Quem pode mais

Talvez eu já tenha contado esta história… em partes. Então, me perdoem se sou repetitiva.

Há 9 anos eu conheci uma casa de Umbanda Sagrada na zona sul de São Paulo. Na época, estava desempregada há 6 meses e os trabalhos como free lancer estavam rareando. As contas se avolumavam e o desespero aumentava todos os dias… nessas horas, a gente se agarra a Deus mais do que nunca, e foi isso que me levou à Casa do Pai Benedito.

Era dia de Gira de Ciganos. O cigano que me atendeu perguntou meu nome e quando eu disse “Sarah”, ele respondeu que eu havia chegado no dia certo… eu sorri, afinal Santa Sara é a protetora do Povo Cigano e ali estava eu buscando auxílio. Seis meses depois, já como frequentadora assídua da casa, passei por uma consulta com Seo 7 Ondas, que muito sabiamente me disse que eu deveria fazer um trabalho para Mãe Iemanjá, solicitando àquela Orixá que gerasse novas oportunidades em TODOS os campos da minha vida.

Para encurtar história, esta dita consulta ocorreu no início de Dezembro. Ao final de Janeiro comecei a namorar. No carnaval fiquei grávida. Em Março fui contratada e voltei a trabalhar. Em Abril estava casada… Ufa! Iemanjá não brinca em serviço. 🙂

Muitas idas e vindas depois desta consulta com o Marinheiro, e já com a vida totalmente mudada, me matriculei na segunda turma do Curso de Magia Divina das 7 Chamas Sagradas, e passei a frequentar a casa mais vezes na semana. Foi meu primeiro grau de Magia Divina… depois deste cursei mais 17 graus de magia, tanto na Casa do Pai Benedito, quanto no Colégio Tradição de Magia Divina.

Foi nesta mesma Casa de Fé que eu cursei a primeira turma do Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – era um curso de seis meses, somente teórico. Fiz meu desenvolvimento mediúnico em 2009, junto com a segunda turma do mesmo curso, já com minha bebê pequenininha. Fui coroada Médium de Transporte por Pai Benedito de Aruanda. Comecei a frequentar as giras de atendimento como Cambone, mas em poucos meses comecei a ser chamada para atendimento. Primeiro com meu Exu Mirim, depois com Vó Benedita, depois com minha Pombogira… e quando vi estava atendendo em todas as giras, sendo coroada Médium de Atendimento da casa cerca de 3 anos depois daquela primeira Gira de Ciganos. Foi um tempo relativamente curto, mas muito bom, de muito aprendizado.

Cerca de um ano depois, já em 2011, Vó Benedita começou a solicitar-me o estudo do Sacerdócio Umbandista. Como todo “bom” médium, achei que era coisa da minha cabeça… afinal, eu não tinha essa missão na vida. As solicitações tornaram-se repetitivas. Pessoas, amigos, irmãos de fé – todo mundo, do “nada”, começou a brincar comigo, perguntando quando eu abriria a minha casa. Eu neguei de todas as maneiras possíveis, tenho que admitir. Mas a verdade é que, no fundo, eu sabia que era isso que eu tinha que fazer, que ajudar é que me fazia feliz, que era isso que me fazia me sentir útil e viva e que quando chegasse a hora, eu não teria escolha, porque eu tinha sim assumido esta tarefa bem antes de nascer.

E assim foi… no início de uma gira de atendimento em 2012, meu amado Pai de Fé, Claudio Ricomini, solicitou que eu e mais duas irmãs médiuns da casa cursássemos o Sacerdócio Umbandista no Colégio de Umbanda Sagrada de Pai Rubens Saraceni. Foram meses e meses de estudo, de dedicação. Muitas oferendas, muitos amacis. Aulas memoráveis que eu nunca, jamais hei de esquecer. Mestre Rubens realmente coroou nossa caminhada com a sua alegria, o seu conhecimento e a sua disciplina. A ele, sou imensamente grata.

Em 2013, no ano em que me formei Sacerdotisa, Vó Benedita começou a cobrar-me a abertura da Casa de Fé… vendi meu apartamento, compramos uma casa, reformamos. Depois seguiram-se as firmezas necessárias à abertura da casa – primeiro ao Guardião Exu, depois à Guia Chefe da Casa, por fim à Guia de Frente que também é minha Guardiã Pombogira. Muitos gastos, muito tempo, muita dedicação. A cada passo dado, um frio na barriga, um medo a mais… mas também uma força estranha, uma certeza, que me foi invadindo e tomando conta. A cada dúvida, uma única resposta: “segue em frente, estamos juntos”.

Muita gente há de me olhar e pensar “como ela consegue?”. Vou dizer a vocês: Eu não consigo, porque não sou eu.

É a Vó Benedita… é Seo Morcego.

É a Rosa, Seo Zé, a Carmen.

É a Lili, o Pimentinha, a Iara.

É Seo Pena Branca, Seo 7 Barcas, Seo 7 Lanças.

É minha Mãe Iemanjá Cristalina, é Meu Pai Ogum Megê.

É Iansã de Balê e Obaluaê.

É Olorum…  e todos os Orixás, todos os Guias, Mestres, Mentores e Guardiões.

