Parabéns, Allan Kardec

Passeio muito entre os blogs espiritualistas e de nova era por aí. Já li muita coisa boa, e muita, mas muita, coisa ruim. Os que mais me incomodam, devo admitir, são aqueles que, embora preguem que a mudança no mundo se faz necessária, também fazem questão de dizer que Deus, A Fonte, é uma ilusão e que todos os grandes avatares da humanidade foram, ou são, artifícios de alguma raça extra-terrestre que nos quer dominar por completo. A maioria desses sites e blogs é bem pessimista e fica alardeando rumores de destruição, matança, guerras e outros horrores entra dia, sai dia.

Em alguns deles, inclusive, já li ataques à pessoa de Allan Kardec. Não sou Espírita, mas já freqüentei muitos centros de “mesa branca” como se costuma chamar por aí. Também já passei os olhos por quase todas as obras do autor, e todas possuem muitas informações importantíssimas, e de cunho científico, sobre magnetismo, fisiologia do espírito, reencarnação, etc.

Dão a Kardec a alcunha da maçon mancomunado com as Elites Mundiais que apregoam a tal Nova Ordem Mundial. Pregam, estes sites, que estamos vivendo numa ilusão e que nada disso aqui na tridimensionalidade é real. Minha primeira reação seria dizer: sente pelado sobre um formigueiro e depois tente dizer que a dor não é real…

Mas eu logo realinho os sentimento e digo o seguinte: por um lado, têm razão essas pessoas; a vida material na tridimensionalidade é ilusória, porquanto que o espírito é eterno e nossa real vida está “além”. No entanto, ao mergulhar no corpo de carne, o espírito tem por obrigação melhorar-se a contento, revendo e repassando fatos, amizades e inimizades até que se considere apto a conviver permanentemente numa dimensão onde sentimentos e emoções governam por completo sua vida e a dos demais.

Façamos um exercício – imaginemo-nos sem o corpo físico, numa dimensão onde tudo aquilo que vibramos (seja por pensamento, fala, emoções ou sentimentos) atraímos IMEDIATAMENTE. Quantos de nós conseguiriam ter equilíbrio emocional suficiente para não criar problemas para si nos primeiros 5 minutos de vida num local assim? Eu tenho minhas dúvidas se eu conseguiria, sinceramente…

Há que se entender então que o corpo de carne e a tridimensionalidade não é castigo ou prisão ao qual estamos lançados por algum capricho energético da natureza – o corpo físico é o invólucro que permite a você, a mim, a todos nós convivermos de maneira menos turbulenta enquanto treinamos mente e emoções. O corpo físico é um presente para a alma atormentada que, de outra maneira, atrairia para si todos os horrores que sua própria consciência cria a cada segundo.

Então para que inventar histórias e demover de sua grandeza aquele a quem devemos tanto por ter tido a capacidade, a coragem, a inteligência e a sagacidade necessárias para desvendar o mundo espiritual e trazer-nos informações tão incrivelmente valiosas?

Faço minhas as palavras de muitos Guardiões de Umbanda: Não blasfemem!

Allan Kardec não foi e nem é santo. Também não foi e nem é livre de erros. Mas, enquanto esteve aqui encarnado entre nós dedicou sua vida aos estudos e, mais tarde, à ciência do espírito. Era ateu e não possuía religião alguma mas, como cientista, foi impecável, pois colocou de lado quaisquer dogmas ou pré-conceitos e trouxe luz onde antes havia as trevas da ignorância. Kardec não criou religião alguma e sempre manteve a bandeira de pesquisador e nada mais quando o assunto era o espírito. Mas como toda alma brilhante, em muito pouco tempo apoderaram-se de seus escritos e fizeram dele um “líder religioso”. Apesar de Kardec sempre ter defendido que o estudo dos espíritos estava apenas começando com aquele seu trabalho, e que seus livros e publicações deveriam ser constantemente revistos, hoje suas obras foram colocadas em um pedestal e ai daquele que ouse discordar de algo… uma pena realmente, posto que o grande cientista sempre desejou que seus estudos não estagnassem.

Hoje, 03 de Outubro, comemoramos o nascimento deste grande espírito na Terra. Quero deixar aqui meu agradecimento ao seu espírito crítico, à sua coragem, aos seus erros e acertos, pois foi ele o precursor do livre pensamento espiritualista.

