Menino Buda

Nepal, 2005. Um rapaz de 15 anos diz à mãe e aos irmãos que irá se recolher em meditação pelos próximos 6 anos. Quando a mãe protesta, ele diz que, se não for, morrerá, pois este é o seu destino – ele precisa atingir o grau búdico através da meditação, para então poder trazer sua mensagem ao mundo.

Ele então se senta em meio às raízes de uma árvore na floresta, e ali permanece… Sentado em posição de lótus, ele não abre os olhos, não bebe nem come. Seu irmão mais velho constrói uma verdadeira força-tarefa para manter os curiosos e devotos longe do rapaz. No início são alguns poucos, mas conforme o tempo passa, viram dezenas, centenas, milhares de curiosos. Alguns duvidam, outros idolatram. Muitos querem tocá-lo.

Passados pouco mais de 10 meses desta situação, já existe todo um comércio em volta, pessoas que vendem “santinhos”, DVDs, restaurantes em tendas, romarias… qualquer coincidência com Aparecida, Fátima, ou outros centros de peregrinação NÃO é mera coincidência.

Mas o rapaz se mantém ali, impassível, imóvel. Seus cabelos cresceram, suas unhas também. Alguns dizem que uma cobra aproximou-se e o picou. Alguns viram o sangue. Mas nada aconteceu – ele continua em meditação profunda.

Antes de tomar esta decisão, ele havia fugido de casa e se retirou na Índia, dentro de um dos mosteiros mais rígidos existentes ali. Voltou um ano antes de iniciar seu processo de iluminação e, durante este tempo, segundo relatos da família, ele quase não saiu de casa. Sua mãe diz que ele sempre foi uma criança diferente – não brigava, não xingava, não maltratava nada nem ninguém. Seu irmão diz que ele sempre teve convicções religiosas muito fortes, que ele costumava exortar as pessoas a não fazer sacrifícios animais, porque aquilo era errado.

Em meio ao circo que se formou ao redor do Menino Buda, como é chamado no mundo todo, seu mestre Lama veio da Índia verificar como estava seu pupilo. Ao mestre é permitido passar pela cerca de madeira e proximar-se do rapaz. O Lama senta-se a cerca de 3 metros do menino e ali mantém-se também em posição de lótus, de frente para o rapaz e olhando fixamente para ele. Parece um diálogo, nada é dito, mas os dois parecem conversar de uma maneira que só o espírito compreende. De repente, uma mudança – o menino começa a suar, apesar dos 15ºC de temperatura apenas. O suor escorre de sua testa e desce pelo rosto. É a única alteração vista nos últimos dez meses de meditação do Menino Buda.

O Lama permanece ali por cerca de uma hora, depois se retira. Questionado sobre a transpiração do pupilo, ele diz que existem técnicas especiais de meditação com as quais os monges aumentam a temperatura do corpo propositalmente. O repórter pede detalhes, ele diz que não os pode dar e sorri.

O documentário da Discovery Channel dura pouco mais de 3 horas. Eu tive tempo para assistir os primeiros 45 minutos apenas. Mesmo assim, vale a pena verificar os comentários no vídeo – são “especialistas” do ramo da nutrição e medicina dizendo o que DEVERIA acontecer com o Menino Buda se ele ficasse míseros 4 dias sem comer ou beber nada. E, como ele continua forte, aparentemente sadio, e principalmente vivo, todos são unânimes em dizer que ele deve estar sendo alimentado. Por isso a rede de TV decide plantar uma câmera e filmar o processo durante 4 dias sem parar. O vídeo está legendado em inglês somente.

Como não vi tudo, não sei a que conclusão chegaram, mas sei que é triste verificar como o Ocidente nada sabe, e parece nada querer realmente aprender, sobre a sabedoria milenar desses monges praticantes. Ninguém quer realmente aprender, ninguém quer realmente saber. Porque aprender, saber, mudar, significaria deixar cair por terra tudo que esses “especialistas” sabem, e começar do zero. Seria admitir que nós não somos só corpo. Seria admitir que o corpo humano não é alimentado SOMENTE por vitaminas e minerais, mas também por energia divina, ou prana, como se referem os hindus.

