Política e religião

Dizem que política e religião são duas coisas separadas e que não se discute nem uma nem outra. Dizem que religião não deve se misturar à política. E então eu leio um artigo que revela que os países mais religiosos do mundo são também os mais violentos… e meu coração se entristece.

O caso é que RELIGIÃO é algo criado pelo homem, pela humanidade, para de alguma forma religar-se com sua Fonte, com seu Criador, com seu Deus. Desde que o mundo é mundo dezenas, centenas, talvez milhares foram as religiões que surgiram e feneceram na face da Terra.

A religião, a doutrina, o ritual religioso, seja ele qual for, é algo necessário à alma humana em vários de seus estágios evolutivos. É impossível, para a grande maioria, senão para a totalidade da população mundial, ligar-se a Deus e suas divindades sem que para isso passe por algum tipo de ritual, nem que seja uma simples oração, uma imagem, uma vela.

Ainda é impossível ao espírito humano, encarnado ou desencarnado neste planeta, conectar-se à Fonte Criadora pela simples contemplação e quietude. O imponderável, aquilo que carece de forma e função definidas torna-se inacessível à nossa mente ainda presa a um sistema de crenças, seja ele qual for.

Então a espiritualidade superior faz por bem inspirar os melhores e mais preparados para que tragam ao mundo os rituais e procedimentos que melhor caibam a certo grupo de indivíduos e almas afins, e assim criam-se as religiões pelo mundo. Fato é que o ego, a maldade, o engano, a mentira, a avareza, a libertinagem, e tudo que de mais baixo e ruim existe na alma humana vêm à tona quando o indivíduo se vê frente uma multidão que, erroneamente, o endeusa como se fosse o único representante de Deus na Terra.

O problema das religiões nunca foi sua doutrina, ou seus fundamentos, mas sim nós mesmos, os humanos. O problema da religião é que no momento em que se materializa e estabelece no plano terreno deixa de ser algo espiritual e torna-se algo mundano, alvo fácil dos que dominam ou querem dominar.

Mas a função do texto hoje é discernir sobre religião e política. Para mim jamais haverá um bom governante que não seja, antes de tudo, um bom ser humano, um espírito engajado, inspirado nas verdades eternas e servidor, antes de mais nada, do Altíssimo. Sim, porque como servir bem aos seus semelhantes se você nem crê em Deus? Como ser um bom dirigente, seja de uma cidade, estado ou país, se você não acredita que está neste mundo para ser bom, aprender e assim, evoluir?

As hierarquias espirituais se estabelecem pela alta capacidade ESPIRITUAL dos indivíduos. Não importa quanto você tem de dinheiro, ou de títulos, ou se seus amigos são influentes. Importa quem você É por dentro. Importa o quanto seu coração é capaz de vibrar amor, não só ao Criador, mas aos seus semelhantes. Importa o quanto você consegue doar de sua luz, de sua consciência, de seu conhecimento para o bem maior de todos. É isso que importa, e é assim que se sobe hierarquicamente na espiritualidade.

Então, eu creio sinceramente que não há como se ter um bom governo que não seja pautado na crença religiosa, seja ela qual for, mas desde que esta crença estabeleça ao governante os parâmetros básicos de sua conduta – amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros assim como eu quero que façam a mim. Só assim teremos um mundo justo e decente.

Precisamos parar de separar nossas vidas entre isso ou aquilo. A verdade é que somos seres espirituais e ponto. Viver em um mundo onde as verdades espirituais não são levadas à sério ou não são consideradas como realidade é viver no caos.

Se você acha que religião e espiritualidade só servem quando se está na igreja, ou no culto, ou num terreiro, engana-se redondamente. A mensagem foi passada infinitas vezes, desde os tempos mais remotos. Não importa se Hórus, Jesus, Buda ou Maomé, o amor entre todos, o respeito às diferenças, a distribuição daquilo que se produz, a proteção à infância e ao idoso, tudo já nos foi dito e repetido infinitas vezes. Só não vê quem não quer.

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Para saber mais sobre política e religião/espiritualidade:

 

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Falando de urbanismo

Em qualquer cidade que se preze, a região central é sempre cheia de charme, turismo… e cara, muito cara. Residir na região central de cidades como New York, Londres, Paris, Buenos Aires, etc., sempre será muito mais custoso do que morar em seus subúrbios.

Normalmente isso ocorre porque é do centro dessas cidades que partem todos os grandes conglomerados de transporte, levando o cidadão para todos os pontos mais longínquos onde se queira ir. Também é ali que se aglomeram os cidadãos solteiros, ou casados sem filhos, e que portanto podem pagar mais por moradia e badalação. Vivem um estilo de vida que os permite comer fora várias vezes na semana, moram perto dos grandes edifícios de escritórios, e normalmente não possuem automóveis pois têm tudo à mão ali.