Parabéns Prof. Rivail. Que nasçam ainda muitos mais como o senhor!

 

Para quem quiser saber mais sobre a história deste incrível homem da ciência:

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E agora?

Quarta, 21 de Junho

Então, vocês lembram que eu não sabia que horas as reuniões começariam, certo?

Ok, voltei pro quarto e liguei (pela centésima vez) para o celular do gerente que eu devia encontrar aqui… Nada.

Muito bem, tive então a (brilhante) idéia de ligar para a menina que pediu os meus serviços, em Israel. Liguei e deixei recado. Eram 10 para as 8 da manhã. Resolvi esperar até as 8, e depois me dirigir ao escritório da empresa aqui na França, que fica bem próximo do hotel onde estou.

Como mágica, oito horas em ponto toca o telefone do quarto – era ela. Bingo!

Ela me disse que estava tentando entrar em contato com alguém que pudesse me informar alguma coisa e que não era para eu sair do quarto antes de falar com ela de novo.

Certo… fico eu lá sentadinha do lado do telefone. Mais 5 minutos e o gerente me liga, me informando que as reuniões tinham sido postergadas em um dia, é só começariam na quinta.

Aí, eu meio fula da vida, falei pra ele que estava tentando falar com ele desde ontem à noite… ele me disse que estava voando para a França na noite anterior. Aí eu disse que tinha ligado pra ele também bem cedo naquela manhã… ele, como bom israelense, me disse que era muito cedo pra ele atender o celular… FDP!!! Pensei comigo, a mula aqui pode acordar às seis da manhã e ficar esperando, mas ele não podia me atender nem um minuto…

Eu faço o que então?

Aí eu disse pra ele que provavelmente iria para a empresa, porque eu não tinha o adaptador pra ligar meu computador (vocês se lembram né?). E ele disse que estaria no escritório por volta das 11 da manhã… bom, desliguei o telefone e me preparei para descer e perguntar como chegar ao endereço indicado. O telefone tocou novamente – era a menina de Israel, me dizendo que não tinha conseguido falar com ninguém.

Eu então expliquei toda a situação pra ela, e ela me disse que eu deveria comprar um adaptador e colocar nas despesas porque a empresa me pagaria… muito bem, lá vou eu descer e perguntar ao recepcionista do hotel onde eu achava a porcaria do adaptador (se ele me falar que é só andar 10 minutos, eu juro que mato!).

Desci, perguntei… muito bem, tem um mercado na esquina do hotel, do outro lado da rua, que vende de tudo – desde roupas até comida. OK, lá vou eu. Cheguei lá na porta, estava fechado.

Voltei. Falei pro recepcionista que estava fechado, e ele me disse que as lojas em Paris abrem às nove… olhei no relógio e faltavam 10 minutos. Pensei em perguntar porque ele não tinha me dito isso antes, mas deixei pra lá… cérebro de passarinho!

Subi pro quarto e decidi descer quando fossem umas 9:15, só para ter certeza de que a loja estaria aberta. Me aconcheguei no sofá. Liguei a TV… tudo em francês, e eu sem entender uma vírgula… desliguei.

Quando abri os olhos de novo, eram 11:30 da manhã!!! Caramba!!! Apaguei!!!

Croissant

Quarta, 21 de Junho

Fui dormir às 21:30 da noite passada, se vocês se lembram, tendo comido dois pedaços de uma pizza ruim pra dedéu. O interessante é que não havia nenhum rádio-relógio no quarto, e como eu não consegui carregar o celular… bom, a meleca estava feita.

Ok, vamos pro bom e velho Wake-up Call – no hotel onde eu estou existe este serviço. Você liga 81 e depois o horário que quer acordar. Por exemplo, 810715, faz com que o telefone desperte às 7:15 da manhã. Pois é, só que o quarto só tem um telefone, que fica na saleta. Tive que tirar o telefone da tomada e colocar no quarto. Depois coloquei o telefone pra despertar às 6:00, uma vez que eu não sabia a que horas as reuniões iriam começar.

Fui para cama e dormi quase que imediatamente. Acordei à meia-noite… droga! Sem sono nenhum… também, não era pra menos, no meu relógio biológico eram 7 da noite.

