Quem pode mais

Talvez eu já tenha contado esta história… em partes. Então, me perdoem se sou repetitiva.

Há 9 anos eu conheci uma casa de Umbanda Sagrada na zona sul de São Paulo. Na época, estava desempregada há 6 meses e os trabalhos como free lancer estavam rareando. As contas se avolumavam e o desespero aumentava todos os dias… nessas horas, a gente se agarra a Deus mais do que nunca, e foi isso que me levou à Casa do Pai Benedito.

Era dia de Gira de Ciganos. O cigano que me atendeu perguntou meu nome e quando eu disse “Sarah”, ele respondeu que eu havia chegado no dia certo… eu sorri, afinal Santa Sara é a protetora do Povo Cigano e ali estava eu buscando auxílio. Seis meses depois, já como frequentadora assídua da casa, passei por uma consulta com Seo 7 Ondas, que muito sabiamente me disse que eu deveria fazer um trabalho para Mãe Iemanjá, solicitando àquela Orixá que gerasse novas oportunidades em TODOS os campos da minha vida.

Para encurtar história, esta dita consulta ocorreu no início de Dezembro. Ao final de Janeiro comecei a namorar. No carnaval fiquei grávida. Em Março fui contratada e voltei a trabalhar. Em Abril estava casada… Ufa! Iemanjá não brinca em serviço. 🙂

Muitas idas e vindas depois desta consulta com o Marinheiro, e já com a vida totalmente mudada, me matriculei na segunda turma do Curso de Magia Divina das 7 Chamas Sagradas, e passei a frequentar a casa mais vezes na semana. Foi meu primeiro grau de Magia Divina… depois deste cursei mais 17 graus de magia, tanto na Casa do Pai Benedito, quanto no Colégio Tradição de Magia Divina.

Foi nesta mesma Casa de Fé que eu cursei a primeira turma do Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – era um curso de seis meses, somente teórico. Fiz meu desenvolvimento mediúnico em 2009, junto com a segunda turma do mesmo curso, já com minha bebê pequenininha. Fui coroada Médium de Transporte por Pai Benedito de Aruanda. Comecei a frequentar as giras de atendimento como Cambone, mas em poucos meses comecei a ser chamada para atendimento. Primeiro com meu Exu Mirim, depois com Vó Benedita, depois com minha Pombogira… e quando vi estava atendendo em todas as giras, sendo coroada Médium de Atendimento da casa cerca de 3 anos depois daquela primeira Gira de Ciganos. Foi um tempo relativamente curto, mas muito bom, de muito aprendizado.

Cerca de um ano depois, já em 2011, Vó Benedita começou a solicitar-me o estudo do Sacerdócio Umbandista. Como todo “bom” médium, achei que era coisa da minha cabeça… afinal, eu não tinha essa missão na vida. As solicitações tornaram-se repetitivas. Pessoas, amigos, irmãos de fé – todo mundo, do “nada”, começou a brincar comigo, perguntando quando eu abriria a minha casa. Eu neguei de todas as maneiras possíveis, tenho que admitir. Mas a verdade é que, no fundo, eu sabia que era isso que eu tinha que fazer, que ajudar é que me fazia feliz, que era isso que me fazia me sentir útil e viva e que quando chegasse a hora, eu não teria escolha, porque eu tinha sim assumido esta tarefa bem antes de nascer.

E assim foi… no início de uma gira de atendimento em 2012, meu amado Pai de Fé, Claudio Ricomini, solicitou que eu e mais duas irmãs médiuns da casa cursássemos o Sacerdócio Umbandista no Colégio de Umbanda Sagrada de Pai Rubens Saraceni. Foram meses e meses de estudo, de dedicação. Muitas oferendas, muitos amacis. Aulas memoráveis que eu nunca, jamais hei de esquecer. Mestre Rubens realmente coroou nossa caminhada com a sua alegria, o seu conhecimento e a sua disciplina. A ele, sou imensamente grata.