São eles gente… é deles este projeto, esta Casa, a minha coroa, a minha fé, a minha dedicação, a minha vida… é deles. Sem eles, nada disso existiria. É por eles a minha (aparente) calma, a minha disciplina, a minha certeza, a minha esperança. Porque eu creio, no fundo d’alma, na evolução do espírito através de suas várias existências e eu creio na Gênese Umbandista. Eu me lembro de muitas das minhas experiências anteriores e elas me ajudam a entender quem eu sou, porque eu estou aqui, e o que eu preciso para melhorar. Porque, como diz Vó Benedita, a fé pela fé não é nada; a fé pela fé, sem estudo, sem base, sem conhecimento, sem investigação, sem discernimento, é como castelo de areia – na primeira onda cai, desmancha, deixa de existir.

E é isso que eu quero passar pra frente. É nisso que eu acredito – que nós teremos um futuro melhor com pessoas melhores; pessoas com auto-conhecimento, que sabem de onde vêm e para onde vão. Pessoas boas, sadias de coração e alma. Não precisa ser perfeito, nem precisa ser Umbandista, precisa ser bom e querer ser melhor a cada dia, a cada passo dado. Precisa saber que tem defeitos e que precisa melhorar, porque esta é a razão da vida material neste planeta. As pessoas precisam resgatar isso de dentro delas. Elas precisam lembrar que existe algo além do acordar de manhã, trabalhar feito louco, enfrentar trânsito, comer qualquer porcaria, ganhar o insuficiente, e no outro dia repetir tudo de novo, esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria, para ser feliz.

A vida não é isso, gente. A vida pode, e deve, ser melhor. É preciso parar, avaliar, arriscar uma vida diferente, uma vida com mais propósito, uma vida onde a gente pode se sentir feliz e realizado todo dia, não só no final de semana, não só nas férias.

É por isso que a Casa da Vó Benedita existe, e é pra isso que nós vamos trabalhar e ensinar. É com esta bandeira, a bandeira de Oxalá, Pai dos Mundos e Senhor dos Espaços Infinitos, que nós vamos auxiliar o próximo. E se nós mudarmos uma única vida para melhor, se nós salvarmos da tristeza e do desespero um único pai de família que seja, eu já me sentirei realizada.

Porque, segundo o ponto cantado que Vó Benedita tanto gosta, “Quem pode mais, é Deus”.

Pois que seja feita a vontade d’Ele.

Axé!

(A Casa da Vó Benedita está prevista para ser inaugurada ao público no próximo dia 08 de Julho, uma sexta-feira, com atendimentos semanais e gratuitos. Em breve, publicarei maiores informações.)

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Um Abraço Dado…

Quero te abraçarMeu último post foi há 9 meses atrás. Neste meio tempo, mudei de casa, de trabalho, de cargo. Minhas atribuições aumentaram exponencialmente, porque compreendi que meus propósitos e minha tarefa espiritual passa obrigatoriamente pela construção de uma base material.

A mudança é difícil porque as preocupações me mantém longe do estado de espírito ideal para a canalização das mensagens. Muitas vezes elas chegam em momentos em que eu não posso parar e, quando finalmente tenho um tempo para mim, não consigo mais lembrar de todo o teor da mensagem. Mas é o preço a se pagar por dedicar-se um pouco mais à carreira profissional.

Vó Benedita, Seo Morcego, Seo Zé Pilintra… todos são companheiros inseparáveis e continuam a me passar informações e ensinamentos preciosos. Aprendi a encarar o meu dia-a-dia como parte do meu Sacerdócio – a cada nova amizade, a cada novo encontro, há sempre uma oportunidade de auxiliar, de ser útil, de passar aos outros um pouco da fé e da confiança que, aos poucos, cresceram em mim.

Há pouco mais de um mês me foi anunciada a necessidade de iniciar meus trabalhos como Sacerdotisa de Umbanda. Ainda não tenho casa própria para tanto, mas ainda assim os amigos se oferecem, as oportunidades chamam, e a gente segue em frente com a tranquilidade de quem se sente apoiado constantemente por forças que poucos compreendem. Ao que tudo indica, será no mês de Maio o primeiro encontro dos trabalhadores da Casa da Vó Benedita… e aos poucos estou recebendo os detalhes.

Um deles, me chegou através desta mensagem… Vó Benedita, incorporada nesta sua médium, explicava à assistência, mais ou menos assim:

“Na natureza, tudo é energia. Até aquilo que a gente acha que é matéria, é energia. E energia é vibração, movimento, ritmo, pulsação. A gente vibra o tempo todo porque somos tudo formado por energia, por partículas pequenas de luz que brilham constantemente, igual o coração do Pai Olorum. Quando o coração do Pai Olorum bate, ele vibra uma onda de energia tão grande, mas tão grande, que essa onda é chamada de Onda da Vida… porque ela cria Vida. É do pulsar, do bater do coração de Nosso Amado Pai Olorum que surge toda a Vida no Universo. Não existe NADA, nenhuma mísera partícula de poeira, que não tenha sido gerada através da vibração desse coração poderoso do nosso Amado Pai. Num é lindo, fios? Essa velha acha lindo isso… hihihi…

Essa pulsação, essa vibração, continua existindo em tudo que é gerado a partir do Pai Criador de Tudo. Mesmo vivendo fora desse coração puro e poderoso, cada um de nós carrega bem lá dentro um pedacinho, uma Centelha, uma centésima infinita parte do Pai que nos mantém vibrando o tempo todo. Uns vibram com mais harmonia, outros com menos. Uns brilham mais, outros menos… mas, mesmo assim, todos continuam nesse pisca-pisca como estrelinhas divinas espalhadas pela Criação… é assim que o Pai sabe de tudo, vê tudo, conhece tudo. O Pai é Todo-Poderoso porque suas criaturas se espalham pelo Universo e vibram constantemente enviando a Ele suas energias, numa troca constante de informação e conhecimento.