Fiquei rolando na cama feito peru no forno até às 4 da manhã… foi quando eu peguei no sono de novo.

E, logo em seguida, o telefone tocou – 6 horas. Que sono! Tomei banho, desci pro café… bom, daí é que eu fui ver o que os 9 euros valiam…

Foram os dois croissants mais caros que eu já comi na vida! Cheguei para tomar café às 7 da manhã, exatamente quando o serviço abria… olhei a bancada, na sequência: iogurte, manteiga, fatias de presunto (eu detesto presunto), queijo (um tipo só), queijo cremoso (pra passar no pão), água, suco de laranja, e… a máquina de café. Ué, acabou??? É, pois é. Me virei e vi uma cesta cheia de pães – croissants, baguetes, pão doce. Depois três tipos de sucrilho e leite. Acabou. C’est fini.

Ok, com tantas opções, deixa eu pensar… bom, vamos de croissant, uma vez que baguete na França é um pão duro pra dedéu, queijo cremoso, iogurte e suco. Está de bom tamanho! Para que mais?

É, só que eu podia comer tudo isso por 5 reais (talvez menos) e não 9 euros…

As tomadas!

Terça, 20 de Junho (putz, esse dia não acaba mais, não?)

Ok, ok… alguém já se preocupou com tomada quando vai viajar? Não? Pois devia…

Lá vou eu conectar meu laptop pra ver se a rede está funcionando, se eu vou conseguir mandar os emails que eu preciso mandar durante o trabalho aqui, etc. Bom, ligo o laptop, mas a bateria já era. Então pego o cabo de força e… bom, só se eu enfiar no nariz, porque as tomadas são todas diferentes aqui. Elas têm dois furos para pinos redondos, mais um pino, também redondo, que sai da própria tomada e que deve ser do fio terra, sei lá.

E agora? Como vou verificar o horário das sessões? E o celular? Como vou carregar?!? Merrrrde!

Bom, fácil, o hotel deve ter um adaptador… em Hong Kong tinha, em Seul tinha… em Paris tem que ter. Pois é, não tem. “Mas a senhora pode andar 10 MINUTOS até o centro comercial e comprar um…” ah, meu, porque todo mundo nessa cidade acha que eu vim pra cá andar? Que droga, me deixa! Eu não quero andar! NÃO QUERO!!! Eu nem comi ainda…

Bom, claro que eu não disse tudo isso pro cara, mas eu expliquei que estava sem dormir e com fome. Pedi o cardápio do PIZZA HUT pra poder pedir uma pizza e cair na cama. O cara, todo solícito, diz que tem uma pizzaria mais próxima e que se eu pedir de lá, chega mais rápido… tudo bem, vamos pedir de lá então.

Pois é, o mais rápido demorou 45 MINUTOS, e a pizza era uma droga!!! Mas a fome falou mais alto, eu comi e fui pra cama às 21:30 sem saber que horas teria que estar no cliente no dia seguinte, uma vez que não tinha conseguido falar em nenhum dos números de telefone que o israelense tinha me dado…

Botei o relógio pra despertar às 6 da matina e seja o que Deus quiser!!!

E o quarto do hotel era um tanto… peculiar.

Terça, 20 de Junho

O hotel é simplesinho, mas no melhor estilo “americano” de ser; ou seja, aquele quarto que tem uma saleta, cozinha americana com geladeira, microondas, pia… essas coisas todas que você nem quer chegar perto quando está viajando a trabalho, mas que o povinho norte-americano acha o máximo.

Perguntei do café da manhã… 9 EUROS!!! Porra! Vai servir o quê? Foia grais (é assim que escreve)??? Bom, de qualquer maneira, não tem jeito, TENHO QUE COMER. Fui pro quarto, que ainda tem chave dessas normais de porta… nem é cartão como na maioria dos hotéis. Mas, tudo bem.

Abri a porta e dei de cara com um corredorzinho de meio metro de largura. Juro. NÃO TO DE SACANAGEM. É a pura verdade. Aí, no final do corredor, um quartinho exíguo com uma cama de casal e um armário embutido… beleza… uns 15 minutos pra eu conseguir levar a mala até lá, porque ficava raspando na parede do corredor. Aí, cheguei no quarto, a mala não cabia dentro do armário… onde eu vou por essa meleca? Ah, depois eu vejo isso.

