… o mal prospera porque os bons são tímidos…

Ouvimos dela que é necessário sentir RAIVA para que as mudanças aconteçam. Ouvimos dela que é através deste sentimento, bem direcionado, que os grandes avatares da humanidade tentaram nos deixar seus exemplos… Jesus, Mahatma Ghandi, Mandela… tantos, tantos seimplesmente NÃO SE CONFORMARAM com o que estava errado e simplesmente lutaram pela mudança que queriam ver no mundo.

E então, me pergunto, quem, nesta hora, deixará a “timidez” de lado e compreenderá que é preciso ser a mudança que queremos ver no mundo? As pessoas não entendem, mas nós estamos em guerra… uma guerra travada na espiritualidade desde que o mundo é mundo, mas como ninguém vê, ninguém ouve, ninguém percebe, então ninguém faz absolutamente NADA. As pessoas se deixam levar pelas más vibrações dos ambientes que as cercam, das más companhias com as quais convivem – sejam encarnadas ou não, se deixam levar por séculos e séculos de cullto às suas más índoles e então se sentam e assistem a tudo, como verdadeiros zumbis.

Não entendem que é no nosso dia-a-dia, que é levantando-se contra as injustiças diárias que nós podemos mudar esse estado de coisas. Não compreendem que se você vê um idoso, uma mulher, uma criança, quem quer que seja, ser maltratado e você se cala, você é CÚMPLICE de toda essa corja! Que se você fala que quer um mundo melhor, mas você usa o seu “jeitinho” para tirar vantagem em tudo que conseguir, você é tão LADRÃO quanto todos os outros!

Perdi minha vida algumas vezes em prol daquilo em que acreditava. Lutei, morri. Falei o que ninguém queria ouvir, morri. Me neguei a fazer o que todos faziam, morri. E posso dizer a vocês – não me arrependo um palmo por nada disso. No entanto, de todas as vezes em que eu não tive lucidez suficiente para estar do lado correto… dessas me lembro com amargor. Dessas me pego pensando: porque não fiz isso? Porque não fiz aquilo? O preço da ignorância e da covardia é uma consciência latejando pelo resto da sua existência. E não existe nada pior do que isso.

Karma? Esqueçam. O karma não é nada se comparado ao sofrimento de milhares de almas que você poderia ter ajudado e não ajudou. Ou de uma única alma te olhando, pedindo auxílio, te estendendo a mão, e você vira as costas e não faz nada… isso, posso garantir, é o pior dos infernos.

E é da nossa condescendência que nascem os monstros. É dos nossos olhos fechados, das nossas bocas caladas, das nossas permissões veladas que, pouco a pouco, nascem as ditaduras, sejam elas de cunho político, social ou pessoal. É do nosso “não tenho nada a ver com isso” que reinam os arrastões, os estupros a cada 11 minutos, as malas de dinheiro.

7 de Setembro… Dia da INDEPENDÊNCIA do Brasil!

Independência do quê? Somos mais de 200 milhões de idiotas que acreditam ser independentes num país onde se trabalha 6 meses no ano para pagar impostos sem, no entanto, receber um mísero assento escolar de volta. Hoje, véspera de 07 de Setembro de 2017, somos mais escravos do que jamais fomos. Somos mais colônia do que jamais fomos. Somos mais SERVIS do que jamais fomos.

Somos um povo sem identidade, o povo do cada um por si. Um povo sem educação, sem cultura, sem passado. Um povo que mal lê, que não sabe falar o próprio idioma, um povo anestesiado à base de TV, churrasco, cerveja e futebol. Um povo fadado a ser para sempre “a pátria do futuro” de Juscelino. Somos a “pátria educadora” dos imbecis alfabetizados funcionais.

E, pra quem ainda não entendeu, segue…

Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso,
eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso,
eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso
porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho meu emprego
também não me importei.

Agora estão me levando, mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um feliz 7 de Setembro a todos os anestesiados! 😦

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Quem pode mais

Talvez eu já tenha contado esta história… em partes. Então, me perdoem se sou repetitiva.

Há 9 anos eu conheci uma casa de Umbanda Sagrada na zona sul de São Paulo. Na época, estava desempregada há 6 meses e os trabalhos como free lancer estavam rareando. As contas se avolumavam e o desespero aumentava todos os dias… nessas horas, a gente se agarra a Deus mais do que nunca, e foi isso que me levou à Casa do Pai Benedito.