Por esses e outros motivos óbvios, as regiões centrais acabam tornando-se points de baladação, riqueza, boa comida… tudo no melhor estilo yuppie de ser.

Mas parece que nossos excelsos governantes estão errando a mão quando o quesito é desenvolvimento urbano. O centro da capital de São Paulo é um local degradado, cheio de pontos de venda de drogas, moradores de rua, prédios abandonados, praças sujas e mal-cuidadas. Toda a glória e a sofisticação do centro deram lugar à prostituição e à falta de incentivos da prefeitura para que em São Paulo se repetisse a boa fórmula de suas irmãs estrangeiras – centro rico, bem desenvolvido e super badalado, contra subúrbios calmos, arborizados, feitos sob medida para as famílias que desejam criar seus filhos com maior comodidade, espaço e ar puro.

Ainda hoje estava lendo essa reportagem sobre o Hotel Cambridge no Estadão online. O hotel, inaugurado em 1951, já foi ícone de sofisticação e requinte no centro e, agora desapropriado, será convertido em edifício de moradia para famílias de baixa renda. Agora, pensem comigo: desenvolvimento urbano significa criar espaços onde as pessoas possam não só morar, mas também trabalhar, criar seus filhos, estudar, divertir-se. Transformar todos esses edifícios em moradias de caráter social é um erro. O centro de São Paulo continuará sendo um gueto, e mais e mais investimentos serão destinados às zonas mais afastadas, inviabilizando o desenvolvimento sustentável do transporte público na cidade. O exemplo está dado e funciona: promover o desenvolvimento do centro da capital para atrair grandes empresários e moradores de rendas média e alta. Tarifar o acesso ao centro da cidade através de pedágios, diminuindo assim a incidência de automóveis e aumentando a freqüência e a fluidez do transporte público. Incentivar a recuperação de centros históricos, atraindo bons restaurantes, museus, eventos culturais, grandes magazines, shoppings e prédios empresariais.

Outra coisa, quando se fala em transporte urbano, há que se lembrar que São Paulo é cortada por um rio extenso de potencial navegável, e que se bem aproveitado poderia tornar-se vedadeira mina de ouro para os cofres públicos. E no entanto nada se faz a não ser pontes para cruzá-lo de um lado a outro… e de carro!

São Paulo tem tudo para tornar-se uma das capitais mais belas e bem-sucedidas do mundo, basta que se dê o incentivo correto. Os órgãos públicos hão de concordar que tirar pessoas das classes D e E, da maneira como é feito pelo governo petista, não gera desenvolvimento sustentável. É simples: se eu promovo o desenvolvimento do pequeno e médio empresário, automaticamente são criados mais postos de trabalho, e a roda da economia gira sem ônus para a máquina pública. Agora, se eu crio programas de distribuição de bolsa isso, bolsa aquilo, uso dinheiro do FGTS para construir moradia popular, tudo o que eu estou fazendo é onerar o Estado, sem no entanto criar oportunidades para que essas pessoas cresçam de verdade, estudem e trabalhem – eu crio dependentes do Estado, e não cidadãos produtivos.

Eu temo dizer que isso tudo é falta de vontade política. Para mim, já é um caso crônico de visão estreita e falta de massa encefálica mesmo.

Gostou? Leia mais:

Teresópolis

Lembro-me que na época dos desastres na região serrana do Rio de Janeiro, especialmente em Teresópolis, eu ficava vendo aquele monte de terra que havia descido (e desfigurado) as encostas e pensava: meu Deus… como é que vão achar todo mundo embaixo de toda essa terra?

Pois é, depois teve aquela cobertura sobre a briga do prefeito de Teresópolis com a Cruz Vermelha e a Igreja Católica, que eu comentei aqui neste outro post.

E depois tudo terminou, não foi? Não se fala mais nisso. Pois é… só que as buscas temrinaram mas os cadáveres estão lá embaixo, decompondo-se. E pelo que eu aprendi na escola, e depois na faculdade, terrenos destinados a lixões, por exemplo, tinham que receber avaliação constante, porque a decomposição de matéria orgânica penetra no solo e, se o lençol freático for atingido antes que o próprio terreno “filtre” esses agente tóxicos, já era: é epidemia na certa.

Então eu sugiro a vocês a leitura deste post do Bruno, que com certeza me fez lembrar da ameaça ainda escondida por baixo de toda aquela terra.