Mas ocês vão se perguntar: nem todo mundo vibra luz, então como pode? Pois eu digo que todos vibramos luz, fios. Alguns em maior intensidade, outros numa frequência tão pequenininha que ela parece nem existir mais. Mas a luz, uma vez emanada do Nosso Amado Pai, jamais pode ser apagada, fios, jamais. Ela pode ficar fraquinha, fraquinha, pequenininha… mas sumir, isso num acontece não. Porque quando a luz do Pai some, a Morte acontece e a centelhinha volta ao Pai Amado, mergulha naquele coração imenso, e deixa de Ser. É como se fosse uma reciclagem, sabe fios? Pra ocês entenderem melhor, é como ouro – ocês pode misturar ele com o que quiser, ele pode inclusive mudar de cor por conta disso, mas jamais vai de deixar de ser o metal precioso que é. Hihihi… é assim, fios, é assim…

É por isso que hoje a Vó vai explicar procês porque um abraço dado de bom coração é mais que um abraço, é uma bênção! Vosso coração físico fios é a morada dessa energia do Pai Maior. É ele o reflexo físico dessa vibração de amor que o Pai colocou em cada um de nós quando nos gerou. A cada pulsação desse coração físico, cada uma das células vibram, e a energia gerada emana no extra-físico, fazendo da sua aura, do seu envoltório energético, uma capa luminosa que atrai tudo e todos em volta. É aquela pessoa que todo mundo quer ficar perto, né fios? Aquela pessoa com quem é bom conversar. Aquela pessoa que parece que expande e espalha alegria por onde passa. É a energia pura do coração do Pai Maior.

Mas quando esse coração entristece, enrijece, se atrapalha, aí é quando a doença aparece, o pânico toma conta, e aquela dor no peito não passa por mais que a gente tome remédio, né fios? É aquela coisa que parece que tem uma mão enorme apertando o coração da gente… dói fios, dói. Mas a natureza é sábia… e quando ocê abraça um irmão de verdade, assim, de frente, de peito aberto, esse seu coração entra em sintonia automática com o coração do outro. E quando isso acontece os dois corações se conversam, sabe fios? É automático porque foi assim que eles foram programados pra ser, fios. Então eles se conversam e eles tentam se regular um ao outro. Um vai acalmando o outro, um vai remodelando o outro e quando ocê menos espera o seu coração já está batendo melhor, fios. A tristeza continua lá, mas de repente ela deixa de estar assim tão pesada. A preocupação continua, mas ocê compreende que ocê não está só no mundo, que tem gente boa pra te ajudar a levantar se ocê cair.

É por isso que bebê gosta tanto de ficar perto do coração da mãe, fios. É por isso que quem se ama tem tanta necessidade de abraçar… é porque o coração conversa quando a gente se abraça de verdade. E quando o coração conversa, ele cura. Mesmo sem a gente perceber, ele cura.

Então a partir de hoje, quando o nêgo velho ou a nêga velha te abraçar no final da consulta, ocê entenda que o abraço faz parte da cura, fios, faz parte da troca. E quando ocês tudo ouvir a canção que diz que um abraço dado é uma bênção… aí ocês hão de lembrar dessa nêga que vos fala e hão de sorrir por dentro, porque nesse momento esse coração da nêga há de abraçar cada um de ocês.

Fiquem em paz, fios. A Vó Abençoa e Abraça todos ocês em nome do nosso amado Pai Olorum.

Que a próxima Lua Grande nos traga muitos abraços de bom coração! Hihihi…

Atotô!

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Dica minha: Enquanto Vó Benedita me passava esta mensagem, mostrou-me nitidamente uma imagem energética brilhante e linda. Não consigo reproduzi-la, mas ela era muito similar  ao padrão chamado popularmente de TORUS. Para saber mais, procurem e pesquisem pelo padrão de energia chamado TORUS, um padrão em que toda a vida planetária se baseia e vibra. 😉

TORUS_CORES

Além disso, tem esses links aqui:

 

Ciganos na Umbanda

Gypsy Moth, por Josephine Wall

Gypsy Moth, por Josephine Wall

A visão que temos do povo cigano é a visão romântica herdada de lendas e mitos, amplamente divulgados principalmente pelos povos europeus. Mas historicamente há muito pouco registrado sobre este povo basicamente porque sua tradição sempre foi oral, o que praticamente proibia que seu conhecimento ancestral fosse escrito ou gravado. Do que se tem notícia, a origem cigana remonta à Índia, mais especificamente aos povos chamados ROMA. Rom, na língua cigana, significa “homem”.

Na Índia foram amplamente caçados, principalmente pelos Ingleses. Expulsos de suas terras, iniciaram sua migração passando por dentro da Rússia e Oriente Médio, depois pelos países europeus, espalhando-se então por toda a Europa e, tardiamente, pelas Américas.

Se formos colocar em números, é certo afirmar que o povo cigano foi mais perseguido e sacrificado que os próprios judeus. Infelizmente, a história não mantém registros oficiais dessa chacina cultural. Para o Europeu, branco, preso a valores que condenavam a alegria, a liberdade, o feminino, os oráculos, a cura com ervas, etc., a cultura do povo cigano era um verdadeiro atentado ao pudor, uma quebra constante das regras e ritos mantidos pela Igreja Católica, que não via maneira de apoderar-se da riqueza material e cultural daquele povo.