Em 2013, no ano em que me formei Sacerdotisa, Vó Benedita começou a cobrar-me a abertura da Casa de Fé… vendi meu apartamento, compramos uma casa, reformamos. Depois seguiram-se as firmezas necessárias à abertura da casa – primeiro ao Guardião Exu, depois à Guia Chefe da Casa, por fim à Guia de Frente que também é minha Guardiã Pombogira. Muitos gastos, muito tempo, muita dedicação. A cada passo dado, um frio na barriga, um medo a mais… mas também uma força estranha, uma certeza, que me foi invadindo e tomando conta. A cada dúvida, uma única resposta: “segue em frente, estamos juntos”.

Muita gente há de me olhar e pensar “como ela consegue?”. Vou dizer a vocês: Eu não consigo, porque não sou eu.

É a Vó Benedita… é Seo Morcego.

É a Rosa, Seo Zé, a Carmen.

É a Lili, o Pimentinha, a Iara.

É Seo Pena Branca, Seo 7 Barcas, Seo 7 Lanças.

É minha Mãe Iemanjá Cristalina, é Meu Pai Ogum Megê.

É Iansã de Balê e Obaluaê.

É Olorum…  e todos os Orixás, todos os Guias, Mestres, Mentores e Guardiões.

São eles gente… é deles este projeto, esta Casa, a minha coroa, a minha fé, a minha dedicação, a minha vida… é deles. Sem eles, nada disso existiria. É por eles a minha (aparente) calma, a minha disciplina, a minha certeza, a minha esperança. Porque eu creio, no fundo d’alma, na evolução do espírito através de suas várias existências e eu creio na Gênese Umbandista. Eu me lembro de muitas das minhas experiências anteriores e elas me ajudam a entender quem eu sou, porque eu estou aqui, e o que eu preciso para melhorar. Porque, como diz Vó Benedita, a fé pela fé não é nada; a fé pela fé, sem estudo, sem base, sem conhecimento, sem investigação, sem discernimento, é como castelo de areia – na primeira onda cai, desmancha, deixa de existir.

E é isso que eu quero passar pra frente. É nisso que eu acredito – que nós teremos um futuro melhor com pessoas melhores; pessoas com auto-conhecimento, que sabem de onde vêm e para onde vão. Pessoas boas, sadias de coração e alma. Não precisa ser perfeito, nem precisa ser Umbandista, precisa ser bom e querer ser melhor a cada dia, a cada passo dado. Precisa saber que tem defeitos e que precisa melhorar, porque esta é a razão da vida material neste planeta. As pessoas precisam resgatar isso de dentro delas. Elas precisam lembrar que existe algo além do acordar de manhã, trabalhar feito louco, enfrentar trânsito, comer qualquer porcaria, ganhar o insuficiente, e no outro dia repetir tudo de novo, esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria, para ser feliz.

A vida não é isso, gente. A vida pode, e deve, ser melhor. É preciso parar, avaliar, arriscar uma vida diferente, uma vida com mais propósito, uma vida onde a gente pode se sentir feliz e realizado todo dia, não só no final de semana, não só nas férias.

É por isso que a Casa da Vó Benedita existe, e é pra isso que nós vamos trabalhar e ensinar. É com esta bandeira, a bandeira de Oxalá, Pai dos Mundos e Senhor dos Espaços Infinitos, que nós vamos auxiliar o próximo. E se nós mudarmos uma única vida para melhor, se nós salvarmos da tristeza e do desespero um único pai de família que seja, eu já me sentirei realizada.

Porque, segundo o ponto cantado que Vó Benedita tanto gosta, “Quem pode mais, é Deus”.

Pois que seja feita a vontade d’Ele.

Axé!

(A Casa da Vó Benedita está prevista para ser inaugurada ao público no próximo dia 08 de Julho, uma sexta-feira, com atendimentos semanais e gratuitos. Em breve, publicarei maiores informações.)