E para quem quiser verificar do que um cadáver em decomposição é capaz, assistam ao filme O Despertar de uma Paixão (The Painted Veil). É um romance muito bonito, tocante eu diria. O personagem principal é epidemiologista, e viaja com a esposa para a China na década de 30. A ignorância da população faz com que eles enterrem seus mortos próximos demais dos rios, e isso desencadeia a epidemia de cólera nas aldeias servidas por toda aquela água. A fotografia é lindíssima e o filme foi inclusive indicado ao Oscar.

Embora sem conexão aparente, eu me lembrava deste filme constantemente enquanto via as imagens de Teresópolis…

Teresópolis sob tortura

"Muito serão os chamados... mas poucos os escolhidos."

E mesmo perante a dor, a perda, aos corpos boiando sem vida e mutilados, aos doentes, às condições precárias de sobrevivência, o ser humano ainda assim consegue provar o quão inumano se encontra.

Tenho lido e visto vários blogs, jornais e outros meios divulgarem brigas entre entidades – prefeitura, igreja, cruz vermelha, etc. – na trajédia que assola a região serrana do Rio de Janeiro, mais especificamente, Teresópolis.

Aqueles que se voluntariaram, de peito aberto, ao serviço ao próximo estão paulatinamente deixando o local, por discriminação, politicagem, mesquinhez, roubalheira, falcatruas. Esses abnegados trabalhadores voltam às suas casas e a seus afazeres simplesmente por verificarem que seus esforços em prol daqueles necessitados estão sendo tolhidos pela mesquinhez daqueles que deveriam zelar pela população.

Meu Deus, eu me pergunto, como pode alguém no meio daquilo tudo ainda assim achar que pode desviar donativos? Como pode alguém não condoer-se ao ver crianças e velhos naquela situação, preferindo a isso discutir de quem é essa ou aquela frente de trabalho? Como podem pensar em auto-promoção e burocracia estando rodeados de miséria, dor e desepero? Como?!?

Então, queridos, me desculpem… mas muito mais virá. E continuará vindo até que a humanidade aprenda a ser Humana realmente. Até que doa em cada um. Até que cada um se esqueça de querer puxar a “sardinha” para a sua religião, para o seu partido, ou para a sua entidade de classe. Até que a humanidade aprenda que, se não unir-se como uma só, nada restará.

O único problema é que eu acho que não dá tempo dessa gente toda aprender. Enquanto isso, muitos sofrem e alguns iludidos se sentem no direito de levar algum tipo de vantagem na situação:

Lula e a dívida… quem vai pagar esse “pato”?

Há certo tempo que venho ouvindo um zumzumzum sobre dívida interna brasileira. Entre uma matéria e outra, entre um link visitado e outro, sempre vejo uma linha que diz que quando a dívida interna do Brasil estourar estaremos perdidos e seremos uma nova Venezuela…

Bom, eu não entendo muito de economia, então resolvi ler a respeito. Descobri que a dívida interna não existia até 1994, ano em que Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente pela primeira vez. De 1995 a 2002, FHC governou o país com juros de quase 44% ao ano sobre essa dívida interna. Quando entregou a faixa a Lula, a dívida estava em pouco mais de 800 bilhões (!), mas ele conseguira baixar os juros de 44 para 26% ao ano.

Lula conseguiu manter os juros em queda durante certo tempo, mas com a crise mundial, que ele teima em dizer que aqui só foi “marola”, não teve mais como amortizar a dívida. Sim, amortizar, o que é diferente de pagar.

Explico – com os juros anuais sobre uma dívida desse porte, o Brasil tinha que pagar por volta de 150 bilhões em JUROS todos os anos. Só que nosso país só conseguia economizar cerca de 90 bilhões… e os 60 bilhões restantes eram adicionados ao montante da dívida, que cresceu vertiginosamente até chegar a 1 trilhão e 500 bilhões de reais! Sim, é isso mesmo – em 8 anos, Lula dobrou o valor da dívida interna.

Mas ele é um estadista exemplar, que pagou a dívida externa com o FMI (cujos juros são baixíssimos, entre 0 e 0,25% por ano!) e passou a dever em seu próprio país, a bancos e investidores internacionais, a juros exorbitantes. Vide os lucros trilhardários que todos os bancos “nacionais” exibem a cada trimestre.

Um exemplo? Lula emprestou dinheiro do Bradesco (atual Santander, de capital quase todo europeu) para comprar 28% da Vale (seria já com a intenção de estatização?). O Bradesco inicialmente fez o empréstimo a juros baixos de 4% ao ano que, com a rolagem da dívida, o banco já está cobrando 243% no mesmo período. Fala verdade? Excelente negócio, né?