Ao final de 2011, o Menino Buda finalmente emergiu de seus 6 anos de meditação. Segue o vídeo legendado com parte de uma de suas mensagens de 2008:

A tradução deste pronunciamento está na wikipedia, juntamente com a biografia do Menino Buda.

Percebam a profundidade das palavras desse menino. Percebam que, em muitos momentos do vídeo, ele parece receber a mensagem, filtrá-la, e então ele tenta adequar a informação à linguagem falada. Percebam que ele não fala da humanidade – ele fala de TODOS OS SERES SENSIENTES (eu não concordo com a tradução de “sensient” como sensível). “Senciência é a ‘capacidade de sofrer ou sentir prazer ou felicidade’. Não inclui, necessariamente, a auto-consciência.”, segundo definição da wikipedia. Ou seja, inclui aí animais, plantas e minerais, se você acredita, como eu, que os minerais também são formas de vida.

Ele também fala que o mundo libertar-se-á através da filosofia do maitri – a Wikipedia traduz maitri, ou metta, como amor incondicional, amizade, benevolência, boa vontade, carinho, amor, simpatia, união mental íntima e interesse ativo nos outros. Ela também cita maitri como a versão sânscrita de Maitreya, ou seja, o próximo buda a encarnar, que viria continuar a tarefa de seu predecessor, Siddharta Gautama.

Percebam como ele refere-se a outras almas encarnadas, outros budas, que, juntamente com ele, mudarão o mundo através da prática meditativa e do amor incondicional.

Ou seja, há muito o que aprender e apreender somente nestes poucos 7 minutos de discurso deste menino. E, no entanto, ninguém fala disso. Ninguém pede uma entrevista, ninguém noticia, ninguém se importa. Vale mais a pena colocar na TV os massacres, os roubos, os assassinos… do que alguém que recolheu-se em meditação por 6 anos em prol da paz mundial.

Uma pena, não é mesmo?

Ele agora tem 21 anos e alguns dizem que ele é o Buda Maitreya. Se ele é ou não este grande espírito encarnado não nos cabe validar. Mas que ele é especial… isso, para mim, está notório.

Então, neste ano de 2012, escolha diferente. Escolha a Paz. Escolha o Amor. Escolha ouvir a mensagem do Menino Buda. Escolha fazer do seu mundo um lugar melhor para se viver. Namastê!

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Uma forma eu sou…

Existe um programa na Discovery Kids chamado Mister Maker. Minha filha foi apresentada a ele bem cedo, uma vez que ela se encantou com as quarto formas que dançavam ao som de uma música bobinha e repetitiva.

Ela nem falava direito, mas já se agitava e ria alto quando via as formas dançando… e o tempo passou. Há alguns dias atrás, Belah, do alto de seus quase 3 anos de vida, transformou aquelas formas em família e deu a cada um de nós um papel fidedigno:

[Belah] – Mamãe, você é o etângulo. E a vovó é o cículo

[eu, querendo ver onde aquela história ia chegar] – E o papai, quem é?

[Belah, rindo] – Papai é o cuadado!

[eu, rindo junto] – Ah! E você é o triângulo, Belah?

[Belah, apontando para a própria barriga] – A Belah é o tiângulo! Amaelo! E você é o etângulo vemelho! Gandão! E o papai é o cuadado azul! Azul! Fofinho! E a vovó é o cículo osa! Osa! Hahahaha…

Pelas associações, eu estou bem na fita, porque o retângulo parece ser o chefe da turma, é alto e magrinho. Já o quadrado e o círculo… vai saber, né? Deixa pra lá…

Uma forma eu sou! Lálálálá…

Mulheres e religião… no programa da Hebe

Ontem, no programa da Hebe na RedeTV, houve um quadro em que ela convidou três mulheres e três representantes de grandes religiões no Brasil – um padre, um sacerdote umbandista e um sacerdote muçulmano.