Simplicidade, por Pai Benedito de Aruanda

Ontem, Pai Benedito de Aruanda nos presentou com algumas sábias palavras. Dizia ele que a poluição na grande São Paulo não é somente material, de pó e agentes químicos, mas principalmente energética. Os portais naturais entre dimensões espirituais e a nossa, segundo ele, já estão tão densos que, se nós não abríssemos passagem aos nossos Guias através dos trabalhos religiosos, talvez eles nem mesmo conseguissem chegar até nós. Explicou-nos que a vida nas grandes cidades cobra muito de nós. Cobra que cada um de nós seja bem-sucedido, vencedor, bonito, bem-vestido, e por aí vai. Disse que isso cria cada vez mais pessoas insatisfeitas, cansadas, trabalhadores de 15-16 horas diárias que não conseguem mais dar valor à própria família, à própria casa, à própria fé. Por fim, Pai Benedito fechou a explanação com chave de ouro:

Vocês, fios, não nasceram para ganhar dinheiro. Ninguém nasce com esse propósito. A coisa mais importante que vocês tem é a casa de vocês, os seus familiares. Porque, vencer na vida sem família, não é vencer. Vencer sem saúde, não é vencer. Vencer sem fé, não é vencer. Isso é perder. Perder tudo que realmente tem valor na vida.

Nós todos, que trabalhamos em multinacionais, ou no trato com clientes diariamente, sabemos bem o que é isso. Sabemos bem o que são os prazos para ontem, a competição desenfreada que nos faz sentir pequenos, a falta de solidariedade, de paciência, de paz. Nós vivenciamos todos os dias horas intermináveis presos em engarrafamentos, ou lendo emails, ou mantendo-nos “informados” sobre um monte de histórias infelizes que só falam sobre o quanto os melhores chegam “lá” enquanto os “outros” ficam pelo caminho.

Pois eu lembrei de uma frase célebre hoje pela manhã, que diz mais ou menos assim:

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus…

Quando nosso irmão maior, Jesus, nos disse isso, não falava ele sobre a pobreza no sentido material de ser. Mas sim sobre aquele que é simples de espírito. Aquele que sabe que todas as ditas “riquezas” materiais vão ficar por aqui, e virar pó, enquanto que seu espírito será a única coisa viva e presente por toda a eternidade.

Então, meus irmãos, hoje eu quero alertá-los sobre a simplicidade. Vamos viver nessa cidade, nesse tempo, no meio desse “cascão” escuro de energias negativas, mas vamos lutar internamente por manter-nos nossa simplicidade de espíritos em evolução, e nada mais. Vamos nos lembrar do Mestre, vamos nos lembrar das sábias palavras de Pai Benedito, e vamos viver tentando não nos abalar com os absurdos que existem por aí. Vamos deixar que os “sonâmbulos” da materialidade se engalfinhem por dinheiro, posição, poder. E vamos nos ocupar daquilo que realmente interessa: nossa casa, nossa família, nossa saúde, nossa fé.

Com vocês, Colors of the Wind, a música tema do desenho Pocahontas da Disney. Eu amo essa música, porque ela exprime aquilo que eu sinto por dentro e que, infelizmente, ainda não posso vivenciar no dia-a-dia. Mas, um dia, eu tenho fé, chegaremos todos lá!

Aqui, a letra e a tradução da música:

You think I’m an ignorant savage,
And you’ve been so many places,
I guess it must be so…
But still I cannot see:
If the savage one is me
How can there be so much that you don’t know?
You don’t know…

You think you own whatever land you land on,
The Earth is just a dead thing you can claim.
But I know every rock and tree and creature,
Has a life, has a spirit, has a name.

You think the only people who are people,
Are the people who look and think like you.
But if you walk the footsteps of a stranger,
You’ll learn things you never knew, you never knew.

Have you ever heard the wolf cry to the blue corn moon?
Or asked the grinning bobcat why he grinned?
Can you sing with all the voices of the mountains?
Can you paint with all the colors of the wind?
Can you paint with all the colors of the wind?

Come run the hidden pine trails of the forest,
Come taste the sunsweet berries of the Earth.
Come roll in all the riches all around you,
And for once, never wonder what they’re worth.