Espalharam-se mitos e lendas sobre um povo que era basicamente pacífico, que cultuava Deus como uma energia que permeava tudo e todos, e que possuía conhecimentos ancestrais muito mais valiosos do que os dogmas religiosos de então. Todo o conhecimento de magia, oraculismo, cura, etc., do povo cigano perdeu-se, encontrando-se disponível apenas nos registros imemoriais do Tempo.

A língua Romani tem muito do Indi, mas só é ensinada dentro das famílias que ainda mantém suas tradições. O canal por assinatura TLC mantém alguns programas que mostram famílias Romanis atuais em suas vidas nos Estados Unidos – “Meu Grande Casamento Cigano” é um deles. Terrível, decadente… mas vale como comparativo e como reflexão sobre como se destrói um povo e suas tradições.

Os Ciganos na Umbanda

O povo cigano dentro da Umbanda é categorizado como parte da Linha do Oriente, onde também podemos classificar alguns guias espirituais que trabalham nas linhas de cura (hindus, chineses, etc.) e até da esquerda (guardiões e guardiãs que se auto-denominam “Ciganos”, “do Oriente”, etc.). Foram acolhidos dentro das falanges umbandistas e trabalham sob a irradiação de Oroiná, orixá feminina da justiça, absorvente e negativa em sua polaridade.

Os ciganos trabalham muito bem em muitas frentes: corte de demandas, curas, prosperidade, amor. Temos ciganos e ciganas de todas as irradiações, mas eles transitam de um assunto ao outro com incrível facilidade e flexibilidade. Trabalham muito bem com metais (facas, punhais, moedas, caldeirões, tachos, correntes, ferraduras, etc.), pedras e cristais, todos os tipos de vegetais, frutas e flores. Usam desde leques, lenços, saias e chapéus, até guizos, pandeiros, tapetes, cordões e fitas em seus passes magnéticos. Riscam pontos utilizando pembas de todas as cores, e alguns poucos manipulam inclusive a cor negra de Exu.

Adoram tudo o que é colorido, vivo, alegre. As cores e nuances do fogo lhes são muito atraentes, assim como muitas velas acesas. Nas oferendas, podemos usar muitas flores; frutas secas (damascos e tâmaras, por exemplo) e todos os tipos de nozes; fitas, lenços e toalhas coloridos; chás (principalmente de hortelã e de frutas) aromatizados com paus de canela e/ou cravos; frutas frescas (as melhores são as maçãs, as uvas e as ameixas vermelhas, morangos e cerejas); sucos e ponches de fruta ou de vinho tinto; champanhe; água mineral; pães caseiros; tachos de cobre ou caldeirões dourados; velas de todas as cores, menos pretas; punhais, facas, adagas, correntes, pulseiras e anéis; copos ou taças decorados, de vidro ou de metal; alguidares ou caldeirões cheios de brasas bem vermelhas, ou com álcool combustível aceso; pequenas fogueiras. Nas vestimentas os ciganos normalmente pedem lenços que amarram no pescoço, na cintura e/ou na cabeça, enquanto as ciganas normalmente pedem saias rodadas e coloridas, xales e lenços. Alguns ainda são capazes de ativar os desenhos de um tapete, criando espaços mágicos maravilhosos e com múltiplas aplicações, uma vez que incluem várias cores e formas.

Os locais de firmeza dos ciganos serão normalmente aqueles mais condizentes com a irradiação com a qual trabalham – caminhos de terra, matas, clareiras, campos abertos, bases de pedreiras, margens de rios e cachoeiras, e até mesmo na praia.

Uma dica interessante que a Carmen manda a todos: Os ciganos prezam muito pela união da família, a harmonia entre os casais, o cuidado e o respeito com as crianças e os idosos dentro de casa. Portanto, a firmeza dos ciganos pode conter casinhas de madeira, gesso, porcelana ou metal, que ficam imantadas com a força desta proteção e depois podem ser levadas para dentro de casa como objeto decorativo e tornam-se portais absorventes das energias desarmonizadoras que tentam separar os membros da família, e expansor de amor e comunhão entre todos, constantemente.

De Natural a Guardião do Amor

Dianae - Pan and Selene

Meu ser é antigo. Talvez tão antigo quanto a formação deste sistema planetário. Eu e meus irmãos somos sustentados pelo Amor e pela energia Geradora Universal. Trabalhamos incessantemente para que a energia geradora se espalhe e a vida se multiplique por todos os lados, sob todas as formas, sejam elas materiais ou não.

Hoje em dia ficamos conhecidos pelas alegorias e pinturas dos Sátiros. Embora não tivéssemos exatamente a forma que hoje nos é atribuída, ainda assim, muito do que dizem era real na época em que as religiões naturalistas eram maioria sobre o vosso planeta. Nossa música e a energia que gerávamos a partir de nossas danças, de nossa alegria, criava a atmosfera perfeita para que os seres se unissem e gerassem de si a Vida. Assim, éramos oferendados durante os rituais de plantio e colheita, e no início da maioria das estações do ano.

Era maravilhoso ver a energia do amor fluir e densificar-se sobre os corpos dos amantes. Era lindo ver o fruto daquelas uniões crescer nos ventres daquelas mulheres e depois poder vê-los nascer e crescer respeitando a natureza e os seres viventes. Era um tempo de pessoas e hábitos simples, mas cheios de sabedoria e riqueza espiritual.