Era dia de Gira de Ciganos. O cigano que me atendeu perguntou meu nome e quando eu disse “Sarah”, ele respondeu que eu havia chegado no dia certo… eu sorri, afinal Santa Sara é a protetora do Povo Cigano e ali estava eu buscando auxílio. Seis meses depois, já como frequentadora assídua da casa, passei por uma consulta com Seo 7 Ondas, que muito sabiamente me disse que eu deveria fazer um trabalho para Mãe Iemanjá, solicitando àquela Orixá que gerasse novas oportunidades em TODOS os campos da minha vida.

Para encurtar história, esta dita consulta ocorreu no início de Dezembro. Ao final de Janeiro comecei a namorar. No carnaval fiquei grávida. Em Março fui contratada e voltei a trabalhar. Em Abril estava casada… Ufa! Iemanjá não brinca em serviço. 🙂

Muitas idas e vindas depois desta consulta com o Marinheiro, e já com a vida totalmente mudada, me matriculei na segunda turma do Curso de Magia Divina das 7 Chamas Sagradas, e passei a frequentar a casa mais vezes na semana. Foi meu primeiro grau de Magia Divina… depois deste cursei mais 17 graus de magia, tanto na Casa do Pai Benedito, quanto no Colégio Tradição de Magia Divina.

Foi nesta mesma Casa de Fé que eu cursei a primeira turma do Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – era um curso de seis meses, somente teórico. Fiz meu desenvolvimento mediúnico em 2009, junto com a segunda turma do mesmo curso, já com minha bebê pequenininha. Fui coroada Médium de Transporte por Pai Benedito de Aruanda. Comecei a frequentar as giras de atendimento como Cambone, mas em poucos meses comecei a ser chamada para atendimento. Primeiro com meu Exu Mirim, depois com Vó Benedita, depois com minha Pombogira… e quando vi estava atendendo em todas as giras, sendo coroada Médium de Atendimento da casa cerca de 3 anos depois daquela primeira Gira de Ciganos. Foi um tempo relativamente curto, mas muito bom, de muito aprendizado.

Cerca de um ano depois, já em 2011, Vó Benedita começou a solicitar-me o estudo do Sacerdócio Umbandista. Como todo “bom” médium, achei que era coisa da minha cabeça… afinal, eu não tinha essa missão na vida. As solicitações tornaram-se repetitivas. Pessoas, amigos, irmãos de fé – todo mundo, do “nada”, começou a brincar comigo, perguntando quando eu abriria a minha casa. Eu neguei de todas as maneiras possíveis, tenho que admitir. Mas a verdade é que, no fundo, eu sabia que era isso que eu tinha que fazer, que ajudar é que me fazia feliz, que era isso que me fazia me sentir útil e viva e que quando chegasse a hora, eu não teria escolha, porque eu tinha sim assumido esta tarefa bem antes de nascer.

E assim foi… no início de uma gira de atendimento em 2012, meu amado Pai de Fé, Claudio Ricomini, solicitou que eu e mais duas irmãs médiuns da casa cursássemos o Sacerdócio Umbandista no Colégio de Umbanda Sagrada de Pai Rubens Saraceni. Foram meses e meses de estudo, de dedicação. Muitas oferendas, muitos amacis. Aulas memoráveis que eu nunca, jamais hei de esquecer. Mestre Rubens realmente coroou nossa caminhada com a sua alegria, o seu conhecimento e a sua disciplina. A ele, sou imensamente grata.

Em 2013, no ano em que me formei Sacerdotisa, Vó Benedita começou a cobrar-me a abertura da Casa de Fé… vendi meu apartamento, compramos uma casa, reformamos. Depois seguiram-se as firmezas necessárias à abertura da casa – primeiro ao Guardião Exu, depois à Guia Chefe da Casa, por fim à Guia de Frente que também é minha Guardiã Pombogira. Muitos gastos, muito tempo, muita dedicação. A cada passo dado, um frio na barriga, um medo a mais… mas também uma força estranha, uma certeza, que me foi invadindo e tomando conta. A cada dúvida, uma única resposta: “segue em frente, estamos juntos”.

Muita gente há de me olhar e pensar “como ela consegue?”. Vou dizer a vocês: Eu não consigo, porque não sou eu.

É a Vó Benedita… é Seo Morcego.

É a Rosa, Seo Zé, a Carmen.

É a Lili, o Pimentinha, a Iara.

É Seo Pena Branca, Seo 7 Barcas, Seo 7 Lanças.

É minha Mãe Iemanjá Cristalina, é Meu Pai Ogum Megê.

É Iansã de Balê e Obaluaê.