The rainstorm and the river are my brothers,
The heron and the otter are my friends.
And we are all connected to each other,
In a circle, in a hoop that never ends.

How high will the sycamore grow?
If you cut it down, then you’ll never know.
And you’ll never hear the wolf cry to the blue corn moon.

For whether we are white or copper skinned,
We need to sing with all the voices of the mountains.
We need to paint with all the colors of the wind.

You can own the Earth and still,
All you’ll own is earth until
You can paint with all the colors of the wind.

Cores do Vento

Você pensa que eu sou uma selvagem ignorante
E já que você esteve em tantos lugares…
Eu acredito que você esteja certo.
Mas, ainda assim, não posso entender:
Se a selvagem sou eu,
Como pode haver tanta coisa que você desconhece?
Que você ignora…

Você pensa que é dono de qualquer terra onde pisa,
A Terra é só uma coisa morta que você pode tomar.
Mas eu sei que cada pedra, e árvore, e criatura
Tem vida, tem um espírito, tem um nome.

Você pensa que as únicas pessoas que são pessoas
São aquelas que se parecem e pensam como você.
Mas se você seguir as pegadas de um estranho,
Você aprenderá coisas que nunca imaginou, nunca soube.

Você já ouviu o lobo uivar para a lua cheia?
Ou perguntou ao lince porque ele rosna?
Você consegue cantar com as vozes das montanhas?
Ou pintar com todas as cores do vento?
Você consegue pintar com todas as cores do vento?

Venha correr pelas trilhas entre os pinheiros da floresta,
Venha provar a doçura das frutas da Terra.
Venha rolar sobre as riquezas que te cercam,
E desta vez, nem se perguntar o quanto elas valem.

A tempestade e o rio são meus irmãos,
A garça e a lontra são minhas amigas,
E nós estamos todos conectados
Em um círculo, em um laço sem fim.

Quão alto cresce o sicômoro?
Se você cortá-lo, nunca saberá.
E você nunca ouvirá o lobo uivar para a lua cheia.

Porque não importa se nossa pele é branca ou cor de cobre,
Nós precisamos cantar com todas as vozes da montanha,
Nós precisamos pintar com todas as cores do vento.

Você pode ser dono da Terra e, no entanto,
Tudo o que você tem será pó, até
Que você consiga pintar com todas as cores do vento.

Falando de urbanismo

Em qualquer cidade que se preze, a região central é sempre cheia de charme, turismo… e cara, muito cara. Residir na região central de cidades como New York, Londres, Paris, Buenos Aires, etc., sempre será muito mais custoso do que morar em seus subúrbios.

Normalmente isso ocorre porque é do centro dessas cidades que partem todos os grandes conglomerados de transporte, levando o cidadão para todos os pontos mais longínquos onde se queira ir. Também é ali que se aglomeram os cidadãos solteiros, ou casados sem filhos, e que portanto podem pagar mais por moradia e badalação. Vivem um estilo de vida que os permite comer fora várias vezes na semana, moram perto dos grandes edifícios de escritórios, e normalmente não possuem automóveis pois têm tudo à mão ali.

Por esses e outros motivos óbvios, as regiões centrais acabam tornando-se points de baladação, riqueza, boa comida… tudo no melhor estilo yuppie de ser.

Mas parece que nossos excelsos governantes estão errando a mão quando o quesito é desenvolvimento urbano. O centro da capital de São Paulo é um local degradado, cheio de pontos de venda de drogas, moradores de rua, prédios abandonados, praças sujas e mal-cuidadas. Toda a glória e a sofisticação do centro deram lugar à prostituição e à falta de incentivos da prefeitura para que em São Paulo se repetisse a boa fórmula de suas irmãs estrangeiras – centro rico, bem desenvolvido e super badalado, contra subúrbios calmos, arborizados, feitos sob medida para as famílias que desejam criar seus filhos com maior comodidade, espaço e ar puro.