 

Voltei pelo corredorzinho, acendi o banheiro… ué, cadê o vaso??? Cara, ninguém c… nessa cidade não???

Dei meia-volta, saí do banheiro, continuei voltando pelo corredorzinho… logo do lado do banheiro havia uma porta… abri, e… o VASO!!!!! Achei!

Meu, é um cubículo de meio metro quadrado, com exaustor, e a porta não fica aberta, porque tem mola… eu, morrendo de medo de ficar presa nessa porcaria, só uso o vaso colocando um tênis na porta pra ela não fechar comigo lá dentro… vai saber…

corredor exíguo do quarto de hotel

corredor exíguo do quarto de hotel

 

o cubículo do vaso

o cubículo do vaso

 

Outro táxi

Terça, 20 de Junho

Caminhei os 10 minutos, desta vez no sentido certo, e cheguei ao ponto de táxi que pertencia ao HOTEL MERCURY.

Parle vous anglais?“, e o cara disse que não… bom, vamos lá, pra quem já foi pra China, isso aqui não é nada.

Mostrei o mapa pra ele com o endereço do hotel, ele fez uma cara de “ah, eu sei onde é!”, colocou minha mala no carro, eu entrei, e nós seguimos.

Bom, a essa hora eu já tinha gasto 40 euros com o outro táxi e só tinha mais 20. Fiquei rezando pra ser perto, porque senão eu estava fudida.

Era razoavelmente perto – 10 minutos de carro. Cheguei, paguei, entrei na recepção do hotel – só que daí eu já cheguei com os dois pés no peito: “Good afternoon sir. I have a reservation in the name of…” blá, blá, blá… e o cara com os dois olhos arregalados tentando me acompanhar… hahahaha! Vingança é um prato que se come frio mesmo… afinal de contas, já eram 6 horas da tarde!

Nunca comemore antes do tempo…

Terça, 20 de Junho

Eu, no check-in do hotel – “Vous parlé anglais?“, e o cara, um pouco mais simpático (mas 20 vezes mais lindo que qualquer coisa que eu já tinha visto na vida!), responde “Yes“. Eu peguei minha reserva, mostrei. Ele bateu o olho, deu um sorriso que iluminou mais ainda o dia, e respondeu – “Sorry, you are not here.“… e eu “what?!?“. Aí, o Deus Francês me explica que existem dois hotéis com o mesmo nome: um era Pierre & Vacances City, e o outro Pierre & Vacances City du Parc (esse era o meu) e, é claro, eu estava no lugar errado. E sem táxi pra ir pro lugar certo.

Ok, vamos sorrir pro lindo e pedir um táxi. “Can you call me a cab?” e ele me diz que não, que tinha um ponto de táxi à minha direita, que era só andar uns 10 MINUTOS!!!

Bom, aí eu mostrei a mala, falei pra ele que não ia ser fácil andar com aquilo tudo na mão… ele, já não tão simpático, diz “OK”, pega o telefone e liga. Cinco segundos depois, vira pra mim e diz que ninguém responde. E que eu ia ter que andar mesmo, mas que era bem pertinho.

Olha, eu queria um palavrão bem grande pra eu colocar aqui, mas não achei nenhum que representasse o tamanho da minha “putisse” quando o cara fez isso.

Tudo bem vai… Vamos lá… andando – move your ass!

Andei uns 10 minutos, não achei o tal do ponto de táxi. Fiz sinal para vários taxistas no caminho – nenhum deles parou… PQP!

Voltei. Voltei disposta a enfiar a mão na cara do bonitinho e dizer pra ele que eu só saía do hotel quando ele me arrumasse um táxi.

Na esquina do hotel errado havia um hotelzinho furreca, meia-boca mesmo. Resolvi perguntar ali antes de cometer homicídio. “Hi sir, do you speak English?“, e o cara, num inglês impecável, com sotaque de lord inglês mesmo, disse que sim.

Expliquei minha situação, ele super prestativo me levou até a esquina e apontou pra mim onde estava o ponto de táxi – eram 10 minutos andando mesmo… só que era pra ESQUERDA e não para a direita como o francesinho de meia-tigela tinha me dito… desgraçado!