É Olorum…  e todos os Orixás, todos os Guias, Mestres, Mentores e Guardiões.

São eles gente… é deles este projeto, esta Casa, a minha coroa, a minha fé, a minha dedicação, a minha vida… é deles. Sem eles, nada disso existiria. É por eles a minha (aparente) calma, a minha disciplina, a minha certeza, a minha esperança. Porque eu creio, no fundo d’alma, na evolução do espírito através de suas várias existências e eu creio na Gênese Umbandista. Eu me lembro de muitas das minhas experiências anteriores e elas me ajudam a entender quem eu sou, porque eu estou aqui, e o que eu preciso para melhorar. Porque, como diz Vó Benedita, a fé pela fé não é nada; a fé pela fé, sem estudo, sem base, sem conhecimento, sem investigação, sem discernimento, é como castelo de areia – na primeira onda cai, desmancha, deixa de existir.

E é isso que eu quero passar pra frente. É nisso que eu acredito – que nós teremos um futuro melhor com pessoas melhores; pessoas com auto-conhecimento, que sabem de onde vêm e para onde vão. Pessoas boas, sadias de coração e alma. Não precisa ser perfeito, nem precisa ser Umbandista, precisa ser bom e querer ser melhor a cada dia, a cada passo dado. Precisa saber que tem defeitos e que precisa melhorar, porque esta é a razão da vida material neste planeta. As pessoas precisam resgatar isso de dentro delas. Elas precisam lembrar que existe algo além do acordar de manhã, trabalhar feito louco, enfrentar trânsito, comer qualquer porcaria, ganhar o insuficiente, e no outro dia repetir tudo de novo, esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria, para ser feliz.

A vida não é isso, gente. A vida pode, e deve, ser melhor. É preciso parar, avaliar, arriscar uma vida diferente, uma vida com mais propósito, uma vida onde a gente pode se sentir feliz e realizado todo dia, não só no final de semana, não só nas férias.

É por isso que a Casa da Vó Benedita existe, e é pra isso que nós vamos trabalhar e ensinar. É com esta bandeira, a bandeira de Oxalá, Pai dos Mundos e Senhor dos Espaços Infinitos, que nós vamos auxiliar o próximo. E se nós mudarmos uma única vida para melhor, se nós salvarmos da tristeza e do desespero um único pai de família que seja, eu já me sentirei realizada.

Porque, segundo o ponto cantado que Vó Benedita tanto gosta, “Quem pode mais, é Deus”.

Pois que seja feita a vontade d’Ele.

Axé!

(A Casa da Vó Benedita está prevista para ser inaugurada ao público no próximo dia 08 de Julho, uma sexta-feira, com atendimentos semanais e gratuitos. Em breve, publicarei maiores informações.)

Um Abraço Dado…

Quero te abraçarMeu último post foi há 9 meses atrás. Neste meio tempo, mudei de casa, de trabalho, de cargo. Minhas atribuições aumentaram exponencialmente, porque compreendi que meus propósitos e minha tarefa espiritual passa obrigatoriamente pela construção de uma base material.

A mudança é difícil porque as preocupações me mantém longe do estado de espírito ideal para a canalização das mensagens. Muitas vezes elas chegam em momentos em que eu não posso parar e, quando finalmente tenho um tempo para mim, não consigo mais lembrar de todo o teor da mensagem. Mas é o preço a se pagar por dedicar-se um pouco mais à carreira profissional.

Vó Benedita, Seo Morcego, Seo Zé Pilintra… todos são companheiros inseparáveis e continuam a me passar informações e ensinamentos preciosos. Aprendi a encarar o meu dia-a-dia como parte do meu Sacerdócio – a cada nova amizade, a cada novo encontro, há sempre uma oportunidade de auxiliar, de ser útil, de passar aos outros um pouco da fé e da confiança que, aos poucos, cresceram em mim.

Há pouco mais de um mês me foi anunciada a necessidade de iniciar meus trabalhos como Sacerdotisa de Umbanda. Ainda não tenho casa própria para tanto, mas ainda assim os amigos se oferecem, as oportunidades chamam, e a gente segue em frente com a tranquilidade de quem se sente apoiado constantemente por forças que poucos compreendem. Ao que tudo indica, será no mês de Maio o primeiro encontro dos trabalhadores da Casa da Vó Benedita… e aos poucos estou recebendo os detalhes.