Agora você entendeu porque os juros não podem baixar? Não é por causa desse seu empréstimo besta de 15 mil para comprar um carro fuleiro não… é porque quanto mais alto, mais o governo brasileiro deve… e paga! Sim, porque, se Lula não pagar pelo menos parte do que deve todos os anos, o risco-país sobe e Lula perde o selo de estadista do ano. E aí os investimentos internacionais diminuem… e ele não conseguiria manter a própria popularidade, nem a da presidente eleita.

Para o mundo, Lula é realmente um estadista maravilhoso, porque enquanto a economia mundial decresce, todos os que investem na “economia” brasileira saem ganhando… só o povo brasileiro que não ganha nada com isso.

Agora, onde isso tudo vai parar? Nós vamos ter que vender o país para quem pagar mais? Talvez leiloar a Amazônia?

E porque a imprensa nacional não divulga nada disso? Porque essa bravata toda sobre liberdade de imprensa, se ninguém é capaz de desmascarar essa palhaçada?

Lula elegeu Dilma sobre um patamar de homem de estado brilhante, quando na verdade não passa de um joguete de marketing, isso sim.

Quer saber mais? Leia os posts atuais:

E depois leia a posição do PT durante o governo de FHC e a implantação do plano Real:

Interessante? Então continue se informando. 😉

Parodiando: Branco, Nulo ou Praia?

Eu sugiro que vocês leiam o post do meu amigo Luciano Pires desta sexta-feira. É ótimo, como tudo que ele escreve, devo admitir.

E depois leiam o comentário que eu inseri lá no site do Café Brasil:

Eu queria entender o que significa a frase “o Brasil mudou para melhor”, utilizada constantemente na campanha petista e repetida à revelia por dezenas, centenas de pessoas. Explico: há 2 anos atrás minha filha nasceu. Quatro meses depois começou a comer papinhas. Na época, eu pagava R$1,25 por pote de papinha. Hoje eu pago R$3,75 pelo mesmo pote. Isso dá um aumento de 300%; ou seja, para quem não entendeu, em menos de 24 meses eu passei a pagar 3 vezes mais por um simples pote de papinha. E assim aconteceu com quase todos os gêneros alimentícios que eu compro no supermercado. Outro exemplo?

Claro… em 2006 eu ganhava perto de 15 salários mínimos. Hoje ganho 8. Ou seja, em quatro anos eu perdi quase 50% do meu poder de compra, porque o salário mínimo aumentou, mas todas as outras faixas salariais mantiveram-se com aumentos subsidiados apenas pelos dissídios de classe. E como “não há inflação”, esses aumentos foram irrisórios…

Vocês querem mais um disparate? Aqui vai: em 2008 vendi meu apartamento de 2 dormitórios na zona sul de São Paulo por 180 mil reais. Hoje, o mesmo imóvel (só que depreciado em 2 anos, né?) com míseros 52 metros quadrados, custa a bagatela de 400 mil reais! Sabem porque? Porque todos os incentivos deste senhor que “administra” esse país foram para um programa chamado Minha Casa, Minha  Vida. Esse programa, que diz prover residências a baixo custo para a população mais carente, também inflacionou TODAS as demais faixas imobiliárias comercializadas. Ou seja, um planinho bem mal traçado por uma administração pública imbecil e obtusa.

Então eu gostaria que alguém me explicasse como “votar na Dilma” é uma opção porque “o Brasil melhorou”.

Entre todas as opções, sinceramente, prefiro votar em alguém como Serra que, pelo que me lembre, fez contribuições reais para este país crescer durante seus mandatos anteriores.

Depois, eu queria que vocês lessem esta entrevista que a Marina Silva deu durante o primeiro turno, em que ela ainda era uma dentre os presidenciáveis (embora tenham publicado agora como se fosse apoio a Serra), da qual publico aqui alguns trechos:

Que o povo brasileiro pense duas vezes antes de entregar o futuro do Brasil para quem não conhecemos direito. (…)

Nós conhecemos o presidente Lula, a gente conhecia o Fernando Henrique Cardoso, a gente conhece o Serra – eu discordo dele, mas conheço. O povo pode até discordar de mim, mas me conhece. Eu estou aí há 16 anos na política nacional. (…)

Mas, com todo respeito à ministra Dilma, nós não conhecemos ela nesse lugar de eleita. Conhecemos como ministra de Minas e Energia, da Casa Civil e até respeitamos o trabalho dela, mas daí a ser Presidente da República? (…)

Quem aqui que se casa só por que chega alguém e diz: ‘casa com esse moço, é uma maravilha de moço’? Não, a gente quer conhecer a pessoa primeiro, não é isso?