Com o tempo, fui me sentindo cada vez mais atraído por aqueles rituais. Queria estar presente em todos eles, auxiliar e sentir a alegria inebriante que, ao que me parecia, somente os espíritos humanos conseguiam desfrutar. Impossível descrever as espirais de fogo líquido que subiam e geravam de si calor, abundância, amor, gratidão. Aquelas pessoas dançavam, cantavam e festejavam a vida de uma maneira totalmente desprovida de culpa, pois o pecado só surgiu com a cegueira do homem frente às verdades universais.

Muitas vezes colei-me ao máximo aos corpos fluídicos daquelas pessoas, só para sentir um pouco mais daquela alegria, daquela energia divina que só eles conseguiam gerar. Muitas vezes fui alertado pelos Sagrados Tronos Divinos de que aquilo não poderia continuar, de que eu estava passando do limite estipulado para interação entre seres naturais e espíritos. Mas ainda assim eu queria estar junto daquelas pessoas, e pouco a pouco fui deixando meus afazeres de lado. Mas eu não era o único – naquela época vários de nós estavam tão “apaixonados” por aquelas criaturas geradoras de vida e alegria que passaram a cruzar a fronteira entre dimensões durante rituais, tanto públicos quanto privados… para então unir-se energeticamente a homens e mulheres humanas. Estavam negativados, tanto humanos quanto naturais.

Grande foi o desequilíbrio naqueles tempos. E logo seguiu-se um movimento inicial de caça à bruxas e bruxos e aos conhecimentos naturais que por muito tempo haviam nos sustentado. Entrei em desespero. A alegria, o culto à vida, as energias geradas… tudo foi sendo consumido em sua própria negatividade.

Eu já não era um natural. Havia quebrado muitas regras, havia auxiliado no desequilíbrio daquelas pessoas e daquele sistema de forças. Mas meu “castigo” foi brando: minha consciência levou-me a humanização, e eu encarnei como espírito humano. Tive pouquíssimas encarnações, mas em todas elas a energia de encantamento e desejo que eu gerava era difícil de suportar e a maioria das incautas sucumbia a um pedido meu.

A cada morte do corpo físico, mais e mais minha consciência me alertava dos erros cometidos. Eu me sustentava nas “sensações” geradas através da união sexual, mas amor era algo que eu não conseguia sentir. Terminado o ato, eu me sentia vazio, oco, desprovido de toda a humanidade que, um dia, eu quis tanto conhecer. Caído em esferas negativas, chorei, implorei o perdão dos Tronos Divinos, pedi a todas as forças geradoras da vida que me permitissem ser útil de alguma outra maneira, pois já não suportava mais estar vazio daquela maneira.

E foi então que eu o ouvi.

– Ahahahahah… então, ex-natural do Amor, cansou de brincar de humano depravado? Ahahahahaha…

Era um ser enorme, todo coberto em manto negro. Eu não via nada dele, mas seus olhos tinham um brilho estranho, como um fogo líquido, azulado…

– O que foi? Perdeu a voz também? Essa voz tão linda que encanta a tudo e todos? Ahahahahaha… aposto que agora perdeu a vontade de cantar, não é? Ahahahahah…

Eu era só andrajos. Tinha a aparência de um velho ressequido, e mal conseguia me locomover. Meus cabelos estavam brancos e ralos. Meus olhos, vítreos e sem brilho. Minha garganta doía de sede…

Mentalmente, perguntei quem ele era. Pedi que, se estava ali para acabar com meu sofrimento, que eu dava graças ao Criador de Tudo por sua bondade para comigo. Pedi que ele olhasse por todos aqueles que eu havia, em minha ignorância, desencaminhado. Lembrei de meus irmãos naturais e pedi também pela saúde e alegria deles. Pedi que minha desdita servisse de exemplo para que nenhum deles mais viesse a cair como eu caí.

Finalizada a minha rogativa mental, lembrei-me de uma antiga canção que nós entoávamos com nossas vozes e instrumentos de sopro. Lentamente, comecei a entoá-la num murmúrio, enquanto grossas lágrimas molharam meu rosto. Ao longe, ouvi como se um eco daquela melodia se formasse… e pouco a pouco um círculo de luzes fechou-se ao meu redor. Abri levemente os olhos e vi meus irmãos: eles dançavam e sorriam à minha volta formando um círculo de energia dourada e brilhante.

Fechei novamente os olhos e pensei comigo: sou o mais feliz dos homens! Voltarei à Fonte de Tudo ao som do amor à natureza!

Um brando calor me envolveu, e eu novamente abri os olhos e percebi que uma dama de rara beleza me carregava no colo. Ela tinha duas vezes a minha altura e brilhava em todos os tons de rosa e dourado possíveis. Sua luz era tão grande que me ofuscava então fechei os olhos novamente e os mantive assim, enquanto ela caminhava lentamente comigo nos braços. O amor que dela emanava era tão grande, tão sublime, que me preencheu inteiro e eu sentia como se fosse explodir. Queria dar daquele sentimento a todas as criaturas, onde estivessem, sem exceção.

Ela recompôs meu espírito. Em pouco tempo me vi de pé, forte e saudável. Mas, o mais importante era que eu já não me sentia vazio. O centro do meu peito irradiava a mesma luz que eu via naquela adorável dama. Como eu não podia sustentar seu olhar, ajoelhei-me e preguei os olhos sobre os lindos pés descalços que pareciam flutuar poucos centímetros acima do solo poeirento. E então sua linda voz ecoou no meu cérebro espiritual…

– Filho querido… tudo tem um propósito. A força geradora que te criou, por alguma razão, te queria entre os homens de boa vontade. Tua negatividade desviou-te dos desígnios traçados para ti, mas a eternidade aguarda que levantes e caminhes o caminho reto da Lei da Vida. Vivenciaste aquilo que precisavas para compreender e tomar consciência daquilo que és: um Guardião do Amor, da Lei e da Vida. Veste-te, agora, com a roupagem negra deste teu Grau, enquanto manténs sob este manto a luz dourada com a qual eu te cobri.