Um deles, me chegou através desta mensagem… Vó Benedita, incorporada nesta sua médium, explicava à assistência, mais ou menos assim:

“Na natureza, tudo é energia. Até aquilo que a gente acha que é matéria, é energia. E energia é vibração, movimento, ritmo, pulsação. A gente vibra o tempo todo porque somos tudo formado por energia, por partículas pequenas de luz que brilham constantemente, igual o coração do Pai Olorum. Quando o coração do Pai Olorum bate, ele vibra uma onda de energia tão grande, mas tão grande, que essa onda é chamada de Onda da Vida… porque ela cria Vida. É do pulsar, do bater do coração de Nosso Amado Pai Olorum que surge toda a Vida no Universo. Não existe NADA, nenhuma mísera partícula de poeira, que não tenha sido gerada através da vibração desse coração poderoso do nosso Amado Pai. Num é lindo, fios? Essa velha acha lindo isso… hihihi…

Essa pulsação, essa vibração, continua existindo em tudo que é gerado a partir do Pai Criador de Tudo. Mesmo vivendo fora desse coração puro e poderoso, cada um de nós carrega bem lá dentro um pedacinho, uma Centelha, uma centésima infinita parte do Pai que nos mantém vibrando o tempo todo. Uns vibram com mais harmonia, outros com menos. Uns brilham mais, outros menos… mas, mesmo assim, todos continuam nesse pisca-pisca como estrelinhas divinas espalhadas pela Criação… é assim que o Pai sabe de tudo, vê tudo, conhece tudo. O Pai é Todo-Poderoso porque suas criaturas se espalham pelo Universo e vibram constantemente enviando a Ele suas energias, numa troca constante de informação e conhecimento.

Mas ocês vão se perguntar: nem todo mundo vibra luz, então como pode? Pois eu digo que todos vibramos luz, fios. Alguns em maior intensidade, outros numa frequência tão pequenininha que ela parece nem existir mais. Mas a luz, uma vez emanada do Nosso Amado Pai, jamais pode ser apagada, fios, jamais. Ela pode ficar fraquinha, fraquinha, pequenininha… mas sumir, isso num acontece não. Porque quando a luz do Pai some, a Morte acontece e a centelhinha volta ao Pai Amado, mergulha naquele coração imenso, e deixa de Ser. É como se fosse uma reciclagem, sabe fios? Pra ocês entenderem melhor, é como ouro – ocês pode misturar ele com o que quiser, ele pode inclusive mudar de cor por conta disso, mas jamais vai de deixar de ser o metal precioso que é. Hihihi… é assim, fios, é assim…

É por isso que hoje a Vó vai explicar procês porque um abraço dado de bom coração é mais que um abraço, é uma bênção! Vosso coração físico fios é a morada dessa energia do Pai Maior. É ele o reflexo físico dessa vibração de amor que o Pai colocou em cada um de nós quando nos gerou. A cada pulsação desse coração físico, cada uma das células vibram, e a energia gerada emana no extra-físico, fazendo da sua aura, do seu envoltório energético, uma capa luminosa que atrai tudo e todos em volta. É aquela pessoa que todo mundo quer ficar perto, né fios? Aquela pessoa com quem é bom conversar. Aquela pessoa que parece que expande e espalha alegria por onde passa. É a energia pura do coração do Pai Maior.

Mas quando esse coração entristece, enrijece, se atrapalha, aí é quando a doença aparece, o pânico toma conta, e aquela dor no peito não passa por mais que a gente tome remédio, né fios? É aquela coisa que parece que tem uma mão enorme apertando o coração da gente… dói fios, dói. Mas a natureza é sábia… e quando ocê abraça um irmão de verdade, assim, de frente, de peito aberto, esse seu coração entra em sintonia automática com o coração do outro. E quando isso acontece os dois corações se conversam, sabe fios? É automático porque foi assim que eles foram programados pra ser, fios. Então eles se conversam e eles tentam se regular um ao outro. Um vai acalmando o outro, um vai remodelando o outro e quando ocê menos espera o seu coração já está batendo melhor, fios. A tristeza continua lá, mas de repente ela deixa de estar assim tão pesada. A preocupação continua, mas ocê compreende que ocê não está só no mundo, que tem gente boa pra te ajudar a levantar se ocê cair.

É por isso que bebê gosta tanto de ficar perto do coração da mãe, fios. É por isso que quem se ama tem tanta necessidade de abraçar… é porque o coração conversa quando a gente se abraça de verdade. E quando o coração conversa, ele cura. Mesmo sem a gente perceber, ele cura.