Ainda hoje estava lendo essa reportagem sobre o Hotel Cambridge no Estadão online. O hotel, inaugurado em 1951, já foi ícone de sofisticação e requinte no centro e, agora desapropriado, será convertido em edifício de moradia para famílias de baixa renda. Agora, pensem comigo: desenvolvimento urbano significa criar espaços onde as pessoas possam não só morar, mas também trabalhar, criar seus filhos, estudar, divertir-se. Transformar todos esses edifícios em moradias de caráter social é um erro. O centro de São Paulo continuará sendo um gueto, e mais e mais investimentos serão destinados às zonas mais afastadas, inviabilizando o desenvolvimento sustentável do transporte público na cidade. O exemplo está dado e funciona: promover o desenvolvimento do centro da capital para atrair grandes empresários e moradores de rendas média e alta. Tarifar o acesso ao centro da cidade através de pedágios, diminuindo assim a incidência de automóveis e aumentando a freqüência e a fluidez do transporte público. Incentivar a recuperação de centros históricos, atraindo bons restaurantes, museus, eventos culturais, grandes magazines, shoppings e prédios empresariais.

Outra coisa, quando se fala em transporte urbano, há que se lembrar que São Paulo é cortada por um rio extenso de potencial navegável, e que se bem aproveitado poderia tornar-se vedadeira mina de ouro para os cofres públicos. E no entanto nada se faz a não ser pontes para cruzá-lo de um lado a outro… e de carro!

São Paulo tem tudo para tornar-se uma das capitais mais belas e bem-sucedidas do mundo, basta que se dê o incentivo correto. Os órgãos públicos hão de concordar que tirar pessoas das classes D e E, da maneira como é feito pelo governo petista, não gera desenvolvimento sustentável. É simples: se eu promovo o desenvolvimento do pequeno e médio empresário, automaticamente são criados mais postos de trabalho, e a roda da economia gira sem ônus para a máquina pública. Agora, se eu crio programas de distribuição de bolsa isso, bolsa aquilo, uso dinheiro do FGTS para construir moradia popular, tudo o que eu estou fazendo é onerar o Estado, sem no entanto criar oportunidades para que essas pessoas cresçam de verdade, estudem e trabalhem – eu crio dependentes do Estado, e não cidadãos produtivos.

Eu temo dizer que isso tudo é falta de vontade política. Para mim, já é um caso crônico de visão estreita e falta de massa encefálica mesmo.

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Ovo de Páscoa Surreal…

Ontem tivemos amigo de páscoa na empresa. Deixei para comprar o ovo do meu amigo secreto no caminho de ida para o trabalho, uma vez que passo por quatro supermercados. No primeiro, não tinha. No segundo, também não. No terceiro… bom, foi aí que aconteceu algo surreal.

Eu entrei no supermercado, estacionei. Eram nove da manhã. Entrei e comecei a procurar pelo corredor que tivesse aquela estrutura suspensa e todos os ovos pendurados lá em cima… achei.

Havia um rapaz abaixado, que eu pensei ser funcionário do supermercado, porque parecia estar arrumando as prateleiras e a cor das roupas era muito parecida. Vi isso tudo de relance, porque já entrei no corredor olhando para cima e procurando o tal do ovo que eu queria comprar… Diamante Negro.

E lá estava ele em sua embalagem preta, penduradinho sobre minha cabeça. Voltei para o início do corredor para verificar numa plaquinha os preços. Vi que, pelo budget estipulado no nosso amigo secreto, eu precisava de um ovo tamanho 20. Voltei procurando pelo número certo… 15… 21… ué, cadê o 20?

Ainda olhando para cima, perguntei ao “funcionário” do supermercado:

[eu, verificando os números dos ovos suspensos] – Sabe se tem número 20 desse ovo aqui?

O rapaz levantou e passou raspando por mim, dizendo bem alto: Não sei!

Levei um susto e vi, conforme ele se afastava, que ele estava de bermuda. Pensei, comigo: Putz! Ele não é funcionário do supermercado! Que vergonha!

Pensei com meus botões que o cara estivesse bravo porque eu havia confundido ele com algum funcionário. Mas também pensei que ele não precisava ter sido tão grosso. Pensei tudo isso ainda procurando pelo tal ovo número 20, ou seja, olhando para cima.