Conforme ela falava, um manto negro e brilhante surgiu sobre mim, cobrindo-me dos pés à cabeça. Instintivamente olhei à minha esquerda e verifiquei que o grande ser que me encontrara estava também de joelhos à esquerda daquela dama. Via nele o carinho e a devoção que sentia por ela e me orgulhei de me tornar alguém igual a ele…

– Um dia tivestes o vazio dentro de ti enquanto buscavas o amor de forma desequilibrada. Agora, preenchi teu ser com o verdadeiro Amor à Vida e o Vazio há de cobrir-te para que todos saibam que tu tens o poder de esvaziar os desequilíbrios em meu nome.

Ela tocou de leve o topo da minha cabeça e eu senti como que um choque elétrico percorrer todo o meu corpo. Minha consciência expandiu-se e eu percebi o quanto homens e mulheres de todos os credos e origens estavam errando e desequilibrando-se em nome do amor. Meu ser encheu-se da mais profunda vontade de acabar com aqueles desmandos, de mostrar a cada um deles que aquilo não era amor, e uma raiva incontida me fez travar os dentes e fechar os punhos.

– Assim é a natureza de todo Guardião. Mas cuida que tua raiva não ultrapasse os limites da Lei Divina, ou ela há de acabar contigo antes de qualquer coisa. Agora eu te armo com esta espada dourada e te dou a insígnia de Guardião à minha esquerda.

Senti um jorro de energia me atingir em cheio sobre o peito, me atravessar e sair pelas costas. Além disso meus pés e palmas das mãos ardiam em fogo. Olhei para elas e um símbolo estava marcado em cada uma. Logo em seguida uma espada materializou-se à minha frente e fincou-se ao solo… brilhava como um sol e, aos poucos foi-se apagando.

– Pega tua espada e levanta, Guardião. Tua missão começa pelo estudo e desenvolvimento de tuas faculdades naturais no meio humano. Vais encarnar. Cuida para que não cometas erros demais e tenta semear o amor entre os homens da Terra.

E ela desapareceu. Ajoelhei-me e chorei, agradecido. Aquela sensação de calor interno, principalmente sobre o peito, nunca mais me deixou. Pela última vez encarnei e servi à Vida como Templário para então voltar ao Trono que me era designado, para estudar e auxiliar a quantos eu conseguir.

A raiva daqueles que erram em nome do Amor sob qualquer pretexto ainda me acompanha onde quer que eu esteja. Mas ela nunca é maior que aquela energia maravilhosa que me preencheu e que transborda de mim constantemente, me dando vida nova. Muitos outros mistérios me foram revelados, muitas coisas eu vi, ouvi e vivi. Hoje tenho a certeza de que meu lugar é aqui, onde minha amada mãe Oxum, senhora do Amor Universal, me colocou. Daqui só sairei no dia em que ela assim determinar.

guardião amor

Mecanismos de Evolução

2014 foi marcado por muitas mudanças, e muitos, muitos desafios. Foi um ano complicado, difícil, ano em que consolidei muitas coisas e “perdi” muitas outras.

No saldo, sempre acho que tudo foi, e é, positivo. Talvez pelo sol em Sagitário, talvez pelas minhas inclinações íntimas mesmo, talvez pela soma de tudo isso, por me lembrar de como a vida já foi difícil lá longe, no início… talvez por tudo isso eu sempre acho que tudo ficará bem no final.

No último dia de atendimento espiritual do ano, véspera do meu aniversário de 42 anos, emprestei essa minha carcaça de quase meio século à minha amada Vó Benedita. Como sempre, cheia de ensinamentos, cheia de bons conselhos e de uma energia maravilhosa…

Mas uma coisa me chamou a atenção, e eu sei que quando ela repete o mesmo ensinamento mais de uma vez durante um atendimento, é sinal de que eu tenho que prestar atenção, tenho que assimilar, tenho que passar para frente.

Então hoje, passados os dias de mudança, de festas de final de ano, de arrumações em casa, pensei ser a hora certa de parar e colocar “no papel” as palavras doces da amada vozinha.

Feliz 2015 a todos vocês. 😉

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Se fio quer mudar, isso é bom. É certo que evoluir é Lei da Criação, e parado ninguém fica.

Assim, quando fio percebe alguma coisa em si que fio faz sempre, mas que incomoda, e quer mudar… isso é motivo de alegria aos olhos de toda Aruanda.

Mas o problema é que mudar é difícil… geralmente aquele traço de personalidade que fio carrega consigo há mais de uma encarnação, aquela “mania” de falar mal, ou de ser violento, ou mesmo uma coisa mais “simples” como comer ou beber demais; isso tudo são traços de personalidade trazidos de muito tempo, fios, e por isso mesmo, muito difíceis de desfazer.