Então a partir de hoje, quando o nêgo velho ou a nêga velha te abraçar no final da consulta, ocê entenda que o abraço faz parte da cura, fios, faz parte da troca. E quando ocês tudo ouvir a canção que diz que um abraço dado é uma bênção… aí ocês hão de lembrar dessa nêga que vos fala e hão de sorrir por dentro, porque nesse momento esse coração da nêga há de abraçar cada um de ocês.

Fiquem em paz, fios. A Vó Abençoa e Abraça todos ocês em nome do nosso amado Pai Olorum.

Que a próxima Lua Grande nos traga muitos abraços de bom coração! Hihihi…

Atotô!

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Dica minha: Enquanto Vó Benedita me passava esta mensagem, mostrou-me nitidamente uma imagem energética brilhante e linda. Não consigo reproduzi-la, mas ela era muito similar  ao padrão chamado popularmente de TORUS. Para saber mais, procurem e pesquisem pelo padrão de energia chamado TORUS, um padrão em que toda a vida planetária se baseia e vibra. 😉

TORUS_CORES

Além disso, tem esses links aqui:

 

Noite de Halloween (Shabbat de Samhain)

 

 

Dançaremos
a dança dos dias moribundos
e da vida que dorme.

Dançaremos
sobre folhas mortas, frias,
a chama humana e espiral da união.

Dançaremos
enquanto o Deus Cornudo cavalga
pelos céus

Dançaremos
à música da corrida de Seus cães
farejadores, uivando em coro

Dançaremos
com os fantasmas daqueles
que já se foram

Dançaremos
sob o olho escurecido de Samhain
Dançaremos.

Samhain2012-2

Eu cresci em uma pequena comunidade ao lado de uma grande colina, e digo isso, porque era lá que realizávamos nossas festas. Oito vezes por ano, todos subíamos ao alto da colina, e realizávamos os diversos ritos de comunhão e agradecimento à Deusa Mãe e ao Deus Cornudo (Cernuno).

Mas de todas as festas, sempre a que mais me atraiu era a da noite em que celebrávamos o fim dos dias quentes e início do frio e das noites mais longas (Samhain). Era o descanso da amada Deusa, que iria repousar pelos próximos seis meses para se refazer e poder novamente verter os frutos de seu ventre e de sua terra.

Naquela noite, enormes fogueiras eram acesas no alto da colina, e lá passávamos do entardecer ao amanhecer, em profunda comunhão com o que havia de sagrado nesta terra.

Derramávamos sobre o leito da Deusa todo o nosso amor por ela, e por seu par, o Deus Cornudo. Esse amor vinha na forma de nossas preces, de nossos cânticos, e do amor que era transmitido entre Druidas e Bruxas.

Naquele tempo o pecado Judaico ainda não havia se enraizado em todas as terras, e o amor daquelas relações era puro e verdadeiro. Era o amor que a Deusa e o Deus tinham por si e por seus filhos, e desse amor, frutos eram colhidos e recebidos com todo carinho por nós. Grandes Druidas e grandes Bruxas nasceram do amor celebrado naquela noite, assim como de outras noites de celebração.

Mas conforme o tempo passou, minhas obrigações de Druida me obrigaram a deixar o seio da minha família, pois às mulheres cabia a prática da magia, da cura, da preparação dos unguentos e poções. Os homens mais novos eram responsáveis pela caça e pela colheita das ervas e flores. E conforme amadureciam, eram mandados para as cidades, inicialmente para realizar o comércio, pois era uma época perigosa para qualquer mulher andar sozinha, e quando atingiam o conhecimento necessário, eram enviados para procurar as curandeiras, parteiras, magas e bruxas das cidades mais distantes e lhes transmitir novos conhecimentos.

Vale a pena lembrar que naquela época não havia o medo que hoje existe destas pessoas; ao contrário, em todo lugar, a curandeira era celebrada, e quando um Druida chegava era bem recebido, pois nosso interesse era sempre ajudar e ensinar.

E os anos se passaram, e eu quase sempre ficava afastado de minha família, de minhas irmãs e irmãos… mas todo ano, quando o outono se aproximava, eu retornava para celebrar mais uma festa e ver as fogueiras queimando e iluminando o céu.

Quantas vezes fui escolhido para representar a fertilidade do Deus Cornudo e assim amar o ventre gerador da Grande Mãe! Quantas vezes amei apenas ficar sentado, sentindo o amor que eles tem por nós me inundar!

Mas os tempos estavam mudando, a Cruz que se espalhou com grande facilidade pelo seu recado de amor e fraternidade agora queimava com aço e fogo. E foi assim que retornei ao lar ao final de mais um longo período viajando, e de longe o cheiro de carne torrada invadiu minhas narinas. Corri o mais rápido que pude para o alto da colina, e lá estava a grande Cruz fincada bem no meio e, ao seu redor, fogueiras terminavam de queimar, centenas delas… queimando minhas irmãs.