A intenção era discutir a fé e o papel da mulher, seus direitos e deveres, dentro dessas religiões. As moças deveriam fazer perguntas aos sacerdotes, e então teríamos um bom bate-papo. Ou, pelo menos, assim pensei.

O quadro durou pouco mais de 5 minutos. O sacerdote Umbandista era nosso querido Mestre, Rubens Saraceni. Primeira pergunta inteligente:

[moça] – Porque não há mulheres sacerdotisas nas suas religiões? A umbanda aceita mulheres como dirigentes?

[Rubens] – Sim, na Umbanda hoje, cerca de mais de 50% de nossos dirigentes são mulheres, e elas têm, dentro da nossa religião, os mesmos direitos e deveres que os homens. Não há distinção.

As moças ficaram contentes, viraram a pergunta para o padre:

[padre] – Sim, na religião católica também, as mulheres são muito consideradas. Como exemplo maior disso temos nossa mãe maior, a Virgem Maria…

[eu, embora ninguém fosse me ouvir no programa da Hebe] – Ah, vai se f…!

Começou o bate-boca e ninguém mais falou coisa com coisa. Também, depois de um exemplo desses, fica difícil levar a sério o tal do padre, uma vez que a pergunta não era essa. O sacerdote muçulmano não se manifestou.

Depois, uma das moças questionou o uso da burca.

[muçulmano] – Deus disse que as mulheres se cobrissem dos pés à cabeça, está no alcorão…

Começou o bate-boca de novo. Daí, a moça conseguiu se explicar.

[moça] – Longe de mim ser preconceituosa, mas lembro-me de estar no aeroporto de NY e vi várias muçulmanas sob aquelas burcas num calor de 40 graus. A minha impressão foi de que aquilo era desumano, porque ninguém quer vestir-se daquela maneira sob um calor daqueles. Elas têm opção? Elas podem não usar a burca?

[muçulmano] – Não, mas elas escolhem usar mesmo assim.

Mais um bate-boca. Se elas não podem escolher não usar, como foi que elas escolheram usar? Meu comentário – Ah, vai se f…!

Dali ele discursou sobre o alcorão, apresentou sua belíssima esposa brasileira convertida, e que usava apenas o véu na ocasião, disse que as mulheres muçulmanas tem todo o direito de ir e vir e que, inclusive, sua esposa já estava fazendo doutorado. Ou seja, disse um monte de bobagens e não se explicou sobre o fato de que, querendo ou não, elas devem seguir aquilo que está escrito no tal do alcorão, segundo a interpretação dos sacerdotes atuais, claro. Próxima pergunta inteligente:

[moça] – Como é que cada uma das suas religiões considera a homossexualidade? Eu tenho vários amigos homossexuais e eles são todos Umbandistas ou do Candomblé…

[padre] – Nós, da igreja católica, achamos que a filosofia, a ciência e a psicologia ainda devem à sociedade uma explicação correta à respeito desse tema, porque até agora nenhuma dessas ciências conseguiu nos explicar…

[Rubens] – A ciência nunca vai conseguir explicar nada com respeito à homossexualidade, porque esse é um tema anterior à existência do ser na carne. Nós fizemos inúmeras experiências, com irmãos clarividentes, e pudemos constatar que, em quase 100% dos casos, há um espírito feminino habitando um corpo masculino; ou um espírito masculino habitando um corpo feminino. Nós cremos que, por razões cármicas, o ser feminino ou masculino encarna com outro sexo para poder passar por certas experiências.

[padre] – Nós não cremos nisso porque para nós a criatura morre uma única vez. Nós não cremos em reencarnação, mas em ressurreição. A criatura morre, o corpo está lá no caixão, enterrado, mas a alma está junto de Deus. A bíblia não fala de reencarnação, mas sim de ressurreição.