Acredito que as críticas de Marina Silva ainda são válidas dentro deste contexto de segundo turno.

É isso. Queria dividir esses pensamentos com vocês antes do segundo turno no domingo. E pedir por favor que vocês revejam seus planos e dêem uma passadinha na urna… a mudança está nas nossas mãos…

Bom voto! 😉

Eu não voto em quem não me respeita!

Quando estava de férias evitei pensar em qualquer coisa que significasse problema… por exemplo? Licenciamento do carro que estava atrasado (agora já fiz, tá?). Pagamento do apartamento onde moro (longa história…). Eleição presidencial.

Mas o fato é que a volta à vida real nos faz também voltar aos problemas de sempre. E eis que agora estamos às vésperas do dia em que o novo presidente será eleito. E eu estou morrendo de medo que a talzinha seja eleita.

Desculpem, eu não tenho nada de pessoal contra ela. Aliás, eu ficaria felicíssima se o Brasil fosse governado por uma mulher… que tivesse princípios democráticos e que realmente se preocupasse com o povo brasileiro. Agora, eleger alguém que quer usar o diploma presidencial para correr atrás de rusgas pessoais não rola.

A mulher tem ódio de todos aqueles que um dia possam ter tido algo a ver com seus dias de cativeiro e tortura.

Teve formação política totalmente comunista (no pior aspecto que esta palavra representa), repressora e ditatorial. Idolatra personagens como José Dirceu, Fidel, Chávez e outros (ex)guerrilheiros.

Defendeu a criação e possível aprovação de uma lei (Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3) que fere em tudo os direitos constitucionais brasileiros.

Não consegue defender seus ideais – uma hora diz que é favor do ato abortivo em si, e da descriminalização do processo de aborto também… e agora diz que não, que nunca disse isso. Gente, está lá no site da Marie Claire para quem quiser ler, ninguém inventou essa não (a resposta dela está nas páginas 3 e 4, que eu transcrevo aqui também):

MC Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?
DR
Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos.

MC Hoje, o que é preciso para legalizar o aborto no Brasil?
DR
Existem várias divisões no país por causa dessa confusão, entre o que é foro íntimo e o que é política pública. O presidente é um homem religioso e, mesmo assim, se recusa a tratar o aborto como uma questão que não seja de saúde pública. Como saúde pública, achamos que tem de ser praticado em condições de legalidade.

Tenho medo…

Eu tenho medo de perder meus direitos civis. Tenho medo de não poder mais escrever no meu blog as coisas que me vão na cabeça. Tenho medo de ver meus direitos de ir e vir serem tolhidos.

Tenho medo dessa amizade do presidente molusco com líderes como Ahmadnejad, Chávez, Fidel e outros. Tenho medo da simpatia que esses caras têm por “minorias”… a minoria negra, a minoria dos sem-terra, a minoria dos sem-teto, a minoria dos índios, a minoria dos nordestinos em São Paulo.

Todos são uns coitados e a “elite” é a culpada de todas as desgraças que se abateram em suas vidas.

E eu faço parte dessa elite “criminosa”. Euzinha.

Eu que fiz o primário e o ginásio em escola pública. Eu que fiz colegial técnico porque precisava arrumar logo um emprego para ajudar no orçamento da minha família. Eu que acordei às 5 da manhã e trabalhei das 13:00 às 23:00 durante 4 anos para pagar minha faculdade, enquanto estudava de segunda a sábado.

Eu que fiz trabalhos de tradução, dei aulas de inglês, e tentei exercer minha profissão durante 5 anos depois de formada até conseguir um emprego decente com o qual pudesse pagar minhas contas e manter minha casa.

Eu que, por ganhar acima de uma faixa ridícula de salário, deixo todos os anos quase 4 meses do meu ordenado nos cofres públicos do governo federal. Eu que tenho hoje 37 anos de vida e ainda não consegui ter minha casa própria. EU SOU A ELITE DO BRASIL!

E se você também tem nível superior e sua renda familiar (soma da renda bruta de todos os integrantes de sua família que moram contigo, tá?) está acima de 10 salários mínimos, se ferrou – você também faz parte dessa elite:

Divisão de classes segundo o IBGE.

Eu rezo para que essa mulher não seja eleita, não por ela, mas pelo que ela representa. Ela representa tudo aquilo que eu abomino na política – a falta de ética, de estudo, de consideração com o próximo, de extremismos de idéias e valores.

Mas rezo principalmente para que o novo presidente eleito, seja quem for, entenda que o Brasil não pode continuar como está.