Duplamente covardes aqueles que matam em nome de Deus, pois são incapazes de atribuir-se a responsabilidade por seus atos criminosos!

Ali permaneci, estarrecido, ouvindo os gritos e gemidos de choro, e quem chorava não eram as almas de minhas irmãs queimadas, pois elas já estavam longe, amparadas. Quem chorava era a própria Deusa, que via seu chão sagrado maculado com o verdadeiro pecado: o sangue dos inocentes.

Odiei aquela cruz! Odiei cada Padre ou Frei que conhecia, mesmo racionalmente sabendo que eles não compactuavam com aquelas barbáries… e ali, naquela colina, morri odiando terem me tirado o que aprendi tanto a amar.

Mas a vida não é ódio, e ele nunca pode nos conduzir. Não tardou para o ódio me consumir e eu consumi-lo de volta, e então segui minhas existências amparado pelo Pai, que também é a Mãe, pois desde aquela época sabíamos que a fonte geradora é uma só – é a vitalidade fertilizadora Masculina, mas também é o ventre gerador Feminino.

Eu relato aqui curtamente minha história para que vocês entendam um pouco mais sobre essa noite que celebram hoje. Libertem-se das idéias pré-concebidas e saibam que a história sempre é contada pelos vencedores… e o pouco que resta da nossa fé é sombra do que foi outrora.

(Inspiração enviada ao meu marido e assinada por um espírito que se nomeou apenas como Druida. Nossos mais sinceros agradecimentos por suas palavras esclarecedoras.)

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Para saber mais:

(Introdução, revisão e formato por esta que vos escreve tão raramente hoje em dia…)

Aviso aos desavisados

Eu tenho amigos católicos.  Tenho amigos batistas. Tenho amigos judeus. Tenho até amigos ateus. Do mesmo modo, tenho amigos solteiros, homossexuais e heterossexuais. Tenho amigos negros, brancos, ruivos, japoneses, chineses. Tenho amigos que são doutores, mestres. Tenho outros que só tiraram o diploma do segundo grau. Tenho amigos casados, divorciados, separados, com filhos e sem. Tenho amigos que adotaram crianças e outros que fizeram um ou outro aborto.

Gosto de todos eles. São todos meus amigos, e se precisarem de mim, basta que me peçam – se estiver ao meu alcance ajudar, estenderei a mão com prazer. Porque eu sou assim. Porque desde criança eu aprendi que o respeito vem em primeiro lugar e que a gente não faz aos outros aquilo que nós não queremos para nós mesmos. Não sou nenhuma santa, apenas tento, todos os dias, lembrar-me disso, seja com relação a um animal, a uma planta, ou a uma pessoa. Aprendi assim e tento viver minha vida assim.

Aos 34 anos de idade encontrei uma religião que pensa como eu penso. Uma religião cujos valores estão pautados no respeito a tudo e a todos, e no serviço à humanidade como um todo, sem olhar cor, crédito,  crença, orientação sexual, ou conta bancária. Apaixonei-me por ela e trabalho agora, ainda mais, por disseminar essa maneira de viver, de respeitar o próximo,  porque agora além dos meus valores pessoais, eu tenho os meus valores religiosos a me guiar.

Pensando nisso, eu tento, na medida do possível, não postar ou publicar coisas que possam afrontar a religião ou os valores dos outros. Portanto, se você vem até esse blog ler alguns dos posts, respeite minhas opiniões e, principalmente, respeite a Umbanda Sagrada.

Você pode não concordar, tudo bem, eu vou publicar seu comentário e vou te responder com a maior educação.  Mas nunca, jamais, em tempo algum, diga que só o “seu deus” salva. Porque para mim só existe um Deus e Ele está em TODAS as religiões. Afinal de contas Ele é nosso Pai, nos deu o livre arbítrio de chegar a Ele da forma que melhor nos servir, mesmo que sejamos ateus.

Não se atreva a vir aqui falar do demônio,  de satanás. Eu já disse mais de uma vez que não acredito nisso, e que os únicos demônios do mundo somos nós mesmos com nosso egoísmo e falta de caridade. Portanto, não se atreva a vir aqui falar dessa alegoria para manter crianças obedientes, ok?