Segundos depois o mesmo rapaz passa de novo por mim e diz em tom ameaçador enquanto dirige-se para a saída do supermercado e esconde algo sob a blusa:

A senhora não viu nada, firmeza? A senhora não viu nada…

Eu lembro que olhei para ele, mas ele não me encarou. Passou com os olhos baixos, mas nem por isso menos ameaçadores. Tudo aconteceu em segundos. Eu fiquei ali, parada, olhando para cima.

Fiquei pensando: ok, então não era funcionário… e também não era cliente. E se ele me esperar lá fora? E se ele viu meu carro?

O coração estava batendo nos ouvidos já. Respirei fundo, pedi auxílio divino. Mais calma, procurei por um funcionário que me ajudasse a achar o tal ovo número 20. Achamos, e ele retirou o ovo lá de cima para mim. Entrei na fila mais longa que encontrei. Fiquei lá uns 10 minutos. Para minha alegria, quando saí, o segurança do supermercado estava bem na porta, vigiando o estacionamento que contava apenas com uma meia dúzia de carros àquela hora.

Agradeci mentalmente a proteção. Sentei no banco do carro e percebi que eu poderia ter sido assaltada, morta, ou talvez coisa pior, simplesmente por entrar num supermercado às nove da manhã.

E meu medo não foi morrer, porque morte para mim não existe. Mas nesses poucos minutos pensei insistentemente na minha filha que eu havia deixado em casa, e que estava doente.

É… sur-re-al.

E como eu não pude participar do amigo secreto porque tive que levar a Belah ao médico, eu espero que o meu amigo secreto tenha gostado do ovo. Afinal de contas, eu quase morri por ele… 😀

Coro da OSESP abre inscrições

A OSESP começou o processo anual de seleção para os coros infantil e juvenil. Para participar, não é necessário ter cantado em outros corais, saber ler partitura ou conhecer música de concerto. As inscrições vão até 25 de fevereiro e os testes para identificar o tipo de voz do candidato e sua aptidão para a música serão realizados entre 1º e 5 de março.
Seu filho, se for selecionado, terá aulas duas vezes por semana. Ouvirá música de fino trato.
Desenvolvolverá senso estético musical, disciplina, perseverança. Melhorará a postura, ficará mais desinibido. Além de melhorar a memória e os estudos (sim, quem estuda música tem mais facilidade com números, por exemplo).
Fará amigos, poderá fazer algumas viagens, e fará parte de uma das maiores Orquestras Sinfônicas do mundo… sem pagar NADA. O curso é gratuito.
Não é legal?
Então tá esperando o quê? Clique aqui para o coro infantil, ou aqui para o coro juvenil. Ah… se eu tivesse idade… 😦
Boa sorte!

O dilúvio

Gentem, o que é que foi essa chuva hoje?!? Fala sério! Pelamor!

Eu, me achando a super antenada, saí do trabalho às 15:20 para não pegar o dilúvio. Pois bem, no caminho passei num hortifruti que fica no caminho de casa para comprar bananas pra Belah (minha filha come banana nanica amassada todo dia de manhã… uma fofura…). Enquanto eu escolhia as bananas, a chuva começou a cair. Chuva não, dilúvio! O que foi aquilo? Meu povo, a Vila Olímpia ficou debaixo d’àgua em 5 minutos!

E eu, vendo a água subir na rua, comecei a ficar desesperada… já imaginou se entra água no carro?

Já me aconteceu e, acreditem, não é nada bonito esse tipo de coisa.

Fiquei uns 20 minutos esperando uma folguinha naquele dilúvio todo para daí conseguir colocar as frutas no carro e sair. Tá, consegui… e o trânsito! Imaginaram? Então, bota aí 3 vezes pior. Todos os carros andando em fila, um atrás do outro, na parte do meio, e mais alta, das ruas porque pareciam verdadeiros rios.

Resumo da ópera: 2 horas para chegar em casa!

Ô vidinha sem graça!

😉