[eu, mais uma vez indignada] – Ah, vai se f…!

Mais uma vez começou um zumzumzum e ninguém mais se entendeu. A Hebe cortou o papo, agradeceu a presença deles e pediu ao padre que cantasse uma das músicas de seu novo CD…

Perguntas que não querem calar…

Como pode, em pleno século XXI, alguém continuar nessa de citar partes da bíblia, do alcorão, ou de qualquer outro “livro santo” como se aquilo fosse a mais pura verdade? Ninguém explicou a essas pessoas que esses livros passaram por dezenas, centenas de traduções e adaptações, cortes e reedições, tudo de acordo com os interesses de uns poucos que, na época, eram alfabetizados? Será que não fica patente para essas pessoas que esses livros foram editados para diminuir o papel da mulher na sociedade, tornando-a persona non grata e objeto de troca?

Porque? Simples: peguem uma cultura como a celta, que dominava quase toda a Europa em vários níveis, e cuja religião era, em muitos aspectos, parecidíssia com a Umbanda Sagrada de hoje. Era uma cultura baseada na igualdade, onde a mulher jamais se subjugava ao homem, onde elas tinham direitos à terras, à escolher seus próprios parceiros, à exercer profissões, etc. Até mesmo a cultura Romana, em seus primórdios, considerava a mulher com direitos praticamente iguais aos masculinos.

Assim também acontecia com a cultura egípcia, e até mesmo com os persas antigos. Jesus, pelo que me consta, foi grande defensor dos direitos femininos entre os gentios e judeus, e nunca fez discriminação de qualquer grau contra mulheres. Muito pelo contrário, aceitou entre seus seguidores muitas delas, para desespero dos machistas judeus da época.

Porque, numa cultura milenar como a da Índia, um monarca dar-se-ia ao trabalho de construir um monumento como o Taj Mahal para sua própria esposa se lá também elas não fossem consideradas com deferência e consideração?

São questionamentos que parecem escapar à mentes “brilhantes” e cheias de citações decoradas desses chamados sacerdotes católicos, judeus e muçulmanos.

Outra coisa – como podem essas pessoas repetir constantemente “Deus disse isso” ou “Deus disse aquilo”? Afinal de contas, quem é esse Deus que dá plena liberdade a uns e massacra outros por simples diferenciação de sexo? E porque Deus é masculino, sempre? Como pode um ser de essência masculina criar a partir de si mesmo seres de essência feminina?

Perdoem-me a ignorância mas, Deus não tem forma, não tem nome e não tem sexo. A Fonte de Tudo que É está em tudo e em todos, é energia pura e inteligente, e não pode “falar” senão através de suas próprias criaturas, sejam elas quais forem no Universo. Deus não está no céu, mas sim em tudo – por isso é Onipresente, Onipotente, Onisciente. Cada vez que alguém, em algum lugar, cita a frase “Deus disse…”, me dá um calafrio: me soa como blasfêmia das mais cabeludas, uma vez que nenhum de nós pode, em essência, determinar aquilo que passa pela Consciência Maior, muito acima da nossa própria.

Mas uma coisa é certa – esta energia que a tudo permeia é amor puro, e jamais, em tempo algum, faz diferenciação entre suas criaturas. No entanto, nós fazemos as diferenciações; nós rotulamos; nós apontamos o dedo; nós condenamos e julgamos. E depois dizemos que foi Deus quem fez tudo isso…

Infelizmente o programa da Hebe não discutiu o tema como deveria. Mas, mesmo assim, ponto para a Umbanda, que pôde, em raras ocasiões durante a entrevista, provar mais uma vez que é uma religião inteligente, formada por pessoas com cérebro e discernimento.

Axé!

Update

Vou deixar aqui o link para as três partes da entrevista:

Teresópolis sob tortura

"Muito serão os chamados... mas poucos os escolhidos."