Por fim, jamais fale mal dos orixás neste blog. Não diga que Eles são obras demoníacas,  porque você nem mesmo sabe o que fala. Eu sou médium de Umbanda, e se fosse só isso, eu provavelmente apagaria seu comentário e pronto. Mas, além disso, eu sou Sacerdotisa da minha religião. Eu fiz minha consagração aos 14 orixás da Umbanda Sagrada, entreguei minha vida ao serviço da caridade através Deles. Tenho, portanto, a obrigação de repudiar quaisquer comentários do tipo e de defender e minha religião frente e qualquer desavisado que me diga tais absurdos. Lembre-se de que eu não vou a nenhuma página católica falar mal de Jesus. Sendo assim,  não venha aqui falar mal dos orixás,  porque para mim eles têm exatamente e mesma importância que Jesus tem para você.  Não brinque com a minha fé.

Eu desejo que nesse final de ano todos nós aprendamos o respeito ao próximo,  de verdade. Que a gente aprenda que não importa o caminho escolhido, todos viemos da mesma Fonte, e todos, sem exceção,  voltaremos a ela um dia. Portanto, peço a Deus que todos nós aprendamos realmente a ser irmãos de caminhada – cada um a seu modo, mas todos juntos desejando o bem maior da humanidade.

Tenham um excelente Ano Novo! Axé!

Iansã no Campo Santo

Hoje de madrugada me peguei numa vigília, nem acordada, nem dormindo, pensando, e vendo, Iansã…

Estava às portas de um cemitério quando a vi passar como vento da esquerda para a direita. Saudei-a e entrei. Enquanto caminhava entre túmulos e árvores, rezava mentalmente:

“Mãezinha, cá estou. Vim saudar àquela que com seus Mistérios protege este Campo Santo. A Senhora de Balê que zela pelas almas em tormento, presas aos seus negativismos, aos tormentos da vida material que já é finda, mas que elas não conseguem esquecer. A Mãe que auxilia a queimar e transmutar todo o carma e dor dessas almas através da paciência e do tempo. Com seu chicote certeiro lá vai minha Mãe arrebanhando alma por alma, trazendo-as sob seu Poder, para então fazê-las dormir o sono do porvir, esperança da alma que sofre e que precisa reencarnar para então, uma vez mais, tentar reconciliar-se com sua consciência…”

Lembro-me somente desta parte, mas sei que rezei por muito mais tempo, mentalmente, enquanto caminhava. E então Iansã ventou, e o vento espalhou-se por todo o local com um dourado brilhante que espargia línguas de fogo como raios de luz. Percebi que quando minha Mãe ventava, o Campo Santo adormecia, como se aquelas almas sofridas tivessem um momento de alento, de descanso, como quando nossa mãe terrena sopra nossos machucados físicos e nos dá um beijo… assim era o vento de Iansã ali naquele lugar – era o alívio às dores de todos. Eu senti seu amor por aquele local e por todos que estavam ali em sofrimento e espera, me emocionei e ajoelhei-me aos pés do Cruzeiro Santo. É difícil descrever… porque o que é mais bonito que um Orixá quando te olha de frente? Até agora, eu choro… porque nesses momentos a gente sente como tudo aqui na Terra realmente é passageiro, e como temos as bênçãos dos céus a nos guiar sempre.

O cruzeiro incendiou-se de luz e ela apareceu flutuando à minha frente em sua vestimenta Yorubá, em maravilhosos tons de amarelo, dourado e branco. Na mão direita um sabre curto e curvado, na esquerda seu chicote. Uma coroa brilhante sobre a cabeça e finíssimos fios de ouro desciam sobre seu rosto. Sua pele negra brilhava como se estivesse coberta por purpurina… linda! Só posso dizer isso: Linda!

Recebi seu abraço sem que ela me tocasse. Era quente e parecia-se com um turbilhão rodando em volta de mim. Impossível levantar daquele chão diante de tal grandeza de Poder e Mistérios. Ouvi seu agradecimento, e a voz era melodiosa. Só então eu notei que tinha trazido a ela um buquê de rosas amarelas e havia depositado as flores aos seus pés. As flores incendiaram-se e sumiram e no mesmo instante mil pétalas douradas caíram do céu sobre minha cabeça… tinham um perfume delicioso, indescritível, e conforme tocavam o solo, desintegravam-se.

Eu acordei, sem me dar conta de que hoje o dia é Dela. Salve Mãezinha, Eparrei! Sopra nossas dores, mãezinha, alivia nossas angústias e tristezas; dá-nos o beijo mágico que cura e refaz, e permita-nos assim dormir o sono dos justos sob teu amparo Divino.