A vó vai dar um exemplo extremo: o suicida. Aquele espírito que, um dia em sua existência, pensou ser mais simples tirar a própria vida que continuar lutando. E ele desencarna, sofre, e reencarna… e novamente tira a própria vida. E na próxima vez, a providência divina faz com que as mazelas do espírito se mostrem no corpo e então o irmãozinho nasce com problemas mentais. Mas, ainda assim, chegado certo momento na vida, o irmãozinho tira a própria vida. E então na próxima vez encarnado, a Vida se encarrega de deixar o irmãozinho preso a uma cadeira de rodas. Mas o espírito, ainda ligado ao erro de eras atrás, se joga de uma janela qualquer… e assim segue até que nasce e fica preso a uma cama, lúcido… mas sem conseguir se mover.

Entendem o mecanismo, fios? Esse é o mecanismo utilizado pela Vida quando o Ser não é capaz de tomar consciência do erro e de tentar a mudança por vontade própria. O único livre-arbítrio que o Ser possui é melhorar-se.

Mas isso não acontece com ocês, certo?

Cada um de ocês SABE, bem lá no fundo, onde tem que mudar. Ocês sabem que tem que falar menos dos outros, que tem que ter mais paciência, que tem que cuidar da ansiedade e cuidar da saúde, que tem que aprender a desapegar, que tem que tornar-se responsáveis por suas vidas.

Para ocês, a vó diz: o mecanismo de evolução tem 3 etapas, fios. A primeira é reconhecer-se, conhecer-se, saber-se falho e compreender que a mudança é necessária se ocês quiserem subir um degrau a mais. Essa fios, é a etapa mais simples. Tomar consciência das próprias limitações.

Depois vem a segunda, que é a etapa em que ocês vão tomar atitudes, ativamente, para promover essa mudança n’ocês. Seja com ajuda espiritual, psicológica, médica, familiar… seja o que for, ocês buscam a mudança e agem por vontade própria buscando melhorar. Essa parte fios é a parte difícil porque ela depende da força de vontade de cada um e do grau de consciência que ocês tem sobre as coisas do espírito e da matéria. É aqui que a maioria escorrega, cai e demora a levantar. É aqui que a Lei de Reencarnação entra em ação e nos dá inúmeras chances de melhoria. É aqui que nossa amada mãe Logunã mais nos ajuda, nos mostrando que o Tempo é variável positiva e ativa a nos auxiliar e curar sempre. Essa é a parte difícil: Mudar.

A terceira etapa fios, essa é a etapa definitiva: não desequilibrar. O desequilíbrio é o que leva o Ser ao erro, é o que faz com que ocês continuem repetindo os mesmos enganos vezes sem conta. Quando o Ser consegue manter-se em equilíbrio diante daquilo que antes o tirava do eixo, aí ele está pronto. Acabou a necessidade do corpo físico, acabou a Lei Compulsória do Retorno à Terra. Agora o Ser despertou, consegue manter seu equilíbrio e, portanto, pode ser membro ativo e consciente não só da sua própria evolução, mas também da evolução de muitos outros. O Ser agora compreende as Leis Divinas, confia nelas, sabe que NADA acontece sem que nosso amado Pai Olorum permita.

Então, fios, nessa nova lua grande que se inicia, façam a auto-avaliação: em que etapa de evolução ocês estão? Avaliem e lembrem-se das três etapas: Tomar consciência; Mudar; e Não Desequilibrar. Simples, fios… e por isso mesmo, bem difícil.

Que ocês tenham um grande ano pela frente. São os votos sinceros de toda a Aruanda.

A Vó abençoa. Fiquem em paz.

Noite de Halloween (Shabbat de Samhain)

 

 

Dançaremos
a dança dos dias moribundos
e da vida que dorme.

Dançaremos
sobre folhas mortas, frias,
a chama humana e espiral da união.

Dançaremos
enquanto o Deus Cornudo cavalga
pelos céus

Dançaremos
à música da corrida de Seus cães
farejadores, uivando em coro

Dançaremos
com os fantasmas daqueles
que já se foram

Dançaremos
sob o olho escurecido de Samhain
Dançaremos.

Samhain2012-2

Eu cresci em uma pequena comunidade ao lado de uma grande colina, e digo isso, porque era lá que realizávamos nossas festas. Oito vezes por ano, todos subíamos ao alto da colina, e realizávamos os diversos ritos de comunhão e agradecimento à Deusa Mãe e ao Deus Cornudo (Cernuno).

Mas de todas as festas, sempre a que mais me atraiu era a da noite em que celebrávamos o fim dos dias quentes e início do frio e das noites mais longas (Samhain). Era o descanso da amada Deusa, que iria repousar pelos próximos seis meses para se refazer e poder novamente verter os frutos de seu ventre e de sua terra.

Naquela noite, enormes fogueiras eram acesas no alto da colina, e lá passávamos do entardecer ao amanhecer, em profunda comunhão com o que havia de sagrado nesta terra.

Derramávamos sobre o leito da Deusa todo o nosso amor por ela, e por seu par, o Deus Cornudo. Esse amor vinha na forma de nossas preces, de nossos cânticos, e do amor que era transmitido entre Druidas e Bruxas.

Naquele tempo o pecado Judaico ainda não havia se enraizado em todas as terras, e o amor daquelas relações era puro e verdadeiro. Era o amor que a Deusa e o Deus tinham por si e por seus filhos, e desse amor, frutos eram colhidos e recebidos com todo carinho por nós. Grandes Druidas e grandes Bruxas nasceram do amor celebrado naquela noite, assim como de outras noites de celebração.