E mesmo perante a dor, a perda, aos corpos boiando sem vida e mutilados, aos doentes, às condições precárias de sobrevivência, o ser humano ainda assim consegue provar o quão inumano se encontra.

Tenho lido e visto vários blogs, jornais e outros meios divulgarem brigas entre entidades – prefeitura, igreja, cruz vermelha, etc. – na trajédia que assola a região serrana do Rio de Janeiro, mais especificamente, Teresópolis.

Aqueles que se voluntariaram, de peito aberto, ao serviço ao próximo estão paulatinamente deixando o local, por discriminação, politicagem, mesquinhez, roubalheira, falcatruas. Esses abnegados trabalhadores voltam às suas casas e a seus afazeres simplesmente por verificarem que seus esforços em prol daqueles necessitados estão sendo tolhidos pela mesquinhez daqueles que deveriam zelar pela população.

Meu Deus, eu me pergunto, como pode alguém no meio daquilo tudo ainda assim achar que pode desviar donativos? Como pode alguém não condoer-se ao ver crianças e velhos naquela situação, preferindo a isso discutir de quem é essa ou aquela frente de trabalho? Como podem pensar em auto-promoção e burocracia estando rodeados de miséria, dor e desepero? Como?!?

Então, queridos, me desculpem… mas muito mais virá. E continuará vindo até que a humanidade aprenda a ser Humana realmente. Até que doa em cada um. Até que cada um se esqueça de querer puxar a “sardinha” para a sua religião, para o seu partido, ou para a sua entidade de classe. Até que a humanidade aprenda que, se não unir-se como uma só, nada restará.

O único problema é que eu acho que não dá tempo dessa gente toda aprender. Enquanto isso, muitos sofrem e alguns iludidos se sentem no direito de levar algum tipo de vantagem na situação:

Cinema trash

Hoje, durante o almoço, falávamos de filmes trash. Sabe aqueles filmes que foram hit nos anos 60, 70, 80? E que agora, quando você os vê, fica pensando “meu deus, que porcaria…”, mas mesmo assim não consegue não ver? Pois é, desses aí que nós estávamos falando.

O problema não é que os filmes sejam realmente uma porcaria, mas os efeitos, e muitas vezes as histórias, já estão mais do que “capengas” para as tecnologias de efeitos visuais 3D do século XXI de James Cameron e seus Na’vi… mas nem por isso são menos entretenimento. Experimentem!

  1. Dentre os mais cotados, temos como ganhador Flash Gordon e seu tema musical cantado por ninguém menos que Queen:

  2. Depois temos Xanadu, com Olivia Newton John, que por sinal também foi lembrada por Grease (Nos Tempos da Brilhantina). Aliás, só para deixar registrado, eu adoro essa sequência do filme.

  3. Seguido por nada menos que Barbarella, sex symbol dos anos 60. Aliás, o filme todo foi tido como extremamente “sensual” na época.

  4. E no meio disso tudo, eu ainda sugeri que todas assistissem Legend (A Lenda), com Tom Cruise (novinho e lindinho).

E aí, tem mais algum que vocês gostariam de incluir na lista? 😀

Moses supposes his toesies are roses…

No domingo fomos, eu, Diego e Belah, almoçar num restaurante aqui perto de casa. O restaurante tem várias TVs, que naquele dia estavam exibindo uma coletânea de vídeos antigos. De repente aparece Gene Kelly em sua mágica seqüência de Singin’ in the Rain:

E Belah fica como que estática, achando o máximo alguém dançando embaixo de toda aquela água. E comentou aquilo o resto do dia, até que eu perguntei se ela queria ver o moço dançando na chuva. E é claro que ela queria, né?

Peguei o DVD em casa e coloquei para tocar. E ela sentou-se no tapete e ficou como que hipnotizada, vendo o filme desde o começo. A cada moça que aparecia, ela dizia: “Que indo! Óia o vitido dela!”. Ou então: “Que indo! Óia o papato dela!”… e assim foi. Detalhe: o filme todo em inglês porque o DVD que eu tenho só tem áudio em inglês e espanhol.