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Iansã ou Yansã é a Orixá da Lei, feminina, absorvente, que faz par com Ogum e assim regem sobre o elemento AR e sobre a Lei Divina. Em seus múltiplos campos de atuação, Iansã de Balê é a Senhora do Campo Santo, a Orixá que guia as almas sofridas ao descanso no cemitério, mantendo a Lei e a Ordem por lá. No catolicismo foi sincretizada com Santa Bárbara. Para saber mais:

Preto velho tá cansado…

preta velha

“Preto velho tá cansado de tanto trabalhar…”

Esse ponto diz que nego véio tá cansado… e tá certo, fios, esses nego véio tá tudo cansado. Mas num é de tabaiá não, fios. Nega fala pra ocês que esses nego véio tão tudo cansado de falar, falar e perceber que ocês num ouve. Nego véio ensina, dá exemplo de conduta, conta como foi lá nas senzala de antigamente, mas ainda assim ocês tão tudo caminhando pra trás, fios… tudo caminhando pra trás.

São muito poucos no meio de ocês que entende os nego véio. Pra que tanta desesperança, tanta sanha de fazer o mal pro irmão? Pra que tanta inveja, tanto olho grande em cima daquilo que não foi predestinado pra ocê, mas sim pra outro? Porque tanta magia sendo feita pra derrubar irmão, pra diminuir a luz, pra espalhar as lágrima? Acaso foi isso que os nego véio tudo ensinô?

Foi não, fios, foi não… nego véio ensinô perdão, ensinô amor, ensinô amizade, ensinô fé. Nego véio dá testemunho de tudo isso toda vez que filho de fé veste o branco e pisa num terreiro. Então porque ainda não entenderam?

Essa nega diz pra ocês agora que pior que a escravidão de antes é essa vossa escravidão de hoje – ocês são escravo da ilusão. A verdade tá na frente de ocês, ela é repetida pra ocês todo dia, em todo lugar, seja no terreiro, seja no templo, seja na igreja, seja na sinagoga. O santo nome de nosso pai Olorum, tome ele a forma que tomar, é repetido um milhão de vez, fios… e seus mandamento são espalhados por todo o planeta.

E ainda assim… ainda assim ocês continuam matando, continuam poluindo com seus pensamento, palavras e atos. Ocês continuam negando a origem divina de ocês. Mas a vó agora pergunta: porque fios? Acaso esse modo de ser traz alegria? Traz prosperidade? Traz liberdade?

Fios, nesse dia em que ocês tão amorosamente lembram desses nego e dessas nega, a vó pede, ou melhor, a vó implora: saiam da ilusão, fios! Comecem já a ser a luz no mundo que ocês vieram ser, e deixem de lado os título da matéria. Porque grau, fios… grau de verdade, o espírito só consegue quando prova sua lealdade e sua passividade diante das leis do Criador. Aqui, do lado de cá, não existe um único coroado que não tenha antes sido colocado à prova na dura estrada da perda, do desamor, da tentação de todo tipo, fios. E depois de ter vencido a si próprio, vem esse discípulo estudar e aprender o jeito de ser da Aruanda. E o espírito então estuda, aprende, e estuda um pouco mais. Sempre no silêncio, sem questionar a seus superior, fios. Neste tempo em que estuda é observado seu ego, seu orgulho, seus pensamento, seu temperamento, sua fibra interior. E só então, tendo sido aprovado depois de muito tabaio e estudo, se vê coroado o espírito e graduado o ser naquilo a que se dedicou com afinco, amor e determinação.

Então fios, não pensem ocês que grau se ganha de forma fácil. Esses tudo nego véio e nega véia que hoje vem até ocês com um dedo de prosa e um abraço, fios… tudo passaram por isso e muito, muito mais. Não se deixem enganar pelas falsa promessa de iluminação, fios. Isso não existe. Não se deixem enganar por palavras bonitas, ou por cargo passageiro na Terra… isso tudo é empréstimo da Vida para vossa evolução.

Grau alcançado é grau tabaiado, fios. E é grau validado a todo momento também, porque num pense ocês que porque essa vó ganhou título em Aruanda pode deixar de vigiar, de estudar ou de aprender… porque não pode não!

Aruanda hoje faz festa, fios. Mas a festa só vai realmente ser completa no dia que ocês aqui na Terra começá a intendê e aplicá tudo aquilo que esses nego véio fala e ensina.

Até lá, fios, vamo tabaiá! Vamo tabaiá que a corrente que prende ocês tudo ainda tá muito grossa, fios!

Salve!