Mas conforme o tempo passou, minhas obrigações de Druida me obrigaram a deixar o seio da minha família, pois às mulheres cabia a prática da magia, da cura, da preparação dos unguentos e poções. Os homens mais novos eram responsáveis pela caça e pela colheita das ervas e flores. E conforme amadureciam, eram mandados para as cidades, inicialmente para realizar o comércio, pois era uma época perigosa para qualquer mulher andar sozinha, e quando atingiam o conhecimento necessário, eram enviados para procurar as curandeiras, parteiras, magas e bruxas das cidades mais distantes e lhes transmitir novos conhecimentos.

Vale a pena lembrar que naquela época não havia o medo que hoje existe destas pessoas; ao contrário, em todo lugar, a curandeira era celebrada, e quando um Druida chegava era bem recebido, pois nosso interesse era sempre ajudar e ensinar.

E os anos se passaram, e eu quase sempre ficava afastado de minha família, de minhas irmãs e irmãos… mas todo ano, quando o outono se aproximava, eu retornava para celebrar mais uma festa e ver as fogueiras queimando e iluminando o céu.

Quantas vezes fui escolhido para representar a fertilidade do Deus Cornudo e assim amar o ventre gerador da Grande Mãe! Quantas vezes amei apenas ficar sentado, sentindo o amor que eles tem por nós me inundar!

Mas os tempos estavam mudando, a Cruz que se espalhou com grande facilidade pelo seu recado de amor e fraternidade agora queimava com aço e fogo. E foi assim que retornei ao lar ao final de mais um longo período viajando, e de longe o cheiro de carne torrada invadiu minhas narinas. Corri o mais rápido que pude para o alto da colina, e lá estava a grande Cruz fincada bem no meio e, ao seu redor, fogueiras terminavam de queimar, centenas delas… queimando minhas irmãs.

Duplamente covardes aqueles que matam em nome de Deus, pois são incapazes de atribuir-se a responsabilidade por seus atos criminosos!

Ali permaneci, estarrecido, ouvindo os gritos e gemidos de choro, e quem chorava não eram as almas de minhas irmãs queimadas, pois elas já estavam longe, amparadas. Quem chorava era a própria Deusa, que via seu chão sagrado maculado com o verdadeiro pecado: o sangue dos inocentes.

Odiei aquela cruz! Odiei cada Padre ou Frei que conhecia, mesmo racionalmente sabendo que eles não compactuavam com aquelas barbáries… e ali, naquela colina, morri odiando terem me tirado o que aprendi tanto a amar.

Mas a vida não é ódio, e ele nunca pode nos conduzir. Não tardou para o ódio me consumir e eu consumi-lo de volta, e então segui minhas existências amparado pelo Pai, que também é a Mãe, pois desde aquela época sabíamos que a fonte geradora é uma só – é a vitalidade fertilizadora Masculina, mas também é o ventre gerador Feminino.

Eu relato aqui curtamente minha história para que vocês entendam um pouco mais sobre essa noite que celebram hoje. Libertem-se das idéias pré-concebidas e saibam que a história sempre é contada pelos vencedores… e o pouco que resta da nossa fé é sombra do que foi outrora.

(Inspiração enviada ao meu marido e assinada por um espírito que se nomeou apenas como Druida. Nossos mais sinceros agradecimentos por suas palavras esclarecedoras.)

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Para saber mais:

(Introdução, revisão e formato por esta que vos escreve tão raramente hoje em dia…)

O barco vai pra onde o barqueiro leva…

o mar

Se o barqueiro é inexperiente, manhoso, turrão, o barco há de navegar sem rumo por águas desastrosas, igualmente manhosas e teimosas. O barco há de ser açoitado por ondas vindas de todos os lados, uma vez que o barqueiro, turrão, teima em não reconhecer que o mar da Vida está lhe dando outras opções. Em sua teimosia, o barqueiro continua, navegando aos trancos e barrancos, xingando as forças da natureza como se estas fossem responsáveis pelas escolhes que ele próprio fez. Pobre do barqueiro não entende que, se fechasse os olhos e confiasse seu destino às sábias forças que regem a Vida, logo, logo encontraria a calmaria que tanto procura.

Mas a Vida é sábia e as marés mudam ao sabor do vento soprado pela Lei. Umas vezes branda e refrescante, noutras tormentosa e violenta, a maré vem conforme o preparo do barqueiro. Uma vez aprendida a lição, ela se vai e dá lugar à próxima, no movimento constante de vai-e-vem das ondas do mar.

E você, marujo? Tem prestado atenção às marés que vêm bater à sua porta? Tem sido um barqueiro maleável? A Vida é sábia e por isso ensina através de exemplos – basta prestar atenção, analisar, medir a força e a direção do vento, confiar no coração, manter a Fé e a Direção, estes são os requisitos básicos do bom barqueiro.

De nada adianta atirar-se à maré e depois reclamar que as águas revoltas destruíram seu barco. De nada adianta lutar contra as águas, teimando ir para um lado quando elas constantemente te empurram na direção contrária. Também de nada vale baixar velas porque o vento te direciona para o lado que você teima em não ir – embarcação de velas arriadas pára no meio do Mar e vira presa fácil do Abismo. Navegar pela Vida exige Sabedoria, daquela que só se adquire quando a gente deixa de empinar o nariz e aprende a ajoelhar e erguer os olhos para o Alto… onde as estrelas gentilmente nos esperam brilhando com a indicação certeira da direção a seguir.

Portanto, marujo, deixe de lado a soberba e aprenda com a Vida. Seu barco há de navegar de vento em popa!

Boa Viagem!

Seo Sete Barcas, capitaneado por nossa amada Mãe Iemanjá Cristalina, Senhora da Vida e da Fé na Grande Calunga