A cada cena de dança e canto, ela se maravilhava, levantava, dançava junto. Falou durante o filme todo, comentários mil sobre sapatos, vestidos, chapéus. E por fim a cena que ela mais amou e me fez repetir mais de vinte vezes desde então – Gene Kelly sapateando na cena da aula de dicção:

Nessa parte ela simplesmente vai à loucura – bate os pezinhos no chão, bate palmas, chacoalha o corpinho… é engraçadíssimo de se ver.

Mas, realmente, quem pode discordar dela, não é mesmo?

Eu sou suspeita, porque já disse que os filmes dos anos 50/60 são meus preferidos. Agora estou pensando em apresentá-la a Maria em The Sound of Music. Será que ela vai gostar tanto quanto? 😉

Coisas bonitas

A grande mesquita de Abu Dhabi, também chamada de Mesquita das Flores. Toda construída e decorada em mármore. Possui o maior candelabro do mundo e demorou 12 anos para ficar pronta.

No meu TCC (trabalho de conclusão de curso) do curso de gerenciamento da FGV, escrevi sobre como o celular deixou de ser um utilitário – ou seja, um telefone – para tornar-se um objeto de consumo. Como conclusão, colhi dados de várias fontes e fiz um resumo de como o homem busca, desde que nasce, aquilo que é belo. É isso mesmo, todo mundo quer coisas bonitas. Mesmo que o seu “bonito” não seja o mesmo que o meu. Isso não faz diferença.

Desde olhar uma paisagem, até comprar lingerie, passando por carros, motos, apartamentos, jóias, tintura de cabelo, e até celulares, nós sempre vamos levar em consideração as variáveis de beleza, harmonia, composição.

Os gregos eram mestres nesse quesito. Não é à toa que até hoje diz-se “Deus grego” de qualquer homem realmente bonito que apareça por aí… vide Brad Pitt em Tróia (e passe calor…rs…). Aliás, na Grécia antiga valorizava-se a beleza e as medidas proporcionais, que eram os modelos de beleza ideal. Os gregos foram os melhores escultores que a história conheceu, por conta justamente dessa busca incessante pela proporção perfeita.

Na sua constante busca pela beleza perfeita, os gregos criam arte na qual predominam o ritmo, o equilíbrio e a harmonia ideal. A mitologia grega vivia engrandecendo o amor e a beleza. Os gregos eram poetas e artistas que se encantavam com a beleza do universo e com o amor. As estátuas gregas representam os mais altos padrões já atingidos pela escultura, onde formas humanas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento.

Na arquitetura, primaram pelo equilíbrio, pelos detalhes e afrescos belíssimos. O mármore, usado em profusão, era trabalhado, talhado e combinado em formas e conjuntos que até hoje fazem bonito frente a qualquer obra tecnológica.

Mas vocês devem estar se perguntando: porque esse post sobre beleza e perfeição? Eu explico – a intenção é questionar porque o homem busca por isso tudo? Porque esse anseio sem fim?

Deus, a Fonte, é a resposta. Segundo as mais variadas religiões no mundo, nós fomos criamos à imagem e semelhança d’Ele. Ora, se Ele é perfeito, e perfeição é beleza, o homem busca voltar à Fonte desde sempre através do que é belo. Assim sente-se mais próximo daquilo que almeja. É um anseio que vem d’alma e não se explica, se sente. Quem já passou pelo processo de criação, seja de um desenho, pintura, escultura, música, ou mesmo de uma nova vida, sabe do que estou falando. É um estado de graça, se é que posso me expressar assim.

Por isso viver em cidades caóticas como São Paulo (eu amo isso aqui mesmo assim) causa doenças, stress. Por isso sentimo-nos automaticamente melhores diantes de um mar azul, com o sol e a areia branquinha… tem coisa mais bonita que isso?

Pois é, minha gente. Beleza é importante para a alma. Eu diria, essencial. 😉